terça-feira, 22 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte XVII – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? – A indecisão de Clara...


Vitor acordou mais cedo para preparar o café para Clara, aquele buque de flores o deixou muito irritado. Entrou no quarto e percebeu que ela estava no banho, olhou pela vão da porta do banheiro que estava entre aberta. Aproveitou para ver o celular de Clara, e viu a mensagem de Ernesto dizendo que aguardava uma resposta. Ficou furioso. Clara sai do banho e vê Vitor com seu telefone.
_ O que está fazendo com meu telefone?
_ O  meu estava sem sinal, precisava do telefone do Reinaldo... Você mudou a senha do celular?
_ Não. Por que mudaria?
_ Para evitar que eu veja algo comprometedor.
_ Já falei que não sou você.
_ Acabei de receber flores.
_ Flores? Não entendi. Você recebeu flores na minha casa?
_ Recebi, não era pra ter recebido?
_ Ah! Acho que não acordei ainda... Achei que as flores fossem pra você. Quem mandou flores?
_ O Ernesto.
_ E você leu o cartão?
_ Não.
_ E como sabe que foi o Ernesto?
_ Só vi o remetente.
_ Sei...
Clara já estava pronta.
_ Vamos tomar café, porque quero ir logo para empresa. Tenho que entregar meu relatório, ver o seu material. Não sei onde estava com a cabeça, quando avaliei seu curriculum e indiquei sua contratação...
_ Eu sou competente, talvez seja esse  o motivo.
_ Convencido, você é... Acho que na verdade contratei o seu bumbum...
Clara ri e deixa Vitor mais irado ainda. Ele detestava quando ele dizia que tinha se interessado pelo bumbum dele. Sentia-se um objeto e ela divertia-se com isso.
_ Acho engraçado isso. Você não pode ver um bumbum, mulheres de seios fartos que fica olhando e comenta. Esperava o que?  O que me atraiu em você, foi o seu bumbum...
_ O dia não começou bem, melhor você não arrumar mais problemas.
Ao chegar na sala, ela  vê o arranjo de Ernesto.
_ Que maravilhoso! Um dos mais lindos que recebi. Mesa pronta? Nossa quanta deferência, estou perplexa... Culpa?
_ Pára de brincar, estou perdendo a paciência. Acordo cedo para preparar o café, recebo flores daquele idiota do Ernesto pra você, e ainda, fica com cinismo?
_ Bom dia! Você é um doce, quando quer...
_ Devia me tratar melhor, tem outras pessoas que me tratam bem...
_ Querido, o que faz aqui? Fique com quem te trata bem...
_  Não quero brigar. Quero que o nosso dia seja lindo, tão lindo quanto você.
_ Vamos tomar café?
Clara pega o celular e percebe que está aberto na pagina de mensagens do Ernesto, fica irritada.
_ Você estava enviando uma mensagem para o Ernesto?
_ Não entendi. Do que está falando?
_ Meu celular estava com você, e agora quando abro está nas mensagens do Ernesto, o que acha?
_ Sinal que você estava mandando mensagens pra ele.
_ Não seja cínico, você foi bisbilhotar meu celular. Encontrou o que queria?
_ Encontrei. Este velhote, dizendo que está aguardando uma resposta sua.
_ Falei ontem que tinha que agendar uma reunião com o Ernesto. Ele está aguardando minha resposta, qual o problema.
_ Está é a resposta que ele aguarda?
_ Sim. Achou que era o que?
_ Um pedido de namoro, por exemplo.
_ Sorte sua que não foi.
_ Por quê? Você aceitaria?
_ O Ernesto é um homem lindo, gentil, solteiro e várias outras coisinhas que não vou comentar.
_ E se insinua pra você sempre, patético...
_ Patético, por que?
_ Porque ele é velho.
_ Velho? Ele é mais velho do que, qual o problema? Esqueceu que sou quase 2 ano mais velha que você?
_ Só que é muito diferente.
_ Não vou discutir sobre isso com você. Nunca mais pegue meu celular pra ver minha mensagens, respeite minha privacidade. Porque quando você faz isso, me dá o direito de fazer o mesmo.
_ Pode olhar, está aqui. A senha você sabe, pode ver o que quiser.
_ Você é uma comédia.
Eles terminam o café num clima pouco amistoso. Clara que já está pronta para o trabalho, vai escovar os dentes e fazer a maquiagem. Vitor vai para o banho. Ela aproveita para agradecer Ernesto pelas flores.
_ Adorei as flores. Deixou o meu dia mais encantador, feliz. Você é gentleman. Beijos.
Vitor sai do banho, e vê que Clara nem percebeu que ele entrou no quarto. Ele vai beijá-la para ver o que está fazendo no celular. Ela percebe a aproximação dele e muda de tela rapidamente.
_ Vou para o trabalho.
_ Me espera e vamos juntos.
_ Não. Temos que parar de chegar juntos todos os dias. Os comentários já estão ganhando os corredores da empresa.
_ Engraçado. Achei que não se preocupava com isso.
_ Engano seu. Não quero ter o titulo de “namorada” de um homem casado.
_ Você é minha namorada e só.
_ Claro, vamos ignorar sua relação pretérita, não é isso?
_ Sim. Vamos pensar em nós dois.
_ Fui. Sozinha e com meu carro.
Clara pega sua pasta, sua bolsa e sai. No caminho decide retribuir as flores enviadas por Ernesto e manda uma cesta de flores e vinhos para ele. Ao chegar ao estacionamento da empresa, vê o carro de Vitor.
_ Agora ele me cobrará onde estive que cheguei depois dele. Já sei. Vou ligar para Fedra.
_ Querida, bom dia! Acabei de passar na sua casa, caso alguém pergunte, pode ser?
_ Claro, amiga. Se for pra enrolar aquele insuportável do Vitor, jantamos juntas, viajamos juntas e tudo mais...
_ Obrigada! Beijos
_ Anotado. Beijos.
Ela entra na empresa, passa em alguns departamentos, dá algumas ordens. Sempre simpática com todos. Clara tinha um defeito, não lembrava o nome de ninguém, mas cumprimentava todos cordialmente. Quando chega em sua sala, vê Vitor sentado na sua mesa.
_ Vitor?
_ Estava te aguardando.
_ Você devia aguardar fora da minha sala, não fica bem o que esta fazendo.
_ Vai se importar com isso também?
_ Vou. Até porque não costumava fazer isso. Vitor, não vamos misturar as coisas, aqui é nosso ambiente de trabalho e devemos respeitar.
_ Você está insuportável. Estou ficando irritado com isso.
_ Vamos focar no trabalho, por gentileza.
Clara despacha documentos, encaminha o relatório e responde e-mails. Pega o relatório de Vitor para ler. No meio do relatório ele escreve: Você é meu amor. Quero viajar com você. Que tal irmos para Suíça? Com todo carinho. Ela, não acredita, ri sozinha. Continua lendo. “Se você já está na última página e não me chamou na sua sala, devo me preocupar. Sinal que não aceitou meu convite. Então, vou dar alternativas: Grécia, Egito, Itália, França? Nada do meu telefone tocar? Índia, Marrocos? Não. Que tal Dinamarca, Austrália, Nova Zelândia? Estou sem opções... Irlanda, Suécia, China? Me responde... Ela se diverte com a brincadeira.
_ Chama o Vitor pra mim.
Ele chega, ela está com o projeto em mãos.
_ Vitor eu avaliei seu projeto, está bem detalhado, mas precisamos aprofundar  alguns pontos.
_ Você leu o projeto todo?
_ Li sim. Então, como estava falando precisamos detalhar alguns pontos. Por exemplo, o tempo que vamos levar para realizar o projeto, a data de inicio, a justificativa e principalmente quais os resultados esperados.
_ Já fiz tudo isso. Detalhei cada um desses itens. Deixa ver, será que mandei o projeto errado.
_ Fez? Então, você me mandou o projeto errado mesmo.
_ Vou pegar meu note para te enviar o projeto certo, desculpa.
_ Vitor, o projeto da empresa está perfeito. Estou falando do projeto da viagem. Você é um irresponsável, se não tivesse lido atentamente seu projeto, você me colocaria numa situação delicada na empresa.
_ Eu sei que você é muito cuidadosa. Que jamais mandaria um projeto sem fazer uma análise e dar aqueles retoques. E para onde vamos?
_ Não sei. Preciso pensar mais nisso. Agora foi muito original e me deixou emocionada seu gesto. Agora preciso ir para uma reunião. Falamos mais tarde.
_ Posso te dar um beijo:
_ Claro, que não, pessoa.
_ Vou aguardar você para tomarmos um café no fim do dia. Melhor ficar em casa hoje.
_ Eu acho melhor mesmo. Vou jantar com a Fedra e a Rúbia.
_ Falando em jantar, onde você foi hoje cedo? Chegou depois de mim.
_ Passei na casa da Fedra. Mais alguma pergunta?
_ Não. Só não gosto desse jantar só de mulheres.
_ Você não gosta de nada. Se vou jantar com um amigo, não gosta. Se vou jantar com minhas amigas, também não.
Clara está saindo quando seu telefone toca. Ela vê que é Ernesto e não atende. Vitor pergunta quem era e ela desconversa. Enquanto sobe para sala de reuniões ela liga para Ernesto.
_ Olá! Não podia atender. Estava finalizando uma reunião. E na verdade estou subindo para outra.
_ Clara, eu adorei a cesto que me enviou. E quero convidá-la para jantar, o que acha?
_ Ernesto, também adorei as flores. Pena que hoje marquei de jantar com umas amigas. Deixamos para outro dia.
_ Que tal passarmos o fim de semana no Litoral? Podemos sair amanhã cedo, se tiver teto vamos de helicóptero.
_ Te respondo mais tarde. Vou ver minha agenda e te ligo.
_ Vou ficar aguardando ansiosamente.
_ Beijos
_ Beijos
Clara comanda a reunião com a maestria de sempre. Recebe elogios por seu relatório. Apresenta o projeto de Vitor como uma boa alternativa e consegue aprovação de todos. Ela finaliza o dia despachando com sua assessora que passa sua agenda da semana seguinte. A reunião com Ernesto está agenda para terça-feira e com Saulo na quarta-feira, quinta ela deve viajar para encontrar investidores. A assessora pergunta se deve reservar o mesmo hotel e se o Senhor Vitor iria junto. Ela responde que deve reservar o hotel, e quanto a ida do Vitor, quem deveria avaliar era ela, se achasse necessário a presença dele na reunião.
_ Mariah, você que me comunica das viagens e com quem devo ir. Alguma mudança?
_ Não. Me desculpe!
_ Está acontecendo alguma coisa? Se estiver, me fale de uma vez.
_ Clara, sabe que sou discreta, e aprendi com você a ser assim. Estão rolando alguns comentários sobre vocês nos corredores.
_ Não é novidade.  Mariah, nada mudou. Se for necessária a presença do Vitor você comunica a ele e faz as reservas, caso contrário faça apenas a minha. Saliento que nada mudou e que não podemos deixar que boatos influenciem no andamento dos projetos, está claro?
_ Sim. Vou estar atenta.
Clara fica pensativa. Termina seu trabalho e vai embora. No caminho, Vitor liga perguntando onde ela está e por que não avisou que estava indo embora.
_ Vitor preciso ficar sozinha. Quero sair para jantar com minhas amigas e devo viajar no fim de semana.
_ Viajar? Como assim? Onde você está?
_ Estou indo para casa. Não quero que você apareça. Respeita esse tempo, por favor.
_ Você está me assustando. Vou passar para conversarmos.
_ Não. Falamos outra hora.
Clara desliga e liga para Ernesto.
_ Ernesto, tenho que ser franca, ainda não terminei aquela estória, se formos viajar ficarei em uma suíte sozinha, está bem?
_ Clara eu respeito você e já te falei que vou aguardar. Podemos viajar juntos,  aproveitamos o fim de semana como bons amigos que somos.
_ Convite aceito, amanhã viajamos para o Litoral.
_ Passo na sua casa as 9:00h.
_ Estarei te aguardando.
Clara segue para casa. Como sempre, ela chega e vai cuidar de suas plantas, ela precisa desse contato com a natureza para repor suas energias. Enquanto, toma sua xícara de café e vai para o banho. Coloca um vestido e vai olhar seus e-mails, suas correspondências e manda mensagens para amigos na rede social. Liga para o Zé Henrique e avisa que vai viajar no fim de semana, e que fica para semana seguinte o jantar. Ela come uma fruta, enquanto olha seu guarda roupas, pensando na viagem para o litoral e no jantar com as amigas. A noite está fria, ela pensa num vestido, depois olha uma linda calça que a deixa muito sensual, até que ouve  o telefone tocando.
_ Vitor pedi para não me ligar.
_ Estou na sua porta, abre.
_ Vai para sua casa, estou me arrumando para sair.
_ Abre.
Clara desliga e abre a porta.
_ O que você quer?
_ Entender o que aconteceu hoje. Me deixou na empresa esperando você. Tínhamos combinado de tomar um café...
_ Já que você insiste, lá vai. Hoje tive a confirmação de que os boatos na empresa ultrapassaram os corredores. E não vou ficar numa situação vulnerável, vamos ter que adequar as coisas. É isso.
_ Clara vamos viajar, na volta resolvo minha vida.
_ Não. Você tem que saber o que quer para sua vida, independente da viagem ou de mim, tem que decidir por você.
_ O que espera que eu faça.
_ Não espero nada. Não quero nada. Melhor, quero que vá embora porque vou sair.
_ Devíamos ficar aqui e conversarmos.
_ É mesmo? Não, vou sair. Tchau. Quando sair bate a porta.
Ela entra no seu quarto e deita na cama pensativa. Respira fundo e se pergunta o que está fazendo. Abre a porta do quarto e vê Vitor parado.
_ O que você está fazendo aqui?
_ Esperando você.
_ Vou me vestir para sair.
_ Tudo bem. Já liguei em casa e disse que vou viajar o fim de semana todo. Vamos ficar em casa, juntos, só nós dois sem abrir a porta para ninguém. O que acha?
_ Que você deveria ficar na sua casa.
Vitor pega Clara em seus braços e a beija. Eles se deitam e ele com lágrimas nos olhos diz:
_ Não vou te fazer sofrer, já prometi. Vou em casa pegar umas coisas e volto.
_ Vitor eu vou sair.
_ Tudo bem. Me avisa quando estiver voltando. Melhor fico com a chave da porta dos fundos. Assim chego e te espero, vou escolher um vinho para tomarmos juntos.
_ Não sei, deixa me aprontar.
Clara veste a calça que a deixa sensual,   quando sai do quarto provoca uma reação imediata em Vitor.
_ O que é isso? Essa calça para sair com as amigas. Você está muito sensual, sabe que não gosto quando se veste assim. Só pode quando está comigo.
_ Você é muito engraçado, pena que meu humor hoje não me permite rir da cena.
_ Estou indo.
_ Clara, muda essa roupa, vai ser melhor pra você.
_ Tchau!
Clara sai e tenta se desligar dessa situação. Chega no restaurante com Fedra, Rúbia já estava lá, como sempre, tinha encontrado um amigo e estava no maior papo.
_ A Rúbia é ótima, ela sempre encontra alguém divertido.
_ Ela é sempre alto astral...
Elas se juntam a Rúbia. Clara recebe uma mensagem no celular. As duas viram para ela e dizem que o combinado é que os celulares ficariam desligados. Ela ri e diz que vai desligar. Quando vê que é mensagem do Ernesto, dá uma olhadinha.
_ Que sorte a minha. Escolhi o restaurante certo. Você está magnífica.
Quando ela olha para o restaurante a procura dele. O garçom traz uma garrafa do vinho e diz que foi de Ernesto, apontando para ele. Que levanta a taça brindando com Clara. Ela sorri e responde a mensagem.
_ Que bom que temos sorte! Adorei te ver aqui. Vou desligar o celular porque foi o combinado com as meninas. Beijos.
Ela desliga o celular  e as amigas comentam.
_ Clara que homem lindo.
_ Ele é lindo mesmo. Eles vivem esse clima de sedução tem anos, Rúbia.
_ Como assim? Fedra me conta tudo. Ela não fala nada.
_ Meninas, nada de clima de sedução. Vamos falar de outras cosias, não quero falar desse assunto. Estou cheia de problemas com a minha criatura....
_ Não gosto dele, vivo falando que não é confiável. Fedra, não conheço, não sei quem é e não gosto.
_ Eu conheço de vista e,  também, não gosto.
_ Parece que ele é unanimidade entre vocês...
Todas riem. E mudam de assunto. A conversa é animada, Clara e Fedra são amigas de longa data. Rúbia é uma amiga recente, divertida e animada. A noite segue empolgante. Rúbia pergunta o que farão no fim de semana. Clara diz que não sabe, talvez viaje. Neste momento, sente um toque suave em seus ombros, olha  para cima e vê Ernesto. 
_ Ernesto. Deixa te apresentar. Essa é Rúbia, uma amiga super animada. E a Fedra você já conhece.
_ Não sou uma amiga super animada, pelo jeito...
_ Você é encantadora Fedra.
_ Amiga, você pode não ser  super animada, mas é ótima sempre. Mesmo com seu humor ácido.
Todos riem e Clara convida Ernesto para juntar-se a elas. Ele aceita.
_ Tomamos um licor?
_ Meu Deus, licor, socorro! Diz Fedra
_ Não gosta? Perguntou Ernesto.
_ Gosto muito. Minha última experiência foi traumática.
_ Ernesto você escolhe.
_ Claro minha querida. Já está com as malas prontas.
_ Não. Ernesto, talvez, seja melhor...
_ Jantar com as amigas?
Clara olha assustada. É Vitor.
_ Boa noite! Que coincidência Vitor.
_ Não é?
Ele cumprimenta a todos, com cara de poucos amigos.
_ Já terminaram?
_ O Ernesto acabou de pedir um licor para nós. A noite estava tão agradável.
_ Não entendi, Fedra. Algum problema?
_ Espero que não.
_ Vitor junte a nós. Sente-se. Diz Ernesto, educadamente.
_ Obrigada! Se a minha chefe não me convidou melhor ir embora.
_ Melhor mesmo. Resmungou Fedra.
_ Sente-se, será um prazer...
Vitor se senta ao lado de Rúbia, que desconfia do clima criado por ele. Ernesto fala que a previsão do tempo para o litoral é animadora. Clara fica tensa, com receio que ele mencione a viagem que pretendem fazer no dia seguinte. Vitor pergunta para Ernesto se ele gosta de esportes aquáticos.
_ Adoro. Tenho um pequeno barco. Gosto muito de navegar.
_ A Clara não suporta.
_ É mesmo, querida?
_ Não tenho hábito.
_ Podemos mudar isso... Diz Ernesto.
_ Podemos mesmo. Fala Vitor.
Eles degustam o licor escolhido por Ernesto. Vitor faz uma observação sobre a escolha. Ernesto rebate com muita classe. Clara repreende Vitor com o olhar. O clima fica tenso. Ela decide ir embora, está muito incomodada com a postura de Vitor.
_ A noite está muito agradável, mas estou cansada e vou embora.
_ Eu te acompanho. Diz Vitor.
_ Agradeço, estou de carro e vou deixar a Fedra.
_ Clarinha, fica mais um pouco. Está tão agradável. Amanhã não precisamos acordar cedo.
_ Está bem, Ernesto.
Todos comemoram, menos Vitor. Ele manda mensagens para Clara, quando ela percebe comenta que a ideia de deixar os telefones desligados é muito boa. E que deviam fazer sempre isso.
Clara vai ao toalete. Ernesto espera por ela na porta.
_ Ernesto? Que susto.
_ Clara, entendi o que está acontecendo. Ele não consegue disfarçar o desconforto. Fique tranquila, não vou comentar da nossa viagem.
_ Ernesto, quero falar sobre a viagem. Melhor deixarmos para depois. Tenho que resolver essa situação definitivamente. Você me perdoa?
_ Clarinha, estou te esperando. Tenho certeza que vai decidir por me dar uma chance. Melhor dizendo, por dar uma chance para nós dois. Porque ele não é uma opção.
_ Você tem toda razão. Admiro você.
Eles voltam para mesa. Vitor demonstra toda sua fúria, bate “displicentemente” no seu cálice e derruba sobre Ernesto.
_ Vitor, como pode?
_ Desculpa, doutor Ernesto.
_ Não tem problema.
Rúbia ajuda Ernesto a limpar seu terno. Clara olha par a Vitor enfurecida. Ernesto é um investidor importantíssimo para empresa deles, é inadmissível a atitude de Vitor.  Ele percebe o erro que cometeu, se desculpa e diz que irá embora. Ninguém se move. Vitor olha para Clara que é indiferente. Ele sai.
_ Ernesto não sei o que dizer.
_ Fique tranquila, está tudo bem.
Eles retomam a conversa e se divertem por mais algumas horas. Ernesto é divertido, e Clara não conhecia esse lado ainda mais encantador dele. Na hora da despedida ele diz que aguardará o contato dela.
_ Vou te ligar. Desculpa pela viagem.
_ Minha querida, estarei aqui, só não demora.
Eles se despedem e Clara vai deixar Fedra.
_ Você é louca amiga. Como pode ficar com um individuo desses, tendo esse deus grego aos seus pés. Acorda, ele é solteiro, lindo, divertido, gentil e tudo mais. O que uma mulher pode querer mais?
_ Não sei. Estou tentando resolver isso.
_ Você vai viajar com ele amanhã, não é?
_ Não. Já desmarquei.
_ Vou te internar. É caso para internação num hospício.
_ Concordo com você. Vou aproveitar o fim de semana para resolver isso.

Clara vai para casa e Vitor está aguardando por ela, sentando no sofá. Ela olha para ele  e pensa: Viajo ou fico aqui?