sábado, 26 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte XXI – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? A pressão de Vitor...


Eles chegam a São Paulo, os dois adoram o ritmo alucinante da cidade que não dorme. Passam no hotel que Ernesto reservou.
_ Que grata surpresa, sempre que faço viagens particulares me hospedo nessa rede de hotéis, eu realmente adoro.
_ Eu costumo usar sempre. Parece que temos gostos similares.
_ Não é?
Eles fazem o check in e se dirigem às suas suítes. Clara tem um compromisso logo após o almoço, já Ernesto está com agenda livre. Ele diz  que a acompanhará na reunião, e aguardará por ela.
_ Ernesto você é extremamente gentil, mas irei de táxi. Aproveite sua tarde livre, vá a uma livraria, ao cinema, não sei. Garanto que tem outras atrações, muito mais agradáveis.
_ Nada me agrada mais do que estar ao seu lado e ter o privilegio de conversar com você.
_ Agradeço sua gentileza.
Clara cumpre sua agenda extremamente corrida, Ernesto a acompanha em todas as reuniões, sempre educado e gentil. Após o último compromisso eles seguem para uma conhecida Casa de Pães que Clara adora. Chegam ao hotel e só então ela tem tempo para conferir as mensagens. Percebe que Vitor mandou inúmeras, bem como, Fedra e Rúbia. Começa respondendo as das amigas, que são sempre mais divertidas.
Fedra está se envolvendo com Mesquita e os dois estão em ritmo de romance. Rúbia está paquerando um gato novo, ela é sempre muito alto astral, difícil um homem que consiga acompanhar o pique dela, então sempre tem uma novidade, que rende boas estórias.
_ Rúbia, fico feliz por você. Que seja um gato, gentil, educado e alto astral como você. Vamos marcar um jantar de mulheres na próxima semana. Espero que sem interferências desagradáveis como no último. Que ninguém derrube licor...(risos).
_ Fedra, você merece encontrar alguém especial. Aproveita muito todos os momentos.  Sem planos futuros, vivo o momento... Beijos
Clara respira fundo para ler as mensagens de Vitor.
_ Preciso falar com você, assunto profissional.
_ Repetindo: Preciso falar com você, assunto profissional.
_ Será que você pode me responder, a questão é importante. Disse que poderia ligar se fosse assunto profissional, estou obedecendo.
_ Pelo jeito está interessante a viagem, tanto que você não pode atender, nem responder. Depois das 18:00hs minhas mensagens e ligações serão diferentes, porque daí será o seu namorado ligando, pense nisso.
_ E aí? Vai continuar me ignorando? Se eu fosse você, não faria isso.
_ Meu, me liga logo,  estou perdendo a paciência.
Clara liga para Vitor.
_ Boa noite!
_ Boa noite? Eu ligo, mando mensagem e você não responde. A sua secretária deixou escapar que o Doutor Ernesto está viajando com você, é isso mesmo? Porque se for é bom estar preparada, eu acabo com você. Tá me entendendo?
_ Você disse que tinha um assunto profissional, o que aconteceu?
_ Isso eu falo amanhã no horário de expediente, chefe. Agora o assunto é outro, não se faz de desentendida não.
_ Então, falamos amanhã, porque o único assunto que temos para falar é o profissional. Tchau!
Clara não deixa Vitor responder e desliga. Ele liga inúmeras vezes enquanto ela está no banho. Quando está saindo do banho, ouve o telefone tocar, corre para atender, ao perceber que é Vitor desliga. Avisa Ernesto que os telefones estão desligados e vai se arrumar para ir ao teatro. Os dois assistem a um clássico de Shakespeare. Ernesto é culto, viajado e com uma sensibilidade rara num homem.
Depois eles saem para jantar num dos restaurantes italianos mais badalados da cidade. Saboreiam uma massa, um vinho premiado e Clara aproveita para pedir uma sobremesa que só se permite comer em datas especiais.
_ Vou pedir essa delicia só porque estamos juntos e a noite está mais que encantadora.
_ Ensinarei você a degustar outras delícias.
_ Sou alérgica a tantos ingredientes que fica difícil.
_ Eu sei. Dentro do que é possível vamos explorar a culinária internacional.
_ Combinadíssimo.
Eles terminam a noite ouvindo música, num barzinho badalado de um amigo de Ernesto, na região nobre de São Paulo. Chegam ao hotel de madrugada. Se despedem com um beijo no rosto e um longo abraço. Clara resiste apesar de sentir um arrepio percorrer todo seu corpo.
A sexta-feira começa a todo vapor, Clara tem muitos compromissos na parte da manhã, ela surpreende Ernesto dizendo que reservou a tarde para que aproveitem, indo a Pinacoteca, a uma exposição de artes maravilhosa e passando algumas horas num boa livraria e aproveitando a diversidade da culinária que a cidade oferece. Ernesto não esconde sua felicidade, para ele este é um sinal do interesse de Clara. Ele pensa num roteiro para os dois aproveitarem intensamente a tarde de sexta-feira.
Antes do primeiro compromisso de Clara, Vitor liga para fazer observações maldosas sobre a condução de Márcio a frente da empresa. Insinuando que ele está passando do ponto, sendo arrogante e que ela está cometendo um erro. Ela percebe que é um jogo de Vitor. Para se certificar liga para Mariah, que diz estar tudo tranquilo, que o Vitor é que está sendo inconveniente. Clara confirma a reunião com ele na segunda pela manha
Ernesto cria um clima de romance para a tarde que irão passar juntos, começando que utilizarão um helicóptero para fazerem parte do programa. Nada como um sobrevoo pela cidade cinzenta de poluição e concreto. Eles aproveitaram o passeio, as visitas, tiveram uma tarde cultural, saíram da livraria com muitos títulos interessantes.  Divertiram-se muito e foram para o hotel, Clara pensava em voltar para casa, Ernesto queria aproveitar mais uma noite na metrópole paulistana.
Eles chegam ao hotel e vão tomar um café. Conversam sobre a volta, Clara argumenta que acordariam em casa, tornando o dia mais produtivo. Ernesto por sua vez, queria passar a noite em São Paulo e ir ao cinema. Clara usa seu charme para convencê-lo que o melhor é voltar. Ele pensa que em São Paulo Vitor não apareceria, mas  a argumentação de Clara o convenceu.
Eles arrumam as malas e voltam. A viagem é muito animada, ouvem música e se divertem, param para fotografar a lua que está lindíssima e contemplam as estrelas. Clara se lembra da primeira viagem que fez com Vitor. Pensa que ele jamais seria um cavalheiro como Ernesto e respeitaria o tempo dela. Ele já teria investido no jogo da sedução...
Eles chegam, Ernesto leva Clara até em casa e eles combinam de tomar café juntos no dia seguinte. Ele irá cozinhar. Clara entra, toma seu banho, desfaz as malas e vai para cama, decide olhar seu celular e vê que tem muitas mensagens de Vitor. Ela começa a ler.
_ Você vai se arrepender de estar fazendo isso comigo, viu?
_ Estou furioso, você não sabe o que isso significa.
_ Acho melhor me ligar logo, já estou irado com você.
- Gatona, não aguento mais brigar com você, me liga, estou cego de ciúmes desse cara. Vem logo. Estou esperando você, quero sentir sua pele macia, sua boca gostosa, seu cheiro, adoro seu perfume. Você é minha, e só minha, entendeu?
Clara sente saudades de Vitor, lembra dos momentos bons que passaram juntos, durantes os 6 meses iniciais, depois a relação começou a pesar, as questões profissionais se misturaram ao relacionamento pessoal. Ela não deveria  tê-lo contratado para trabalhar na empresa, isso se tornou um grande problema. Ele nunca aceitou bem, o fato de estar subordinado a ela. Vitor é um homem que tem necessidade de demonstrar seu poder, suas amizades e que   trabalhou em empresas importantes.
O telefone toca. É Vitor.
_ Alô!
_ Libera minha entrada, porque estou barrado na portaria do seu condomínio.
_ Estou deitado, falamos amanhã.
_ Não faz assim, manda liberar aqui.
_ O que você quer?
_ Você.
_ Não quero discutir, estou cansada.
_ Imagino. Não quero brigar com você. Só quero conversar.
_ Está bem!
Clara libera a entrada dele, coloca um vestido longo de malha, solto e confortável e vai abrir a porta para Vitor. Ele chega, olha para ela e sem dizer nada a beija. Clara faz um gesto de resistência, quase imperceptível. Ela se entrega a Vitor, os dois se beijam e se amam apaixonadamente. Tomam banhos juntos e vão para cozinhar fazer um lanche. Já é madrugada, Clara pergunta “onde ele está”, já que é tarde. Vitor diz que levou Francesca para São Paulo e a deixou lá.
_ Agora estou sozinho aqui. Só para você. Sempre que estiver aqui, estarei com você. Vou passar a semana aqui. E nos finais de semana vou para São Paulo.
_ Você está brincando?
_ Não. Quero ter tempo livre para estar com você. E esse formato tornou possível ficarmos juntos.
_ Não vou passar a semana com você, muito menos você vai ficar na minha casa a semana toda.
_ Por quê? O seu amigo Ernesto tem frequentado a casa e o seu quarto?
_ Vitor eu nunca trairia você, não por você e sim por mim mesma. Para trair o outro você tem trair a si mesmo. Você sabe muito bem do que estou falando.
_ Eu não traio, não minto.
_ Você tem dificuldade de percepção da realidade. A Francesca sabe que você está aqui? Não! Quando ela te liga e você está aqui, você diz pra ela? Não! E não está mentindo?
_ É diferente.
_ Qual é a diferença?
_ Não quero falar disso agora. Quero só ficar aqui com você.
_ Você foge da realidade. Sempre tem uma desculpa para não falar sobre o assunto. E pode ir embora. Amanhã tenho compromissos e não vou mudar nada por você.
_ O que vai fazer?
_ Vou tomar café da manhã com Ernesto, e depois vamos fazer um almoço com amigos.
_ Ótimo! Estarei aqui para tomar café com vocês.
_ Não estará, Vitor não quero brigar com você. Vai pra sua casa.
_ Está bem. Vou embora. Volto amanhã cedo.
_ Não, Amanhã é sábado, você deve ir para São Paulo, sua esposa te aguarda.
O telefone de Vitor toca. Ele responde:
_ Já te ligo aí.
_ Já te ligo. Tá tudo bem?
_ Já te ligo ai.
_ Está vendo, melhor você ir, seja pra onde for.
_ É a Francesca. Eu disse que sairia cedo e ainda estou aqui.
_ A Francesca?
_ É. Não começa, você está querendo mudar o foco.
_ Liga para ela. Quero ouvir você combinando a hora que vai chegar...
_ Não vou fazer isso. Você não vai me comandar, entendeu?
_ Não, nunca entendo a sua necessidade de mentir. Melhor ir embora de uma vez, tchau!
_ Vou embora mesmo, melhor do que ficar aqui discutindo esse monte de bobagem com você. Aproveita seu fim de semana com aquele Ernesto, que chego segunda-feira cedo.
_ Como você é vulgar.
Vitor sai batendo a porta. Clara só quer dormir. Por que ela gosta de estar com ele?  Não é mais um homem extremamente carinhoso, não é um amante exímio, não é livre, não tem os mesmos valores que ela, fisicamente não atrai, não tem predicados que o tornem irresistível, e ainda é um mentiroso contumaz. Ela demora a dormir, pensando em tudo isso, sente o perfume de Vitor em sua cama.
No dia seguinte, acorda cedo, sai para caminhar, volta para tomar café com Ernesto. Prepara uma linda mesa de café da manhã na área externa, já que a faxineira está na casa dela. Toma seu banho veste uma roupa confortável, com cara de sábado. Ela está feliz, apesar da discussão com Vitor. Clara cuida de suas orquídeas enquanto Ernesto não chega.
Ernesto chega e ao vê-la percebe que está diferente, parece mais leve.
_ Você está radiante, espero que seja a minha companhia.
Clara fica constrangida e é verdadeira com ele.
_ Ernesto me perdoe, não posso mentir para você. Talvez seja melhor mudarmos a programação do fim de semana. Não me sinto bem com essa situação.
_ Clara me machuca saber que você esteve com ele, mas não deixarei de ser amigo. O nosso fim de semana será assim, uma reunião de amigos.
_ Admiro você, sua postura.
_ Me falaram que o seu aniversário será na quinta-feira próxima, vamos fazer uma festa?
_ Não estou no clima. Vamos sair para jantar, apenas os amigos mais próximos.  Acho melhor.
_ Está bem, agora o amigo mais próximo sou eu...
Eles riem. Clara fica encantada com a postura de Ernesto. Se questiona sobre  o que a motiva a aceitar as mentiras e manipulações de Vitor. Lembra-se que na segunda-feira resolverão como será a relação profissional entre eles. Ela tem certeza que ele não irá sair da empresa, ele precisa do trabalho e dinheiro é algo fundamental na percepção dele. A ética dele vai até a página dois, Clara descobrira que ele tinha  um conchavo,  para levar vantagem na negociação que caminhava com seu amigo Renato. Ela se decepcionou.
Ernesto está fitando Clara, enquanto ela navega por seus pensamentos conflitantes.
_ Ernesto, me deixa envergonhada quando me olha assim.
_ Esperava você voltar para terra...
_ Estava tão evidente?
_ Sim. Vamos ligar para Fedra e Rúbia para sabermos que horas eles chegam? Quero começar a preparar os pratos.
_ Eu ligo para elas.
_ Devo ligar para o Mesquita?
_ Falo com a Fedra e ser for necessário você liga.
Clara vai fazer suas ligações, enquanto caminha pelo jardim.
_ Bom dia! Tudo bem amiga?
_ Tudo ótimo e você?
_ Pelo jeito não precisamos ligar para o Mesquita, não é?
_ Não. Ele está aqui comigo.
_ O romance está no ar...
_ E você, aproveitou os dias? O romance está no ar?
_ Nem te conto.
_ Se for para falar daquele canalha do Vitor, melhor não contar mesmo.
_ Fedra, o mesquita está ouvindo você?
_ Não. Ele está no chuveiro.
_ Que susto!
_ Vai me dizer que teve nova recaída?
_ Não sei o que ele faz, ou se eu é que preciso ter amor próprio, como me deixo envolver com as mentiras dele. A última, é que a Francesca agora está em São Paulo, e ele passará a semana aqui comigo. Tenho vontade de...
_ Ele levou a mulher para São Paulo? E quer passar a semana aqui com você como seu namorido, e fazer o papel de marido dedicado no fim de semana, com a coitada da Francesca, é isso?
_ É o que parece. Não, é isso mesmo que ele quer.
_ Sem contar que você não é a única, estou errada?
_ Não. Tem a tal doutora, a secretária que ele tirou de uma loja de comércio varejista, para dar o titulo de secretária, se você olhar para pessoa, sai correndo, é um nível baixíssimo. Tem  outra que é “sobrinha” de um conhecido nosso, que ficou hospedada na casa de praia dele. Uma estória muito estranha. Tem as cantadas na nossa amiga Gisela, e agora, a mais recente, que é vizinha dele a Milene, eu que apresentei outro dia para ele. Tem uma vizinha da casa antiga dele, uma tal de Van.
_ Sem contar as estórias todas que ele inventou.
_ Não vamos enumerar todas as canalhices dele, porque ficaríamos até amanhã cedo.
_ Melhor não mesmo. Você deveria fazer isso a noite. Devia listar as canalhices dele e confrontar, aposto que ele vai se perder nas estórias.
_ Já estou fazendo isso, tenho anotado todas. Vamos falar de coisas agradáveis, que horas vocês chegam?
_ O Mesquita saindo do banho vamos tomar café e saímos.  E a Rúbia, vai com o gato novo?
_ Ótimo. Não falei com ela ainda, vamos ver. Até já. Beijos.
_ Beijos
Ernesto pede ajuda de Clara na cozinha.
_ Não encontro nada na sua cozinha.
_ Ainda bem, que minha cozinha é pequena...
_ Não é pequena. Tem um tamanho ideal para duas pessoas prepararem pratos deliciosos.
_ Você acha?
_ Sim. Por que não vem me ajudar?
_ Vou ligar para Rúbia e já volto, para ser sua auxiliar, lembra que  você será o chef de cozinha?
_ Faço questão, quero te agarrar pelo estomago.
Clara sai rindo. Liga para Rúbia.
_ Bom dia!
_ Bom dia! Tudo bem?
_ Tudo e você?
_ Tudo bem. Apesar de já ter me desinteressado do gato novo.
_ Como assim?
_ Muito grudento e dependente, tudo que não gosto num homem. Gosto de homens independentes, que sabem  o que querem e como conquistar uma mulher.
_ Amiga, você é independente demais, os homens não dão conta de você..
_ Pois é. Se a mulher é dependente eles reclamam e se é independente também.  E me conta da viagem.
_ Foi ótima. Trabalhei muito e nos divertimos também.
_ E o tal?
_ Recaída ontem quando cheguei.
_ Não acredito. O que essa pessoa tem que te deixa assim?
_ Sinceramente, não sei. Você vem para o almoço?
_ Não sei. Vou quebrar o clima, dois casais.
_ Imagina. Um casal e três amigos.
_ Está bem, eu vou. Que horas?
_ É só vir, a Fedra e o Mesquita devem estar chegando e o Ernesto já está na cozinha.
_ Vou me arrumar e sair. Beijos
_ Beijos.
Quando está voltando para cozinha, o telefone de Clara toca, é Vitor. Ela atende.
_ Oi
_ Estou com saudades, quero você.
_ Você é uma piada. Onde você está?
_ Em casa.
_ Aqui, na praia ou em São Paulo?
_ Em São Paulo.
_ Aproveita o seu fim de semana para pensar no que vai fazer.
_ Esse assunto de novo? Esquece isso. Nada mudou, ontem foi a prova disso, você não resiste.
_ Sabe que todo cafajeste diz isso. Acredita que é capaz de conquistar e deixar uma mulher apaixonada, para fazer o que quiser.
_ Não sou cafajeste.
_ É. Cafajeste e canalha.
_ Você gosta disso?
_ Eu gosto de homem que saber ser gentil. Que faz tudo para agradar, enfim tudo o que você desconhece.
_ Eu não sou bocó, como os outros que você está acostumada. Daí você se apaixonou, por um homem que sabe te dominar.
_ Você é patético.Tchau
_ Não desliga. Preciso falar com você.
_ O que foi?
_ Estou precisando de um empréstimo, você pode?
_ Empréstimo? Não sou banco.
_ Estou estourado, não posso fazer e tenho que pagar o aluguel daí, o carro, deixar dinheiro aqui em São Paulo.
_ Você está me pedindo dinheiro emprestado para deixar para Francesca? Está louco. Não tenho.
_ Para com esse ciúme tolo. Me empresta logo
_ Não.
_ Estou precisando mesmo, não quero ficar nessa situação. Me manda amanhã.
_ Não vou te emprestar. Tchau!
_ Vou esperar o depósito. Tchau!
Clara fica atônita com a desfaçatez de Vitor. Ela fica alguns minutos no seu jardim para conseguir digerir a conversa com ele e volta para cozinha. Ernesto está animado, preparando um filé mignon com crosta de castanha e codornas assadas com batatas coradas. O aroma está dando água na boca.
_ Clara, que bom que chegou. Estou pensando em fazer uma salada completa, o que acha? Em saladeiras separadas, assim cada um escolhe o que mais lhe agrada.
_ Perfeito!
_ Mandei trazer uma cesta de pães, para irmos petiscando. Vou preparar umas bruschettas e uns patês.
_ Nossa, amanhã terei que caminhar duas horas.
_ Posso caminhar com você?
_ Vou adorar, caminho sozinha todos os dias.
_ Que horas sairemos para caminhar?
_ Caminho as 6:00hs.
_ Acordo cedo todos os dias, não será problema.
_ Vou ver quem chegou.
_ Todos juntos, combinaram?
_ Nada, quando cheguei os pombinhos estavam no carro.
_ Quanta paixão.
_ Parece que estão animadíssimos.
_ Vocês duas são maldosas demais.
_ Nós. (Falam juntas, Clara e Rúbia)
Todos riem. Ernesto aparece na sala.
_ Também quero ouvir a piada.
_ Junte-se a nós, meu amigo.
_ Tudo bem Mesquita? Estou feliz de saber que estão bem.Torço por vocês cuida bem dessa moça, porque a amiga dela é uma fera...
_ Nossa! Já ouvi elogios mais simpáticos.
_ Estou brincando, querida. Você é a mulher mais meiga, sensível, doce, carinhosa e agradável que conheci.
_ Uau! Não precisa tanto...
Todos riem. Ernesto começa convidando para um suco e avisa que os pães devem estar chegando.
_ Pedi pães e estou preparando uns patês.
_ Eu te ajudo! Patês é minha especialidade.
_ Fedra, você gosta de cozinhar?
_ Adoro! Rúbia faço uns patês que você vai amar.
_ Que tal irmos para nossa cozinha.
Todos seguem para cozinha. Clara e Fedra param para conversar. Ela conta para amiga que ele pediu um empréstimo.
_ Clara você não vai emprestar dinheiro para esse cafajeste, não é?
_ Não!  Já falei que não vou.
_ Amiga você precisa se distanciar dessa criatura abominável. Chega disso.
_ Queria sentir essa vontade do fundo do meu coração, só que ele me tira do eixo.
_ Isso já é um castigo.
_ Deve ser mesmo. Ele não tem nada de atraente e se fosse aquele espetáculo, nem isso.
_ Meninas, venham!
_ Estamos indo. Vamos porque seu amor está te chamando.
_ Estou muito feliz com o Mesquita. Parece um  sonho, e se for não quero acordar.
_ Pode ficar tranquila que é a mais pura realidade.
Todos se reúnem, com petiscos e vinho, passam parte do dia na cozinha se divertindo. Almoçam e vão assistir a um filme juntos. Ernesto escolheu uma comédia e Mesquita um DVD de ação.
_ Vamos colocar em votação, nada mais democrático.
_ Fedra, acho mais fácil assistirmos os dois. E mais tarde preparo um bolo para o café ou lanche da noite.
_ Concordo.
_ Fecho com o Ernesto!
_ Eu estou junto com Ernesto e Mesquita, só falta você Fedra.
_ Eu estou com o Mesquita.
_ Só com ele?
_ Estou com todos.
_ Aprovação por unanimidade, como eu gosto. Democracia total
Eles se divertem com tudo. Formam um grupo muito animado.
_ O que faremos amanhã?
_ Depois da caminhada, Clara.
_ Eu preciso cuidar das minhas plantas.
_ Eu posso ser seu jardineiro.
_ Gente, esse homem é um fofo.
_ Fedra, você fala assim ele vai ficar convencido demais.
Eles fazem planos para o domingo. Combinam de passar o dia na casa de Ernesto. Todos animados com o fim de semana. Rúbia diz que sentia falta de um grupo de amigos com quem pudesse fazer esses programas. Clara comenta que espera que esse grupo cresça e que novos amigos passem a integrá-lo. Eles passam a noite juntos, acabam pedindo pizza e assistindo outros filmes, vão embora de madrugada. Ernesto diz para Clara que a caminhada está confirmada. Ela se prepara para dormir, depois de um banho de meia hora. Quando o telefone toca, é Vitor. Ela não atende. Ele deixa um recado de voz.
_ Preciso do empréstimo. Senão vou ficar em São Paulo. Só posso voltar se você me mandar dinheiro.
Clara desliga o celular e decide ir dormir.
_ Não posso cair nesse jogo de manipulação e mentiras. Cada vez mais ele demonstra o quanto é canalha. Tenho que resistir, por que é tão difícil?