quinta-feira, 24 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte XIX – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? A semana começa sob tensão


Clara termina sua reunião com Márcio e vai almoçar com Fedra, sem falar com Vitor. Ela está decidida a dar um tempo nessa estória. Quando ele percebe a ausência dela, fica enfurecido. Discute com Mariah, dizendo que ela está “dificultando” o trabalho dele, que precisava despachar com Clara antes da reunião da tarde.
_ Você terá problemas, porque precisava passar informações para sua chefe antes da reunião, vamos ver o que ela vai pensar quando souber que você não me avisou e que vai cometer um erro grave por sua incompetência...
_ Se você precisa falar tanto assim com ela, ligo e passo para você, pode ser?
_ Não. Quero falar pessoalmente, onde ela foi?
_ Não sei, saiu para almoçar.
_ E não disse onde e com quem?
_ Não. Senhor Vitor, a Dona Clara não me diz sobre sua hora de almoço, salvo quando é compromisso profissional, que não me parece ser o caso.
_ O que está insinuando? Ela foi almoçar com quem?
_ Sugiro que ligue para ela e pergunte.
_ Vou ligar mesmo, e se prepara, porque vou fazer uma observação sobre sua petulância.
_ OK
Vitor sai apressado, e extremamente irritado. Mariah liga para Clara e conta o que aconteceu.
_ Fique tranquila.
Clara encontra com Fedra no condomínio. Elas pedem um almoço leve, estão de regime.  Fedra está empolgada com Mesquita, eles passaram a noite juntos na casa de campo de Ernesto, e na volta da viagem já marcaram um novo encontro.
_ Hoje ele me mandou flores. Um lindo buque de rosas. Tem algo mais romântico?
_ Que lindo! Me parece que ele fez escola com o Ernesto. Recebi flores no fim de semana, ele é encantador. Você vai me contar tudo ou vai fazer charminho?
_ Vou contar quase tudo.
_ Como assim?
_ Você quer saber o que, criatura?
_ Tudo, tudo, tudo mesmo...
Elas riem muito. A comida é entregue e enquanto elas preparam a mesa, toca o telefone de Clara.
_ Aposto que é a abominável criatura.
_ O próprio. Não vou atender. Já marquei uma reunião a tarde com ele.
_ Marcou uma reunião a tarde? Você está colocando ele no devido lugar?
_ Estou tentando.
_ Como tentando? Você nem me contou o que houve no fim de semana e tenho certeza que foi mais uma das típicas canalhices dele. Como você consegue continuar com uma pessoa que faz tudo isso?
_ Foi o que me perguntei durante o fim de semana. O Ernesto é um cavalheiro, me trata com todo carinho... Devo estar maluca mesmo. Fico com aquele canalha, que mente o tempo inteiro, que joga sujo.
_ Pois é. Além do que seria perfeito se estivesse com o Ernesto, poderíamos viajar os quatro juntos.
_ Você já está fazendo planos futuros com o Mesquita?
_ Estamos nos conhecendo, mas hoje jantaremos juntos.
_ Que bom! Fico feliz, por vocês dois. O Ernesto me disse que ele é um grande amigo, além de ser sócio na empresa dele. Agora, ele falou para você ter muita paciência com a “ex-mulher problema”.
_ Ele me contou. Falou que ela gosta de dar um show, fazer ceninhas, vou ter que me controlar.
_ Amiga, se vocês querem se conhecer melhor e se teve toda  essa afinidade, vocês são livres, maduros, aproveitem.
_ Poderia dizer o mesmo para você, amiga. O Ernesto é tudo de bom e você com aquele ser insuportável.
_ Adoro essa salada, leve com brotos de feijão, flores comestíveis, tudo de bom.
_ Como eu sofro, tenho que comer broto de feijão...
Elas riem muito. Fedra conta todos os detalhes que Clara quer saber, elas se divertem. No final do almoço é a vez dela contar sobre as canalhices de Vitor.
_ Mentira que ele fez isso?
_ Fez. Depois de fazer toda uma cena para passarmos o fim de semana juntos, simplesmente, saiu quando eu estava na rua e não deixou nenhum recado. Isso porque ficou em casa para preparar o almoço para nós dois, tem ideia de como me senti? Liguei e ele não me atendeu, depois disse que tinha que resolver um problema em São Paulo.  Sábado  quando cheguei a noite, nem um sinal dele, nada de mensagem, nada. Depois ele mandou mensagem de madrugada, avisando que domingo ficaria sem sinal de internet e de telefone. E assim foi.
_ E hoje?
_ Mandou mensagem no meio da manhã, dizendo que estava com saudades, é muito dissimulado. Eu ignorei, falei da reunião e pronto. Depois ele tentou participar de uma reunião com o Márcio e como não era necessário, vetei. Ficou furioso. Sinceramente, quanto mais ele tem esse tipo de atitude, mais tenho certeza que devo virar a página.
_ Até que enfim. Quero ver até quando... Depois ele chega com todo a fala mansa, fazendo-se de vítima e você cai novamente na lábia dele.
_ De qualquer forma, vai acabar. Vamos comer um doce, para deixar a tarde mais alegre. O que vão fazer hoje?
_ Vamos sair para jantar. Combina com o Ernesto e saímos juntos...
_ Ele me convidou mesmo... Não sei.
_ Vamos?
_ Não sei. Tenho que conversar com a criatura, como diz você.
_ Pelo amor de Deus, vai trocar um jantar com Ernesto por aquele ser insignificante? Vou te internar...
_ Calma, tudo tem seu tempo.
_ Sei, sei.
As duas terminam a torta de morango, que Fedra levou para sobremesa, arrumam tudo, Clara se emboneca toda para a tarde,  coloca um modelo lindo, pensando que se desse tempo, tomaria um café com Ernesto.
_ Nossa! Você quer provocar mesmo.
_ Talvez tome um café com Ernesto...
_ Hum! Até me animou essa possibilidade, vou torcer para que passe do café...
_ Você é terrível, dona Fedra.
Elas saem. Clara segue para empresa, no caminho liga para Mariah e pede que todos a aguardem na sala de reuniões. Ela vai direto para reunião, Mariah a acompanha. Durante o trajeto vai passando as informações, inclusive sobre a fala de Vitor. Eu sei do que ele está falando, ao contrário do que pensa, identifiquei o problema,  que não por acaso é um erro do setor de projetos, o qual ele chefia.
_ Boa  tarde a todos! Vamos iniciar nossa reunião.
_ Quero fazer uma observação quanto ao primeiro projeto que iremos discutir, como a Senhora não pode me atender hoje, terei que alertá-la.
_ Vitor, sei  do que está falando. Fico feliz que você tenha identificado o problema porque é do seu departamento. Sinal que estamos todos em sinergia.
_ Então, está ótimo. O projeto foi entregue antes que eu fizesse minha avaliação final.
_ Eu tinha que avaliar o  projeto logo pela manhã. Uma pena que você não estava na empresa para fazer sua avaliação final. Espero que não aconteça novamente.
_ Não acontecerá.
_ Ótimo, podemos iniciar?
A discussão sobre o projeto apresentado por Vitor é fervorosa. Clara não defende, como antes, as posições dele.  Deixa que ele argumente sozinho e percebe que não está preparado para fazer a defesa do projeto. Quando Vitor já está perdendo o controle da situação.  Clara faz uma fala e resolve a questão. Olha para ele e diz?
_ Parabéns, Vitor! Projeto aprovado por unanimidade.
_ Obrigado!
Ele se sente humilhado por Clara. Todos olham para ele e fazem pequenos comentários. Ele percebe que fracassou,  que não estava preparado para defesa de seu projeto e que se colocou numa situação delicada.  Clara mantém a objetividade durante a reunião. Márcio faz algumas observações bastante oportunas, ela o elogia. Vitor se sente desprezado, tem que se conter para não virar a mesa.
_ Vitor gostaria de ouvir sua opinião sobre esse considerando do Márcio.
_ Não tenho conhecimento suficiente desse projeto para comentar.
_ É isso, que a fala do Vitor sirva de exemplo para todos, quando não temos conhecimento suficiente sobre o projeto do outro, devemos ter humildade para assumir o fato.
Eles finalizam a reunião. Vitor interpreta a fala de Clara como uma humilhação.
_ Você está ferrada comigo.
_ Como é?
_ Agora vamos ter nossa reunião, não é isso?
_ Vamos sim.
Ele entra na sala, e completamente alterado começa a proferir suas acusações. Clara pede que ele se acalme, lembra que estão na empresa e que ele precisa manter a compostura.
_ Você me humilha na frente de todos e quer o que?
_ Não te humilhei, te dei a oportunidade de defender  seu projeto e ficou claro que estava despreparado. Apenas resolvi pra você. 
_ Claro, devo te agradecer?
_ Vitor comporte-se como um bom profissional e tudo caminhará bem.
_ Você quer falar comigo sobre o que?
_ Quero falar sobre várias coisas, saber do seu fim de semana.
_ Estamos na empresa, aqui vamos falar sobre trabalho.
_ Que horas será a reunião de amanhã com Doutor Ernesto?
_ Não vi isso ainda, como disse no sábado, irei sozinha nessa reunião.
_ Não vai mesmo.
_ Vitor a chefe sou eu. Irei sozinha e está decidido.
_ Quanto a reunião com o Saulo na quarta-feira, veja com a Mariah o horário porque você me acompanhará. Por favor, prepare-se para essa reunião.
_ O que mais a senhora deseja?
_ Nada! Apenas que você mantenha a sua postura  profissional.
_ Sim senhora. E quanto ao restante, quando poderemos conversar?
_ Podemos conversar hoje a noite, no Valentim.
_ Vamos conversar na sua casa.
_ Não. Quero quer nossa conversa seja em lugar público.
_ Está com medo?
_ Deveria?
_ Não. Sabe que adoro você. É que me provoca, consegue fazer o monstro que mora dentro de mim, tomar a frente de tudo.
_ Se você tem um monstro dentro de você, é preocupante.
_ Saímos daqui direto para o Valentim?
_ Não. Vou passar na minha casa, tomar um banho e nos encontramos no restaurante.
_ Me deixa ir com você, assim vamos conversando. Não posso chegar tarde em casa hoje.
_ Então, conversamos outro dia, não tenho pressa.
_ Não. Só não dá pra ficar fora mais um dia.
_ Você já preparou sua desculpa para a tal viagem? Espero que seja muito convincente. Preciso trabalhar, nos encontramos as 20:30 no Valentim.
_ Ok. Me dá um beijinho?
_ Não. Já te falei que aqui somos profissionais, que parte você não entendeu?
_ Está certo. Até mais tarde.
Clara termina de despachar com Mariah. Prepara sua apresentação para Ernesto, e deixa tudo pronto para reunião com Saulo.
_ A reunião com Ernesto é pela manhã, as 9:30h.
_ Que ótimo! Tenho mais algum compromisso amanhã cedo?
_ Não. Tem quatro reuniões a tarde, a primeira começa as 14:30h. Te mandei por e-mail a pauta de todas.
_ É mesmo, vi hoje pela manhã, me desculpa.
_ Clara você quer marcar alguma reunião na parte da manhã.
_ Não. Só vou chegar depois do almoço.
_ Então, aproveite bem sua manhã.
_ Qualquer coisa me liga. Vou direto para reunião com Ernesto e chego após o almoço. Não de maiores informações para ninguém.
_ Fica tranquila. Até amanhã. Bom descanso.
_ Até amanhã. Para você também. Na próxima semana começo minha campanha pela festa de aniversário....
_ Você está muito animada...
Clara pega suas coisas e sai. Passa na padaria, compra pães e frios para o lanche e vai para casa. Toma seu café, olha correspondência, cuida de suas plantas, vai para o banho. Ao sair do banho, ainda enrolada na toalha,  lembra que tinha combinado de ligar para o Ernesto, e nem tinha conseguido tempo para um café com ele.
_ Ernesto., tudo bem?
_ Que surpresa mais agradável. Tudo bem e você?
_ Tudo. Me desculpa, o dia foi agitadíssimo, só foi possível ligar agora.
_ Nossa reunião é pela manhã, pensei em almoçarmos depois, o que acha?
_ Perfeito. Pensei o mesmo.
_ Estamos em sintonia fina. Me deixa feliz!
_ Você tem sido uma excelente companhia.
_ Quero ser muito mais do que isso.
_ Ernesto...
_ Eu sei, já disse que vou respeitar, só não posso deixar de externar o que sinto.
_ Está certo. Amanhã as 9:30h estarei no seu escritório.
_ Aguardarei ansiosamente, por sua presença encantadora.
_ Até amanhã.
_ Beijos
Clara se veste e vai para o Valentim, como sempre Vitor está atrasado. Ele manda uma mensagem para ele sem  resposta. Começa a ficar irritada. Pede uma entrada e um vinho. E decide ficar consigo, refletindo um pouco mais sobre o que está acontecendo. Quando olha para frente  vê Fedra e Mesquita entrando.
_ Esqueci que viriam aqui. Pensa ela se repreendendo.
Se cumprimentam e eles seguem para mesa reservada por Mesquita. Clara permanece com seu vinho e seus pensamentos. Quase uma hora se passa, ela decide jantar. Quando está terminando o jantar chega Vitor.
_ Você está jantando, não me esperou?
_ Você está atrasado mais de uma hora, pra ser mais precisa uma hora e meia, queria que ficasse aqui esperando?
_ Tive uns problemas.
_ Você sempre tem problemas. Nunca explica o que aconteceu exatamente. Sempre falas vazias.
_ Vai começar?
_ Viemos aqui para isso, esqueceu?
_ Não para discutirmos, viemos para conversar.
_ Está bem, então fala o que aconteceu para sua saída repentina para São Paulo?
_ Uns problemas pessoais.
_ Isso você me falou no sábado. E disse que me explicaria pessoalmente. A hora é agora.
_ Não quero falar sobre isso. Você deveria estar preocupada comigo, e não com que aconteceu na viagem.
_ Eu deveria estar preocupada com você? Faz tudo o que faz, e tem a coragem de me dizer isso.
_ Faz o que? Não sabe de nada.
_ Estou querendo saber e, principalmente, entender.
_ Não vou explicar nada. Já falei que não é assim que tira as coisas de mim, não aprende.
_ Vitor vamos para minha casa?
_ Falei que não posso chegar tarde em casa hoje, está maior stress. Você não sabe o clima que está lá.
_ Por que? Aconteceu alguma coisa?
_ Fiquei fora o fim de semana.
_ Por sinal, me parece que você mentiu para as duas. Para Francesca mentiu duas vezes...
_ Já falei que não minto nunca.
_ Claro, esconde as coisas, não dá explicações sobre suas estórias... Enfim...
_ Não tenho que dar satisfações da minha vida para ninguém, entendeu?
_ Entendi isso e muito mais. E a Fúlvia está bem?
_ Está sim. Sei lá se está ou não, você me confunde com tantas perguntas.
_  Sem comentários. Você precisa ser muito melhor para enganar tantas pessoas ao mesmo tempo.
_ Vamos embora, porque ficar aqui com essa conversinha improdutiva, já me cansou. Vamos pra sua casa, gatona. Vou te provar como estou com saudades.
_ Vamos.
Clara passa na mesa de Fedra para se despedir. Vitor nem se aproxima.
_ Você ficou todo aquele tempo esperando esse infeliz? Não me conformo com isso.
_ Amanhã teremos novidades. Me aguarde. Aproveitem bem a noite...
Clara segue no seu carro e Vitor vai atrás. Eles entram, ele tenta abraçar Clara.
_ Vitor quero que pegue suas coisas e vá embora. Não podemos mais continuar com essa estória. Acredite, será melhor para nós dois.
_ Você enlouqueceu. Não vou pegar nada. Vem aqui.
_ Não. Quero que vá embora, não tem a menor possibilidade de voltarmos.  Preciso de um tempo, não consigo conviver com alguém que mente como respira. Que qualquer quebra de carro me faz pensar que é uma mentira. Você mente o tempo todo. Cansei, não quero mais.
_ Vou embora, amanhã venho tomar café com você.
_ Não perca seu tempo, tenho outros planos para o café da manhã.
_ Já sei, vai tomar café com aquele velho... Boa sorte, você vai precisar. Fica atenta comigo.
_ Estou atenta, mais que possa imaginar.
Vitor sai e Clara se sente aliviada. Fica feliz consigo por ter mantindo a decisão, apesar dele não ter insistido tanto quanto ela imaginava. Ela tem a necessidade de um banho relaxante e uma xícara de chá de camomila, depois uma música e uma boa noite de sono. Vitor manda mensagens, ela opta por não ver, desliga o telefone e dorme um sono tranquilo, como precisava.
Na manhã seguinte, acorda cedo, como de hábito, sai para caminhar. Toma seu banho e fica meia hora em seu closet provando vários modelos. Está querendo seduzir Ernesto, ou melhor, está querendo seduzir ela mesma. Precisa se sentir bem, valorizada e linda. E se for possível arrancar suspiros  dos Ernesto, melhor ainda.
Ela pega seus telefones, porque estão silenciosos demais. Daí lembra que desligou, vai correndo ligar e ver as mensagens, pensando em Ernesto. Quando vê que sua caixa está lotada. São mensagens de Vitor. Ele começou com tentativas de reaproximação, declarações apaixonadas e terminou com ameaças. Clara decide não se abater e segue para sua reunião com Ernesto. Quando chega no escritório dele,  percebe pelos olhares  que todos os passantes direcionam, que atingiu seu objetivo, está deslumbrante.
Entra na sala de Ernesto segura de si. Ele está lindo, num terno grafite, com uma gravata maravilhosa, sapatos italianos, tudo perfeito. Um homem para chamar de seu, com toda certeza, pensa Clara. Eles se cumprimentam e iniciam a reunião. Ela sempre objetiva, defende seus projetos com toda convicção. Ele encantado, compra as idéias de Clara e a surpreende com um  convite para ser sócia dele numa empresa que está montando. Clara fica atônita com a proposta, mas pede um tempo para pensar, afinal está muito bem na empresa em que atua. Tem total liberdade é a pessoa de confiança do presidente, seria começar novamente. Ela fica com receio, tem medo de que o interesse de Ernesto por ela esteja por trás daquele convite.  No final da manhã depois de falarem sobre os projetos, a proposta de Ernesto, e de muitos outros assuntos, ele a convida para almoçar.
_ Almoçamos?
_ Sim, aonde iremos?
_ Na  minha casa. Mandei preparar algo da culinária vegana para nós.
_ Que delícia. Vai me contar?
_ Não, surpresa.
_ Vou adorar, tenho certeza.
_ Espero que sim. Tenho lido sobre culinária, comida saudável, qualquer hora vou cozinhar para você.
_ Combinado. Vou viajar na quinta-feira para São Paulo e devo retornar na sexta ou sábado, se não tiver nada programado podemos marcar no fim de semana, o que acha?
_ Perfeito. Você vai viajar sozinha?
_ Vou.
_ Podemos sair para jantar na quinta?
_ Estará em São Paulo?
_ Pensei em ir para jantar com você.
_ Só para jantar comigo?
_ Não. Especialmente para jantar com você, posso?
_ Vou adorar.
_ Então, jantamos em São Paulo na quinta-feira. E dependendo de como estiver minha agenda fico na sexta e vamos ao teatro, o que me diz?
_ Que estou animada com São Paulo em tão boa companhia.
_ Que boa notícia.
Clara e Vitor seguem no carro dele. No caminho a conversa é animada, eles olham as peças que podem assistir em São Paulo, já escolhem e efetuam a compra pela internet.
_ Você disse que iria ver sua agenda para sexta. Acredito que nos precipitamos comprando nossas entradas.
_ Não. Nada será mais importante na minha agenda do que você.
Os dois almoçam juntos e voltam para empresa de Ernesto. Clara se despede dele com um beijo próximo dos lábios. Ele a olha e diz que foi uma manhã especial, que irá guardar esse dia para sempre. E que espera muitos outros dias especiais ao lado dela.
_ Preciso ir.
_ Uma ótima tarde para nós dois. Se quiser jantar, me liga.
_ Tenho que dormir cedo, meu dia amanhã está complicado e viajo quinta e sexta, esqueceu?

Clara segue para empresa, feliz. Quando chega na sala de reuniões, todos comentam que ela está radiante. Vitor a encara com um olhar assustador...