quinta-feira, 1 de maio de 2014

Um “doce” canalha - Parte XXVI – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? A festa e as canalhices de Vitor

Clara fica surpresa e feliz com a festa que Ernesto preparou. Os amigos se aproximam para  cumprimentá-la, Mendes, Saulo, Samuel, Hugo e tantos outros, estão presentes.
_ Meu querido, você aqui... Fico muito feliz!
_ Queria te dar um presente e um abraço.
_ Obrigada!
Clara cumprimenta todos, passa em cada mesa e fala com os convidados até chegar a Rúbia, Fedra e Mariah.
_ Cúmplices do Ernesto, todas as três.
_ Você gostou?
_ Adorei. Estou muito feliz. Por falar no Ernesto, não o vejo desde que cheguei.
_ Parece que aconteceu um problema na portaria e mandaram chamá-lo.
_ Portaria? O Vitor estava na portaria quando cheguei.
_ Será que ele aprontou?
_ Fedra, dele podemos esperar qualquer coisa.
_ Podemos mesmo.
_ Vou até lá.
_ Clara fique aqui, o Ernesto resolve isso.
_ O problema é comigo, o Ernesto não pode passar por todo esse constrangimento.
_ Você que não pode aparecer lá. É isso que o canalha do Vitor, espera.
_ Será que vou conseguir acabar com essa estória algum dia?
_ Espero que já tenha resolvido...
_ Clarinha, vim aqui para te dar um beijo.
_ Quem será? Me chamando de Clarinha, só você, José Henrique.
_ Eu tinha que vir. Quando a Fedra me ligou, mudei uma viagem para ficar aqui e vir te ver, te dar um beijo e meu presente.
_ Fico feliz em te ver, não precisava de presente. O melhor é a sua presença, sabe disso.
_ Só queria te dar um presente inesquecível.
_ Uau!
_ Deixa para abrir na sua casa, quando estiver sozinha.
_ Estou curiosa. Meninas, estou indo embora.
_ Indo embora?
_ É. O Zé Henrique me deu um presente que só posso abrir em casa, o jeito é ir embora.
Todos riem. Ernesto chega, está irritado, chama Mesquita. Clara percebe a distância que algo sério aconteceu.
_ Ernesto, o que houve?
_ Deixa que eu resolvo.
_ É o Vitor?
_ É. Vou resolver isso definitivamente.
_ Não.
_ Não?
_ Ernesto, tudo o que ele quer é tirar você da festa, de perto de mim, estragar o clima agradável que está aqui.
_ Já conseguiu.
_ Não. Ele continua na portaria?
_ Sim. Disse que só sairá de lá com você.
_ Vou até lá.
_ Não quero você perto daquele animal.
_ Ernesto, ele é um problema meu.
Clara entra no carro e vai até a portaria.
_ Vitor,stá sendo inconveniente mais uma vez. O melhor é ir embora, sem que o Ernesto chame a policia, seria um escândalo, totalmente desnecessário, não acha?
_ Eu vou embora, se vier comigo.
_ Não vou. Tenho uma festa me esperando.
_ Então, me leva com você para festa.
_ Só os meus amigos, familiares e o pessoal da empresa estão aqui. Você não seria bem vindo, percebe?
_  Vou continuar aqui, até conseguir entrar.
_ Vitor, vou te dar a chave de casa, me espera lá.
_ Sabia que você não resistiria. Prometo que sua noite será inesquecível.
_ Tchau!
Clara volta para festa. Ernesto está sério.
_ Ernesto, ele foi embora. Não queria ser antipática com você, me desculpa.
_ Você não precisava ter falado daquele jeito.
_ O importante é que ele foi embora. E que estamos aqui, a festa está linda e vamos aproveitar. Olha para mim, me perdoe.
_ Clara estou magoado, fiz tudo isso para que sua noite fosse única. O Vitor apronta e você é grosseira comigo.
_ Desculpa! Vamos aproveitar a noite, esquecer que o Vitor existe. Ele está se fazendo presente, vamos mudar isso?
_ Tem razão, ele consegue ser desagradável e incomodar mesmo a distância.
_ Exatamente. Vamos conversar com nossos amigos.
Eles vão para festa, a noite toda eles se divertem juntos. Clara estava certa que daria uma chance para Ernesto naquela noite. Esse era o presente dela. Depois de tudo que Vitor fez, já não sabia mais como fazer. Ernesto tinha a mesma expectativa, que aquela noite eles ficariam juntos. Depois de muito prosecco, Ernesto e Clara estão animados e vão dançar. Rúbia e Fedra torcem pelo primeiro beijo deles. Clara resiste e deixa Ernesto frustrado. Os amigos começam a deixar a festa,  já é madrugada. Ela pede que Fedra e Rúbia aguardem por ela. As duas percebem que nada acontecerá.
_ Clara, o Ernesto está esperando por você.
_ Não vou ficar com ele. O Vitor está na minha casa.
_ Clara, você vai deixar o Ernesto para ficar com o Vitor?
_ Não. Só não vou ficar com o Ernesto, porque seria outro problema. Quero chegar em casa e dar um basta nessa estória. As coisas dele já estão na mala e vou despachar, os dois.
_ Vou fazer de conta que acredito, porque estou cansada para discutir com você.
_ Vou embora.
_ Sem se despedir do Ernesto? Não faz isso.
_ Vou me despedir, tenho educação.
_ Clara ele te deixa irreconhecível, submissa.
_ Eu quero e vou acabar com tudo isso.
_ Está bem, se acredita que está fazendo o certo, o que podemos fazer.
_ Ernesto, quero agradecer pela noite maravilhosa. Você me surpreende a cada dia, estou encantada com tudo. Amanhã nos falamos. Só não vou caminhar, porque não terei condições de acordar cedo.
_ Fica aqui. Tem uma suíte pronta para você.
_ Não. Vou para casa. Grata!
Clara dá um beijo no rosto de Ernesto e vai embora. Ele entristece, sente-se decepcionado e decide viajar, passar o fim de semana fora. Quem sabe assim, Clara sente falta.
Clara chega a sua casa. Vitor está vendo TV, ela entra e vai para o banho, sem falar nada. Ele também não diz nada. Depois do banho, Clara pega um copo d’água e vai para o quarto, entra e tranca a porta. Ela fica pensando em Ernesto, e se arrepende de não ter ficado com ele.
_ As meninas estão certas. Ele sempre me manipula, pensa em voz alta.
_ Clara, abre essa porta. Não vim aqui para dormir no quarto de hóspedes. Vim para ficar com você, estou o dia todo te esperando. Abre de uma vez.
_ Se não quer dormir aqui vai para sua casa. Faça como quiser.
_ Abre a porta, que será melhor. Senão vou derrubar.
_ Só o que me faltava. Boa noite!
_ Tem certeza?
_ Absoluta!
Vitor tenta arrombar a porta. Clara se assusta e decide abrir. Os dois discutem. Ela diz que as coisas dele estão arrumadas, melhor ele ir embora. Vitor abre o armário e mostra que já devolveu suas roupas, seus objetos pessoais, tudo está como antes.
_ Vitor, não quero mais nada que pertença a você na minha casa.
_ Eu vou continuar aqui. Acha que vou deixar o caminho livre para o seu amiguinho, está enganada. Vou acabar com ele.
_ Enlouqueceu? Sabe de quem você está falando? Acha que todo mundo tem medo de você?
_ Devia, você não sabe do que sou capaz.
_ Todas as vezes que fala isso, tenho mais certeza que quero distância de você. Sai do meu quarto, quero dormir. Tenho compromisso amanhã cedo.
_ Não. Vem aqui.
_ Pára Vitor, sai daqui.
_ Vem aqui. Vem logo.
_ Não.
Vitor agarra Clara, a encosta na parede.
_ Olha nos meus olhos e diz que não me quer aqui.
_ Eu...
Eles se beijam. Clara fica com Vitor. Na manhã seguinte ela acorda e se prepara para ir trabalhar. Não o chama, simplesmente deixa um bilhete pedindo que deixe as chaves na portaria. Ela chega à empresa, todos comentam sobre a festa da noite anterior.
_ Estamos cansados, mas valeu muito a pena, a festa foi ótima.
_ Mariah, agradeço pela festa aqui na empresa e pelo seu apoio na festa da noite.
_ O Doutor Ernesto estava muito animado, queria o melhor.
_ Ele é fantástico.
Clara fica pensativa, meio triste com a situação. Arrepende-se de ter cedido novamente. Sente-se culpada. Liga para o Ernesto, ele não atende. Vitor manda mensagem.
_ Gatona, estou com vontade de você, do seu cheiro, que horas vai chegar?
Ela pega o telefone e liga.
_ Vitor quero que você vá embora da minha casa e da minha vida.
_ Vamos passar o fim de semana juntos.
_ O fim de semana? Deve passar em São Paulo, esqueceu?
_ Estou feliz, não vai conseguir me deixar irritado. Esse é o nosso fim de semana, gatona.
_ Não quero encontrar você quando voltar.
_ Clara, pára com isso.
Ela desliga. Márcio e João Pedro estão aguardando, eles seguem para reunião com Saulo. Tudo transcorre bem. João defende o projeto com maestria e consegue fechar o financiamento. Eles comemoram. Saulo convida todos para almoçar.
_ Almoçamos todos juntos?
_ Claro, vamos comemorar nossa parceria.
_ Adorei vê-la com o colar.
_ Foi para dar sorte. E deu certo.
_ Que te dê sorte em tudo.
_ Obrigada!
Eles seguem para almoçar. Clara segue com Saulo e Márcio e João  Pedro vão com o carro dela. Saulo é objetivo.
_ Clara sabe que me sinto atraído por você. Adoraria ter uma chance. Ontem percebi que o Ernesto está mil passos à frente.
_ O Ernesto é uma pessoa especial.
_ Clara, não quero ser desagradável, mas fiquei feliz com a troca de diretor que você fez. Espero que ela tenha se estendido para sua vida pessoal.
_ Saulo, não temos intimidade para tratarmos desse assunto, me desculpa.
_ Eu que  peço desculpa. Só que vou insistir mais uma vez, aquele Vitor não é nada do que parece. Fui pedir informações dele, na última empresa que ele atuou, não foi nada do que ele disse.
_ Como assim?
_ Clara, não se deixe enganar. Vou te passar o telefone desse amigo e você confere as informações.
_ Agradeço, ele não faz mais parte da empresa, não preciso de nenhuma informação.
_ Desculpa!
_ Saulo estou feliz com nossa parceria. O João Pedro é muito competente e está aperfeiçoando o projeto, tenho certeza que iremos ter êxito.
_ Não tenho duvida. Vou ser sincero, se fosse com seu antigo diretor, não investiria.
_ Eu acredito.
Eles chegam ao restaurante. Clara percebe como Saulo e João Pedro são próximos, e se entendem bem, facilitando o desenvolvimento do projeto. Ela liga para Ernesto, que não atende. Ela tenta manter a atenção nas conversas durante o almoço, só que seu pensamento está confuso, sente falta de Ernesto e pensa em Vitor. Finalmente, o almoço termina. Eles voltam para empresa.
_ João Pedro, parabéns pelo contrato.
_ Clara, estou muito feliz por estar de volta e pela oportunidade de trabalhar com vocês.
_ Nós também.
Eles seguem a reunião. Clara pede para que Mariah verifique se a rescisão de Vitor está pronta.
_ Clara podemos agendar para segunda-feira a rescisão?
_ Deve, e marca no primeiro horário. O João Pedro apresentou a documentação?
_ Já. Deve assinar o contrato hoje ainda.
_ O Departamento de Recursos Humanos é muito eficiente.
_ Consegui mudar a sua agenda, você fica quarta e quinta em São Paulo.
_ Está ótimo.
_ Me passa a agenda da semana que vem por e-mail. Quero me organizar. Tem muita coisa pendente?
_ Tem documentos para assinar e tem duas pessoas te aguardando.
_ Vou atender as pessoas, e os documentos assino no fim de semana?
_ Claro, coloco tudo numa pasta para você.
_ Está ótimo. Preciso de um banho e cama. Estou muito cansada.
_ Eu também.
_ Se estiver tudo certo por aqui, deixa a sua secretária aqui e vai para casa.
_ Agradeço. Está tudo tranquilo.
_ Acompanha as reuniões comigo, assim já dá encaminhamento na segunda cedo, OK?
_ Sim.
As reuniões terminam.
_ Podemos encerrar o expediente?
_ Podemos.
Clara vai para casa. Do caminho tenta ligar para Ernesto, que continua não atendendo. Ao chegar vê que o carro de Vitor está lá.
_ Vitor, pedi para você ir embora.
_ Ainda bem que não fui.  O seu amigo, Doutor Ernesto, veio trazer os seus presentes. Só não quis deixar o dele.
_ Você estava aqui?
_ Estava, para receber os seus presentes.
_ Vitor, vai embora. Não quero mais você na minha casa.
_ Vou passar o fim de semana aqui, já falei.
_ Não vai mesmo.
Clara pega todas as coisas de Vitor e coloca na mala, chama a segurança do condomínio e manda que sai. Ele fica enfurecido.
_ Vai se arrepender. Não vou aceitar essa humilhação.
_ Podia evitar, só que não me ouviu.
_ Não vai se livrar de mim.
_ Já me livrei.
Clara fecha a porta e vai para o banho, chora por se sentir impotente diante da manipulação de Vitor.
_ Preciso tomar uma atitude, para que ele fique longe de mim.
Vitor manda mensagem, pedindo dinheiro para passar o fim de semana porque tem a rescisão na segunda-feira.
_ Não tenho como ir para São Paulo, não tenho dinheiro para comer. Está feliz? O que mais você vai fazer para me destruir. Quero dinheiro na minha conta, preciso ficar aqui até a rescisão.
Ela responde:
_ Estou mandando dinheiro para sua conta. E vou indicar você para um amigo que está precisando de um Diretor de Planejamento, espero que dê certo.
_ Espera que eu te agradeça?
_ Não. Quero que fique longe de mim. Essa empresa é em São Paulo, assim você fica bem e longe, o cenário perfeito.
_ Ah! Você já conseguiu o que queria, não é? Aquele idiota do Ernesto estava com um presente que só pode ser uma jóia. Depois do nosso encontro ele deve ter entendido que não tem chance.
_ Você é ridículo.
Clara liga para Augusto e sugere que ele converse com Vitor, agenda uma reunião na quarta-feira, ela o  acompanhará. Na sequencia liga avisando da transferência e da reunião. Ele é grosseiro. Ela toma um chá e vai ver seus presentes, prepara  uma lista para mandar os cartões de agradecimento. Quando termina, percebe que Ernesto não retornou as suas ligações. Ela manda uma mensagem.
_ Ernesto, sei que está magoado. Vou respeitar seu silêncio, só quero explicar o que aconteceu. Estou em casa e vou passar o fim de semana aqui, sozinha.
_ Estou viajando.
Clara entende que está perdendo Ernesto. Ela toma um creme de ervilhas e vai para cama, tenta dormir. Apesar do cansaço, o pensamento conflituoso a mantém acordada. Já é madrugada quando ela consegue dormir. Na manhã de sábado, ela faz sua caminhada sem Ernesto, depois vai para o salão, ao supermercado, passa na floricultura e volta para casa. Ao chegar decide ligar para suas amigas, sabendo que  irá receber duras criticas e começa a escrever os cartões de agradecimento.
_ Rúbia, tudo bem?
_ Estou bem e você?
_ Péssima.
_ Posso imaginar. É difícil perceber a manipulação, que está sendo usada.
_ Do que está falando?
_ Vou te mandar uma foto, você merece.
Rúbia manda uma foto de Vitor com Milene no restaurante em que ela está.
_ Onde você está?
_ No Italianíssimo.
_ Estou chegando.
_ Vou te esperar.
Clara se troca, coloca uma roupa linda e sai. Quando chega ao restaurante, vê Vitor trocando caricias com Milene. Ela se aproxima da mesa, olha para os dois, cumprimenta e vai para mesa de Rúbia. Vitor fica pálido, transtornado e vai atrás dela.
_ Posso explicar.
_ Como vai explicar?  Me pediu dinheiro para vir almoçar com ela? Vou mandar fazer um vale na empresa e você vai me devolver segunda-feira o valor integral. Então, vai lá e aproveita o almoço e ela.
_ Não tem nada disso. Você que me expulsou da sua casa.
_ Fiz o melhor. Não se deve deixar uma mulher sozinha. Ah! Desculpa não se trata exatamente de uma mulher.
_ Espera.
Vitor vai até a mesa e discute com Milene, nem sequer senta. E volta para mesa de Clara. Quando percebe que ela e Rúbia já saíram, vai atrás de Milene. Elas estão no carro e seguem os dois, que acabam indo para o apartamento dele.
_ Clara você percebe o que essa canalha faz com você? Estou, verdadeiramente, preocupada com essa submissão.
_ Rúbia, estou preocupada com Ernesto, não quero perdê-lo e sei que terei muito trabalho para reconquistá-lo.
_ Você que jogou tudo fora.
_ Eu sei.
Clara passa o fim de semana em casa. Cuida de suas plantas,  decora a casa com as flores que ganhou. Analisa os documentos da empresa. Prepara sua agenda da semana, com base no e-mail enviado por Mariah. Liga para João Pedro e agenda uma reunião com ele na segunda-feira, logo depois da rescisão de Vitor.
Liga para Mendes marcando o jantar para quarta-feira, aproveita para agradecer o lindo presente que ganhou. Clara abre o presente de Zé Henrique. É um lindo retrato deles juntos numa das viagens que fizeram. E um lindo colar, com um cartão dizendo: Estarei sempre com você. Ela manda uma mensagem para ele: _ Estaremos sempre juntos, meu querido amigo.
Clara começa a estudar os projetos para as reuniões de quarta e quinta-feira. Já manda algumas informações para João Pedro, por e-mail. Pede desculpa, por estar atrapalhando o fim de semana dele. João responde imediatamente, dizendo que se Clara tiver tempo livre podem discutir o projeto, ele está ansioso para dar algumas sugestões. Os dois combinam de jantar no sábado e discutirem os projetos. Ela sente um alivio por não ter pensado em Vitor depois da cena que assistiu.
Clara pergunta se podem pedir uma pizza e se reunir na casa dela, João responde que sim. A reunião é muito dinâmica e eles fazem adequações aos projetos que haviam sido desenhados por Vitor. João Pedro é competente e tem corroborado com o aperfeiçoamento dos projetos, ela sabe que isso terá um reflexo positivo na empresa. E fica feliz por não ter defendido Vitor diante dos demais diretores, eles tinham razão.
No domingo, ela recebe um telefonema de Fedra.
_ Clara, estou tão chateada com o  que aconteceu.
_ Do que está falando?
_ O Ernesto foi a sua casa, e aquele cafajeste estava ai e o destratou. Disse que vocês estavam bem, e que tinham passado uma noite inesquecível, que o Ernesto ficou com o trabalho da festa, enquanto ele...
_ Não acredito que fez isso.
_ Não?
_ Modo de dizer. Claro que ele é capaz de ser vulgar. A Rúbia te contou de ontem?
_ Não.
Clara conta a cena para Fedra.
_ Não sei como consegue olhar para ele.
_ Na próxima semana, vou levá-lo para conversar com o Augusto que está precisando de um profissional como ele. Assim ele fica em São Paulo de uma vez.
_ Ele tem que estar em São Paulo para você conseguir ficar livre?
_ No momento, é melhor assim.
_ Desacredito no que você faz.
Elas conversam sobre Fedra e Mesquita e combinam de almoçar na terça-feira. Clara está almoçando quando Ernesto liga.
_ Ernesto, fico feliz que tenha ligado.
_ Clara estou voltando hoje à noite, podemos conversar?
_ Podemos.
_ Na minha casa ou na sua?
_ Na minha. Pode ser as 20:00hs?
_ Estarei ai. Estaremos a sós?
_ Sim. Fique tranquilo.
_ Até mais.
Clara vê que Ernesto está frio e distante. Ela se prepara para conversa, se arruma e decide que dará uma oportunidade para eles. Coloca o DVD da Diana Krall que ele gosta, o mesmo que ela e Vitor ouviam durante suas viagens. Ele chega...