sábado, 1 de julho de 2017

Capítulo VIII - Amores possíveis, paixões impossíveis


Capítulo VIII

Quando se ama o tempo parece não passar – pensava Clara ao caminhar pela praia. A praia estava vazia ampliando o volume de seu inquietante pensamento.
_ O amor deveria ser algo que só traz prazer e quando não correspondido, deveria ser simples o “desamar” – diz Clara em voz alta, desabafando com ela mesma.
Para alguns o amor é tão fatal e dilacerante que só provoca dor e sofrimento. Não existe um único amor, para a vida toda. Todos deveriam aprender que se o amor não dá certo, parte-se para outro relacionamento, sem tamanho sofrimento.
Gum estava em seu barco, no calabouço encurralado pelos seus sentimentos. Ele fugia do que sentia e deseja não encontrar Clara. Queria se fortalecer para lutar contra aquele sentimento que o faria estourar sua bolha, romper suas amordaças e sair da sua zona de conforto.
_ Se a Clara tivesse correspondido as minhas investidas no passado seria tudo mais fácil. Agora com esse sentimento que me tira o ar, me torna incapaz de raciocinar, parece castigo, ela é o meu castigo.
Gum vai para o mar, procura nas ondas repor suas energias. Clara recarrega suas energias caminhando pela areia. Ela sente um vazio n’alma. Ele uma angústia sufocante. Como pode o amor provocar tamanha desordem na vida de duas pessoas que se amam?
“Os dois se encontram. Clara estava caminhando quando vê Gum sair do mar, os dois se olham e se aproximam... Gum estava molhado, a pele salgada pela água do mar, ele segura levemente na mão de Clara e a puxa delicadamente, ela sente a pele molhada dele em seu corpo aquecido pelo sol. Ele a olha e a cumprimenta com um suave beijo no canto esquerdo da boca.
A respiração dele está ofegante, Clara fica paralisada, esperando que ele vá além daquele beijo roubado. Ele espera que ela fuja. Gum a abraça, sente o cheiro doce da pele dela, respira profundamente, sente que o corpo dela está entregue a ele. Ele toca o cabelo de Clara, a água que escorre dos cabelos dele, percorre as costas dela provocando um arrepio. O estremecer do corpo dela o faz vibrar.
A boca de Gum toca suavemente a nuca de Clara, enquanto ela passa as mãos pelas costas dele. Ela toca a orelha dele com os lábios, provocando-o. A boca entre aberta procura pela boca dela, os lábios se tocam com força. Ele morde delicadamente os lábios dela, ela suga os lábios dele, ele toca com a ponta da língua os lábios de Clara, ela responde deixando que sua língua toque a dele. O beijo é ardente. As mãos se apertam, demonstrando o tamanho do desejo que existe entre eles.
Gum a convida para ir até sua casa, eles seguem juntos, lado a lado. Ele a convida para tomar um banho relaxante, ela aceita. A água quente do chuveiro esquenta ainda mais o clima de desejo. Ele passa o sabonete pelas costas dela, enquanto a beija. Os corpos nus, se enroscam, ela se vira para ele e olha nos olhos. Um diálogo sem palavras, apenas olhares e movimentos.
O movimento dos corpos refletido no vidro do box, a pele arrepiada, a respiração, o gosto do outro. Clara e Gum saem do banho e vão para o quarto, é a primeira vez que ela vai a casa dele. Tudo parece estranho para ela. Eles se beijam defronte ao espelho, as toalhas caem no chão, eles se beijam ardentemente. Gum toca o rosto de Clara, a beija e deixa que sua boca percorra todo o corpo dela, beijando, mordiscando e passando a língua suavemente pela pele de Clara. Ele se delicia com os movimentos de prazer que provoca, enquanto se deleita no desenho daquele corpo.
Clara passa as unhas, suavemente, pelas costas de Gum. Entrelaça suas pernas nas dele. Ela retribui as caricias, e passeia pelo corpo dele, com beijos e pequenos toques com a ponta da língua. Ele se contorce de prazer. Os dois se olham e ela concede a ele o direito de tê-la. Ele a obedece, e a toma para si, os corpos entram num frenético movimento rítmico. Há uma energia pulsante, que os faz vibrar na mesma sintonia. O vai e vem dos corpos, os gemidos, as bocas se procuram, os olhares e as frase ditas entre eles, testemunham momentos do mais profundo prazer.
Eles se entregam ao desejo, se amam ardentemente... encontram o êxtase. Os corpos caídos na cama, exauridos pelo prazer. Ele a busca para perto de si, a abraça e surpreendentemente diz:
_ Quero você.
Clara fica sem entender o que, exatamente, significa aquele querer. Ele a beija com o mesmo desejo de antes daqueles tórridos momentos de prazer. Ela nem consegue pensar sobre o que estava acontecendo. Ele a toma em seus braços e a beija. Clara sente que o amor é inebriante. Gum se surpreende com tanto desejo, ele já não era mais um jovem, como aquela mulher podia provocar tamanha disposição?
Eles permanecem na cama, se acariciando, beijando, desejando e amando. A amanhã passa rapidamente sem que eles saiam do quarto, uma única e rápida escapadela para trazer um suco e frutas para repor as energias gastas. Clara olha para ele, e vê que apesar da idade e da forma física ele a atrai. Naquele quarto Gum é outro homem, apaixonado, entregue, viril e apaixonante.
Ele também a contempla, vê que apesar das imperfeições naturais a uma mulher com mais de 40 anos, elas ainda mantem um corpo que atrai olhares e o desejo dele.
_ O que vamos fazer? _ pergunta Gum
_ Como assim?
_ Como vamos fazer com tudo isso que está acontecendo? – Explica Gum.
_ Vamos viver intensamente. _ Responde Clara”.
Clara olha para o mar e tem a certeza que está preparada para tudo. Gum deixa o mar focado nos afazeres do dia...
A vida segue seu rumo, cada um com seus pensamentos errantes, com seus desejos ocultos e com muitos desencontros. O amor, um dia venceria aquela intransponível barreira do medo... Apesar da dor que provoca no outro, ele traz uma felicidade que só pode vir do momento de entrega ao tão temido amor...



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