sábado, 3 de maio de 2014

Um “doce” canalha - Parte XXVIII – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? A viagem de Clara e a última cartada de Vitor


Clara e Márcio chegam a São Paulo de madrugada. Vão para o hotel e combinam de tomar café da manhã juntos, antes das primeiras reuniões. Clara já avisa que terá uma reunião com Augusto e Vitor, que ele não acompanhará. Ao chegar à suíte, ela percebe que a caixa de mensagens de seu celular, está cheia.
_ Boa noite! Você já está em São Paulo?
_ Cadê você?
_ Pode me responder?
_ Preciso falar com você antes da reunião com o Augusto, pode me atender? Posso ligar?
_ Será que você pode me dar atenção?
_ Clara, eu adoro você quero explicar algumas coisas, quero ficar com você. Vamos aproveitar essas noites que estamos em São Paulo? Eu falei que ia para o Litoral Sul, estou livre. Livre para você, gatona.
_ Me  liga. Estou esperando...
Clara não sabe se responde ou se ignora as mensagens de Vitor. Continua lendo suas mensagens.
_ Clara, você está bem? Me liga quando chegar. Beijos
_ Estou preocupado com você, me liga.Beijos
Clara manda uma mensagem para Ernesto
_ Desculpa, o celular estava no silencioso e não percebi. Estou no hotel, está tudo bem.
Ernesto responde imediatamente:
_ Posso ligar para você?
Clara liga para ele.
_ Olá!
_ Fiquei com receio de ligar e você já estar dormindo.
_ Imagina. Desculpa, preciso estar atenta ao celular.
_ Você está bem?
_ Sim. A viagem foi tranquila. Paramos para fazer um  lanche. E você o que  fez?
_ Fiquei em casa. O Mesquita esteve aqui, conversamos. Ele e a Fedra estão se entendendo mesmo.
_ Ela me falou. Fico feliz, ela merece.
_ Ele também, passou por situações extremas com a ex-mulher.
_ A tal ex-problema, a Fedra me falou que teve o primeiro contato com ela, e não foi nada agradável.
_ Ela que se prepare.
_ Adoraria que você estivesse aqui.
_ Eu também.  Fica na sexta-feira, assim aproveitamos o dia e a noite, o que acha?
_ Seria maravilhoso, mas tenho compromissos e não posso ficar.
_ Quem sabe algo muda e você consegue.
_ Vou torcer. Agora preciso de um banho e cama, estou muito cansada.
_ Imagino. Durma bem. Beijos
_ Beijos
Clara se banha e vai dormir. O telefone toca, é Vitor.
_ Boa noite!
_ Por que você não me atende?
_ Vitor já é madrugada, seja objetivo.
_ Quero falar da reunião de amanhã, você não vai me humilhar mais. Quero saber como vai conduzir essa conversa?
_ Vitor é simples o Augusto precisa de um profissional e se seu curriculum atender as expectativas será contratado.
_ E ele vai me contratar para atender a uma solicitação sua?
_ Não.
_ Sei.
_ Ótimo, se você sabe encerramos aqui.
_ Presta atenção, não tenta me enganar. Você não me engana mais.
_ Eu engano você? Em que mundo você vive?
_ Você me usou.
_ Eu usei você? Você mente, trai, engana, manipula, magoa e, você é quem foi usado? Só pode ser piada.
_ Não vem com gracinha.
_ Boa noite! Não chegue atrasado.
_ Tem mais uma coisa, com quem você está? Com o tal do João Pedro? Deixei o olho dele roxo, com certeza.
_ Lamentável. Sorte sua que ele não quis fazer um Boletim de Ocorrência, você merecia. Tchau
Clara desliga e pensa como ele consegue se fazer de vitima, se eximindo de toda responsabilidade sobre as suas ações e a condução da própria vida. Ela adormece. Na manhã seguinte  acorda atrasada, desce para tomar café com Márcio que a aguarda. Eles ajustam a agenda e Clara vai se preparar. Quando está terminado de vestir, Ernesto liga.
_ Bom dia! Dormiu bem?
_ Bom dia! Não muito.
_ O que houve?
_ O Vitor mandou mensagens querendo falar sobre a reunião com Augusto. Depois ligou, atendi e ele parece que vive em outra realidade.
_ Não devia ter atendido.
_ Não devia ter indicado. Agora é tarde.
_ Se pudesse largaria tudo e iria ficar  com você. Se precisar de qualquer coisa me liga, seja a hora que for.
_ Fica tranquilo. Hoje o Márcio estará aqui, a noite vou jantar com o Mendes e amanhã cedo o João Pedro chega. Estarei protegida.
_ Você quer um segurança particular? Eu mando um para você.
_ Não. Ele não vai me agredir novamente, fica tranquilo.
_ Está bem. Só não consigo me tranqüilizar.
_ Sábado estaremos juntos e teremos um final de semana em paz e felizes.
_ Você fala isso, crio mil expectativas.
_ Não crie expectativas, por favor.
_ Está bem.
_ Vou para reunião, o Márcio está me aguardando. Um ótimo dia para você.
_ Para você também. Beijos.
_ Beijos.
Clara e Márcio seguem para reunião, apesar de alguns problemas o resultado final é positivo.
_ Reunião tensa. Preciso me acostumar...
_ Tensa mesmo. Esta foi complicada, porque um dos diretores é amigo do Vitor. E ele deve ter feito movimentos contrários. O que importa é o resultado final. Estou otimista.
_ Você deveria ter me contado antes.
_ Seria pior, se você ficou tenso sem saber...
_ Tem razão.
_ Vamos almoçar, não quero correr o risco de me atrasar.
_ Vamos.  Você está sendo muito generosa indicando o Vitor para o cargo na empresa  do Augusto, ele tem consciência disso?
_ Não. Ele não tem consciência de nada que não seja conveniente para ele. Estou fazendo isso por mim, não por ele.
_ Entendo.
_ Quero comer uma massa, tem um restaurante maravilhoso que conheço, pode ser?
_ Você quem manda.
_ Então, vamos.
Clara almoça com Márcio, durante o almoço confirma o jantar com Mendes. Vitor liga.
_ Oi.
_ Você vai chegar mais cedo para conversar comigo? Estou nervoso.
_ Vou chegar 15 minutos antes.
_ Vamos nos encontrar agora, por favor.
_ Não posso. Nos encontramos 15 minutos antes.
_ Vai se arrepender do que está fazendo comigo.
_ Me arrependo de ter dado espaço para você. Tchau
Clara desliga e continua o almoço com Márcio. Do restaurante segue para o escritório de Augusto. Ao chegar, encontra com Vitor.
_ Devia ter chegado antes, ele já chegou. Passou por aqui e me cumprimentou, fiquei sem saber o que fazer.
_ Vitor, você diz que é seguro, que manda, que faz e acontece. Está nervoso por quê? Com medo?
_ Não começa.
_ Fala mil coisas quando está comigo, e quando deve falar numa reunião não tem atitude, não assume riscos, se comporta como um  qualquer. Falta postura, atitude e coragem. Espero que saiba conduzir a conversa com o Augusto, se você colocar tudo a perder, não vou te ajudar mais.
_ Acha que pode falar assim comigo?
_ Estou falando...
_ Vou fazer você rastejar atrás de mim.
_ Devia focar no cargo que deseja. E me esquecer.
_ Tem a obrigação de me ajudar depois de tudo o que fez.
_ Sabe que tem um transtorno psíquico que justifica comportamentos como seu. Só que no seu caso, acredito que seja falta de caráter mesmo. Está na sua essência a maldade, você agride, usa as pessoas e não sofre, nunca se envolve com ninguém, não tem remorso do que faz. É assustador.
_ Não sou uma pessoa má. Já disseram para você que tenho um bom coração.
_ Pode ser que tenha. Só que não age com o coração. É frio, estrategista e para atingir seus objetivos é capaz de tudo. Você trai a Francesca por dinheiro, por poder, por cargo, por qualquer coisa que alimente seu desejo de ser melhor que o outro. Você subjuga a Fúlvia, humilha. Mentiu inúmeras vezes para mim, saiu com outras pessoas, me enganou, me usou e chegou ao cumulo de me agredir.
_ Eu não minto.
_ Quando fala assim, acredito na possibilidade de ser um transtorno psíquico. Bom se for, tem que se tratar.
_ Está piorando o meu nervosismo.
_ Boa sorte! Que você seja convincente.
_ Clara, querida.
_ Olá! Augusto, tudo Bem?
_ Tudo ótimo e você?
_ Tudo bem, obrigada! Lembra do Vitor?
_ Sim. Como vai?
_ Bem, e o senhor?
_ Bem. Vamos entrar. 
_ Augusto vou ser objetiva, porque sei que sua agenda está cheia. Falamos por telefone, e o Vitor está aqui para conversar com, você e sua equipe,  para ver a possibilidade de atuar na sua empresa.
_ Clara você me falou, pedi um levantamento sobre o rapaz, e sinceramente, tenho outros candidatos mais adequados ao cargo. Como tenho muito apreço por você, e uma divida de gratidão por tudo que me ajudou, tanto profissional como pessoalmente, não posso deixar de atender ao seu pedido. Ele será contratado, pode assumir na segunda-feira.
_ Augusto, agradeço.
_ Vitor você assume na segunda-feira. Não estarei aqui, o Diretor-Geral  te receberá e passará as primeiras instruções, está bem?
_ Está certo. Só queria saber, se não for problema, qual o salário?
_ Vitor, sinceramente, isso você resolve na segunda-feira, com o Diretor.
_ Ah! Entendi.
_ Augusto, mais uma vez obrigada e conte comigo.
_ Clarinha você tem porta aberta aqui, qualquer coisa é só me ligar.
_ Obrigada!
Eles se despedem. Clara chama atenção de Vitor.
_ Você começa sendo intragável.
_ Desculpa! Queria que eu me humilhasse para o seu amigo. Meu curriculum é muito bom. Dizer que tem outros candidatos mais adequados ao cargo, é piada. Se tivesse alguém, ele não estaria me contratando. Combinou com ele essa cena patética?
_ Patético é você. Que está precisando de ajuda para conseguir um cargo, por ter sido demitido por incompetência e quer se fazer de grande profissional. Presta atenção, se você for desleal com Augusto, ficará queimado no mercado.
_ Você é uma comédia.
_ Vitor, até e boa sorte!
_ Espera. E nós dois?
_ Não existe nós. Você me acha uma tola. Sempre soube de suas mentiras. De Fúlvia ao vinho sobre a pia. As viagens que você não fez. As vezes que chegou mais cedo, que chegou no dia anterior. A camisa suja de tinta na lavanderia, suja de batom e com cheiro de perfume de farmácia. Você é patético e se acha tão esperto, que se perde.
_ Melhor assim, se você sabe de tudo podemos nos divertir muito mais.
_ Vou me divertir muito, com gente verdadeira, honesta e que vive no mundo real. Boa sorte!
_ Boa sorte para você, que vai precisar.
Clara sai e deixa Vitor. Ernesto liga e eles conversam. Ela segue para o hotel com Márcio, que ficou aguardando. Rúbia liga para saber como foi a reunião.
_ Olá!
_ Tudo bem, querida?
_ Tudo caminhando, e você?
_ Tudo bem. Liguei para saber de você.
_ Estou indo para o hotel, quando chegar te ligo, pode ser?
_ Claro, não está sozinha.
_ Isso mesmo. Até mais.
_ Até.
Márcio diz que pensa em permanecer em São Paulo, assim faria companhia para ela e acompanharia as reuniões do dia seguinte. E João Pedro viria na próxima viagem. Seria mais econômico, também.
_ Concordo! É importante a participação do João Pedro, só que você já está aqui, conhece bem os projetos e poderá me auxiliar. Vou ligar para o João.
_ João, tudo bem?
_ Tudo. Estou indo preparar a mala.
_ Sobre isso que gostaria de falar, como o Márcio já está aqui, e conhece os projetos que iremos apresentar amanhã, vamos deixar a sua vinda para a próxima vez, tudo bem?
_ Tudo. Estava animado para acompanhar essas reuniões, mas tem razão. Fica para próxima.
_ Obrigada!
_ Márcio ele ficou meio decepcionado, vale uma ligação sua depois.
_ Chegando ao hotel eu ligo. Vamos jantar?
_ Não posso, tenho compromisso.
_ O Vitor.
_ Desculpa, Márcio não tenho que dar detalhes do meu compromisso.
_ Claro, me perdoe.
_ Você tem todas as informações sobre as reuniões de amanhã?
_ Conheço os projetos, mais não sei para qual grupo apresentaremos.
_ Vou te enviar o e-mail que mandei para o João. Chegando no hotel, resolvo isso, qualquer duvida você me liga.
_ Está bem. Vou jantar no hotel mesmo, não gosto de sair sozinho.
_ Está bem.
Eles chegam ao hotel. Ao sair do elevador Clara diz:
_ Não vou me encontrar com Vitor. Boa noite!
_ Boa noite!
Márcio percebe que foi além do que devia. Ele está interessado por Clara, e tem sentido ciúmes. É difícil para um homem controlar seus sentimentos, estando tão próximo da pessoa desejada. Ela não percebeu o interesse dele. Clara vai descansar, seus pensamentos estão confusos. Ela sente saudades do Ernesto, da companhia dele e da cumplicidade que existe entre eles. Por outro lado ainda, se sente ligada ao Vitor.
_ Como posso me sentir ligada a esse homem tão sem escrúpulos, que mente e que nem se dá conta da dor que provoca no outro?
Clara liga para Rúbia:
_ Amiga, tudo bem?
_ Sim. Está no hotel?
_ Estou, tentando descansar um pouco. Vou jantar com o Mendes. Por falar nisso, vocês conversaram, animadamente, na minha festa de aniversário. E nem comentou nada.
_ Temos nos falado, quase todos os dias.
_ Que evolução! Vou jantar com ele e aproveitarei para investigar as intenções dele.
_ Pensei em te pedir isso mesmo.
_ Nem precisa, vou perguntar tudo.
_ E você? Como foi com o Vitor, o canalha mais canalha.
_ Foi como sempre. Ele agride, fala como se eu tivesse a obrigação de ajudá-lo. Como se a responsabilidade pela demissão dele fosse exclusivamente minha. Foi grosseiro com Augusto, se achando o profissional mais capacitado do universo. Ele vive outra realidade. Num mundo em que ele é centro, que tudo deve girar em volta dele. E é capaz de tudo. Como já sabemos.
_ O importante é você perceber isso. E não se deixar iludir por ele.
_ E por falar nele...
_ Está ligando?
_ Está mandando mensagens, do tipo: “Estamos sozinhos aqui, vamos aproveitar. Quero você. Saudade dessa pele macia, do seu cheiro, do seu corpo, de tudo, entendeu?” É muita desfaçatez.
_ Não vai responder, não é?
_ Claro que não. Vou descansar e vou me arrumar para encontrar o meu querido amigo, Mendes. Que pelo jeito me trocou por você na primeira oportunidade que teve...
Elas riem. E Rúbia comenta:
_ Você me disse que combinaríamos, eu investi.
_ Fez muito bem.
_ Eu vi o presente lindo que ele te deu.
_ Ele é um fofo. Mais vai fundo, acho que poderemos marcar uma viagem juntos.
_ Nós três?
_ Não. Você dois, Fedra e Mesquita, o Ernesto e eu.
_ Aleluia! Que assim seja! Assim será! Assim é!
_ Engraçadinha... Vou dormir um pouco.
_ Não precisa caprichar muito, é o Mendes, viu?
_ Relaxa! Prefiro o Ernesto. Tchau!
_ Até mais.
Clara dorme um pouco e se prepara para jantar com Mendes. Márcio liga perguntando sobre o e-mail.
_ Desculpa, esqueci. Imperdoável. Estou mandando.
_ Ok. Tenho a noite livre para ver isso.
_ Qualquer coisa me liga.
_ Não quero atrapalhar, amanhã podemos tomar café e conversamos sobre os projetos.
_ Não ira me atrapalhar, fique tranquilo. Podemos tomar café e conversarmos, e você deve me ligar, caso seja necessário.
_ Obrigada!
Clara e Mendes jantam juntos. Ele sempre muito divertido e a relação deles é antiga.
_ Clara, o que houve com o Vitor? No dia do seu aniversário, encontrei com ele na portaria do condomínio do Ernesto, estava agressivo. Ele nunca foi muito educado, desde aquele dia que disse ser seu namorado. Uma falta de bom senso.
_ Mendes, não quero falar de coisas desagradáveis. Foi um erro, um grande erro. Vamos falar sobre minha amiga, Rubia. Fiquei sabendo que vocês estão se falando com freqüência.
_ Ela é muito alto astral, sabe que gosto de mulheres divertidas.  É o inicio de uma nova amizade.
_ Espero que seja uma longa amizade, e com um pouco de cor, ou melhor, muitas cores.
_ Está querendo me arrumar uma namorada?
_ Não. Você não precisa de ajuda para namorar. É um homem bonito, inteligente, divertido e extremamente agradável, que mulher não se interessaria por você?
_ Uma mulher como você.
_ Sem graça. Não é verdade, nos tornamos amigos e isso complica...
_ Podemos deixar de ser amigos, o que acha?
_ Acho que a Rúbia é uma linda mulher e que vocês se darão muito bem.
_ Você continua com aquele, não sei como me referir a ele...
_ Não. Estou muito bem acompanhada, comigo e só comigo.
_ E o Ernesto? Depois da surpresa que ele fez...
_ Me sinto atraída por ele, tem sido muito bom tê-lo por perto.
_ Que bom! Apesar de não ser o seu escolhido, me conformo e fico feliz por ser um homem de verdade.
_ Eu também.
Os dois riem. Jantam e vão para o bar do amigo de Mendes, ouvem música, dançam e depois ele a deixa no hotel.
_ Clara, adoro a sua companhia. E me faz muito bem essas nossas saídas.
_ Eu também, gosto muito e me divirto muito com você. Não magoa a Rúbia, ela merece ser gostada, amada...
_ Fica tranquila, sabe que sou um homem generoso e me preocupo com o bem estar do outro. E não sou cafajeste.
_ Sei disso. Beijos
_ Beijos.
Clara entra e no hall do hotel está Vitor.
_ O que está fazendo aqui?
_ Preciso conversar com você.
_ Vitor não temos mais nada para conversar.
_ Por favor, me deixar subir.
_ Nem pensar. Vamos conversar aqui mesmo.
_ Não dá. Quero privacidade para conversar com você.
_ Conversamos aqui ou não conversamos.
_ Não vai ser bom pra você.
_ Nunca é. Fala de uma vez.
_ Não gostei do que você fez hoje.
_ É mesmo?
_ Não me provoca.
_ Por quê? Vai me agredir no hall do hotel?
_ Quero que você ligue amanhã cedo para o Augusto e fale com ele sobre mim. Eu vou estar com você.
_ Por que eu faria isso? Com que objetivo?
_ Porque eu quero. Estou preocupado com as informações que chegaram para ele.
_ As informações devem ser que você é o melhor profissional disponível no mercado.
_ Não começa a me irritar.
_ Não estou te irritando, apenas comentado o que deve ter acontecido. Não é isso, seu curriculum não é o melhor? Foi você quem me disse, e como você não mente nunca...
_ Gatona, vamos subir. Me deixa ficar aqui, assim amanhã acordamos juntinhos e você já liga para o seu amigo.
_ Não. E não vou ligar para o Augusto. Já fiz a minha parte. Assume na segunda-feira e faça a sua parte. Vou subir, estou cansada.
_ Vou com você.
_ Não me obrigue chamar os seguranças. Boa noite!
_ Não posso ir para casa, disse que estava na baixada santista, esqueceu?
_ Problema seu. Não tenho nada com isso. Não diz que manda na sua vida, que ninguém comanda você. Agora está preocupado com o que a sua mãe vai fazer? Não combina...
_ Pára com isso. Estou avisando.
_ Boa noite!
_ Clara, volta aqui.
Ela segue para o elevador. Vitor vai atrás dela. Ela olha para o segurança que se aproxima deles e pergunta se está tudo bem. Clara diz que Vitor está de saída. O segurança se oferece para acompanhá-lo. Ele fica enfurecido e vai embora. Ela entra no quarto e vê flores, tem certeza que são do Ernesto. Pega o cartão e se surpreende, são do Márcio. Clara não entende o que está acontecendo e liga para ele.
_ Márcio, obrigada pelas flores. Só não entendi o que te motivou.
_ Clara, posso ir até a sua suíte?
_ Vamos nos encontrar no bar do hotel, pode ser?
_ Pode. Estou descendo.
_ Eu também.
Eles se encontram no elevador.
_ São lindas as flores, só não entendi o que te motivou.
_ Clara, eu te falei que esperava estar mais próximo de você depois que o Vitor deixou a empresa. Na verdade, não estava falando profissionalmente.
_ Márcio, não estou entendendo nada.
_ Estou apaixonado por você, desde sempre.
_ Está confundindo, sempre foi minha pessoa de confiança. Somos amigos, não tem nada mais que isso, percebe?
_ Eu gosto muito de você.
_  Gosto de você, como amigo. Melhor irmos dormir.
_ Vou ficar mais um pouco aqui.
_ Boa noite!
Ela fica envaidecida com a fala de Márcio, mas não tem nenhuma chance de se interessar por ele. Ernesto está em seu pensamento, ele liga.
_ Estava pensando em você.
_ Liguei porque ouvi seu pensamento.
_ Você é fascinante. Como foi seu dia?
_ Foi uma correria, estou dedicando parte do meu tempo aquela nova empresa, e não desisti de você a frente desse projeto.
_ É tentador, só que fico receosa.
_ Não fique. Vamos conversar sobre isso, no nosso fim de semana no campo.
_ Você convidou os demais?
_ Já está tudo certo. A Rúbia me disse que vai convidar seu amigo Mendes, ele te falou?
_ Não. Falamos dela durante o jantar. Não comentou nada. Talvez  não tenha falado ainda, porque falamos antes do jantar. Enfim, vamos deixar que eles se entendam.
_ E como foi o seu dia?
_ Agitado. Quando cheguei agora a noite no hotel, o Vitor estava aqui. Tivemos mais uma conversa desagradável.
_ O que ele queria desta vez?
_ O mesmo de sempre, me culpar, me ameaçar e tudo que você já sabe.
_ Queria mais uma chance?
_ Também. Sinalizei para o segurança que o acompanhou até a saída.
_ Precisou passar por isso?
_ Vamos esquecer. Amanhã estarei de volta e você virá para cá.
_ Fica até sexta. Vamos agendar uma reunião de trabalho. Já sei, preciso analisar aquele projeto novo que você falou. Me apresenta na sexta-feira.
_ Ernesto, isso é golpe, quase uma chantagem.
_ O Márcio não está com você, já resolvemos.
_ Está bem. Diante dessa fala persuasiva. Até amanhã.
_ Até amanhã, minha querida.
Clara liga para Márcio e o avisa da reunião de sexta-feira com o Ernesto, pergunta se ele pode ficar. Ele diz que sim, que será um prazer. Ela percebe que ele excedeu na bebida, decide descer.
_ Márcio, melhor você subir. Está tarde e temos reunião amanhã pela manhã.
_ Clara preciso falar o que sinto.
_ Você já falou. Amanhã conversamos mais. Por favor, vamos subir?
_ Vamos, com você eu vou.
_ Márcio que situação vexatória...
Ela pede ajuda para levá-lo até sua suíte.
_ Não vou entrar. Espero que consiga se ajeitar.
_ Obrigada! Gosto de você.
_ Boa noite!
Clara segue para sua suíte e vai dormir. Na manhã seguinte acorda cedo e vai até academia do hotel, depois segue para o café, onde não encontra o Márcio. Ela liga.
_ Bom dia! Como você está?
_ Péssimo. Morrendo de vergonha. Pensando em pedir demissão.
_ Nossa! Desce e vem tomar café, estou te esperando.
Ela desliga para não dar tempo dele responder. Márcio aparece, está com uma aparência horrível.
_ Pelo jeito sua noite foi longa.
_ Não consegui dormir e voltei para o bar.
_ Que falta de juízo. Espero que se lembre da reunião que teremos daqui a pouco.
_ Sim. Está tudo sob controle.
_ Ótimo! Vou ligar para Mariah e avisá-la sobre amanhã.
_Ontem desci para tomar um café e ver o movimento aqui no bar do hotel, encontrei o Vitor. Disse que estava aguardando você, me perguntou com quem tinha saído.
_ Ele ficou mesmo. Agora acredito que esteja tudo resolvido.
_ Parece que não.
_ Como assim?
_ Ele acabou de entrar e está vindo para cá.
_ Que romântico café da manhã.
_ Vitor!?
_ Vim para fazermos aquela ligação juntos.
_ Não vou fazer.
_ Vai. Estou mandando.
_ Deveria pensar no que está falando, não use esse tom para falar com ela.
_ Não se mete. Vai para outra mesa.
_ Não. Você deveria sair daqui.
_ Olha, está criando asas?
_ Chega! Se você não sair daqui vou chamar o segurança.
_ Pode chamar quem você quiser. Só saio daqui depois da ligação.
_ Fique aqui. 
Clara se levante e sai. Vitor vai atrás dela. Márcio parte para cima dele. Ela interfere e diz que não quer escândalos.
_ Vitor o Augusto não está em São Paulo hoje. Seria deselegante ligar agora. Amanhã falo com ele, e você pode estar comigo, se isso vai te deixar calmo e longe, está tudo bem.
_ Vou ficar aqui, amanhã é sexta-feira.
_ Estarei aqui. Nos encontramos e resolvemos tudo isso.
_ Logo cedo.
_ Tenho uma reunião, assim que terminar aviso,  nos encontramos e resolvemos.
_ Gosto assim.
_ Agora vai embora.
_ Vê se aprende.
_ Quem devia aprender a ser homem, é você.
_ Márcio não entra no jogo dele.
Clara passa o dia na correria com inúmeros compromissos. Márcio não está muito disposto. As reuniões são positivas, eles conseguem fechar todos os contratos que estavam em negociação, e apresentam novos projetos. Os dois comemoram no final do dia.
_ Passei o dia meio limitado, me desculpa! Estou feliz com o resultado das reuniões.
_ Eu percebi, não repete isso, por gentileza. O dia realmente foi próspero.  Tudo o que quero é um banho e uma cama. Hoje quero dormir cedo. O que vai fazer?
_ Dormir.
_ Acho bom. Nossa reunião logo pela manhã é com o Ernesto. Depois você está liberado. Vou permanecer aqui. Bom, hoje podemos jantar juntos, no restaurante do hotel, o que acha?
_ Perfeito! Vai ficar aqui amanhã, não volta comigo?
_ Não!
_ Vou tomar um banho antes do jantar.
_ Eu também, vou mandar e-mails, fazer algumas ligações.É cedo, podemos jantar as 21:00 hs?
_ Pode ser. Nos encontramos no restaurante?
_ Sim.
Clara vai para sua suíte. Liga para Ernesto que diz que só vai chegar pela manhã. Eles conversam sobre a sexta-feira, a reunião e o fim de semana. Depois Clara vai para o banho, pensando na fala do Márcio e como ela nunca percebeu nada. Lembra de Fedra, que sempre disse que ela é lenta para certas coisas. Aproveita para mandar e-mails, responder mensagens nas redes sociais. Fedra liga:
_ Está de volta?
_ Não. Tenho uma reunião com Ernesto amanhã, aqui em São Paulo.
_ Sei.
_ Verdade! Ele forçou essa reunião.
_ Ele está completamente apaixonado, porque agüenta cada uma.
_ É. Espero que esteja mesmo.
_ E o fim de semana?
_ Vamos passar na casa de campo.
_ Vocês voltam amanhã?
_ Não sei. Amanhã a noite ou sábado cedo. Vocês podem nos aguardar lá.
_ E o canalha, deu algum sinal?
_ Vários. Não quero falar dele.
_ Me preocupa isso.
_ Esquece ele. Não sabe o que aconteceu?
_ O Márcio se declarou.
_ Que novidade!
_ Como que  novidade?
_ Você não tinha percebido?
_ Não. Estava pensando na sua fala, que demoro para perceber, pelo jeito...
_ É lenta mesmo. Depois reclama.
_ Não quero mais falar com você.  Brincadeira, vou descer para jantar, com o Márcio.
_ Palhaça! Bom jantar. Até sábado. Beijos
_ Beijos, senhora Mesquita.
Ela se veste para jantar. Desce e encontra Márcio, eles jantam e conversam sobre vários assuntos, menos sobre trabalho e os acontecimentos da noite anterior. Ele é leve, tem uma conversa atraente. Os dois se divertem. Clara decide ir para cama. Eles se despedem, Márcio fica no bar do hotel, apesar da promessa de que não irá beber.

Na manhã seguinte, Ernesto chega para tomar café com Clara. Depois do café, Ernesto vai para empresa, tem uma reunião antes. Clara está saindo do hotel, quando encontra Vitor. Ele se declara, diz que não sabe viver sem ela, que quer mudar tudo para reconquistá-la. Clara fica indecisa, Vitor a convence a seguir com ele para reunião com Ernesto. Ele diz que irá acompanhá-la, ela não reage. Vitor entra na empresa de Ernesto com Clara...