segunda-feira, 5 de maio de 2014

Um “doce” canalha - Parte XXX – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? O primeiro fim de semana de Clara e Ernesto


Clara e Ernesto chegam à casa de campo, encontram-se com Fedra e Mesquita.
_ Olá! Vocês dois estão ótimos.
_ Ernesto, meu amigo, estou muito feliz!
_ Não mais do que eu, meu caro.
_ Espera, para tudo. Clara, vocês dois estão juntos?
_ Bom dia! Estamos juntos, nós todos.
_ Engraçadinha! O Ernesto falou que está muito feliz, achei que você tinha acordado.
_ Quer dizer que para o Ernesto estar muito feliz, eu tinha que acordar? não entendi.
_ Eles estão juntos.
_ Estão?
Clara e Ernesto se olham e se beijam.
_ Não disse. Ela estava muito engraçadinha, de ótimo humor.
_ Meu amigo, parabéns! Felicidades para vocês!
_ Obrigado!
_ Você, Clara, nem para  mandar uma mensagem contando...
_ Imagina, e perder a oportunidade de ver a carinha de vocês, nunca!
Eles entram, Clara e Ernesto estão em clima de puro romance, sempre abraçados e trocando carícias. Ele é todo  carinho e atenção.
_ Ernesto, você vai mimar essa mulher?
_ Com certeza. Estou tão feliz, que quero fazer tudo por e para ela.
_ Ele é um doce. Estou completamente encantada. Sinto-me tão feliz, tranquila, leve. Estou de bem com a vida.
_ Sem querer ser desagradável, mas já sendo, é muita diferença. Agora você está com uma pessoa de verdade, em todos os sentidos.
_ Tudo tem seu tempo e um motivo. Ter passado por todas as coisas desagradáveis, me faz valorizar muito mais o que estou vivendo hoje.
_ Vamos falar de coisas boas e agradáveis.
_ Concordo. A Rúbia te ligou?
_ Não. Mandou mensagem, dizendo que estava aguardando o Mendes. Alias, anda atuando bem como cupido, amiga.
_ Estou me superando.
Eles riem. Ernesto e Mesquita sugerem uma cavalgada, elas aceitam. Eles saem para ver os cavalos.
_ Clara, estou muito feliz por você.
_ Obrigada! Estou feliz por mim...
_ Imagino. E o canalha do Vitor?
_ Ele fez várias cenas, me esperou no hotel, foi tomar café da manhã, sem ser convidado. Na sexta ele disse que iria me acompanhar na reunião com Ernesto, eu decidi deixar.
_ Mentira? Você levou aquela criatura para o escritório do Ernesto?
_ Levei. Deixei na sala de espera, com ar condicionado gelado. Sai para almoçar com Ernesto, que tinha deixado um helicóptero nos esperando. O nosso primeiro beijo aconteceu na viagem de volta, em pleno voo. Enquanto, o Vitor me aguardava na sala gelada, por 3 horas.
_ Nossa! Estou adorando.
_ Depois, entrei no maior silêncio no carro, ele falou, gritou, me ameaçou, eu não falei uma palavra se quer. Quando chegamos ao hotel, perguntei se ele ia descer para conversarmos, diante da negativa, fiz minha fala final.
_ E ele?
_ Não dei tempo para resposta. Desci e bati a porta do carro com toda força.
_ Agrediu o brinquedinho dele?
_ Acho que doeu mais do que os arranhões que deixei no rosto dele naquela discussão. Mandou várias mensagens, mas a primeira era: “Nunca mais bata a porta do meu carro.”
_ Que patético!
_ Liguei para o Augusto, que estava próximo do hotel, tomamos um café e contei que o Vitor tinha sido desleal, e que não indicava mais a contratação dele.
_ Que situação desagradável.
_ Muito. Ele foi super compreensivo, disse que tinha informações negativas do Vitor e que estava aliviado.
_ E o Vitor ficou sem emprego.
_ Ficou.
_ Melhor dizendo: Ficou sem emprego, passou três horas esperando por você numa sala gelada, enquanto a “senhora” estava  numa cena romântica de beijo em pleno voo. Além disso, bateu a porta do carro do mocinho. O que mais?
_ Acho que o grau de importância não é exatamente esse, deve começar pela porta do carro... E descobri, que ele é mediano, em tudo. Porque o Ernesto é um homem maravilhoso, em todos os aspectos, fazer amor com ele foi mágico.
_ Foi uma vingança?
_ Não. Foi uma libertação. Claro que me deu um prazer, fazer tudo isso com ele, num único dia e em poucas horas, depois de tudo que ele fez, durante um ano, mereceu.
_ Sem duvida, merecia muito mais. Ele já sabe que você está com Ernesto?
_ Não sei. Não me importa, quero esquecer que um dia ele passou pela minha vida.
_ Faz muito bem. Ele não fará falta.
_ O que é impressionante. Ele não faz falta para ninguém, em lugar nenhum. Na empresa não deixou nenhum amigo, aqui também não. As pessoas, que apresentava como amigos, irmãos, não querem ouvir falar. Ele sai de cena e ninguém sente falta.
_ Não dá para espera nada diferente, ele só mentia.
_ Tem razão.
_ Vamos encontrar nossos meninos?
_ Olá! Chegamos!
_ Chegaram, que bom!  Na hora certa.
_ Hora certa para almoçar?
_ Para cavalgar.
_ Não. Quero ficar aqui quietinha.
_ Não combina com você. Cadê meu amigo?
_ Já ficou conversando com os meninos.
_ Clube do Bolinha...
_ E da Luluzinha...
_ Prefiro tudo junto e misturado.
_ Como assim?
_ Essa Fedra, está moderna...
_ E você, Clara?
_ Está ótima, finalmente.
_ Agora ela responde por mim. Estamos muito bem...
_ Estamos? Não me assusta.
_ Estamos, eu e o Ernesto.
_ Que excelente notícia.
_ Estamos muito bem. Nem parece que começou ontem...
As três amigas riem muito. Divertem-se com o novo momento de cada uma. Até que são avisadas que os cavalos estão prontos e que Ernesto e os outros aguardam por elas.
_ Rúbia, agora não tem como ficar. Pelo jeito, o Mendes já está montado.
_ Preciso colocar um bota, outra roupa.
_ Corre amiga, e vamos aproveitar esse dia lindo.
_ Lindo mesmo, um presente de Deus.
_ Verdade, o dia está maravilhoso.
_ Ernesto, você reservou um dócil para mim, não é?
_ Sim, minha querida. O cavalo mais dócil de todos.
_ Quanta proteção...
_ O seu é bem mansinho, Fedra. Escolhi especialmente para você.
_ Vocês levaram todo esse tempo para preparar os cavalos?
_ Não. Aproveitamos para conversar.
_ Clube do Bolinha.
_ E vocês não estavam “conversando”?
_ Estávamos, eu contei para Fedra como você é maravilhoso, lindo e tudo mais...
_ Tudo mais?
_ Quase tudo... A Fedra me contou “tudo” sobre você Mesquita...
_ Como assim?
Clara sai rindo abraçada com Ernesto. Rúbia chega, Mendes diz que valeu a pena esperar por ela.
_ Obrigada! Vesti-me para você.
_ O amor está no ar. Diz Fedra.
_ O ar do campo está deixando todos apaixonados... Completa o Ernesto.
_ Felizes, meu querido. Fala Clara
_ O seu namorado está animado mesmo. Menciona Rúbia.
Eles saem para cavalgar.  Divertem-se passeando pelo campo. Vão até um rio, param para descansar. E encontram uma mesa pronta para o almoço.
_ Nossa, que mesa linda!
_ Enquanto as meninas “conversavam”, nós organizamos esse almoço maravilhoso para vocês.
_ Vocês? Devo acreditar que foram para cozinha, preparam todos os pratos e tudo mais, é isso?
_ Quase isso. Você sabe que cozinho muito bem.
_ É verdade, o Ernesto, meu namorado, é um excelente cozinheiro.
_ O Ernesto, podia preparar o nosso jantar, o que acham?
_ Mesquita, acho que a ideia é ótima. E você e o Mendes, vão ajudá-lo.
_Ah! Eu preciso cuidar da Fedra.
_ Meu amor, eu adorei a ideia, vocês dois ajudam.
_ Concordo. Mendes liberado.
_ É uma rebelião?
_ Não. Mulheres apaixonadas que querem ser paparicadas por seus namorados, só isso...
_ Por hora, vamos aproveitar essa linda surpresa dos nossos amados.
_ Estou achando tudo maravilhoso.
Eles almoçam próximo do rio, numa mesa que Ernesto mandou preparar especialmente para aquela ocasião. Clara está completamente desarmada, e como não se entregar aquele homem sedutor. Ele sabe conquistar uma mulher e levá-la ao êxtase. Tudo que faz é para agradar, pensa nos menores detalhes, sempre encanta com flores, bombons, carinho e muita atenção. É intrigante como um homem tão ocupado, com tantas atividades e responsabilidades, consegue ser tão gentil e pensar em detalhes que as mulheres, normalmente, pensam por eles.
Clara espera que ele continue assim, porque Vitor foi atencioso inicialmente, depois se transformou em um ser abominável. As necessidades e interesses dele eram sempre prioridades. Para Ernesto a prioridade é estar com Clara, fazê-la feliz. Ele não vai precisar de empréstimos, de socorros, nem de indicação de emprego. Ernesto não é o tipo de homem que mantém mulheres para aproveitar-se delas, nem para atingir seus objetivos, menos ainda para se fazer mais forte, para subjugar. Jamais seria capaz de mandar um ente da família para o hospital, na tentativa de justificar uma viagem para praia. Não diria que o carro quebrou para sair com outra. Ela olha para Ernesto, feliz e segura. Tendo a certeza de que está ao lado de um homem de verdade, não de um moleque, irresponsável e mentiroso.
_ Ernesto, sinto-me imensamente feliz.
_ Estou infinitamente feliz. Você é uma mulher que me completa como homem, me faz mais humano.
_ Sinto-me em paz ao seu lado, segura e amada.
_ Está certa, sinta-se amada, porque eu realmente a amo.
_ Tenho certeza que será correspondido, estou muito envolvida. Sinto-me plena ao seu lado. Pela primeira vez, sinto vontade de planejar o futuro ao lado de alguém.
_ Quero ter você comigo sempre. Em todos os momentos.
_ Ernesto, Clara, pessoal, vamos voltar?
_ Fedra, está com frio?
_ Não. Estou congelando.
_ Vamos.
_ E a mesa?
_ Eles já devem estar chegando para recolher tudo.
_ Esse nosso amigo é muito organizado.
Eles voltam para casa, caminhando, os cavalos são levados pelos colaboradores de Ernesto. Ao chegarem, tomam um café e vão descansar. Horas depois as três amigas se encontram na sala, Clara já estava ouvindo música, sentada em uma poltrona com uma manta, porque o anoitecer estava gelado. Ela contemplava, através da vidraça, as primeiras estrelas e a lua minguante, que sempre a hipnotizou. As amigas se aproximaram e sentaram num tapete de lã de carneiro,  ideal para aquele clima.
Fedra contou sobre sua relação com Mesquita, falou que estava plenamente feliz. Depois de um casamento que terminou em função de uma traição, pela primeira vez, sentia o desejo de viver uma nova experiência. A vida estava dando-lhe uma chance e ela queria aproveitar cada instante.
Rúbia se envolvia com Mendes. Um homem, maduro, sério e independente, como desejava. Sempre quis ter alguém assim, que respeitasse o seu espaço e o seu jeito de viver. Era a mais velha das amigas, a mais experiente, e a que era mais razão. Ela era a sua prioridade. Dizia sempre, que se amava e gostava muito de ficar na sua própria companhia.
Clara ouvia as amigas, e pensava que ela era a mais tola, sentimental e tolerante. Agora, queria ser feliz, sem pensar no que passou. Uma nova fase, novos projetos, desafios e o desejo de compartilhar tudo isso com aquele homem que antes a deixava nervosa e que agora a fazia feliz.
Elas tomam um chá e comem um delicioso bolo de laranja. Ernesto é o primeiro a acordar, ao chega,  abraça e beija sua amada. Ele a pega no colo e rodopia com pela sala. Eles se beijam e  Clara o leva até a varanda para contemplarem juntos a lua.
_ Quero viajar com você, só nós dois.
_ Para  onde?
_ Onde você quiser. Que país quer conhecer?
_ Com você?
_ É, comigo.
_ Qualquer país. Estando ao seu lado, sei que será perfeito. Não importa o lugar.
_ Sinto o mesmo. Estando ao seu lado, posso ir para São José do Barreiro ou para a Grécia, que será uma viagem inesquecível.
_ Adoro o seu jeito de falar, o tom da sua voz é sempre dócil, apesar de ser forte.
_ Se for enumerar tudo o que me atrai em você, passaremos a noite aqui.
_ Então, não me conta, só me beija.
_ Posso passar a noite fazendo isso.
Eles se beijam e  Clara tem a sensação de estar flutuando...
_ Os seus ajudantes já acordaram, melhor você organizar o jantar.
_ Tem certeza que me quer na cozinha?
_ Tenho. Adoro sua comida e vou ficar lá com você.
_ Se é assim.
_ Ajudantes, preparados?
_ Não, nunca estou preparado para enfrentar uma cozinha, só que minha querida namorada me intimou, então só me resta seguir o mestre.
_ A Rúbia, foi tão carinhosa no seu pedido, que estou com vontade de ir para cozinha.
_ As mulheres são assim, operam milagres. Deixar o  Mendes com vontade de ir para cozinha, só sendo muito poderosa.
_ Viu amiga, o que estou promovendo na vida do seu amigo.
_ Estou chocada, em poucos dias já provocou tudo isso, daqui algum tempo...
_ Ele estará cada vez melhor.
_ Mendes, se prepara...
_ A culpa é sua.
_ Minha?
_ Você que me apresentou a Rúbia.
_ Tudo bem. Assumo minha parcela, acredito que fiz bem aos dois.
Ele abraça Rúbia e diz:
_ Fez mesmo, estava precisando encontrar alguém especial.
_ A chaminé deve estar soltando fumaça em formato de coração, de tanto amor que tem nessa casa.
_ Amém! Que continue assim.
Eles pensam no cardápio, e vão todos para cozinha, abrem um vinho.  Clara e Fedra preparam Bruschettas, Rúbia arruma a mesa. Todos votam numa deliciosa massa, com molho de tomate fresco,  mussarela de búfala e manjericão. Elas ajudam no preparo do prato, Fedra se lembra de um brigadeiro de colher, que José Henrique preparava. Clara diz que o dela não é tão bom,  mas arriscará. Entre um e outro ingrediente, Clara e Ernesto se beijam, se tocam... Ela passa brigadeiro no nariz dele e das amigas. Todos riem muito... Todos se sentem como adolescentes felizes e sem preocupações. Ninguém fala de trabalho, de problemas, a alegria tomou conta da vida daqueles seis amigos
O jantar fica pronto, eles sentam na sala de jantar e degustam aquela massa saborosa. Depois todos juntos saboreiam o brigadeiro de colher, servido num único recipiente com 6 colheres em volta. Eles fazem piadas, contam estórias e trocam beijos e carinhos. Depois de assistirem a um filme, todos deitados no tapete de lã de carneiro e com mantas para aquecer, Fedra e Mesquita vão dormir. Rúbia e Mendes decidem contemplar a lua. Clara e Ernesto permanecem ali, abraçados, admirando um ao outro.
Rúbia e Mendes seguem para o quarto. E os dois continuam ali como se nada mais existisse no entorno deles. Estão juntos e isso é o mais importante. Horas depois vão para o quarto, e Clara se entrega para Ernesto, de um jeito que nunca tinha acontecido antes. É uma energia que emana, contagia,  torna tudo especial, mágico... é o mais puro amor...