quarta-feira, 9 de abril de 2014

Um “doce” canalha – Parte V - “Uma” canalha é pior que “um” canalha? - Ciúmes

Durante semanas, Clara e Vitor viajaram a trabalho. Passaram dias juntos fora da cidade onde moravam. No inicio Vitor falava que estava viajando com Clara, depois para evitar que seu telefone tocasse a cada cinco minutos, ele passou a falar que estava viajando sozinho.
Algumas vezes, dizia que estava indo para outra cidade, para que pudesse passar dias viajando com Clara. No inicio da relação deles, Vitor era amoroso, carinhoso, adorava andar de mãos dadas. Elogiava o jeito carinhoso de Clara, que estava sempre com a mão em sua perna, durante a viagem. Vitor dizia que Clara era a pessoa mais carinhosa que havia conhecido. Que sentia falta dela a todo instante.
Quando saiam para jantar, Vitor percebia que Clara despertava o olhar de outros homens, e isso o incomodava. Ele perguntava o que ela tinha de tão especial para atrair os homens. Clara era uma mulher madura, tinha quase quarenta anos, e se vestia num estilo clássico. Era inegável que  tinha seus encantos, muitos homens, principalmente os mais velhos, evidenciavam o interesse por Clara, e ele externava o desconforto que sentia.
Vitor sentia ciúmes de qualquer homem que se aproximasse de Clara. E às vezes, deixava transparecer seu incomodo mesmo perante aos amigos em comum. Ela sempre o repreendia com um gesto ou com um olhar mais firme. Ele se fazia de desentendido, e comentava muitas vezes na frente de outras pessoas o seu ciúme. Clara não escondia que aquelas atitudes dele importunava.
Numa certa reunião Clara recebeu uma cantada, Vitor imediatamente reagiu, demonstrando que a relação dele com Clara não era apenas profissional, causando estranheza em algumas pessoas que os conheciam.  Numa outra situação ele repreendeu Clara por achar que a roupa que ela vestia era muito sensual. E quando um homem detentor de um poder que ele não tinha, insinuo que se interessava por Clara, ele reagiu com aspereza.
Uma pessoa deixava Vitor extremamente incomodado, alguém com quem Clara tinha uma relação próxima e que ele não conhecia pessoalmente. Clara se referia a essa pessoa com muito carinho, e dizia o quanto ela o achava bonito, elegante e sedutor. Para Vitor isso era um desrespeito, ele não gostava daquele homem que nem conhecia, e resmungava todas sempre que ela se referia àquele homem. Ernesto era um homem maduro, decidido, inteligente, sagaz, poderoso e que provocava em Clara uma grande admiração.
Ernesto e Clara mantinham uma relação profissional, da qual Vitor não fazia parte. Vitor queria conhecer Ernesto pessoalmente, mas Clara evitava esse encontro por acreditar que Ernesto não seria receptivo a Vitor. A postura dele causava um olhar de desconfiança nas pessoas, e Clara percebia isso. Vitor sabia ser desagradável quando queria.
Clara vivia na indecisão, entre acreditar que Vitor era verdadeiramente um homem de bom caráter ou seguir sua intuição e ficar atentar, alerta, porque seu coração avisava que ela se decepcionaria com ele. A vida sempre alerta, sempre manda um recado, nós é que demoramos a entender. Quando as atitudes do outro é tão distante do seu universo é difícil acreditar que alguém é capaz de tamanha desfaçatez.
O ciúme de Clara advinha dos galanteios que Vitor fazia para suas conhecidas. Para ele qualquer mulher que tivesse alguns atributos, era interessante e ele comentava com Clara para provocá-la. Certa vez, ele fez inúmeras “gracinhas” para uma conhecida, sendo deselegante e desrespeitoso com ela. Por pouco, Clara não arremessou seu suco, displicente e acidentalmente, sobre Vitor.
Ela o alertou e disse que ele deveria tomar cuidado com essas atitudes.
_ Você devia pensar bem sobre o que faz. É indigno  seus modos, demonstra sua falta de classe e de educação. Lembre-se que você não deve fazer com o outro aquilo que não gostaria que fizessem com você...