sexta-feira, 18 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte XIV – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? – Uma briga definitiva?


Clara saiu com Ernesto para jantar. Ernesto é um homem lindíssimo, atraente, sensual, com mais de 50 anos e um corpo de 40. Sabe seduzir e está sempre impecável em ternos de grife, sempre com um perfume inebriante que provoca o interesse de Clara. Os dois já tiveram um interesse mútuo, mas o trabalho os separou, agora estavam trabalhando próximos novamente e os olhares se reencontraram. Ernesto foi encantador, e explicitou seu desejo de reaproximar-se de Clara. Ele estava separado e disposto a encontrar alguém.
Clara jamais trairia Vitor, apesar do envolvimento deles não ter futuro, mas ela balançou com a declaração de Ernesto. Os dois jantaram num dos restaurantes prediletos de Clara, e tomaram um belo vinho italiano que ela adorava. Tudo estava perfeito, a música, a comida, a conversa, o Ernesto. Até que o telefone dela tocou, era Vitor. Ela não atendeu
Vitor começou a ligar insistentemente. Ernesto quis saber quem era, Clara disse que era uma amiga e desligou o telefone. Eles terminaram o jantar e foram dar uma volta. Ernesto se aproximou de Clara e tocou sua mão, os dois se olharam fixamente.
_ Vou embora, amanhã acordo cedo.
_ Clara, deixa seu carro eu te levo.
_ Não. Preciso do carro amanhã cedo.
_ Mando meu motorista levar e vou dirigindo o meu. Por favor, deixar eu te levar?
_ Da próxima vez...
_ Haverá uma próxima vez?
_ Sim. Adorei a noite. Você é encantador. Boa noite!
_ Aguardarei ansioso pela próxima noite.
Eles se despedem. Clara vai pra casa. Ao chegar, vê o carro de Vitor. Ela deixa o carro na garagem e quando vai abrir a porta, Vitor aparece dando um susto em Clara.
_ Vitor, que susto.
_ Susto, é? Por quê? Culpa? Onde você foi com aquele velho? Chegando a essa hora toda feliz. Eu percebi que você estava com nosso DVD da Diana Krall, o que está acontecendo aqui?
_ Não está acontecendo nada. Fui jantar com um amigo e nada mais.
_ Não gostei nada disso, você está entendendo? Será a última vez, não vai ter outro jantar de namoradinhos com esse velho.
_ Para de se referir a ele desta forma. Vai pra sua casa, sua esposa deve estar te esperando. Até porque nas últimas semanas você mudou de casa...
_ Eu moro mais com você do que lá, só agora percebeu?
_ Melhor você corrigir isso, começando por hoje. Estou cansada e quero tomar um longo banho e dormir. Irei cedo para o escritório porque tem uma reunião pré-agendada com Augusto.
_ Que reunião? Para tratar do que?
_ Para tratar daquele projeto que tanto te interessa.
_ Ah! E só agora você  me comunica, chefe?
_ Ele ligou agora à noite. Até amanhã, Vitor.
_ As minhas ligações você não atendeu... Estou entendendo tudo.
_ Você sempre entende tudo. Beijos
Clara entra e vai para o banho, pensando em Ernesto e no que a prende a Vitor.
Na manhã seguinte, ela acorda com as famosas mensagens de Vitor.
_ Bom dia, flor do dia! Minha gatona. Minha e só minha, viu? Quero você ao meu lado. Adoro você. Não dormi está noite, culpa de quem? Sua, que me deixa louco de ciúmes.
_ Bom dia! Eu dormi muito bem, obrigada! Estou tomando café e vou para o escritório.
_ Estou chegando para tomar café com você.
_ Chegando aqui em casa?
_ Algum problema?
_ Não. Só acho que você devia dar atenção na sua casa.
_ Não começa. Abre a porta
Clara respira  e vai abrir a porta para Vitor. Ele chega com flores e uma caixa de bombons que ela adora.
_ Para a mais bela flor do meu jardim. Com amor...
_ São lindas! Adoro as gérberas, você acertou.
_ Eu sei, você me disse. Não conhecia as gérberas. Agora são as minhas prediletas também.
_ Tem café? Eu trouxe o leite, porque você não toma.
_ Sim. Tem pães. Agora leite é seu departamento.
_ Estou terminando e vou me vestir.
_ Eu vou tomar café porque já estou vestido... Brinca Vitor, tentando amenizar o clima...
_ Já volto.
O telefone de Clara toca, é Ernesto. Ela atende e vai para o quarto.
_ Bom dia! Sim e você?
Quando ela vai fechar a porta do quarto, Vitor está parado olhando para ela.
_ Eu te ligo daqui a pouco, pode ser? Estou me aprontando para sair.
Ela se despede. Olha para Vitor e pede que ele deixe ela se vestir.
_ Quem era?
_ Estou na minha casa e não tenho que te falar quem está me ligando. Vai tomar seu café, não vou me atrasar por sua causa, ok?
Ela fecha a porta e vai se aprontar. Vitor toma o café, lava a louça, deixa a mesa arrumada. Coloca as flores no vaso. Clara sai do quarto e vê tudo pronto.
_ Obrigada, por deixar tudo organizado. As flores ficaram lindas no vaso de cristal, escolheu bem.
_ Faço tudo para te agradar e você só me trata com desprezo.
_ Vitor não vem com essa, não esqueci as mensagens, nem a Mércia – Fúlvia, nem o telefonema da secretária, entre outras coisa. Não pense que gérberas resolverão tudo. Não é tão simples.
_ E você tomar vinho com aquele velho, pode? Você sabe que não gosto dele, que tenho ciúmes até quando você fala o nome daquele Ernesto. E mesmo assim você sai com ele, daí tudo bem?
_ Você mereceu. Vou com meu carro.
_ Eu vim aqui pra irmos juntos, e vamos juntos.
_ Vou com o meu carro. Tenho outras coisas pra fazer.
_ Eu faço tudo com você.
_ Está bem, está bem.... Vamos embora.
Clara segue o trajeto até o escritório em silêncio. Vitor está ansioso com a reunião,, Augusto pode aprovar um projeto que o beneficiará diretamente. Clara faz algumas recomendações para Vitor, ela conhece Augusto e sabe como ele é no mundo dos negócios.
A reunião transcorre bem, apesar da indefinição. Vitor, como de praxe, se irrita por não ter uma posição definitiva. Clara ressalta que está muito perto do acerto final, que precisa ser paciente. O dia segue como de costume, agenda lotada. Quase sem tempo para um café.
Quando chegam em casa, Vitor avisa que irá viajar com Francesca no dia seguinte. Clara não se incomoda, ela precisa ficar sozinha, refletir sobre o que está fazendo de sua vida. Vitor se aproxima, ela diz que é melhor deixar tudo como está.
_ Vitor não sei se quero continuar esta estória, vou me machucar e não estou disposta.
_ Eu não vou deixar você se machucar, prometo!
_ Você não pode prometer nada, sabe disso.
_ Está bem, vamos ficar juntos essas horas que tenho. Ligo em casa e digo que temos uma reunião, ficamos juntos, jantamos, assistimos a um bom filme e depois nos amamos, o que acha? Perfeito, não é?
_ Seria se tudo estivesse bem. Quero ficar sozinha.
_ Não faz isso, não me deixar ir embora assim, brigado com você, por favor. Cuida de mim?
_ Vitor vai pra sua casa, por favor.
_ Você vai se arrepender de fazer isso comigo.
_ Eu vou me arrepender se continuarmos discutindo isso.
_ Está bem, vou embora. Me dá um beijinho?
_ Não. Você acha o que? Que vai aprontar e chegar com flores e tudo bem?
_ Vou embora, não quero brigar com você. Amanhã vou viajar cedo. Quando voltar te ligo. Não vai perguntar aonde vou?
_ Não. Tenha uma boa viagem.
_ Obrigada! Vou triste porque você está chateada comigo.
Clara abre a porta para Vitor sair. Ele tenta beijá-la e ela se esquiva.
No dia seguinte Clara vai trabalhar e almoça com Ernesto, que é galanteador novamente, deixando-a encantada.  A noite, Clara recebe uma ligação de Vitor.
_ Oi,  meu amorzinho. Tudo bem?
_ Tudo e você?
_  Melhor agora que estou ouvindo sua voz.
_ Essa fala é tão cafajeste.
_ Vou ficar por aqui, devo voltar amanhã ou domingo. Tem umas coisas para resolver, já estou aqui mesmo. E assim, fico livre para passarmos o dia dos namorados juntos.
_ Sem problemas. Vou aproveitar o fim de semana para arrumar algumas coisas aqui em casa e encontrar as amigas. O Zé Henrique me convidou para jantar, e como ele cozinha muito bem, vou aproveitar.
_ Eu viajo para resolver problemas, ficar livre para aproveitarmos a viagem da semana seguinte e você vai jantar com seu ex-namorado?
_ E hoje almocei com o Ernesto. O almoço foi perfeito e, estamos prestes a fechar o investimento que precisamos.
_ Investimento? Imagino o investimento que esse idiota está fazendo. Não devia ter ligado. Você está ocupada com seus admiradores.
_ Bom fim de semana, aproveite para resolver todos os seus problemas.
_ Pra você também. E juízo porque não quero me irritar. Não faz nada que me tire do sério.
_ Você é hilário. Até mais.
Clara passa o fim de semana com os amigos e tenta não pensar em Vitor e no que irá fazer na semana seguinte. Ela está muito balançada por Ernesto...