domingo, 27 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte XXII – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? Clara sente a pressão... Ela cede mais uma vez...


Clara acorda com as mensagens de Vitor:
_ Bom dia meu anjo! Que nosso dia seja repleto de alegrias para eu ver esse par de esmeraldas brilharem como nunca. Beijos
_ Não se esquece de fazer o depósito, quero estar amanhã com você.
_ É inacreditável, ele pensa que vai me convencer.
Clara se prepara para caminhar com Ernesto. Ele é pontual, algo que muito a agrada. Eles caminham e conversam sobre o sábado, torcem pelo relacionamento de Fedra e Mesquita. E se divertem com  as estórias  de Rúbia, que sempre dá um toque de humor para suas aventuras amorosas. Chegam a casa de Clara e tomam café da manhã juntos. Durante o café Vitor liga, ela não atende.
Ela toma banho enquanto Ernesto cuida da cozinha, ele é sempre muito prestativo. Clara se veste para encantar, a cada dia que passa ela tem mais vontade de estar bela para Ernesto, apesar de continuar tão pressa a Vitor. Quando chega à sala, percebe que atingiu seu objetivo, Ernesto se encanta. Eles seguem para casa dele, durante o trajeto ligam para os amigos, que avisam que já estão chegando.
Todos se reúnem, Ernesto preparou a cozinha externa para recebê-los. Como o dia estava agradável, apesar do frio, eles adoraram o almoço ao ar livre. Como sempre a conversa foi muito  animada. Eles passaram à tarde, entre filmes, músicas e muitas estórias. Clara deixa seu telefone desligado durante todo o dia. Ela caminha pelo jardim de Ernesto,  preocupada com a situação de Vitor. Fedra vai ao encontro dela.
_ Amiga, eu conheço você, qual o problema?
_ Estou intrigada com a situação do Vitor.
_ Você está cogitando a possibilidade de fazer o empréstimo para ele?
_ Não. Só quero entender como chegou a esta situação. Ele trabalha na empresa e tem um bom salário.
_ E você acha que manter a ostentação que ele tanto preza é fácil?
_ Não sei qual a necessidade disso. Me dá a sensação que ele precisa mostrar poder, parece imaturidade. Quando viajávamos, ele fazia inúmeras compras, nada essencial, quase tudo era supérfluo, como câmeras profissionais, lentes, sapatos. Para quem está em crise financeira, não faz o menor sentido.
_ Ele tem uma personalidade doentia, só você que não percebeu.
_ Fico me questionando sobre o que me  mantém ligada a ele, não consigo entender. Parece que me enfeitiçou.
_ Se ele fosse um amante daqueles que tira o fôlego, eu até compreenderia. Só que você diz que nem isso... (risos)
_ Não mesmo. É mediano, acho que como tudo nele, é mediano. (mais risos)
_ Vira a página, seu aniversário é essa semana, se dá de presente a libertação dessa relação doentia. E mais, tem o Ernesto que é encantador. Um homem raro nos dias atuais.
_ Estou falando que é bruxaria. Quem em sã consciência ficaria com um mentiroso compulsivo e dispensaria um gentleman como o Ernesto?
_ Você. (risos)
_ Que devo estar enlouquecendo. Quando vejo com distanciamento os fatos, me considero insana.
_ Por que não vai fazer terapia?
_ Estou pensando nisso.
_ Clara?
_ Oi, Ernesto. Estamos passeando pelo seu jardim.
_ Queremos você porque estamos discutindo sobre o seu aniversário.
_ Como assim? Meu aniversário?
_ Clarinha, vamos fazer um mega festa? Assim teremos pessoas interessantes... (todos riem)
_ Rúbia está cheia de boas intenções...
_ Pessoal eu não estou no clima de festa. Até falei para Mariah que, no máximo, uma reunião intima para poucos.
_ Como a de hoje?
_ Se depender de mim, esse grupo é perfeito.
_ Então, está resolvido. Jantar de aniversário da Clara será aqui em casa.
_ Ernesto, gostaria de fazer na minha casa.
_ Clara, melhor fazermos aqui. Na sua casa pode ter certas interferências, como licor caindo... (todos riem).
_ Está certo. Ernesto a festa intima, para poucos, só para os amigos verdadeiros, será na sua casa.
_ Minha querida, farei uma festa inesquecível, para poucos e seletos convidados.
_ Posso trazer um amigo?
_ Pode Rúbia, só que precisamos aprovar seu amigo...
Todos riem. Fazem piadas. A organização da festa toma conta da tarde. Discussão sobre a seleção musical, as flores, os presentes. Eles se empolgam como se a festa fosse para centenas de pessoas. É tanta empolgação que Clara quase é convencida a fazer uma mega festa, mas ela resiste. E a festa será um petit comité.
A noite chega e eles  começam a se despedir. Clara, Fedra e Rúbia combinam um jantar na segunda feira, e avisam aos dois, que será só para mulheres. Elas querem colocar a fofoca em dia. Eles dizem que vão aproveitar a noite de solteirice. Fedra faz uma ressalva.
_ Meninos se acalmem, nada de estripulias.
_ Fique tranquila, cuidarei dele.
_ Ernesto cuidando do Mesquita, preocupe-se Fedra.
_ Minha preocupação é: quem irá cuidar de vocês?
_ Cuidaremos umas das outras...
_ Rúbia, isso é muito preocupante. Entre mulheres existe muita cumplicidade.
_ Discordo. Entre homens existe muito mais, tem um pacto quase incorruptível.
_ Clara, cada vez me encanto mais por você. E fico mais preocupado...
Eles se despem. Clara segue com Rúbia para casa. Elas conversam sobre Vitor. Rúbia não sabia  quem era ato o episódio do licor, e continuou não gostando  do comportamento dele com sua amiga.
_ Querida, já cansei de falar, parte para outra. E o Ernesto é um homem fantástico. Não perde tempo com esse tipinho.
_ Rúbia, estou tentando me acostumar com esse rompimento. Não sei o que me fascina nesse ser.
_ Falta de amor próprio. Sabe que falo o que penso. Você precisa se amar mais, não pode ser comandada por um homem como esse. Bom, nem sei se podemos chamá-lo de homem, não é?
_ Vou conseguir romper, preciso me livrar disso. Não aguento mais tanta pressão, cobrança, como se ele pudesse...
_ Então, tem que dar um basta.
_ Vamos falar de você, e o seu novo gato, que agora já é passado, o que aconteceu?
_ Ele é totalmente dependente. Não dou conta. Gosto de homens que tem atitude, que comandam. Aqueles que  ficam pedindo opinião, querendo que você decida por eles, ninguém merece.
_ Parece que está falando do meu ser abominável, como diz a Fedra.
_ Ele não é dependente de você, ele quer te controlar e se faz de coitado para que sinta-se responsável pelas atitudes dele.
_ É verdade. Ele quer  me transferir a responsabilidades sobre as atitudes e decisões que ele toma. Até porque fica numa zona de conforto. Não é responsável por nada, o outro é que o induz a acertos e erros, principalmente aos erros.
_ Amiga, ele sofre alguma psicopatia.
_ Quando fala isso, me deixa com medo.
_ Sinceramente, deveria ter. Ele ainda vai aprontar algo grave.
_ Ontem me pediu um empréstimo.
_ Nem pensar. Homem que quer dinheiro de mulher, não honra as calças que veste.
_ Concordo com você. Só que fico preocupada com o desempenho dele na empresa e não quero me sentir culpada. Ele consegue me manipular de uma forma que me deixa com sentimento de  culpa. Como se fosse co-responsável pelo fracasso financeiro dele.
_ Isso é doença. Pára. Você não tem responsabilidade nenhuma, ele está usando você.
_ Você tem razão.
_ Amanhã você tem jantar, marca alguma coisa nos outros dias e tenta ficar longe. Começa cortar essa relação.
_ Temos uma reunião marcada amanhã cedo para conversarmos sobre a nossa situação profissional. Só que ele disse que só virá se eu enviar o dinheiro que me pediu. Estou cheia  de dúvidas.
_ Ele está fazendo chantagem. E assim, se você não mandar foge da reunião, que é decisiva. Acorda, amiga.
_ Concordo com você. Ele acha que o fato de termos passado a noite juntos, mudou tudo, que ele conseguiu reverter a situação. Falei que nada mudou. A questão é profissional. Vou confidenciar uma coisa, recebi duas observações  quanto ao desempenho dele na empresa. A diretoria não está satisfeita, argumentei e consegui que ele tenha outra chance. Se ele não corresponder, será demitido, ou na melhor das hipóteses, transferido para uma sucursal e com cargo inferior. O que para ele seria uma humilhação.
_ Você está colocando sua carreira a prêmio para defender esse ser. Ele não tem perfil para ser diretor da sua empresa, e sabe disso. Mais me assusta essa situação. Devia fazer análise.
_ A Fedra me disse a mesma coisa. Estou pensando.
Rúbia deixa Clara em casa. Ela segue seu ritual, banho, e-mail, organização da agenda de segunda-feira. Uma olhada nas suas plantas, um chá e vai para a cama. Decide ligar o celular, e nada de surpresa, inúmeras mensagens de Vitor.
_ Tenta efetivar esse negócio da grana para eu voltar. Não tenho como voltar sem isso.
_ Tenho que resolver essas pendências, ter dinheiro para voltar.
_ Tenho três questões que preciso resolver amanhã antes de descer. Senão vou ter problemas.
_ Precisava ter resolvido a questão do empréstimo. Estou irado. Não fico mais nessa situação um minuto. Essa semana venceu meu cartão.
_ É impressionante. E aí?
_ Será que pode me responder? Ou está ocupada demais com os preparativos da sua recepção?
_ Vou ficar de fora da sua festinha  de aniversário?
_ Você já resolveu a questão do dinheiro? Resolve de uma vez, sei que você vai fazer isso. Não seria capaz de me deixar sem dinheiro.
Clara pensa o que fazer, parece uma ameaça, ela se sente acuada. Decide fazer uma transferência online para a conta de Vitor. Manda uma mensagem pedindo os dados. Ele responde imediatamente.
_ Você  tem sido muito parceira não vou esquecer disso nunca. Agora eu tenho certeza que tudo vai dar certo.
Clara fica indignada com a mensagem dele. Ele sequer ligou para agradecer.
Na manhã de segunda-feira, depois de cumprir com sua rotina matinal, que agora conta com a participação de Ernesto. Que além de caminhar, tomou café da manhã com Clara. Ela segue para empresa. Do caminho liga para Mariah, que informa que Vitor ainda não chegou para reunião, nem sequer ligou. Clara pede que ela entre em contato.. Mariah retorna dizendo que ele não virá na parte da manhã. Clara agradece e diz que chegará à empresa as 9:00h.
Aproveita para passar no consultório de Marta, que é sua terapeuta e amiga, ela agenda um horário para terça-feira. Segue para empresa, ao chegar liga para Vitor.
_ Você deveria chegar para reunião das 8:30h, diante de algum impedimento, deveria comunicar a Mariah. Vou encaminhar uma advertência para você.
_ Você enlouqueceu. Não vai fazer nada disso, estou resolvendo aquelas pendências que falei ontem.
_ Vitor não estamos falando de questões pessoais, a minha cobrança é profissional. Você está advertido.  Amanhã temos uma reunião, no mesmo horário, para o seu bem, não falte.
_ Você está me ameaçando?
_ Estou te avisando. Se faltar terá que arcar com as conseqüências, não serei condescendente com suas falhas.
_ Chego depois do almoço, daí falamos. Vamos jantar hoje, só nós dois.
_ Não vou te atender depois do almoço, minha agenda está cheia. E tenho um jantar marcado. Nos falamos amanhã às 8:30h.
_ Pára. Você vai me esperar.
_ Vitor não vou dizer mais nada, estou esgotada das suas mentiras. Não tenho mais paciência para tantas conversas desconexas. Cansei de verdade. Não precisa vir hoje. Só esteja aqui  amanhã no horário agendado.
_ Não! Eu vou hoje  porque quero te ver! Muito obrigado por tudo que tem feito por mim! Você é mesmo um anjo. Não queria que fosse assim..  Adoro você.
_ A sua forma de adorar é muito questionável.
Ela mantém o  foco no trabalho. Recebe flores de Ernesto agradecendo o final de semana maravilhoso que passaram juntos.

A noite chega...