quinta-feira, 24 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte XX – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? - A semana segue...


Clara segue com suas reuniões, até que no final do dia é inevitável a conversa com Vitor. Ele pede para ser anunciado e Clara o deixa esperando por 5 minutos enquanto fala com Ernesto para acertarem a viagem de quinta-feira, a essa altura ele havia decidido viajar cedo com ela.
Vitor entra para conversar com Clara, o assunto é profissional. Tratam de todos os projetos e de tudo que diz respeito a reunião com Saulo. Vitor demonstra que se preparou para defesa do projeto e está seguro. Ela parabeniza-o e pede que seja paciente, que  mantenha o foco no trabalho.
Vitor pergunta se ela tem compromisso à noite, ela diz que vai dormir cedo porque tem que acordar quase de madrugada  para reunião com Saulo, marcada para as 8:30h.
_ Vitor não atrase para reunião com o Saulo, por favor.
_ Fique tranquila, vou com você.
_ Comigo?
_ Vou dormir na sua casa hoje, amanhã saímos juntos. E chegamos juntos para evitar que o Saulo ache que pode ficar se insinuando para você.
_ Vitor não há a menor possibilidade de você dormir na minha casa. Desde ontem nossa relação é apenas profissional.
_ Pára, meu amor. Eu sei que você está fazendo esse jogo só porque fui viajar no fim de semana. Fala que você está louca para ir para casa comigo, fala?
_ Não. Eu vou para casa cuidar das minhas flores, tomar um chá e um banho relaxante, depois uma comidinha gostosa e cama, tudo isso sozinha, ou melhor muito bem acompanhada.
_ Acompanhada?  Não brinca comigo, você  não tem noção...
_ Eu sou minha melhor companhia. Tenho que terminar algumas coisas, nos encontramos amanhã as 8:30h, no escritório do Saulo. Tenha uma ótima noite. Mande lembranças para Fúlvia, desculpa, são tantas que me confundi, para a Francesca.
_ Tenho vontade de...
Vitor sai batendo a porta. Clara se arrepende de ter feito o comentário sobre Fúlvia e Francesca.
_ Não posso me deixar envolver por sentimentos ruins. Tenho que manter a classe, o que não é fácil...
Termina seu trabalho e vai para casa. Chega e faz como de hábito, quando está terminando seu chá e vendo suas correspondências, toca seu telefone. Ela vê que é Ernesto, pensa em não atender e depois acaba atendendo.
_ Alô!
_ Clara, tudo bem? Já está tudo certo para nossa viagem, fique tranquila que reservei um excelente hotel para nós. Ah! Em suítes separadas, infelizmente.
_ A Mariah, minha assessora, já fez reservas.
_ Pede para cancelar. E deixa tudo comigo, me passa os horários da sua agenda, para que eu possa criar uma agenda nossa.
_ Não precisa, tenho certeza que iremos nos divertir muito.
_ Me passa que você irá se surpreender.
_ Vou pedir para Mariah passar, porque sinceramente não lembro.
_ Quer jantar comigo?
_ Estou tomando um chá e ainda, vou para o banho e pretendo comer algo leve aqui mesmo.
_ O que seria algo leve?
_ Pensei num creme de inhame com  pimenta biquinho...
_ Adoro!
_ Acredito ter um vinho que combina, perfeitamente, com esse creme.
_ É um convite?
_ Sim.
_ Que horas?
_ Vou preparar o creme e tomar banho. Daqui 1:30h, pode ser?
_ Perfeito.
Clara termina de ver suas correspondências, coloca as flores que Ernesto mandou em destaque na sala de jantar. Prepara a mesa, com uma linda toalha, velas e aquele arranjo de flores, que ela fez. Prepara o creme, que tem uma receita simples. Escolhe o vinho, vai para o banho, cuida da pele e separa um modelo lindo e sedutor.  Seleciona músicas para ouvir com Ernesto. Tudo parece perfeito. Quando ela ouve o interfone, pensa que Ernesto chegou mais cedo, para sua surpresa é Vitor.
_ Abre.
_ Vitor? O que está fazendo aqui?
_ Abre.
_ Não.
_ Abre, que é melhor.
Clara já está no jardim.
_ O que você quer?
_ Quero conversar com você, já chega de ficar nesse clima. Quero dormir aqui com você, matar a saudades. Lembro da sua pele, do seu cheiro, do seu perfume.
_ Vitor eu não quero nada disso. Quero que me deixe em paz. Vai para casa, dar atenção para sua esposa. Ou vai sair com sua amiga Fúlvia, sei lá. Só me esquece.
_ Vem aqui.
Vitor tenta abraçar Clara, Ernesto chega e pergunta se está tudo bem.
_ Clara.
_ Oi, Ernesto. Que bom que você chegou. O Vitor está de saída.
_ Vitor como vai?
_ Que brincadeira é essa?
_ Vitor, por gentileza...
_ Agora entendi porque toda essa cena, você está com esse cara. Terminou comigo ontem e hoje já está recebendo outro em casa.
_ Me respeite, porque não sou como você.  O Ernesto é um amigo, não nos exponha. Não julgue os outros por você. Agora vai embora.
_ Eu vou. Fica ai, com esse...
_ Vitor você deveria respeitar a Clara, porque ela te respeita.
Ele olha para eles e sai, entra em seu carro e deixa o condomínio em alta velocidade,  quase provoca um acidente. Clara se desculpa com Ernesto. Que minimiza a situação e diz para não deixarem um detalhe tão insignificante estragar tudo.
Eles ouvem música, tomam vinho, saboreiam o creme e conversam. Ernesto, diz para Clara que irá respeitar o tempo dela.
_ Minha querida, vou aguardar você sinalizar que é o momento e que posso me aproximar. Entendo o que está passando, e admiro sua postura.
_ Vai passar.
_ Vou indo. Quero deixar tudo organizado para que os dois últimos dias dessa semana sejam maravilhosos.
_ Eu também vou dormir, tenho reunião amanhã cedo.
Eles se despedem e Clara vai para cama, vê que tem inúmeras mensagens de Vitor no seu celular. Decide não ler e dormir. Na manhã seguinte, acorda cedo, mantém sua rotina de atividade física e quando está saindo para reunião. Vê o carro de Vitor.
_ Vou com você.
_ Vitor,  te disse que nos encontraríamos no escritório de Saulo.
_ Falou? Não lembro.  A noite deve ter sido animada, não respondeu minhas mensagens.
_ Não li suas mensagens, porque estou cansada de tudo isso. Entra logo, não vou me atrasar.
_ Clara você precisa aprender a lidar comigo, já falei que pode ter tudo de mim, tudo o que quiser se souber como fazer isso. E não pense que qualquer mulher pode fazer isso.
_ Qualquer uma das muitas que você tenta manter. Eu não gosto de quem é de todo mundo, me desestimula um homem que qualquer uma tem ao seu lado. Gosto de homens seletivos, que sabem escolher, que valorizam suas conquistas e que conquistam todos os dias a mesma mulher. Esses são homens interessantes, envolventes e principalmente, que valem a pena.
_ Você está descrevendo o Ernesto?
_ Não. Estou falando de um homem, homem de verdade...
_ Eu sou um homem para você, e você não vai me deixar agora.
_ Vitor já que está aqui, vamos repassar a reunião, porque estamos chegando.
Eles entram na reunião juntos. Saulo é galanteador com Clara, que está vestida num lindo terno branco.
_ Um terno como esse, não pode ser usado por qualquer mulher, você está linda.
_ Gentileza sua, Saulo.
_ Vamos começar?
_ Sim. Vitor fará a apresentação inicial.
A reunião transcorre bem, Saulo pede até o inicio da semana seguinte para definir. Clara aceita. Vitor se irrita e faz um comentário que exige a habilidade de Clara para contornar.
_ Clara almoçamos juntos?  Gostaria de conversar outras coisas com você.
_ Saulo, o Vitor está comigo.
_ Deixe seu carro com ele, depois do almoço levo você para empresa.
_ Está bem.
_ Você quer que te espere? Posso ficar aqui de motorista te esperando, enquanto a senhor almoça.
_ Vitor sem cenas. Pede um táxi e vai para empresa, conversamos depois.
_ Clara podemos ir.
_ Sim.
Clara e Saulo vão almoçar, conversam sobre trabalho, projetos, família e situação política do município. Clara é muito próxima de Samuel, que está no meio político, Saulo se dispõe a conversa com ele, se ela fizer a ponte. Clara diz que  irá agendar uma conversa informal com Samuel.
Eles terminam o almoço e Clara segue para empresa. Tem reuniões internas e precisa dar ordens e passar tarefas para Márcio que responderá durante sua ausência. Isso sempre aconteceu, até porque Vitor sempre viajou com ela. Por um minuto pensou que ele esperasse ser indicado para responder na  sua ausência. Chegou a pensar em atribuir essa função a ele, para testá-lo, mas repensou e não quis arriscar.
Ela chama todos os chefes de departamentos, e passa suas ordens. Diz que ficará fora dois dias, e que conta com todos para que a rotina da empresa seja mantida. Clara sempre teve o apoio de seus colaboradores, sempre foi atuante e participativa, valorizando e estimulando seus parceiros. No fim da reunião, Márcio pede para conversarem por alguns minutos. Vitor diz que também precisa de alguns minutos.
_ Ok. Vamos lá Vitor.  Mando te chamar Márcio assim que terminarmos aqui.
_ Atende ele primeiro, porque vai ser demorado.
_ Está bem, vamos Márcio.
A reunião é rápida e Clara mandar chamar Vitor.
_ Você vai continuar assim? Não vou aceitar mais humilhações, hoje você passou de todos os limites me mandando voltar de táxi, está brincando com fogo.
_ Vitor presta atenção. Sou sua superior imediata.  Aqui dentro você está subordinado a mim e tenho poder suficiente para mandá-lo embora. Me respeite profissionalmente e poderemos manter um bom relacionamento. Agora se começar a agir desta forma, ficará insustentável.
_ É uma ameaça? Ou sou um bom subalterno ou serei demitido?
_ Sempre te dei liberdade para construir um caminho próspero na empresa. Pena que você não corresponda, hoje cometeu novo erro durante a reunião com Saulo e se não fosse minha interferência.
_ Manda embora, poderosa.
_ Vitor estou indo viajar amanhã cedo, aproveite esses quatro dias para avaliar suas atitudes e pensar o que deseja. Na segunda feira temos uma reunião para definirmos tudo isso, as 8:30h.
Clara liga para Mariah e pede que  agende a reunião.
_ Bom trabalho. Espero que tudo caminhe bem aqui. Caso precise de algo no âmbito profissional pode me ligar. Até segunda.
Ele levanta e sai. Clara finaliza com Mariah sua agenda da semana seguinte, lembra que seu aniversário é na quinta-feira.
_ Mariah, prometo que na segunda falaremos sobre meu aniversário.
_ Que bom, já estava perdendo a esperança...
_ Você anda muito festeira.
Elas riem e Clara se despede e segue para casa. Depois do banho, coloca sua camisolona de malha bem quentinha e prepara as malas, já que passará dois dias e terá programações bem diferentes. Ela está animada com a viagem, sabe que Ernesto não irá avançar sem que ela sinalize, o que lhe dá tranqüilidade. Quer apenas ter um amigo para aproveitar esses dias, depois do trabalho, porque sua agenda  está repleta de reuniões.
Quando termina e acredita que irá dormir, Vitor toca o interfone.
_ Abre essa porta.
_ Vitor estou indo dormir. Amanhã saio cedo, não temos mais nada para conversar.
_ Eu quero e vou falar com você agora.
_ Vou chamar a segurança do condomínio. Será uma situação desagradável.
_ Você não é capaz de fazer isso. Faz o que estou mandando e não me questiona. Nessa relação mando eu.
_ Manda? Manda na sua relação pretérita, não manda na minha  vida, e não existe relação entre nós.
_ Abre essa porta que vai ser melhor.
Clara desliga o interfone e chama a segurança do condomínio e dá ordens expressas de que a partir daquele dia, Vitor só entrará com autorização dela. Ela recebe uma mensagem dele fazendo ameaças. Decide ignorar. Liga para Mariah e pede que esteja alerta com qualquer atitude de Vitor.
Clara dorme cedo e acorda bem disposta, consegue fazer sua caminhada matinal. Quando volta encontra com Ernesto.
_ Estou abusado, mas não resisti e vim tomar café da manhã com você.
_ Adorei a surpresa. Vou correr para o banho e na volta preparo um delicioso café.
_ Se você me der a liberdade de explorar a sua cozinha, eu preparo o café.
_ Fique inteiramente a vontade.
Eles entram, clara vai para o banho e Ernesto para cozinha, Quando chega a sala se depara com uma linda mesa de café.
_ Ernesto que linda mesa. Que carinho.
_ Faria isso para você todos os dias.
_ Ernesto...
_ Vamos tomar café e sair.
_ Sim.

Clara e Ernesto pegam a estrada...