terça-feira, 6 de maio de 2014

Um “doce” canalha - Parte XXXI – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? Paixão...


O domingo corre em clima de romance na casa de campo, os três casais estão aproveitando cada momento daquele fim de semana. Os três amigos decidem ir pescar.
_ Ernesto vamos pescar?
_ Pescar? Não quero deixar a Clara e ir pescar...
_ Imagina, vamos pescar...
_ Façamos o seguinte, vocês vão pescar, nós vamos caminhar um pouco.
_ E nos encontramos para almoçar.
_ Já mandei preparar o almoço.
_ Eu sei, passei pela cozinha, fui levar uma lembrancinha para Tônia.  Ela me disse que está preparando muitas delícias.
_ Pedi para fazer tudo o que você gosta.
_ Preparem-se para comer saladas...
_ Imagina, a Tônia está preparando vários pratos. Um exagero, inclusive, porque vamos embora hoje.
_ Vamos? Achei que ficaríamos até amanhã.
_ Eu, já avisei a Rúbia que preciso voltar logo após o almoço. Tenho que estar em São Paulo amanhã cedo.
_ Volto com o Mendes, não vou deixá-lo sozinho.
_ Mesquita e Fedra, ficam até amanhã?
_ Não. Vamos no início da noite.
_ E nós ficamos, nós dois e uma noite inteira...
_ Hum! Falando assim, está decidido, voltamos amanhã cedo. Precisa ser cedo mesmo, porque tenho reuniões logo pela manhã.
Ernesto abraça Clara e a pega no colo, dizendo o quanto ela é maravilhosa. Eles se beijam.
_ Estou  muito feliz e será maravilhoso passarmos a noite juntos.
_ Com você tudo é maravilhoso...
Os três seguem para pescaria. As amigas vão fazer um passeio pelo campo. O dia está gelado, todas estão com roupas pesadas, casacos, botas e cachecol para proteger do frio. O visual é singular , montanhas, uma nevoa que cobre o campo. A casa de Ernesto fica no alto, e de lá se tem uma vista maravilhosa, do rio, da mata e  de um lago que fica de frente aos aposentos da casa. As plantas nativas formam um paisagismo harmonioso. O clima é bucólico, traz muita paz, as amigas caminham, o ar puro traz o cheiro do orvalho, ainda é cedo. Eles decidiram aproveitar o dia e todos acordaram com as galinhas, como se diz por lá. Elas confidenciam as experiências com seus novos pares. Fedra começa contando de seu romance com Mesquita.
_ Tirando a “ex-mulher problema”, tudo está ótimo. Ele adora o trabalho com o Ernesto, tem uma vida tranquila, não gosta muito de agitação.  Gosta de boa música, comidas mais encorpadas e bons vinhos. Estamos programando uma viagem, talvez Europa. E a ex vou ter que aprender a administrar. Estou retomando minha vida profissional, vou fazer o que gosto. Acredito que a felicidade chegou para ficar.
_ Fedra, me deixa muito feliz  te ouvir falando com essa calma e otimismo. É bom saber que você encontrou alguém especial e que está envolvida e  apaixonada. É muito bom se sentir assim... E você, Rùbia?
_ Tudo muito recente. Começamos ontem, praticamente. O Mendes é sedutor, inteligente, muito espontâneo e, principalmente, independente. Preciso de um homem que não me cobre muito. Gosto de ficar comigo e ter o meu tempo. Como ele mora em São Paulo, fica tudo mais fácil. Acredito que temos chance de viver um romance, agora não sei por quanto tempo.
_ A Rúbia não é romântica com nós duas, Clara.
_ Não mesmo. Ela é pragmática, olha com certo distanciamento para o que está acontecendo. Talvez, sofra menos. Eu acredito que o Mendes faça você se apaixonar, porque ele é um homem honrado, gentil e que sabe encantar.
_ Esqueci que ele foi apaixonado por você... Acho que foi, não é?
_ Foi nada. Só uma tentativa de sedução, sempre fomos amigos e continuaremos sendo.
_ E você?
_ Depois de tudo que aquele canalha me fez, estou experimentando uma nova fase, com um homem indescritivelmente amoroso, generoso, lindo, gostoso e muito sensível, que vê o outro, se preocupa, se envolve com a sua vida, com as sua necessidades. Um presente, de verdade.
_ Ainda bem, porque aquela estória da agressão é assustadora.
_ Ele fez aquilo, porque tinha outra motivação, além da discussão, dos problemas profissionais, tornando tudo muito mais grave.  Não quero detalhar, mas ele foi de uma desumanidade, crueldade e insensibilidade inimaginável. Ele é um ser abominável, rasteiro. Sabe que ele chegou a dizer que o sogro passaria por cirurgia para justificar uma viagem para praia? E mentiu, dizendo que não podia falar porque estava na casa dos sogros, tudo mentira. Então, uma pessoa que é capaz de colocar um aparentado no centro cirúrgico para justificar suas mentiras, é capaz de tudo realmente.
_ Gente, me assusta saber que existem homens como o Vitor por ai...
_ Vamos falar de coisas boas, pessoas do bem, porque não vale a pena perder tempo com uma criatura desprezível, como o Vitor...
_ Posso dizer, que estou feliz com o que está acontecendo entre mim e o Ernesto. É tudo muito recente, quero ir com calma, agora é inegável o homem que ele. Sinto-me mulher, amante, amada. Sabe aquela sensação de plenitude. O carinho, os afagos, os beijos, o fazer amor me deixam em êxtase. Estou me apaixonando, lentamente.
_ O Mesquita me falou que ele está projetando um novo negócio, e que pensa em você para administrar.
_ Ele me convidou, o problema é misturar as estações, o profissional e o pessoal, acabei de passar por um trauma, não quero viver isso novamente.
_ Só que é muito diferente, o Ernesto é um homem que honra o nome que tem, os negócios, não é um oportunista que precisa se aproximar de uma mulher para conseguir ascender profissionalmente.
_ Eu sei, mas a questão é que se o relacionamento amoroso não tiver sucesso,  o profissional ficará comprometido. E na quero correr riscos.
_ Entendo sua preocupação, agora se é um desafio, por que não tentar?
_ Combinamos de conversar sobre isso no fim de semana, provavelmente hoje a noite ele tocará no assunto. E vou pensar sobre o que fazer. Quem sabe...
_ Estou com fome, vamos voltar?
_ Fedra, você está fazendo regime? Tomamos café agora pouco...
_ Estou, preciso manter a forma.
_ Pára com isso, você está ótima.
_ Eu concordo.
_ As duas magrelas falando isso, é uma comédia.
_ Ah! Como eu adoraria ser magrela, já passei do ponto. Agora estou mais para fofinha...
_ Até parece...
As três amigas decidem voltar. Ao chegarem próximo da casa, vem certo tumulto com os colaboradores do Ernesto.
_ O que houve?
_ Dona Clara, parece que um dos amigos do seu Ernesto se feriu.
_ Como?
_ Com anzol.
_ Algo grave?
_ Parece que não muito.
_ Obrigada!
Elas entram. Mendes tinha se ferido.
_ Mendes, o que houve?
_ Muitos anos sem pescar, me feri com o anzol.
_ Nossa parece que foi fundo o corte, melhor levá-lo ao hospital.
_ Eu vou fazer isso, meu amor. Estava só colocando o agasalho.
_ Quer que eu te acompanhe?
_ Não. Fica aqui. Está tudo bem.
_ Ernesto, eu vou acompanhar o Mendes.
_ Vamos fazer o seguinte, eu vou com o Mendes e o Mesquita e vocês aguardam aqui. Ir para hospital, não é um programa agradável para um domingo.
_ Rúbia, vamos esperar aqui.
_ Não. Vou com o Mendes.
_ Então, está bem. Ficamos eu e Fedra.
_ Mesquita quer ficar com as meninas?
_ Não. Eu vou com eles e você fica.
_ O importante é levar o Mendes.
_ A Clara tem razão.
_ Eu vou com eles, você fica aqui.
Mesquita acompanha Rúbia e Mendes. Os outros ficam na casa. Duas horas depois eles voltam, Mendes terá que ficar com a perna imobilizada por três dias.
_ Nossa, não foi tão superficial assim.
_ Estou angustiado, tenho que voltar para São Paulo.
_ Mendes, relaxa. Depois você liga e desmarca os compromissos, fica aqui.
_ Não. Acho que vou para um hotel.
_ Imagina, que absurdo. Fica aqui ou se quiser pode ficar em casa, na casa do Ernesto, enfim.
_ Ele vai ficar na minha casa, só o que me faltava. Deixar meu namorado na casa de vocês.
_ Claro, desculpa Rúbia. E se precisar de ajuda, revezamos nos cuidados com ele.
_ Uma força tarefa.
_ Vou precisar mesmo, tenho reunião amanhã, que não posso desmarcar.
_ Amanhã cedo eu não posso, a tarde se precisar fico com ele.
_ Eu fico na parte da manhã. Posso deixar meus compromissos para tarde.
 _ Então, está resolvido. Fedra pela manhã e eu fico à tarde.
_ A noite posso ajudar.
_ Jantamos todos juntos em casa, o que acham.
_ Perfeito, você vai cozinhar Rúbia?
_ Não. Cozinhar não. Vamos pedir uma pizza.
_ A Rúbia quer arruinar o meu regime.
_ Por que não pensamos em algo menos calórico?
_ A Fedra vai nos colocar de regime forçado.
_ Vai mesmo, vamos pensar depois no que fazer. E vamos almoçar, por favor...
_ Apoiada. Almoço.
_ O Mendes não pode ir para mesa.
_ Almoçamos todos aqui, tem almofadões mesas de apoio...
_ Imagina, eu fico com o Mendes. A mesa está posta na varanda.
_ De forma alguma, almoçamos todos juntos.
Eles almoçam todos juntos, se divertem com as estórias de Mendes. E depois se deliciam nos doces que Tônia preparou.
_ Que tortura, Tônia! Como vou manter meu regime assim?
_ Não vai. Pode esquecer...
_ Amanhã, Ernesto, caminharemos logo cedo...
_ Vamos caminhar sim, minha querida.
_ Mendes temos que ficar atento, porque o Ernesto é todo amor com a Clara, daqui a pouco nossas namoradas vão nos cobrar se não fizermos o mesmo.
_ Desculpa, o Ernesto é único. Você devem se esforçar...
_ O Mesquita é muito especial.
_ O Mendes também...
_ Olha, Mesquita, melhor não começar, senão a terceira guerra mundial será declarada.
_ Vamos descansar que é melhor.
_ Pessoal daqui a pouco, eu e Rúbia, vamos embora.
_ Não é melhor ficarem aqui, e voltamos todos amanhã cedo?
_ Falei para ele, mas quer ir hoje. Vou tentar demovê-lo da ideia.
Todos se recolhem para descansar. Uma hora depois acordam com o barulho de uma chuva torrencial. Quando chegam à sala percebem que Rúbia e Mendes já saíram, Clara e Ernesto se preocupam. Tônia diz que eles saíram logo depois que os demais se recolheram.
_ E a chuva começou agora?
_ Não. Quando eles saíram estava chovendo, só que não tão forte.
_ Estou preocupada.
_ Eu também. Vou ligar, se saíram há tanto tempo já estão na estrada principal, e com sinal de celular.
Ernesto liga sem sucesso. Fedra e Mesquita acordam.
_ Eles saíram com essa chuva?
_ Estávamos dormindo, não vimos. Segundo a Tônia já chovia quando saíram
_ Ernesto é melhor irmos com a caminhonete atrás deles.
_ Nossa, tem algum problema com a estrada?
_ Acham que  aconteceu alguma coisa?
_ Tem um riacho que transborda com qualquer chuva, quem não conhece pode ter problemas.
_ Melhor irem atrás deles.
Eles saem. Clara e Fedra ficam ansiosas aguardando por noticias. Quase uma hora depois chegam todos, enlameados.
_ Que bom que chegaram. Estão bem?
_ Estamos. Acho que o carro do Mendes deu perda total.
_ Nossa! O que aconteceu?
_ Eles estavam próximos da ponte e muita chuva, o carro atolou e eles ficaram presos, tinha muita lama no carro.
_ Que horror, correram risco.
_ Estou tremendo de frio, nervoso e medo, com o Mendes sem poder se movimentar.
_ Não deviam ter saído com chuva, sem se despedir... Sinceramente, Mendes, podia ter evitado.
_ Vou levar uma bronca?
_ Vai. Porque não precisa passar por tudo isso. Se esperasse o Ernesto para se despedir, o que seria gentil da sua parte, saberia que não era hora para pegar estrada.
_ Clara, me desculpa! Você tem toda razão. Não devia ter feito isso.
_ Cansei de falar, ele não ouviu.
_ Seja mais dura, ele vai te ouvir. Devia ter deixado-o sozinho.
_ Não podia guiar.
_ Exatamente, ou seja, não iria.
_ Calma Fedra.
_ Desculpa! É que fiquei tensa com tudo isso.
_ Melhor irem para o banho, se acalmarem. Pedirei para a Tônia prepara alguns caldos, porque está muito frio e ficaremos aqui, então tomamos o caldo, um bom vinho.
_ Amor, pensei numa fondue, pode ser?
_ Pode. É perfeito para o frio. De qualquer forma, vou pedir um caldo, prefiro. Ficarei fora da fondue.
_ Por quê?
_ Não como muito queijo, lembra?
_ Sim. Você não está bem?
_ Estou ótima, meu querido. Só prefiro algo mais leve.
_ Como quiser, prefere caldo para todos?
_ Não. Fique tranquilo. Achei ótima a ideia.
_ Fala com a Tônia para mim?
_  Sim.
Mesquita e Mendes decidiram ajudar Mendes ir para o banho.  Rúbia se encarregou do restante. Clara conversa com Fedra.
_ Você ficou brava com a Rúbia.
_ Falei alguma mentira. Se ela não dirigisse, não sairiam.
_ Está certa. Só que pelo clima eles devem ter discutido, temos que ser mais pacientes.
_ Lá vem você, combina mesmo com o Ernesto.
_ Que bom! Fico muito feliz...
_ Você está bem? Brigou com namorado?
_ Não. Acho que é a fome.
_ Come alguma coisa, pessoa.
_ Estou fazendo regime, ou tentando, porque com fondue, será difícil...
_ Relaxa. Fim de semana no campo e regime, não combina. Fica mais tranquila, amanhã você caminha, faz uma dieta leve e ficará tudo bem.
_ Tem razão. Se continuar assim, daqui a pouco vou brigar com meu amor, sem razão.
_ Clara!
_ Oi, meu querido!
_ Você já tomou banho?
_ Não. Estou indo agora. Nem vou perguntar para você, porque é tanta lama. Está lindo assim...
_ É? Vamos para o banho.
_ É uma ordem?
_É.
_ Vamos, pedindo com tanta gentileza...
Eles riem.
_ Sabe que estou brincando. Jamais faria isso.
_ Toda brincadeira tem um pouco de verdade.
_ No caso, a única verdade  é que quero tomar banho com você.
_ Então, vamos...
Todos vão para o banho. Clara e Ernesto, decidem tomar um demorado banho de banheira. E com o frio, eles aproveitaram para namorar um pouco. Depois do banho, voltaram para sala. Rúbia estava irritada.
_ O que houve?
_ Não gostei da fala da Fedra.
_ Amiga, desculpa! Ela está certa. Vocês dois foram irresponsáveis. Não vamos estragar a noite com isso.
_ O problema é que o Mendes está irritado. Acho que nossa noite já está comprometida. Vou ver se quer ir para o quarto, é melhor.
_ Pára, vocês ficam aqui. Está tudo bem, mais leveza.
_ Vou respirar um pouco.
_ Melhor, vai dar uma volta na varanda e se acalma.

Eles preparam uma mesa no centro da sala, sobre o tapete de lã, para comerem a fondue juntos com Mendes.. Clara de um lado e Ernesto do outro, conseguem acalmar os ânimos e paz volta a reinar...