domingo, 4 de maio de 2014

Um “doce” canalha - Parte XXIX – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? A vez de Clara


Vitor estava certo que acompanharia a reunião de Clara e Ernesto. Márcio havia passado mal, em função das últimas noites regadas a bebidas. A secretária de Ernesto chama Clara. Ela se levanta e vai para sala de reuniões. Vitor reage imediatamente indagando-a:
_ Como vai ser?
_ Preciso entrar sozinha.
Ele não gosta, mas decide esperar. Clara entra e vai para sala de Ernesto que a espera.
_ Clara tudo bem?
_ Sim. Tudo ótimo. O Márcio passou mal e não vem, podemos discutir os projetos e definirmos os próximos passos.
_ O Vitor voltará para empresa?
_ Não. Sem possibilidade alguma. Se ele voltar eu deixou a empresa.
_ Então, os projetos estão aprovados, os ajustes faremos depois, com a presença do Márcio e do Mesquita.
_ Excelente! Obrigada!
_ Agora vamos almoçar?
_ Vamos, aonde?
_ Tem um helicóptero nos aguardando. Quero te levar num restaurante na serra.
_ Que delicia. Vou adorar.
Enquanto se preparam para embarcar,  Clara recebe uma mensagem de Vitor:
_ Não estou gostando de como está conduzindo. Não era isso que eu esperava.
_Vitor, deveria torcer para dar tudo certo.
_ Estou me sentindo um idiota, como na situação do curriculum com o Augusto, e isso não vai ser bom para você. Boa sorte!
_ Vai dar tudo certo, pode ter certeza.
Clara entra no helicóptero com Ernesto. Vitor permanece na sala de espera, o ar condicionado está gelado, deixando-o ainda mais desconfortável. Uma hora depois ele manda outra mensagem para Clara.
_ Tem mais de uma hora que está ai.
_ Fique tranquilo, meu caro.
Clara está no restaurante com Ernesto, a comida é excepcional. O ambiente extremamente romântico, faz com que Ernesto decida conquistá-la definitivamente. Vitor? Ele segue na sala de espera do escritório de Ernesto. Sente muita raiva, e o ar frio daquela sala, está provocando ainda mais a ira daquele homem que sempre manipulou todas as situações. Naquele momento, estava sendo conduzido. Nem imaginava que Clara estava bem longe dali, com aquele homem que ele tanto odiava, que muitas vezes chamou de bandido e de canalha. Vitor tinha a certeza, que iria levá-la  para cama e que contornaria a situação. O objetivo dele era conseguir mais um empréstimo e que ela ligasse para Augusto, como tinha proposto no dia anterior. Só que ela estava longe e com aquel que ele tanto desprezava...
_ Você é uma mulher fascinante. Adoro sua altivez, no começo sentia, um  certo,  medo de você.
_ Eu que sentia medo de você. Na verdade, não era medo. Você me deixava agitada, nervosa e não conseguia raciocinar direito perto de você. Quantas vezes me irritei, por não ter respondido o que devia. Você me deixava limitada, era um horror.
_ Um charme.
_ Você percebia o quanto me desequilibrava?
_ Às vezes.
 _ E se divertia?
_ Adorava. Ver uma mulher como você, tão segura, dona de si, ficar tensa com a minha presença, sempre me deixou encantado.
_ E diz que tinha medo?
_ Você é muito brava.
_ Não viu nada.
_ Vamos?
Quando eles entram no helicóptero, para retornar ao escritório, tem um lindo buque de flores e um cartão:
_ Você é a pessoa certa.
Eles se olham,  se aproximam. Ele toca os cabelos de Clara. Ela passa suas mãos pelo rosto dele. O olhar entre eles é penetrante. A respiração dele provoca um arrepio pelo corpo dela. Os rostos se tocam, como se um procurasse pelos lábios do outro. Eles se olham, se entregam ao toque dos lábios, vagarosamente, aquele toque se transforma num beijo. O beijo mágico, repleto de carinho, a respiração ofegante, os corações acelerados, as  mãos molhadas de suor, os corpos trêmulos... Eles se beijam  com carinho, ternura e um desejo de amar o outro, aqueles segundo parecem uma eterna felicidade. Finalmente Clara se entrega a Ernesto.
Ao chegarem, Clara recebe mais uma mensagem de Vitor.
_Tem quase três horas que estou aqui te esperando, já estou irritado. Vai ser melhor para você, ter boas notícias para me dar.
_ Acalme-se. Responde ela.
Clara diz para Ernesto que voltará para o hotel, porque Márcio não está bem. Eles combinam de se encontrar no final do dia. Eles se beijam novamente e ela vai embora. Chama por Vitor, que está transtornado. Ela segue para o elevador, sem dizer uma palavra. Eles entram no carro, e o silencio dela é gritante para ele. Vitor começa com as ameaças e cobranças, ela  se mantém no mais profundo silêncio.. Ao chegar à porta do hotel. Clara pergunta se ele irá descer para conversarem. Ele diz que não. Ela calmamente se vira para ele e diz:
_ Hoje foi a última vez, que você mentiu para mim, manipulou qualquer situação e me usou para atingir seus objetivos. Nunca mais, está me ouvindo? Nunca mais, você terá outra oportunidade. Fique longe de mim. Tenho pena de você. Deveria procurar um tratamento, você está doente, mente compulsivamente. Até nunca mais.
Ela sai do carro antes que ele faça qualquer movimento. Olha para ele e repete:
_ Nunca mais.
Bate a porta do carro com toda sua força, fazendo com que ele balance. Vira-se e entra no hotel. Ao chegar à sua suíte,  toma um delicioso banho, abre um champagne e se deita, pensando em como foi especial aquele beijo. Vitor manda uma mensagem:
_ Você fala como se tivesse feito algo por mim... Você só me ferrou... Fica esperta e anda direitinho. Veja lá como fala comigo. E nunca mais bata a porta do meu carro.
_ Não tenho medo de você. Joguei um ano da minha vida fora. Agora acabou. Adeus. Ah! Fique tranquilo nunca mais vou bater a porta do seu carro.
_ Te desejo boa sorte, você vai precisar.
_ Sua fala só confirma a sua índole. Boa sorte para você. Tchau.
Clara liga para Augusto.
_ Tudo bem, meu querido?
_ Sim e você? Em São Paulo ainda?
_ Estou. Acabei de chegar ao hotel.
_ Esta no de sempre?
_ Sim.
_ Estou perto, podemos tomar um café?
_ Vou adorar, quero mesmo conversar com você.
_ Estou chegando.
Ela liga para Márcio que continua com uma enxaqueca terrível. Pergunta se ele precisa de alguma coisa, e avisa que irá descer no sábado pela manhã. Augusto avisa que está aguardando-a.
_ Olá! Que coincidência boa. Quero muito conversar com você.
_ Não acredito em coincidência, tudo tem uma boa razão de ser.
_ Neste caso, concordo!
_ Diga minha querida, o que precisa.
_ Augusto, preciso te participar de uma situação desagradável. O Vitor foi desleal, chegou a ser agressivo, e  perdi completamente a confiança nele. Fui avisada pelo Ângelo mas, como eles tinham diferenças, não  dei a devida importância. Recentemente, o Saulo me alertou, como eles também tinham problemas, acreditei que era implicância. Agora experimentei na pele, do que ele é capaz. Não posso deixar você colocar um ser como esse na sua empresa, principalmente, porque estava atendendo a um pedido meu. Peço perdão por te colocar nessa situação.
_ Clara, fique tranquila. Não esperava outra atitude de você. Sabia, que ele não era nada do que dizia. As notícias correm. E podemos dizer que ele já foi notícia em jornalecos e em páginas policiais. Sinto-me aliviado, só estava dando o cargo por consideração a você. Eu que agradeço.
_ Sinto-me envergonhada por ter pedido a você que desse uma oportunidade para ele. Me perdoe.
_ Sei que faria isso, fosse quem fosse. Conheço sua generosidade. Fique tranquila. Ele cometeu erros antes da hora, perdeu!
_ É verdade!.
Ernesto chega e vê os dois. Eles nunca tiveram simpatia um pelo outro. Manda uma mensagem para Clara.
_ Estou aqui.
_ Te vejo daqui. Vem tomar um café.
Ele chega.  O cumprimento entre os dois é frio. Ernesto se senta ao lado de Clara. Augusto diz que está indo embora. Ela agradece a compreensão dele e combinam de almoçar na próxima vez. Depois que Augusto sai, Ernesto diz que vai ser difícil conviver com essa amizade entre ela e Augusto.
_ Oi. Senti saudades de você.
_ Eu também! Quase não consegui trabalhar, pensando naquele beijo.
_ Já esqueci como foi aquele beijo.
_ Esqueceu?
_ Esqueci. Preciso que refresque minha memória.
_ Quantas vezes quiser.
Eles trocam um beijo delicado, estão em público. Clara conta sobre o que aconteceu, e o que fez. Ernesto sente-se incomodado, ao saber que Vitor esteve em seu escritório e que trouxe Clara até o hotel. Ela justifica, ele diz que discorda mas, entende o que a levou a tal atitude.
_ O que importa é que acabou. Sinto-me leve, livre e muito feliz por estar com você.  Estou preparada para viver cada nova experiência, cada momento dessa nova estória.
_ Fico feliz, apesar de sentir um desconforto, pelo que aconteceu hoje. Tem certeza que...
_ Disse que só sinalizaria para você, quando estivesse pronta. Estou pronta. Esperei ter certeza para me entregar a você.
_ Estou me entregando a você, de corpo e alma. Sinto que é a pessoa certa.
_ Sinto o mesmo.
Eles se tocam e se beijam.
_ O que faremos?
_ O que quer fazer?
_ Estando com você, qualquer coisa.
_ Lindo! Jantamos aqui no hotel ou quer sair?
_ Tem um amigo que está em São Paulo, gostaria de encontrá-lo para jantar, você se importa?
_ Não. Posso jantar aqui e te aguardar.
_ Como? Vamos juntos. Acha que vou deixar você aqui para jantar com um amigo? Nunca!
_ Se fosse, não teria problema.
_ Nunca faria isso. Estaremos sempre juntos, não tenho nada para esconder.
_ Me tranqüiliza. Verá que sou assim, você participará de tudo...
_ Vamos subir? Preciso tomar um banho, ver como está o Márcio e me arrumar. Quero estar linda para sair com você.
_ Linda você é de qualquer jeito. Vou adorar apresentar a minha linda namorada.
_ Namorada?
_ Sim, pelo menos por enquanto.
_ Como assim?
_ Espero que em breve possa dizer...
Eles se beijam. Ernesto diz que reservou a suíte presidencial para eles. Ela passa na sua suíte para arrumar seus pertences. Chegam à suíte reservada por Ernesto. Flores e um presente.
_ Para você.
_ Um presente? Não estou acostumada a esses mimos. Que anel lindo.
_ É um anel de compromisso, para marcar nosso inicio de namoro.
_ Você é muito gentil. O presente é lindo e seu gesto mais ainda.
_ Linda é você.
_ Vamos nos preparar para sair?
_ Sim. Toma seu banho, eu vou depois.
_ Obrigada!
Clara vai para o banho, está apreensiva com o que acontecerá naquela noite. Não quer criar expectativas, mas esta ansiosa. Ela sai do banho e vai se vestir. Ele vai para o banho, está cheio de desejo por Clara. Esperou pelo momento de estarem juntos, durante meses. Ele não quer parecer ansioso, nem deixá-la desconfortável. Quer que tudo aconteça no momento certo e como ela desejar.
Aprontam-se para sair.
_ Está lindo!
_ Eu que digo, vou ter trabalho. Você é uma bela mulher.
_ A felicidade é que me deixa bela, e isso se deve ao fato de estarmos juntos.
_ Fico olhando para você e não acredito que estamos aqui, juntos.
_ Estamos. Estou tão feliz, que me dá vontade de gritar para todo mundo ouvir, sou uma mulher de muita sorte. Você é um presente. Um presente de Deus.
_ Eu ganhei o maior presente, você.
Eles se beijam novamente. O abraço entre eles é muito forte e cheio de emoções.
_ Não vamos deixar seu amigo esperando.
_ Pensei em cancelar.
_ Temos muito tempo. Vamos passar o fim de semana juntos, não vamos?
_ Vamos. O fim de semana, só?
_ Só para começar...
Eles saem. Clara liga para Márcio.
_ Como está?
_ Melhorando. Passei o dia na cama. Não podia me mexer.
_ Se alimentou?
_ Pedi uma sopa, consegui almoçar.
_ Vai descer amanhã?
_ Não sei. Talvez passe o fim de semana aqui.
_ Seja como for, cuide-se. E me dá noticias sobre o que vai fazer, assim fico mais tranquila. E segunda temos muito trabalho.
_ Como foi  a reunião com o Ernesto?
_ Excepcional. Ele aprovou os projetos, teremos que fazer alguns ajustes. Agendaremos uma reunião para definirmos esses passos, no inicio da semana, com você e o Mesquita.
_ Que ótimo! Parabéns!
_ Parabéns para todos! A nossa equipe está funcionando muito bem. Falou com o João?
_ Falei, ele entendeu.
_ Perfeito! Me dê noticias.  
Clara percebe o olhar amoroso de Ernesto.
_ Adoro esse olhar...
_ Adoro olhar para você.
_ Você é um homem desejado por muitas mulheres, terei que aprender a conviver com  o assédio. Sou ciumenta.
_ Eu vou sofrer muito mais, porque você chama atenção quando passa, morria de ciúmes antes de estarmos juntos, agora sofrerei muito mais.
_ Imagina. Sou uma mulher simples, discreta e muito lenta, como diz a Fedra.
_ Discreta você é, veste-se sempre com elegância. Gosto muito do seu estilo. Tem uma sedução na medida certa, sem ser vulgar, ou mostrar mais do que o necessário. Esse mistério é que atrai.
_ Você estava com um olhar de homem apaixonado...
Chegam ao restaurante. Ernesto fala sobre seu amigo. Eles se encontram e Edgar é muito simpático. Ele é um homem mais velho, gentil e muito bem humorado.  Ernesto apresenta Clara como sua namorada, Edgar o parabeniza. Eles conversam sobre negócios e a nova empresa de Ernesto, que aproveita para convidar sua namorada para dirigir, ao lado dele, esse novo negócio. Ela promete pensar sobre o assunto.  O jantar é muito divertido. Ela se surpreende com o bom humor dele. Eles voltam para o hotel. Pedem um champagne, e entre uma taça, um beijo e outro, se amam pela primeira vez.
 Ele é muito carinhoso, deixa Clara segura. Eles se complementam, a relação é intensa e amorosa. Eles se beijam loucamente, se amam e se entregam. Clara percebe que fazer amor com um homem carinhoso e apaixonado é muito diferente de fazer sexo...
_ Estou muito feliz. Podíamos passar o fim de semana aqui, sem sair dessa suíte, o que acha?
_ Podemos ficar em qualquer lugar, o que vale é estarmos juntos.
_ Tem razão. E nossos amigos estão nos esperando.
_ Será que  o Mendes vai nos encontrar? Torço pela Rúbia. Seria ótimo.
_ Que horas sairemos amanhã?
_ Cedo. Vamos aproveitar o dia no campo. Tenho certeza que será um fim de semana inesquecível.
_ O nosso primeiro fim de semana como namorados.
_ O primeiro de muitos. Meu telefone está tocando. Deixa  ver quem é.
_ Não vai atender agora, volta...
_ É a Fedra. Depois ligo para ela. Tem mensagens...
_ Hum!
_ São mensagens do Vitor.
_ Ele vai desistir algum dia?
_ Não vamos permitir a  entrada dele aqui, não devia ter falado nada. Quero voltar para os seus braços e me aninhar.
_ Vem e não sai mais daqui. Menos ainda, para atender ao telefone.
Eles passaram a noite juntos, felizes e se amando.  Clara percebeu o tempo perdido com aquele homem vil que tanto a magoou. Sentiu um alivio enorme. Agora era uma nova etapa na sua vida, rumo a felicidade, com alguém verdadeiro, gentil, dócil e extremamente parceiro.
No sábado eles voltam. Clara passa em sua casa, para trocar de mala.
_ Hoje entro pela primeira vez, como seu namorado.
_ Entra com o pé direito.
_ Já entrei.
_ Você é supersticioso?
_ Não era. Agora com você vou fazer todas as mandingas necessárias.
_ Já fez. Estou aqui e completamente envolvida por você.
_ Fala outra vez.
_ Estou adorando cada minuto, estar ao seu lado é um presente.
_ Acho que estou sonhando, e se estiver não me acorda.
_ Vou preparar minha mala. Está frio. Vem me ajudar.
_ Vou...
_ É a primeira vez que entra no meu quarto.
_ Agora sou namorado, posso.
_ Mala pronta.
_ Que rápida. É sempre assim?
_ Não. Já tinha deixado algumas peças separadas.
_ Você já estava com tudo planejado?
_ Não. Tinha pensado em passar o fim de semana em São José do Barreiro, no Vale Histórico.
_ Podemos combinar, no próximo fim de semana.
_ Tem um hotel ótimo, e o ambiente bucólico é um convite ao romance.
_ Combinado. Vamos passar o fim de semana.
_ Podemos ir. Os nossos amigos já foram?
_ Fedra e Mesquita já chegaram, ele me mandou mensagem.
_ Deixa ver se a Rúbia mandou mensagem também. Mandou. Ela está aguardando o Mendes.
_ Sinal que estão se entendendo.
_ Que ótimo. Três casais, poderemos viajar juntos e a diversão está garantida.
_ Verdade!
O telefone de Clara toca. É Vitor.
_ O Vitor. Vou atender.
_ Clara, não.
_ Melhor assim.
_ Clara, o que está acontecendo? Pensa que vai me tirar da sua vida assim?
_ Já tirei. Só atendi para dizer uma coisa, sinceramente, sinto muito por você, só que perdeu tudo. Falei com  o Augusto e você não assumirá o cargo na empresa dele. Acabou. Fim de linha. Você ultrapassou todos os limites, agora é com você. Nunca mais quero te encontrar. Adeus!
_ Clara você acabou com a minha vida. Vou acabar com você.
_ Não vai. Estou feliz e segura. Tchau
Ela desliga. Ernesto está  incomodado.
_ Ele continua fazendo ameaças. Deixarei um segurança com você.
_ Se te deixa mais tranquilo, aceito. Agora, vamos para o campo?
_ Vamos.

Eles seguem para casa de campo...