quinta-feira, 10 de abril de 2014

Um “doce” canalha – Parte VI - “Uma” canalha é pior que “um” canalha? – Escolhas

Vitor parecia ser um homem polido, com classe e adepto as regras básicas de etiqueta. Na verdade um homem polido jamais seria deselegante com uma mulher. Nunca comentaria sobre outra na frente dela e jamais despejaria galanteios sobre uma conhecida de sua namorada.
Apesar de todo o desgaste provocado pelas atitudes de Vitor, eles viajaram nas semanas seguintes. Foram para alguns compromissos e depois aproveitaram a viagem para ficar juntos, passaram e namoraram.
Clara estava começando a se sentir enfeitiçada por aquele homem que se esforçava para ser gentil, romântico e galanteador. O sexto sentido de Clara, alertava sempre para os pequenos gestos de Vitor. Ele que fazia caridade, ao mesmo tempo, desdenhava das pessoas menos favorecidas. Julgava-se muito inteligente e capaz de detectar as armações e de antever as atitudes dos outros.
Ao mesmo tempo, dizia-se vitima dos amigos que o traíram, dos negócios que não se concretizaram, sempre alguém tinha responsabilidade sobre seus infortúnios. Clara assumia os riscos pelas suas decisões e discordava daquela postura de Vitor, de vitima, isentando-se da sua parcela de responsabilidade sobre suas escolhas.
Depois da viagem de três dias, eles decidiram ficar alguns dias longe. Clara disse que sua agenda estava cheia, tinha vários compromissos e que  iria tomar vinho com um amigo. Vitor reagiu negativamente:
 _ Esse programa é de namorados, você é minha não pode sair pra tomar vinho com uma amigo.
Clara sorri.
_ Vou anotar mais uma no meu caderninho...
_ Te darei outro caderninho porque esse não deve ter mais espaço. Disse ele,
_ Pois é, Vitor. O que demonstra como você é...
_ Para com isso, Eu só tenho ciúmes de você.
_ Você devia a confiar em mim, não pense que todos são iguais. Ao contrário de você tenho amigos com os quais nunca tive um envolvimento sexual ou amoroso. È melhor você ir embora.
_ Eu já beijei todas as minhas amigas, e o seu amigo deve ter feito o mesmo.
_ Você está sendo patético. Depois no falamos.
Vitor sai cantando os pneus de seu carro. Clara respira profundamente e pensa se vale a pena continuar com aquilo. Ela toma seu banho e se prepara para sair, tem compromissos durante  a tarde e a noite irá tomar vinho com  seu amigo. Ela começa indo ao salão, aproveita para relaxar enquanto escova os cabelos, faz as unhas e manda algumas mensagens para checar informações importantes para seus próximos passos, no âmbito profissional.
Depois vai ao advogado, ao supermercado, a padaria e volta pra casa. O telefone toca e Vitor quer saber que horas ela irá sair.
_ Marcamos as 20h, por que?
_ Posso passar ai antes? Preciso muito falar com você, por favor.
_ Ok, Só não demora. Não vou me atrasar por sua causa.
_  Estou chegando.
Clara toma seu banho e já se aprontar para seu compromisso. Vitor chega e tenta fazê-la desistir do jantar.
_ Clara, meu amor, me perdoe se foi rude com você. Acho que está tudo acumulando e deixando tudo muito tenso... você é maravilhosa e o quanto quero estar com você.
_ Vitor palavras o vento leva, as suas escolas e atitudes me dizem muito mais sobre você, do que suas palavras. Preciso ir.
_ Desmarcar esse negócio, fica aqui comigo, estou pedindo.
_ Não. Preciso ir...
Ela se diverte durante o jantar com seu amigo, degustam um vinho maravilhoso, conversam sobre trabalho e sobre a vida. O telefone dela recebe muitas mensagens de Vitor, ela simplesmente as ignora. Marcos, o amigo, alerta que algo grave deve estar acontecendo porque aquela insistência é irritante.
Clara só retorna tarde da noite, e é bem distante.
_ Estou bem, obrigada! Tenha uma ótima noite.