sexta-feira, 25 de março de 2016

CAPÍTULO V Ingenuidade tem limite...


Augusto começa o dia feliz, acredita que sua investida deu resultado. Só não entendeu o porquê do desejo de manter tudo em segredo, mas a noite tinha sido tão intensa que ele não queria perder tempo tentando entender, até porque as mulheres têm seus mistérios e isto é o que as torna tão atraentes.
Augusto estava apostando suas fichas em alguns pré-candidatos a prefeito da sua região. Claro que uns com maiores chances e outros apenas colocavam seus nomes no cenário para o futuro. Ele sabia muito bem avaliar o potencial de cada um e, mais ainda, sabia como deixá-los sob seu comando. Exercia seu poder de persuasão com perícia, jogava para que apenas as peças interessantes avançassem  para a próxima etapa.
No grupo de Augusto está Samuel, um novato no meio político e que pretende seguir a “carreira”. Quer se eleger prefeito e depois deputado, o problema é que as escolhas o tiravam do caminho do sucesso, pelo menos do ponto de vista de Augusto.
Samuel é inseguro e teimoso, apesar de ser um nome novo e ter algum conhecimento na área política, tem um romantismo que não cabe no meio político e uma ingenuidade que muitas vezes se aproxima da burrice. Tenta imprimir uma nova marca, só que sua escola política é arcaica, apesar de ter um verniz está sempre em situações adversas, tem uma personalidade frágil e não tem liderança, resultando num comprometimento de suas ações, seu discurso é vazio e não corrobora para sua sustentação no concorrido meio político.
Para Augusto, a política é algo complexo e que precisa de pericia, algo que Samuel não tinha. Para torná-lo um candidato a altura de seu apoio, muito tinha que ser feito. A malícia política só se adquire com o tempo, com a vivência e com as negociações. Samuel não era um bom negociador, parecia implorar ajuda e não se impunha  numa mesa de negociações, algo crucial para alguém que deseja trilhar no meio político.
Samuel temia Augusto, porque sabia que era um homem autoritário e centralizador, habilidades que ele não possuía. Todas às vezes, que precisava falar com Augusto procurava alguém para acompanhá-lo e se possível solicitava que um assessor fosse em seu lugar. Tinha um receio enorme em cometer algum erro ou dizer algo que pudesse comprometer sua carreira política, sabia que dependia do apoio de Augusto para se candidatar.
Augusto chama Samuel para orientá-lo sobre algumas medidas que deveria tomar, o momento era de ajustes partidários. Logo percebeu que a inexperiência de Samuel poderia comprometer a conquista de novos parceiros. Pensou em alguém que pudesse orientá-lo. Decidiu que conversaria com sua amiga, quem sabe ela poderia ajudá-lo, a única coisa que teria que resolver é o ciúme que sente.
Ernesto está em meio à tempestade, sua vida está sendo vasculhada e ele vigiado por todos, imprensa, colaboradores e pares políticos. Cada passo dado tem que ser meticulosamente medido. A pressão é grande, as ações ganham outro peso e ele está sentido. A fragilidade dele traz um desconforto para o governador, que fica exposto também. Ainda, tem que resolver a questão do pré-candidato que terá que desistir para atender ao combinado com Augusto. O stress toma conta do dia. Na percepção dele há uma grande crise política eminente, que o desestabilizaria, já que desempenha o papel de moderador no governo. Toda crise obriga aos atores envolvidos se reinventarem, o problema é que não sabia como fazer, sem se colocar em risco e blindar o governador.
A crise no meio político tem efeito cascata, porque todos estão interligados. Quando Ernesto aparece no noticiário como alguém que está sendo investigado, Augusto comemora. Como é interessante a política, quem comemora o desconforto de um acabara de vivenciar uma crise em seu governo. O que importa é o enfraquecimento de seu opositor, neste caso é o chamado “fogo amigo”, porque os dois pertencem ao mesmo partido e grupo político.
Enquanto isto, nos bastidores, as intrigas, mentiras e apunhaladas pelas costas rolam solta. Samuel tem uma assessoria que dispensa apresentação, por ser inseguro foi agregando em seu grupo pessoas de índole duvidosa, causando ao longo do tempo danos irreparáveis ao seu projeto. Quem está a frente de um projeto sofre inúmeras afrontas e precisa engolir muitos sapos, tem que ter equilíbrio emocional e ser indiferente a certos achaques. Tem aqueles que vivem das migalhas dos outros, os que gostam de promover a discórdia, esses quase sempre não constroem nada, e tem os que ficam adorando a todos, buscando ser necessário. Administrar todos esses perfis é uma tarefa árdua, Augusto e Ernesto, sabem muito bem como tratar esses personagens, que muitas vezes, são necessários dentro do cenário político.
Ao lado de Samuel está Coriolano, um novo assessor, dissidente de uma bandeira política de oposição, chegou com vontade de desconstruir a equipe ao qual pertencia. Alguns alertavam sobre o perfil arrogante e prepotente de Coriolano e que, assim como, naquele momento ele estava contra seu antigo partido, amanhã faria o mesmo com Samuel. O afã de conseguir “engrossar o caldo” promoveu fissuras profundas e jamais curadas. Impediu que Samuel percebesse que  abrigara  em seu ninho um esquerdista, corrupto, capaz de roubar,  mentir e de praticar crimes fiscais para manter sua vida estável.
A chegada de Coriolano causou muito desconforto, a postura dele destoava do contexto político do grupo de Samuel, as diferenças de opiniões eram gritantes. Coriolano se dizia um expert em planejamento político, era possível, no entanto, ele tinha uma linha de raciocínio que era antagônica a adota pelo grupo que antecedia a chegada dele, daí o começo dos conflitos.
Samuel estava num momento de muita cobrança, ele tinha que definir sua filiação partidária. Estava filiado a um partido em acessão, no entanto, com grande dificuldade de se manter. Do outro lado, Augusto tentava abrir espaço no partido dele para Samuel, o que não estava nada fácil. Muitas negociações abertas e poucos avanços, Samuel não passava segurança dificultando as investidas de Augusto, mesmo ele tão experiente e com grande poder de negociação tinha suas limitações. O partido sempre olha as futuras eleições e não abre espaço para um candidato que não seja promissor.

Augusto consultou a pessoa de sua confiança no grupo de Samuel, e já sabia das limitações e dificuldades de negociação dele. Tentou articular a ida dele para seu partido, mas Samuel colocou tudo a perder caindo em uma armadilha orquestrada por Carlos Eduardo...