terça-feira, 22 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte XVIII – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? – A escolha, uma nova semana...


_ Você chegou rápido. Vou tomar banho e ir para cama.
_ Ah! Você vai tomar banho e ir pra cama?
_ Vou.
_ Depois do que aconteceu naquele restaurante?
_ O que aconteceu no restaurante, foi uma cena lamentável. O Ernesto é só nosso principal investidor. E com sua atitude colocou tudo em risco. Não posso admitir que as coisas continuem assim, você está passando dos limites.
_ Você não pode admitir? Você está louca, criou aquela situação, quando mentiu pra mim dizendo que ia jantar com suas amigas. Quando estava voltando de casa com as minhas coisas, vi seu carro. Pensei em fazer uma surpresa agradável, chego lá e vejo você com ele sentado ao seu lado, piada não acha?
_ Não. Você perdeu o controle, não tem mais a menor condição de continuarmos nesse formato. Cada dia você demonstra mais o seu ciúmes e isso está comprometendo a nossa parceria profissional. Se continuar assim, terei que fazer uma escolha entre o pessoal e o profissional. Melhor você voltar para sua casa. Diz que não precisou viajar...
_ Vem aqui. Quero saber o que aquele tal estava fazendo lá?
_ Vitor não vou explicar. Estou cansada, quero tomar banho e dormir.
_ Toma banho e vem ficar aqui comigo, vamos ver um filme juntos, por favor.
_ Não. Quero dormir, sozinha.
_ Você não vai ficar sozinha, eu quero você. Estou cheio de desejo por você. Quero ter certeza que é minha, que gosta de fazer amor comigo. Quero sentir seu cheiro, sua pele, seu gosto...
_ Esquece. Vou dormir, não estou com a menor vontade de você. Acha que é possível esquecer o que fez?
_ Eu posso esquecer que você estava com aquele insuportável jantando?
_ Não vou falar mais nada.
Clara vai  para o banho, pensando na fala de Fedra, nos comentários da Mariah, da Rúbia e na observação do Ernesto de que ele não é uma “opção”. Ela pega o telefone e pensa em ligar para o Ernesto e ir viajar no dia seguinte, depois fica com receio das atitudes de Vitor que podem trazer conseqüências para os dois na empresa. Clara percebe que precisa tomar uma posição, a situação está insustentável. Ela toma seu banho, coloca uma bela lingerie e vai para sala, pega uma taça de vinho e se deita no seu tapetão.
_ Você está linda, adoro esse perfume. Coloquei aquela samba-canção preta de seda que você gosta, só pra te seduzir.
_ Vitor me deixa quieta. Que filme está passando? Quero assistir uma comédia, preciso...
_ Está bem, assistimos o que você quiser, só quero ficar com você juntinho. Sentir seu cheiro.
O telefone de Vitor toca.
_ Estava demorando. Fica a vontade...
_ Não vou atender. Não é nada importante. Nada é mais importante do que estar aqui com você.
_ Deve ser algo importante, pela hora que estão te ligando.
_ Amor, vamos esquecer tudo isso. Prometo que vou me comportar, você está certa, não posso me deixar dominar pelo ciúme e nos expor assim.
_ Vitor não vou deixar a nossa relação, que é totalmente fora de propósito, nos trazer problemas no trabalho, está bem?
_ O que pensa em fazer?
_ Não sei, se for necessários nos afastamos.
_ Pra você é assim, fácil me dispensar, trocar por outro e pronto?
_ Você não pode me falar isso, olha pra sua situação...
_ Minha situação é insuportável. Quero ficar com você o tempo todo e pronto. Como não posso, fico desse jeito.
_ Não pode? Você é pandego...
Vitor tenta de todas as formas seduzir Clara, mas ela resiste. Ele fica irritado e tenta convencê-la a passarem o fim de semana na casa que ele tem na praia. Ela não aceita. Diz que passará em casa. Clara vai para seu quarto. Vitor permanece assistindo ao filme. Quando ele vai deitar, tenta novamente seduzir Clara que diz categoricamente que quer dormir e mais nada.
Na manhã seguinte, ela acorda cedo, ainda em dúvida sobre o que fazer. Sai para caminhar pelo seu condomínio, que fica numa região verde, com ar puro e muito agradável. Quando ela volta, Vitor está com a mesa do café arrumada, ele preparou a mesa no jardim, o dia está frio apesar do sol. Ela vai para o banho e volta para o café.
_ O que pretende?
_ Como assim?
_ Vai passar o dia aqui em casa?
_ Clara precisamos conversar, pensar juntos em como fazer para contornar tudo isso, é muita coisa ao mesmo tempo.
_ Então, vamos lá. Primeiro, quero ficar sozinha. Você precisa respeitar a minha vontade, garanto que será melhor. Segundo, a semana que vem vou a reunião com Ernesto sozinha, não há necessidade e nem clima para você acompanhar. Na reunião com Saulo você irá porque é necessário, afinal estaremos defendendo investimentos para o projeto que você elaborou, eu poderia ir sozinha, mas acredito que você deve acompanhar. Na quinta-feira eu vou viajar, falei para Mariah avaliar a necessidade de você estar junto, espero que não seja necessário, assim começamos a mudar as coisas.
_ Você vai começar a me excluir de tudo, é isso?
_ Não. Se fosse isso, você não iria na reunião com Saulo.
_ Você quer que eu deixe a empresa?
_ Eu não quero nada. Você deve fazer o que achar melhor para você. Não vou interferir, nem pedir para sair e caso decida sair não espere que tente demovê-lo da ideia.
_ Tanto faz, é assim?
_ O que você quer?
_ Que você cuide de nós, independente da empresa.
_ Vitor se você não fosse funcionário da empresa e subordinado a mim, seria mais fácil. Agora, na situação atual, é complicado. Procuro ser imparcial, mas ás vezes, tendo a te favorecer, quero que atinja seus objetivos na empresa, sei que é ambicioso e quanto o status é importante pra você.
_ É muito importante mesmo, dinheiro dá tranqüilidade. Você sabe que sempre disse que trabalho primeiro e prazer depois. Agora, está tudo confuso.
_ Confuso mesmo. É melhor você ir para sua casa, ter um tempo para você, pensar o que quer.  Eu farei o mesmo. Só que juntos não conseguiremos.
_ Vamos ficar aqui, ter um tempo para nós dois, vai ser importante.
_ Está bem. Não adianta falar. Ficamos aqui, agora vou fazer as coisas que programei. Vou ao salão e depois ao mercado.
_ Tudo bem, vou preparar nosso almoço, o que quer comer?
_ Tem galetos no freezer, acho uma boa opção.
_ Está bem, vou preparar, quanto tempo você demora?
_ Não sei. Vou te posicionando.
Clara se arruma e sai para cuidar de suas coisas. Vai ao salão, encontra uma amiga de infância, conversam animadamente e por algum tempo ela se esquece dos problemas. Depois vai ao mercado, passa na floricultura para pegar seus antúrios e volta para casa. Quando chega, para surpresa dela,  Vitor não está.
Ela entra, percebe que a cozinha está do mesmo jeito, que não tem comida pronta. Guarda as compras, come uma fruta e liga para ele, que não atende ao fone. Clara estranha e decide ouvir música enquanto prepara uma salada. Até que o telefone dela toca, é Vitor.
_ Oi.
_ O que aconteceu?
_ Vou ter que ir para São Paulo.
_ Por quê?
_ Tenho que resolver uma coisa.
_ Sem comentários. Você me faz ficar aqui, me convence a passar o fim de semana com você e agora me diz que vai viajar, é isso? Com quem você vai?
_ Sozinho.
_ Está muito estranho tudo isso. Você vai viajar sozinho? Vai ser mais claro ou vai ficar enrolando?
_ Não começa, vou viajar sozinho para resolver um problema pessoal.
_ Sei. Já que vai sozinho, vou com você.
_ Não vai dar.
_ Por quê? Não vai sozinho?
_ Vou, só que não vou ter tempo para ficar com você.
_ Quanto mais você fala mais claro fica que está mentindo. Você vai viajar com alguém, quem é?
_ Não vou discutir com você.
_ Não mesmo. Faça uma ótima viagem. Tchau
_ Tchau
Clara está inconformada com a atitude de Vitor. Depois das inúmeras tentativas de reconciliação, ele vai viajar  e ela tem certeza que não irá sozinho.
_ Devia ter viajado com o Ernesto. Pensa em voz alta.
O telefone dela toca, por um momento ela pensa que pode ser Vitor. É Fedra.
_ Tudo bem, amiga?
_ Tudo e você?
_ Tudo. Você está com aquele insuportável?
_ Não. Ele viajou.
_ Como assim?
_ Simples assim, viajou.
_ Mas...
_ Não quero falar sobre isso, não agora.
_ Está bem. Estou pensando em almoçar no Valentim, o que me diz?
_ Só o tempo de me arrumar, fiz uma salada que pode ficar para noite.  Nos encontramos lá ou você quer carona?
_ Passa aqui, daí vamos juntas.
_ Daqui 40 minutos, passo aí.
Clara se banha, se arruma, coloca uma roupa descontraída e sensual e vai para casa de Fedra. Elas vão para o Valentim, quando chegam encontram com Ernesto que está acompanhado de um assessor. Eles se olham e riem.
_ Se combinássemos não chegaríamos juntos.
_ Que grata surpresa.
_ É o destino, colaborando comigo. Me dando a chance de te encontrar.
_ Ernesto, você é encantador.
_ Deixa te apresentar, esse é o Mesquita. Clara e Fedra.
Eles se cumprimentam, conversam um pouco na entra do Restaurante. Fedra se interessa por Mesquita, que também a olha.
_ Clara, almoçamos juntos?
Ela olha para Fedra que não faz objeção. Mesquita demonstra sua empolgação com a possibilidade. Clara comenta:
_ Parece que sua ideia é bem aceita por nossos amigos.
Eles riem e se dirigem a mesa reservada para Ernesto.
_ Clara, sei que tem várias restrições, o que comeremos? Vou acompanhar você.
_ Ernesto, se fosse você não faria isso... Diz Fedra rindo.
_ Vou acompanhá-la, assim vou me acostumando e descobrindo as preferências dela... Diz ele quase sussurrando para Fedra.
_ Você é apaixonante. Diz Clara.
_ Está vendo, Fedra... Comenta Ernesto sorrindo.
_ Pensei em  fazer um comentário maldoso, mas vou me calar. Fala Fedra rindo.
_É isso mesmo, estou apaixonado... Diz Ernesto, em tom de brincadeira.
_ Uau! Que declaração... Diz Mesquita.
_ Estou ficando envergonhada... Comenta Clara.
_ Você é linda de qualquer jeito, envergonhada fica melhor ainda...
_ Estava precisando sair com pessoas tão especiais como vocês. Obrigada!
_ Vamos aproveitar a tarde?
_ O que está pensando?
_ Em irmos até o Litoral, jantamos lá e voltamos a noite ou amanhã cedo.
_ Não quero ser desagradável... Não estou com o espírito para aventuras.
_ Está bem. Então, vamos comer um doce depois do almoço e damos uma volta, podemos caminhar no campo, ou vamos até a minha casa de campo, tomamos um café lá e voltamos, pode ser Dona Clara?
_ Pode. Será bom caminhar e tomar um café naquele ambiente agradabilíssimo.
_ E o que vamos pedir?
_ Nós já escolhemos.
_ Vou comer salada Caesar e Perdiz ao vinho branco.
_ Não pediria esse prato. Comenta, Ernesto, sorrindo.
_   Pede outro, aposto que você gosta de carne vermelha.
_ Como, uma ou duas vezes por semana. Gosto mais de peixes e frutos do mar, você gosta?
_ Sou alérgica. Não posso chegar perto, nem mesmo de quem come peixes e frutos do mar.
_ Estarei atento...
O almoço é muito agradável, eles se divertem muito. Clara ri muito e nem lembra de Vitor e sua estória mirabolante e mentirosa.
_ Vamos comer um doce na Guarany?
_ Claro, Clara... Brinca Fedra.
_ Hum! Acho que o vinho está deixando minha amiga alegre...
Todos riem. Eles vão caminhando até a doceria que é próxima do Valentim, comem um doce e pegam a estrada. Como passam pelo condomínio de Clara, ela deixa o carro e segue com Ernesto. Fedra vai com Mesquita. A viagem até a casa de campo de Ernesto é curta e eles vão aproveitando a paisagem. Ernesto dispensa o motorista e vai guiando seu carro, para ter mais privacidade com Clara. Eles aproveitam a viagem para conversarem sobre suas vidas, seus anseios e desejos futuros.
Clara percebe como Ernesto tem afinidades com ela, gostam das mesmas coisas, tem os mesmos valores, por um instante ela lembra de Vitor e de suas mentiras, pensa que um homem que mente para esposa, mente para ela e tem atitudes agressivas, não merece sua atenção e seu respeito.
_ Acho que ele fez toda aquela cena só para passar o fim de semana fora. Na verdade ele queria um álibi para viajar, como posso me deixar enganar. Pensou Clara enquanto observava a paisagem.
Ernesto era um homem de gosto apurado, que valorizava as pequenas coisas da vida, principalmente os pequenos prazeres da vida. Apesar de ser um homem muito rico, era simples. Gostava de cavalgar, de caminhar pela mata, de tomar banho de cachoeira, tanto quanto de viajar, freqüentar bons restaurantes, era um apreciador de vinhos, adorava cinema, teatro e tinha belas obras de arte em sua casa. Clara  questionava-se sobre o que a prendia aquele homem tão diferente. Vitor não era exatamente um homem polido, educado até o momento que perdia a compostura, por mais que ele se esforçasse para demonstrar seus conhecimentos, não convencia, era muita cultura inútil. Clara achava engraçado o esforço que ele fazia para parecer mais culto do que era de fato. Quando ela conheceu o primo dele, teve certeza que ele se esforçava para demonstra ser algo que não era.
_ Clara? Você está aqui comigo?
_ Desculpa Ernesto, para ser sincera...
_ Minha querida, não gosto de vê-la assim.
_ Eu também não.
_ Quer conversar sobre o que está acontecendo.
_ Não. Ficaria pouco a vontade.
_ Entendo.
_ A paisagem é linda.
_ Estamos chegando. Podíamos jantar aqui, o que acha?
_ Acho que vai fazer muito frio e nem trouxe nenhum casaco extra.
_ Tem calefação na casa toda. E eu posso te emprestar meus braços para aquecê-la
_ Sempre gentil.
_ Posso emprestar um casaco, se preferir...
_ Aceito o casaco, mas não dispenso os braços.
_ Fico imensamente feliz.
_ A Fedra se encantou com seu assessor.
_ Que bom, porque ele também se interessou por ela.
_ Ele é casado?
_ Separado. Agora a ex-mulher dele é um problema.
_ Hum! Ex-mulher problema! Vamos ver o que vai dar...
_ Mais que meu assessor, ele tem uma participação na empresa. E o principal, é meu amigo de longa data.
_ Que bom! Fico mais tranqüila, a Fedra merece alguém especial. Apesar da tal ex-mulher problema.
_ Se ela tiver paciência contorna.
_ Paciência? Deus nos ajude.
Clara e Ernesto descem do carro e vão dar uma volta. Encontram Fedra e Mesquita que estão passeando pelo campo.
_ Que final de tarde lindo! Já tinha me esquecido de como é o entardecer aqui. Diz Mesquita
_ Lindíssimo! Estou encantada com esse visual espetacular.
_ É um espetáculo mesmo Fedra. Clara?
_ Oi, Ernesto. É deslumbrante. Estou emocionada, é um presente de Deus essa paisagem.
_ Vamos entrar? Da varanda podemos continuar avistando essa imagem linda e tomamos um café quente, que está caindo a temperatura.
_ Estou com frio mesmo.
_ Posso emprestar meus braços, aceita?
Clara e Ernesto seguem abraçados até a varanda. Nas cadeiras mantas para aquecê-los. E uma deliciosa mesa de café, com pães caseiros, bolos, geléias e queijos. Eles se deliciam com aquele café e Ernesto anuncia que ficarão para jantar. Fedra fica feliz com a notícia.
_ Aqui não tem sinal de celular?
_ Não. Se precisar tem telefone.
_ Não. Melhor assim.
_ Também acho...
Eles entram.
_ Se quiserem tomar um banho antes de jantar, fiquem a vontade.
_ Minha suíte ainda continua ai?
_ Claro, meu amigo.
_ Vou aceitar também, Ernesto.
_ Fedra fique a vontade. Pode seguir o corredor a segunda porta a direita, a suíte está preparada para você.
_ Você é rápido e surpreendente.
_ É surpreendente mesmo. Vou aceitar o banho. Com certeza tem uma suíte preparada para mim?
_ Tem. Apesar de querer dividir a minha com você. É a última porta do lado esquerdo.
_ E a sua?
_ É a ultima do lado direito.
Todos vão para suas suítes. Quando Clara entre, vê um  lindo arranjo de flores do campo sobre a cama. E uma banheira com pétalas de rosas. Ela percebe que Ernesto realmente está encantado, e que ele é um homem romântico, como  sempre sonhou. Clara está feliz por estar tendo uma tarde agradável depois de tudo que aconteceu pela manhã. Ficou pensando se Vitor teria tentado falar com ela alguma vez. Fedra bate em sua porta, vê as flores e diz:
_ Clara, esquece esse ser e olha para frente. Você está tendo uma oportunidade única, de estar com um homem livre, romântico e maravilhoso como o Ernesto. Vai continuar se deixando enganar por um mentiroso e manipulador?
_ Fedra, nem te contei o que aconteceu hoje. Melhor não falarmos sobre isso. Vou me banhar.
Fedra vai para sua suíte. E Clara aproveita aquele banho maravilhoso. Ela encontra Ernesto na sala, ao som de música clássica. Os dois se olham, Ernesto se aproxima e toca o rosto de Clara. Ela olha para ele, beija a mão dele e diz que não está preparada.
_ Minha querida, fique tranquila, vou respeitar o seu tempo.
_ Cada dia você me encanta mais. Adoraria conseguir mudar essa estória.
_ Gosta de jazz?
_ Adoro.
Ernesto coloca um DVD de Diana Krall, e uma das músicas é a que Clara e Vitor elegeram como deles. Ela não consegue esconder o desconforto. Ernesto pergunta se algo está errado, ela diz que não.  
_ Adoro esse DVD, foi o que ela gravou no Rio, não é?
_ Sim. Eu fui ao show.
_ Adoraria assistir ao show dela.
_ Então, temos um compromisso, assistir a um show dela.
_ Compromisso aceito.
_ Pedi para prepararem uma fondue, você gosta?
_ Adoro. Raramente me dou o prazer, porque não como derivados de leite mas, hoje abrirei uma exceção.
_ Me sinto lisonjeado...
_ A noite está linda, o céu estrelado e a lua...
_ Vamos olhar a lua lá fora?
_ E o frio?
_ Pegue essa manta e vamos. Não podemos deixar de avistar a lua, porque está frio.
_ Tem toda razão. Vamos admirar mais essa beleza.
Os dois saem e ficam contemplando a lua. Ernesto abraça Clara,  eles quase se beijam. Ela diz que é melhor entrarem. A conversa entre Fedra e Mesquita está animada. Eles entram e se juntam aos dois. A noite segue ao lado da lareira, com boa música, bom vinho, uma conversa agradável sobre amenidades, estórias vividas por Ernesto e Mesquita na juventude. Clara e Fedra também contam seus momentos divertidos e todos aproveitam a noite. Por volta das 23:00h Clara diz que é melhor voltarem.
_ Quem vai dirigindo?
_ Como assim, Fedra?
_ Clara todos tomamos taças de vinho, se a polícia nos parar teremos problemas.
_ Eu tomei meia taça de vinho, isso não me impede de guiar.
_ Estamos em dois carros.
_ Prefiro voltar.
_ Clara, relaxa. Está tudo bem, se você quer volta, voltamos. Mesquita, se quiser ficar aqui com a Fedra, aproveitem. Amanhã podem cavalgar, caminhar...
_ Fedra, o que acha?
_ Clara ficará chateada?
_ Não. Acho que deve ficar e aproveitar. Eu prefiro voltar. Você me entende, não é?
_ Entender, não entendo... Agora, você é quem sabe...
Eles se despedem e Clara e Ernesto seguem de volta.  Ela vai guiando. No caminho eles conversam sobre o domingo. Ernesto propõem passarem o domingo na casa de campo. Eles poderiam aproveitar com Fedra e Mesquita. Clara gosta da sugestão, melhor do que ficar em casa pensando no Vitor e na canalhice dele. Combinam de sair cedo. Ernesto diz que foi um dia muito especial para ele, que espera que possam repetir dias como esse, com mais liberdade e entrega. Ela concorda, e fala que espera que isso aconteça logo. Clara deixa Ernesto, e o motorista dele a leva para casa. No caminho, olha as mensagens no celular e vê que Vitor não ligou, nem mandou mensagens. Ela fica muito magoada.
Clara chega em casa, se troca pega um livro e vai para cama. Olha para o celular e pensa que deveria ter ficado na casa de Ernesto. Vitor merecia que eu o traísse, pensa. Acaba adormecendo. Na manhã seguinte, acorda e vê que tem mensagens de Vitor na rede social. Estranha o fato dele não ter ligado.
_ Olá! Espero que esteja bem. Estou resolvendo meus problemas. Amanhã vou ficar sem sinal de telefone e internet o dia todo. Depois te explico o que aconteceu.
Clara lê a mensagem e não responde. Ela tem certeza que Vitor  a está traindo. Ela adoraria saber se é com Fúlvia ou se tem outra pessoa. Clara levanta, toma seu banho e quando sai o telefone toca. Corre para atender na  esperança que seja Vitor, é Ernesto.
_ Bom dia! Você já tomou café?
_ Bom dia! Não. Acabei de sair do banho.
_ Que sorte! Mandei preparar uma cesta de café da manhã, deve estar chegando e se você me convidar...
_ Está convidado.
Clara desliga, olha para seu guarda roupa e pensa numa roupa confortável e sedutora. Ela quer se sentir bonita para encantar Ernesto. Clara se veste e ouve o interfone. Recebe a cesta de café e um lindo ramalhete de flores. Prepara a mesa  e aguarda Ernesto, que é pontual. Eles tomam café e saem para a casa de campo. Ernesto já tinha avisado seu amigo Mesquita, mandado preparar os cavalos e preparar um almoço ao ar livre.
_ Você pensa em tudo.
_ Nosso dia será inesquecível, garanto a você.
_ Acredito que sim, tem muito tempo que não cavalgo. Vou dar vexame...
_ Eu te ajudo.
Apesar do frio, o sol deixa o dia lindo. Eles chegam a casa. Fedra e Mesquita estão tomando café.
_ Tudo bem?
_ Tudo ótimo.
_ Pelo jeito a noite foi agradável.
_ Muito. A noite aqui tem um som que embala o sono.
_ Sei.
_ O que foi?
_ Nada. Vocês estão com caras ótimas.
_ Eles já chegam com esse humor ácido.
_ Fedra, não falei nada. A Clara está de bom humor.
_ Isso é bom. Fico feliz.
_ Uma noite de sono tranquilo, deixa qualquer um revigorado.
_ Os cavalos estão prontos.
_ Vamos cavalgar?
_ Vamos.
Eles saem fazem uma cavalgada. Passeiam pela cachoeira, dão uma volta de barco no lago e voltam para o almoço. Fica evidente que Fedra e Mesquita estão se entendendo muito bem. Clara fica feliz, sua amiga merece encontrar alguém especial. Ela já passou por alguns relacionamentos que não foram tão bem sucedidos assim. E Clara sabe disso, torce por ela. No fim do dia tomam um delicioso café. Fedra diz que já está se acostumando com aquela vida no campo.
_ Está se acostumando porque trouxe suas roupas...
_ Ainda bem, né amiga?
_ Ela ficaria linda de qualquer jeito.
_ Mesquita, que declaração. Estou surpresa, parece que a noite foi reveladora...
_ Mesquita, meu amigo, faça essa moça feliz. Porque falei muito bem de você para Clara, senão fizer isso, vou ter problemas...
Eles riem.
_ Nossa estou me sentindo uma verdadeira donzela...
_ Menos amiga...
Eles se divertem. Clara vai até a cozinha agradecer pelas delícias preparadas. É muita simpática com todos. Eles voltam para cidade.  Clara volta para casa e se depara com os ruídos de seus pensamentos, por mais que ela queira não consegue tirar Vitor de sua mente. Olha o celular e nada de mensagens dele, lembra da mensagem dele na rede social, dizendo que ficaria incomunicável.
Ela toma um banho relaxante, um chá de frutas vermelhas e vai para cama. Na manhã seguinte tem inúmeros compromissos. Ela dorme muito bem, está cansada da viagem e das atividades que fizeram. Acorda cedo, faz sua caminhada, toma seu banho e recebe mais flores de Ernesto. Ela pega o telefone e liga para Ernesto.
_ Agradeço as belas flores, você está me mimando...
_ Se você deixar farei muito mais.
_ Tenho certeza disso. Tenha um ótimo dia.
_ Você também, e se quiser podemos almoçar ou jantar.
_ Hoje não. Temos uma reunião amanhã, daí combinamos de almoçar ou jantar.
_ A reunião é pela manhã?
_ Para ser sincera, não sei.  Chegando na empresa vejo e nos falamos a tarde.
_ Quem sabe um café.
_ Quem sabe...
Eles se despedem e Clara liga para Fedra, ela  está muito curiosa.
_ Bom dia! Como está?
_ Boa madrugada!
_ Dormindo ainda?
_ A noite foi ótima, estou relaxando...
_ Então, falamos mais tarde. Você tem compromisso no almoço hoje?
_ Não. Vamos almoçar juntas. Vou encomendar uma comidinha e almoçamos em casa para conversarmos a vontade, sobre todos os detalhes sórdidos.
_ E aquela criatura abominável?
_ Não faço ideia. Nem um sinal. Tenho que ir...
Clara olha seus e-mails, arruma as flores.  Vê sua correspondência. Depois vai para seu closet e procura uma roupa que a deixe bem, que seja clara, para ajudar a melhorar seu astral. Ela se veste, pensando em Ernesto.
_ Parece ser um avanço.
Pega sua pasta, bolsa, óculos e sai. Vai para empresa, despacha com Mariah, que diz não ser fundamental a presença de Vitor na viagem de quinta-feira. Deixando Clara mais tranquila, será bom viajar sem Vitor.
_ Clara está chegando seu aniversário, vai ter festa esse ano?
_ Mariah, não sei. No momento não consigo pensar nisso.
_ Espero que tenha, são sempre animadas.
_ Talvez, mais se tiver será para os amigos mais íntimos.
_ Tenho alguma reunião hoje?
_ Não, só o andamento dos projetos e reuniões internas, com a equipe de projetos e o financeiro.
_ Todos já chegaram?
_ O Vitor não chegou, nem ligou.
_ Está bem, quando todos chegarem me avisa. Não quero ser interrompida por ninguém, isso inclui o Vitor.
_ Entendi.
_ Ah! Atenda todos as ligações do meu gabinete, e me avise antes de passar.
_ Pode deixar.
Clara se concentra no trabalho, tem projetos para analisar. O trabalho a ajuda a não pensar em Vitor. Até que seu telefone toca, é Vitor. Clara não atende. Ele manda uma mensagem.
_ Bom dia flor do dia! Morrendo de saudades de você.
_ Bom dia! Temos uma reunião pela manhã, caso vá se atrasar, avise minha assessora. Grata!
_ Por que você está assim?
_ Bom dia!
_ Não vamos começar a semana desse jeito, achei que você estaria me esperando cheia de saudades. Tenho tantas coisas para falar, quero ver esse par de esmeraldas e te encher de beijos. Minha linda!
Clara olha as mensagens e fica perplexa com a desfaçatez de Vitor. Ela não responde e se concentra no trabalho. Mariah entra e diz que Vitor está na sala de espera, e que ficou irritadíssimo de não poder entrar. Clara diz para Mariah, convocar a todos para reunião e pedir a Vitor que aguarde na sala de reuniões.
Quando Mariah dá o recado, ele se irrita e faz uma cena. Clara ouve, liga para a assessora e fala para que ela tome as providencias cabíveis. Ela diz a Vitor que terá que fazer um relatório sobre o ocorrido. Ele chuta uma cadeira e segue para sala de reuniões. Clara chega e cumprimenta a todos igualmente e inicia a reunião. Vitor faz observações com duplo sentido, Clara é profissional mas, responde educadamente a Vitor. No fim da reunião ela sai para sua sala, conversando com Márcio. Ela vê que Vitor está atrás dela, mas o ignora.
Ao chegar na sala de Mariah, avisa que não quer ser interrompida, porque irá prepara os relatórios para reunião com Ernesto.
_ Clara, a senhora pode me dar um minuto da sua atenção?
_ Vitor, não precisamos de formalidades. No momento, não posso. Após a reunião com o Financeiro a tarde, marque um horário na minha agenda para o Vitor. Fala olhando para Mariah.
_ Mais alguma coisa?
_ Sim. Acho que devo participar da preparação dos relatórios para reunião de amanhã.
_ Acredito que seja desnecessário. Você já me encaminhou todos os relatórios, caso precise te ligo. Espero que permaneça na empresa.
_ Claro, estarei aqui, caso seja preciso.
_ Ótimo.
Clara entra com Márcio para reunião. E seu telefone que ficou sobre a mesa tem inúmeras mensagens de Vitor. Quando ela vai ver as mensagens, Vitor envia outra.
_ Você não deve brincar comigo, não sabe do que sou capaz. É melhor pra você me deixar participar dessa reuniãozinha...

Clara pensa em responder, mas desiste...