segunda-feira, 28 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte XXIII – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? O jantar entre amigas, as mentiras e a agressão de Vitor contra Clara


Elas se encontram para jantar. Clara e Fedra chegam juntas, Rúbia logo depois. Querem aproveitar para colocar a conversa em dia. Todas têm muitas novidades para dividir, a diversão está garantida. Vão para mesa que já estava reservada. Pedem as entradas e um bom vinho.
_ Essa noite temos que degustar bons vinhos, porque temos estórias para contar. Diz Rúbia
_ Devíamos ter marcado em casa, assim podíamos beber a vontade.
_ Clara, você nunca toma mais que uma taça. Menciona Fedra.
_ Sim, só que depois para dirigir, só chamando o Jarbas.
_ Se o Jarbas for um gato, quero ser a última.
_ Rúbia sempre animada e disposta a uma nova experiência.
_ A vida é curta, temos que vivê-la intensamente.
_ E bem acompanhada. Fala Fedra
_ Intensamente sim, agora bem acompanhada no meu caso...
_ Clara isso porque você insiste nessa loucura de ficar com esse intragável do Vitor.
_ Concordo, com a Rúbia.
_ Já vamos começar?
_ Agora que o vinho chegou, não é Fedra?
_ Já estamos preparadas. Clara o seu canalha é o mais canalha, começa você.
_ Está bem. Outro dia, durante uma reunião, ele atendeu ao telefone, o som como sempre muito alto, a pessoa do outro lado disse ter conseguido o que ele queria e perguntou: “o que eu vou ganhar com isso?”
_ E ele? Pergunta estarrecida Rúbia.
_. Ele repetiu a pergunta e disse sorrindo:_ Eu vou te falar o que você vai ganhar com isso... Outro sorriso.. Pediu desculpa a todos e disse que precisava sair urgente. Virou pra mim e quase que cochichando disse: _ Preciso levar remédio para Francesca.
_ E você? Questiona Fedra
_ Olhei  nos olhos dele, sorri e disse: _ Claro, querido!  Mulher, diferentemente de homem, consegue conduzir uma reunião, ouvir a conversa do “namorado” com uma desconhecida e manter a classe diante de uma situação inusitada.
_ Só que a ligação não foi da esposa, pobre coitada, aposto?
_ Não. A ligação era de uma desconhecida que estava “comprando” algumas horas do dia dele.
_ Comprando?
_ Sim Fedra, comprando. Ele estava disponível para quem  desse  mais dinheiro para ele
_ Difícil de acreditar num canalha, tão canalha.
_Pode ter certeza que ele é bem pior. Diz Rúbia.
_ Como ele mesmo diz: _ Posso fazer coisas bem piores para conseguir o que quero. E não terminou aí.  Horas depois, ele ligou me perguntando  onde eu estava. Pensei: como ele podia ser tão dissimulado. Estava com um amigo, indo tomar um café, daí respondi secamente: _ Na rua. Ele disse que estava  com fome, que não tinha tido tempo para almoçar porque levara a esposa ao médico. Eu simplesmente disse que quando chegasse, avisaria  
_ Um canalha é capaz de tudo, tudo mesmo.
_ Sabe Fedra o Hugo, certo dia me perguntou: _ Por que as mulheres perceberem que o cara é um canalha, um calhorda ou um cafajeste e continuam com ele?
_ Bom, podemos enumerar várias razões.
_ Rúbia, no caso do canalha em questão, a resposta é simples. Se eu  acreditasse que o carro quebrado era desculpa para uma traição, enlouqueceria, estaria vendo chifres em cabeça de cavalo. Como a mentira não é parte do meu universo, jamais imaginaria que ele estava mentindo. Para o Vitor mentir é tão vital como respirar. Sabe aquele dia que ele saiu de casa dizendo ter um problema pra resolver em São Paulo?. Numa conversa na noite que passamos juntos, deixou escapar que esteve em Ilhabela com um amigo, naquele fim de semana, acredita?
_ Estou perplexa.  Eu  passei por uma situação mega desagradável. O calhorda dizia que gostava de manter uma relação animada, viver emoções diferentes. Tentei criar situações especiais para manter aquecida a relação. Uma viagem para uma cidade praiana, com gente bonita. Outra para o campo, num ar romântico. Jantares, sessões de filmes a dois, e assim tentava manter o clima aquecido. Certo dia, numa viagem o calhorda decidiu mostrar as garras... Disse que ia sair para dar uma volta. Estava cansada e com aquela preguiça de quem está com horário livre, incentivei-o a caminhar. Depois do café, do banho, da leitura do jornal e de uma olhada na programação do Hotel para o dia, achei que ele  demorava demasiadamente. Desci e encontrei-o com uma amiga em comum, no maior papo no hall do hotel. Descobri que ela também estava hospedada, muita coincidência.
_ Gente, cada um pior que o outro. Nossa Fedra, você não me contou o que tinha acontecido para terminar o namoro tão rápido, agora começo a entender.
_ Depois flagrei eles de madrugada na piscina. Daí foi o fim.
_ Realmente, um supera o outro.
_ O Vitor não terminou nisso, teve a estória da secretária Suzete.
_ Nossa, nome de profissional do sexo...
Todas riem.
_ Não é? Ele a tirou de uma loja de comércio varejista, tipo loja de bairro. Vi uma foto, me deu ânsia, uma figura baixíssimo nível. Ele deu “status’ de secretária e mantinha uma relação mais “profunda”, do que a de chefe e funcionária. Quando ele saiu da empresa, ela foi a primeira a dar a apunhalada.
_ Ele mereceu. Como a pessoa não tem vergonha de trazer uma desqualificação para atuar ao lado dele?
_ Como todo homem, pensa... Você entendeu, não é?
_ O “cérebro” muda de lugar...
_ Rúbia, muda mesmo. E tem outra, a sobrinha de um conhecido nosso, que foi passar uma temporada na casa de praia dele, parece que o pai estava com um problema de saúde. Um dia passei com ele na casa, ele foi entrando sem chamar, achei estranho. Fiz um comentário. Ele disse que estava na casa dele. Eu respondi: E se tiver alguém nu? Ele falou que não era problema. Depois ele comentou que eram duas irmãs, e que ele tinha ido na casa, num dia que que precisou resolver uns problemas com um amigo, e que a tal queria carona, uma estória super estranha. Passado um tempo, fui com ele na casa, ele queria falar com ela porque tinha acontecido alguma coisa. Fiquei no carro esperando, só que percebi que ele não parou o carro em frente a casa. Daí, ela não estava. Fomos a um compromisso e na volta paramos novamente. Ela estava com o nosso conhecido. Como ele não sabia, parou o carro longe, com a desculpa que estava irritado e que a conversa não seria agradável, então queria me poupar da cena constrangedora. Quando viu que ela estava acompanhada me chamou, daí ficou fazendo tipo, apaixonadinho. Foi quando entendi porque ele estava “emprestando” a casa.
_ Meu Deus! Ele é muito cafajeste, é um pulha.
_ Como você suportava tudo isso?
_ Não dava muita importância. Não estava envolvida para me importar com isso. Comecei a me importar quando os sentimentos mudaram.
_ Não suportaria nem a metade.
_ Rubia, calma! Tem mais. Apresentei uma conhecida, a Milene, vocês conhecem, ele fez uns comentários do tipo, interessante. Sabia que me irritava, fazia para me provocar. Nesse dia eu respondi: _ Fique inteiramente à vontade. Se você gosta desse tipo de mulher, ela estará me fazendo um favor, porque você não é homem para mim. Ele ficou sem graça, pediu desculpas, e não falou mais nisso. Um dia ele disse que estaria voltando de viagem numa terça-feira. Meu sexto sentido me disse que ele estava na cidade. No dia seguinte, ele ligou as 9:00h dizendo que estava na estrada e que chegaria por volta da hora do almoço. Como são 4 horas de viagem, parecia tudo perfeito. Logo depois ele chegou,  banho tomado, todo arrumado, com um cheiro de sabonete que não era o dele.
_ Além de tudo é burro.
_ Muito burro. Porque no fim do dia fomos até o apartamento dele, que já tinha mudado. Sobre a pia da cozinha uma garrafa de vinho, pela rolha e pelo cheiro que estava, tinha sido aberta na noite anterior. Ele disse que estava ali desde o ano passado, eu ri. Evidente que ele saiu com a tal, que a essa altura era vizinha dele. Ela tem namorado  só que não é confiável... Para completar, ele foi tomar banho, alegando que as coisas dele já estavam arrumadas. Só que o sabonete, não era o mesmo da manhã. Falta imperdoável.
_ Já não sei mais o que dizer.
E para finalizar, na casa que ele morava anteriormente, tinha outra vizinha, uma tal Van. Essa era pior, porque se dizia amiga da Francesca. E tomava conta dele na ausência dela, tomava mesmo.... Isso, além da Fúlvia, que vocês já sabem.
_ Ele é um colecionador de mulheres?
_ Analisando friamente, acredito que ele tem um desvio de personalidade. A Fúlvia era um jogo duplo, ela pagava e ele facilitava algumas coisas para ela na empresa. Agora as outras, era necessidade de estar com gente inferior, porque só assim se sentir superior. Acredito que esse seja o problema, ele precisa ser superior, só consegue com esse tipo de mulher. Algumas tinham como motivação, o “status”, que ele podia dar, que para o nível delas era algo inimaginável.  Era uma troca.
_ Faz sentido. E essas se contentam com qualquer coisa.
_ Exatamente, Rúbia. Para essas ele é uma conquista única. Elas não terão oportunidade de estar com um homem com nível superior, com carro, que leva para jantar em um restaurante, enfim... Ele passa a ser um troféu. Para tê-lo elas aceitam ser subjugadas.
_ E você? Uma mulher inteligente, com uma situação financeira confortável, com um emprego estável, bonita, livre e com o Ernesto aos seus pés está fazendo o que?
_ Não sei. Eu tenho pena, outras vezes raiva, mais gosto do jeito cafajeste dele.
_ Você vai acabar com essa estória de uma vez, não é?
_ Não! Vou dar outra chance para ele.
_ Você enlouqueceu?
_ Não. Estou ótima.
_ Você vai aprontar  com ele?
_ Não. Jamais faria isso.
_ Não entendo mais nada.
_ Emprestei o dinheiro para ele, fiz uma transferência online, para garantir.  E vou fazer com que assine uma duplicata.
_ Você acha que ele vai te pagar?
_ Não. Se ele está passando por essa dificuldade toda com um cargo de diretor, se ele perder ou mudar de empresa terá mais problemas ainda.
_ Ele corre o risco de perder o emprego?
_ Pois é, a situação dele não é das melhores.
_ Rúbia e você, algo novo?
_ Nada! Ou melhor, aparece algumas pessoas interessantes. Só que nada que mexa com os meus sentidos.
_ Quero te apresentar um amigo, o Mendes. Tenho certeza que vai adorar.
_ Você me falou dele outro dia.
_ Vai mesmo, ele é bem o tipo que a Rúbia gosta.
_ Fedra já conhece e sabe que ele é um fofo.
_ Quando irá me apresentar?
_ Vamos combinar uma ida a São Paulo. Podemos aproveitar um fim de semana. Fedra e Mesquita, o Ernesto.
_ E o Vitor?
_ Não dá. Nos finais de semana ele “pertence” a esposa, não esqueça.
_ Você está de brincadeira.
_ Amigas,  o amor é assim.
_ Não acredito, acho que você está com alguma idéia.
_ Gostaria de saber o que fazer. Vamos fazer nossos pedidos?
_ Fedra, conta sobre o Mesquita, quem sabe você nos traz sorte.
_ Estamos nos conhecendo, mas a sensação que temos é que nos conhecemos de muito tempo. Entendemos-nos com olhar. Tem uma sintonia fina, é tudo de bom. Não vou entrar em mais detalhes.
_ Nem precisa, pelo brilho do seu olhar.
_ Muito apaixonada, essa nossa amiga.
_ Pelo que o Ernesto me contou o Mesquista também. E a tal, “ex-mulher problema”?
 _ Até agora nenhum problema.
_ Que continue assim.
Os pedidos chegam. Elas começam a jantar. Quando são surpreendidas por Ernesto e Mesquita.
_ Boa noite!
_ Mesquita? Boa noite!
_ Boa noite!
_ Meninas, só passamos para cumprimentá-las.
_ Sentem-se, já colocamos a conversa em dia.
_ Vamos começar a jantar agora.
_ Podemos mesmo?
_ Não sei, o que acha Rúbia?
_ Será que eles são boas companhia?
_ A Fedra é suspeita para responder.
_ Eles são ótimos.
_ Não disse.
_ Clara, até parece que você não gosta da companhia do Ernesto.
_ Eu? Adoro a companhia dele e todos vocês. Sentem-se, meninos
Eles passam horas tomando vinho e conversando. Clara é a única que não bebe, para levá-los depois.
Na manhã seguinte, Clara e Ernesto saem para caminhar, tomam café juntos e ela segue para empresa.  No caminho uma mensagem de Vitor:
_ Onde você está?
_ O que quer?
_ O que quero dizer e sinto será dito olhando nesses lindos olhos verdes... Entendeu?
_ Espero que seja algo interessante e que diga respeito ao trabalho. Estou chegando à empresa e espero encontrá-lo.
_ Vou chegar mais tarde, estou na estrada ainda.
_ Vitor, me parece que você não está entendo a gravidade da sua situação. Eu posso optar pela sua demissão sozinha, agora para mantê-lo na empresa todos os demais diretores precisam partilhar da mesma opinião, isso não está acontecendo. Tem sido relapso com suas obrigações, não colocarei meu cargo a prêmio para defendê-lo. Já fiz isso duas vezes, e não vou repetir.
_ Você está me ameaçando?  Não estou gostando disso.
_ Problema seu. Se você não chegar, vou comunicar sua ausência. E aguardaremos o posicionamento da diretoria.
_ Se fizer isso, acabo com você.
_ Ok. Um ótimo dia para você.
_ Boa sorte! Você vai precisar.
Clara chega à empresa, como Vitor não está, nem comunicou sobre sua ausência, ela segue as regras e comunica a diretoria, já que ele deveria comparecer a reunião com ela e apresentar um projeto para o departamento financeiro. Márcio já havia comunicado, por e-mail, que não tinha recebido o material e, tão pouco, Vitor havia retornado suas ligações.
Quando ele chega à empresa é comunicado que deve  procurar a presidência. Clara e Márcio estão presente. Foi dada a oportunidade a ele,  podia ser transferido para uma sucursal em outra cidade ou seria demitido. Ele pediu demissão. Clara não se surpreendeu. Na saída da empresa, ele fez ameaças a Clara, que ficou muito magoada.  Ela estava visivelmente triste. Vitor disse  que ela nunca foi parceira, que tinha usado-o para conseguir o que desejava. Ela que sempre o defendeu.
Clara vai para sua sessão com Marta, que não podia acontecer em hora melhor. Ela conta os primeiros acontecimentos para sua terapeuta, a opinião de Marta não difere das amigas de Clara. Ela sai muito confusa da terapia e segue para casa. No caminho vê novas mensagens de Vitor. Ernesto liga, ela está triste e ele percebe pelo tom de  voz dela.
_ O que houve? Você está triste?
_ Ernesto não quero conversar sobre o que está acontecendo, pelo menos não agora.
_ Você já está em casa?
_ Estou chegando.
_ Quer tomar um café ou prefere ficar sozinha?
_ Desculpa, preciso ficar sozinha.
_ Caso precise de alguma coisa, estou aqui.
_ Obrigada! Beijos.
Clara vai para casa, pensando que quinta-feira é aniversário dela e que o dia será muito difícil. Ela acredita que Vitor não falará mais com ela. Pensa o que fazer. Quando chega a casa, manda uma mensagem para Vitor:
_ Espero que esteja bem. Não queria que fosse assim.
_ Você está brincando? Foi você que me ferrou.
_ Não. Você que se equivocou, misturando trabalho com vida pessoal. Sempre disse que eram coisas separadas.
_ Eu sempre disse que uma estava ligada a outra.
_ Enfim...
_ Boa sorte! Como disse mais cedo você vai precisar.
_ Faça como quiser.
Clara segue seu ritual, depois do banho, vê inúmeras mensagens de Vitor. Ele está completamente descompensado. Faz ameaças. Ela tenta conversar com ele, sem sucesso. Os dois passam a noite trocando mensagens e trocando acusações.  Quando o dia amanhece, Clara desmarca a caminhada com Ernesto, que se preocupa com a falta de animo de Clara. Ela se desculpa.
Vitor vai para casa dela, chega muito alterado, os dois discutem:
_ Você acha que vai acabar com a minha vida? Está enganada.
_ Eu sempre te ajudei, te protegi o quanto foi possível.
_ Devo agradecer? Seu jeito de ajudar é uma piada.
_ Está sendo ingrato.
_ Ingrato, eu? Me usou, aproveitou dos meus conhecimentos para se dar bem na empresa. Se pensa que vai ficar assim, está muito enganada.
_ Não vou discutir com você. Melhor ir embora.
_ Vou acabar com você. Sua louca,  você quer me destruir.
_ Vitor, te destruir? Qual seria meu interesse? Que importância tem você para eu perder meu tempo arquitetando uma forma para te destruir?
_ Sabe que não sou seu, nunca serei. Vou sempre ficar casado com a Francesca.
_ Está brincando? Acha que faria algo contra você para tê-lo ao meu lado. Enlouqueceu. Nunca.
_ Quer sim. Sei muito bem como você é. Bem que me avisaram.
_ Ah! Nisso você tem razão. Bem que o Ângelo me avisou, fui acreditar nas suas lágrimas e deu nisso.
 _ Aquele Ângelo é um rato. É seu amigo, não é?
_ Pensa bem no que está dizendo.
_ Eu vou acabar com você.
Vitor agride fisicamente Clara. Ela fica assustada com a violência dele, num primeiro momento não se defende e fica acuada no canto de sua sala. Até que ele a agride novamente. Vitor está completamente fora de si, quando ele ameaça bater em Clara ela reage, pegando ele de surpresa, deixa marcas de unhas no rosto dele, dá socos e o coloca para fora de sua casa.
Clara fica muito nervosa. Nunca havia vivido uma situação como essa, mas ela jamais deixaria que um homem a agredisse. Liga para Samuel, conversa sobre o que aconteceu, ele fica preocupado e diz que  mais tarde passará  na casa dela. Clara não sai de casa pela manhã. Liga para Marta e conta o que aconteceu,  agenda uma nova sessão para tarde. Avisa Mariah que não se sente  bem e que  ficará em casa. Fala que caso haja alguma emergência é só avisá-la.
Samuel e Sonia chegam à casa de Clara. Ela conta, detalhadamente,o que  aconteceu. Eles ficam espantados com o comportamento inadmissível de Vitor. Sonia sugere que Clara o denuncie.
_ Devia denunciá-lo. É muito grave.
_ Pensei nisso. Só que é uma exposição que não posso passar.
_ Ela está certa, Sonia. Iria se expor demais.
_  Quero apenas a distância desse ser monstruoso. Já proibi a entrada dele no condomínio e na empresa.
_ Estou muito impressionado com o desequilíbrio dele.
_ Eu também. Agradeço o apoio de vocês.
_ Vai ficar bem? Quer que fique aqui com você?
_ Obrigada, Sonia. Vou à terapia agora a tarde, e depois a Rúbia vem pra cá.
Eles saem. O telefone de Clara toca, é Vitor. Ela não atende. Vitor liga insistentemente, ela não atende. Ele deixa recados na rede social.
_ Me desculpa! Perdi a cabeça, você me enlouqueceu.
_ Por favor, atende ao telefone, preciso saber como está. Você me deixou muito machucado. Meu rosto está todo marcado. Preciso falar com você.
_ Me perdoa. Como você está?
_ Não posso sair do quarto. As marcas que você deixou são de briga, de luta, não tenho como sair na rua. Estou no quarto escuro, triste e  com vergonha.
Clara não acredita no cinismo de Vitor. Ela resiste às chamadas e mensagens. Vai para terapia. Marta diz que ele está tentando manipular a situação, fazendo  ela se sentir  responsável pela agressão cometida por ele.
Clara volta para casa. Rúbia chega e as duas conversam.
_ Menina, falei que ele era capaz de coisas piores...
_ Nunca imaginei passar por algo assim.
_ Ele te bateu?
_ Não. Me encurralou na parede, levando o corpo para cima de mim. E chutou a mesa, derrubou e quebrou algumas coisas. A mesa bateu na minha perna e deixou uma marca. As marcas nos braços,  por ter batido nele. Ele não me bateu, só vinha com o corpo para cima de mim. Eu me defendi, arranhei o rosto dele. Ele foi embora.
_ Que dia estressante. Quer comer alguma coisa?
_ Não! Vamos tomar um chá.
_ Você esteve com a Marta?
_ Sim. Ela disse que ele está tentado atribuir a responsabilidade pela agressão a mim. Querendo distorcer a situação.
_ Bem a cara dele. Um homem desqualificado, um pulha, como eu disse.
_ Vamos falar de outras coisas. Não quero falar mais sobre isso.
_ Está bem.
_ Amanhã é quarta-feira e quero trabalhar e me preparar para comemoração do meu aniversário. Não vou deixar  que ele estrague tudo.
_ Muito bem! Assim que se fala.

Elas tomam o chá, conversam e Rúbia vai embora. Clara tenta manter a dinâmica de sempre. Quando olha seus e-mails, vê que Vitor mandou um pedido de perdão. Ela ignora. Tem mensagens nas redes sociais, no telefone, que ela não responde. Clara chora, triste por ter se enganado tanto com ele. Depois acaba adormecendo...