sábado, 1 de julho de 2017

Capítulo VII - Amores possíveis, paixões impossíveis


Capítulo VII

No cenário, o barco de metal, estático em seu porto, num emaranhado de emoções e com pesadas ancoras que o mantem paralisado, Gum está prostrado em seu convés, buscando respostas para suas angustias.
O amor é composto por 3 elementos: eu, ele e nós. Para que exista amor, tem que haver o “nós”, os sonhos sonhados juntos, os desejos que caminham para algum lugar que seja bom para os dois.
“Gum sorriu e passou a mão pelo rosto. Clara o admira, mesmo sorrindo ele demonstrava uma tristeza em seu olhar, uma nuvem cinza parecia acompanha-lo por toda a parte. Ele olhou para Clara como se quisesse dizer algo importante. Mas isso ele não conseguiu. Logo saiu em fuga.
Clara sorriu percebendo as emoções que provoca em Gum, mas logo ficara séria e com olhos tristes ao ver que ele sofria com medo que sentia e o aprisionava.
_ Por que você não solta as amarras? – perguntou ela.
_ Não sei do que você está falando. Não sei o que espera que eu responda. – Disse Gum irritadiço.
_ Quero que diga o que está sentindo, que tal?
_ Não sei o que dizer. – respondeu ele nitidamente tenso.
_ Não sabe?
_ Não, não sei o que dizer. Clara eu...
Ela olhou nos olhos dele e se aproximou, colocando suas mãos sobre o coração dele e dizendo:
_ Acalme-se! Apenas sinta e deixe acontecer.
Gum respirou profundamente, a olhou abraçou fortemente.
_ Você sabe o que sinto por você, só não sei como fazer.
_ Gum, meu querido! Apenas diga o que sente, comece me falando o que sente.
_ Já falei e você me ignorou.
_ Era outra situação, você sabe disso. – respondeu Clara, com certa indignação.
_ Naquele momento estava apaixonado, inebriado e encorajado. Agora, o que sinto é muito diferente. Naquele momento eu sabia exatamente o que esperar daquele sentimento.
_ Agora não sabe se sente mais?
_ Sei que sinto algo muito diferente. Não é paixão. Tenho medo, porque não entendo o que sinto. Tenho medo de ficar ridículo, bobo e inconsequente. Tenho medo da dor.
_ Você está com medo de viver algo tão belo?
_ Belo? Como você sabe que é belo?
_ Você tem razão, não sei. Também não sentia algo assim, desde os meus 20 e poucos anos. O que sei é que sinto com intensidade e sem medo.
_ Sou covarde, quero fugir do que estou sentindo. Tenho medo de me entregar a você e depois sofrer.
_ E agora você não está sofrendo?
_ Sim, sofro muito por não poder gritar para todos que...
_ Que?
_ Você sabe, Clara. Você sabe.
_ Gum, eu também...
Os dois se olham e são abruptamente interrompidos por um desavisado que chega para uma inútil conversa com Gum, o capitão daquela nau”.

Assim é o amor... complexo, intenso e entre Clara e Gum, tenso. Por que tem que ser assim? É um querer sem fim... ela se questionava de como podia amar intensamente aquele homem rustico e mal-educado, agressivo e desenxabido.
A paixão é assim, desejo pelo outro, sem que exista a intenção de se estabelecer um relacionamento duradouro. O amor pode começar com uma paixão, mas vai além. O amor vem com um desejo de construir o “nós”, isso amedrontava Gum, porque ele não sabia o que era amar. Ele sempre fora uma pessoa individualista e esse desejo compartilhado era algo novo para Gum.
 Não há vida sem dor, e para alguns a felicidade é um instante de prazer, um momento sem dor. O amor leva à dor, ao sofrimento, quando você não é correspondido, a ausência de ter aquilo que se ama, traz um vazio que promove o sofrimento. Não viver o amor pode evitar a dor, mas a dor é a ausência da felicidade, do desejo alcançado e o amor é o caminho para se alcançar a felicidade e se ter alguém para construir o “nós”.
Clara estava cansada daquela caminhada, Gum parecia incapaz de vencer suas amarras, sair de sua caverna, estourar a bolha e viver o amor, mesmo que fossem para ter apenas alguns momentos de prazer ou de ausência de dor...

Claudia Paschoal
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