quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte XIII – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? – Uma noite, uma mentira, um vinho


Depois de mais uma noite de corpos entrelaçados e beijos ardentes, Vitor acorda sedutor e entre carinhos, beijos e abraços se declara para Clara.
_ Não posso mais viver sem você, meu anjo. Quando vejo seus olhos de esmeralda meu dia fica radiante. Quando não estou aqui, ao abrir os olhos  é a sua imagem que vejo, sinto falta do seu cheiro, dessa pele macia...
_ Sinto falta de você quando acordo, aqui  sozinha. Do seu cheiro, dos seus beijos, do seu corpo.
_ Queria ter você só pra mim o tempo todo. Dormir e acordar com você. E aproveitar para degustar todas as delicias que você prepara. Adoro tudo o que você faz. E poder receber essa massagem maravilhosa, seus carinhos. Você me faz relaxar, ver a vida de outro jeito. Nunca vivi essa calmaria. Estou aprendendo com você a respirar, a pensar antes de agir e a ver as necessidades do outro. Você está me ensinando a ser uma pessoa melhor. Eu adoro você.
_ Vitor queria muito acreditar em tudo isso. Só que você se enrola nas suas próprias estórias e não sinto segurança nenhuma. Gosto de você, de estar com você, mas me incomoda a sua falta de transparência.
_ Caramba, você vai estragar tudo? Estou aqui, me declarando pra você, sabe que não gosto de falar de mim, do que sinto, e você vem com 10 pedras nas mãos?
_ Está bem, o que você quer?
_ Quero você... Vem aqui, fica aninhada no meu peito, me deixa cuidar de você, hoje eu vou trazer o café na cama. Eu vou fazer o que você faz comigo... Vou mimar você, minha linda!
Vitor vai preparar o café para Clara, enquanto ela toma banho e veste uma linda camisola longa e transparente. Ele chega com  o café, quando vê Clara abrindo as cortinas da janela e o sol batendo em seu corpo, sentencia:
_ O café vai esfriar... Você está sensualmente linda, esqueci de todos os compromissos do dia...
Ele se aproxima. O sol deixa os olhos de Clara mais verdes, inebriando Vitor, que a toma em seus braços e os dois se amam banhados pelo sol daquela linda manhã de outono.
Depois de um banho juntos, tomam o café na cama e planejam a viagem da semana seguinte. Vitor lembra que estarão viajando sozinhos no dia dos namorados. Clara diz que é melhor não criarem nenhuma expectativa, porque depois ele se enrola...
_ Hoje você está ácida. Depois de passarmos uma noite juntos nos amando. De preparar esse maravilhoso café da manhã pra nós dois, trazer aqui na cama, de fazermos amor com toda delicadeza, carinho e entrega como jamais fiz antes, você vem com toda esta frieza?
_ Não quero me irritar, me decepcionar. Tenho motivos para isso, não é?
_ Está bem, não vou discutir com você. Vamos focar nas reuniões que temos nos compromissos que começam hoje a tarde.
_ Eu sei. Já deixei tudo pronto para reunião de hoje, fique tranqüilo.
_ Você é linda, independente, bem resolvida, deliciosa e ainda é competente, o que um homem pode querer mais?
_ Você é agradável quando quer, gentil quando quer alguma coisa, solícito quando está esperando algo em troca, amoroso quando seu desejo se transforma em necessidade premente e, em alguns momentos, você é o mentiroso mais incompetente que já conheci... Clara, sorri para Vitor.
_ Clara quando você quer ser desagradável é imbatível...
_ Eu sou muito boazinha. Agora, quando só má... Sou muito melhor... Já te avisei, você devia anotar isso.
_ É que você ainda não sabe do que sou capaz...
_ É uma ameaça?
_ Não. Deixa de ser boba, estou zoando com você, minha princesa...
O telefone de Vitor toca e ele não atende. Clara olha para ele.
_ Era da minha casa, se eu atender aqui dentro do quarto dá problema. Vou descer e ligar lá da rua, tudo bem pra você?
_ Claro, vai lá.
Do quarto de visitas que ficava na parte da frente da casa, Clara ouvia tudo o que se falava na rua. E ela não perdeu a oportunidade de saber se Vitor estava falando a verdade.
_ Eu falei que te ligaria. Você não tem nada que me ligar. Isso não é problema seu, faz o que mando, quem pensa sou eu, entendeu?
A pessoa do outro lado da linha fala alguma coisa. Vitor responde quase aos berros.
_ Você é louca, está me ameaçando?  Não me deixa nervoso porque isso não ver ser bom pra você, Eu não vou a lugar nenhum. Vou ficar onde estou e você vai fazer o que estou mandando.  Só vai me ligar quando estiver tudo resolvido. Tchau!
Na sequencia ele liga pra casa.
_ Bom dia! Tudo bem ai? Francesca, eu dormi cedo, só isso.
Francesca faz alguma cobrança.
_ Não agüento mais tanta cobrança, é cobrança de todos os lados.
Ela responde e ele:
_ De quem? Sua, no trabalho, onde mais seria? Quem mais iria me cobrar? Me esquece um pouco, cuida da casa que está uma bagunça que quando eu chegar quero descansar numa casa limpa. Faz alguma coisa.
Ele responde a Francesca:
_ Não sei da faxineira. Liga você pra ela e resolve. Eu pago, que pra isso eu sirvo, não é?
Clara fica indignada com o comportamento de Vitor. Ela volta para o quarto e começa a se vestir. Vitor chega calmamente, abraça Clara e diz que está feliz demais com ela.
_ Está tudo bem na sua casa? Você estava tão exaltado ao telefone que dava para ouvir daqui.
_ A Francesca que me enlouquece.
_ E o que mais?
_ Mais nada. Por quê?
_ Você só falou com a Francesca?
_ Só. Com quem mais eu estaria falando?
_ Não sei. Sua secretária, por exemplo.
_ Você ouviu minha conversa?
_ Não. Por quê? Você  estava falando com ela?
_ Falei antes de falar com a Francesca. Ela me ligou e já disse que não é pra ligar cedo.
_ Ah! Entendi. Bom,  vou sair pra resolver algumas coisas e tomar um chá com a Fedra. Nos encontramos antes da reunião?
_ Achei que fossemos ficar aqui até a hora da reunião...
_ Eu não posso, tenho que fazer algumas coisas, como ir ao salão, ao banco, mercado e tal.
_ Está bem, você está me expulsando da sua casa, outra vez?
_ Você quer ficar aqui? Pode ficar
_ Não.  Vou sair também. Vou passar lá no Renato, quero ver se resolvo as pendências com ele.
_ Ok. Só não se atrasa a reunião da tarde é muito importante. Quero chegar com antecedência.
_ E o que você tem para conversar com essa Fedra? Detesto quando você fala que eu vou passar e ela vai continuar sendo sua amiga.
_ Você sabe que é isso que irá acontecer. Beijos. Até mais tarde.
_  O que faço com a chave?
_ A faxineira está aqui.
Clara vai para o salão. Chega uma mensagem dele.
_ Ele não esta atendendo. Vou continuar tentando
_ Quem não esta atendendo? Pergunta Clara.
_ Não esquece de bancar a madame... Responde Vitor
_ Do que  está falando? Acho que está mandando mensagem para pessoa errada. Responde Clara
_ Nada de pobreza agora. Responde Vitor
_ Do que você está falando? Pergunta Clara
_ Esquece, você me deixa doido... Responde Vitor
_ Entendi. Pra manter mais que uma tem que ser bom. Agora, mais que duas tem que ser craque, você já devia ter aprendido... Responde Clara.
_ Pára com isso, não é nada disso que você está pensando.
_ Pensando? Não estou pensando nada. Você que está mandando mensagens.
_ É pra Soraia. Você sabe que ela anda de qualquer jeito. Vou apresentá-la para um empresário que precisa de um profissional na área financeira. E ela é boa nisso.
_ Claro. Estou ocupada. Te encontro no horário da reunião. Ah! Caso você se atrase, nos encontramos no escritório, não vou te esperar nem um segundo.
_ Pára. Não tem nada de errado. Fica tranqüila, gatona. Pára com isso... Só tenho olhos para você
_ Fica tranqüilo, tudo tem um lado bom... Menos uma para  se preocupar... No caso, eu.
_  Não começa me torturar. Como assim?
_ Foco no trabalho, não é o que costuma dizer? Então, aproveita e foca.
Vitor se atrasa cinco minutos e quando chega na casa de Clara, ela não está lá. Ele fica enfurecido porque sua roupa para reunião está na casa dela.
_ Você quer ir para essa reunião sozinha, é isso? Está aproveitando para conseguir resolver as coisas e ficar com os louros, não é? Eu estou entendo seu joguinho.
_ Está me confundindo com você, esse é o expediente que você costuma usar. A faxineira está ai, é só chamar, a sua roupa está no quarto de hóspedes. Já estou chegando. E o Ernesto já me ligou.
_ Você está ferrada comigo. Se prepara para a cena que vou fazer.
_ Estou preparada para muito mais do que você imagina, querido
Clara vai para reunião na hora certa. Ernesto é encantador, como de costume. Ele não esconde a satisfação em ver Clara sozinha. Entre uma conversa e um café ele a convida para um vinho.  E Clara aceita imediatamente.  A reunião começa sem Vitor. Ernesto faz questão de enfatizar que não sente a menor falta de Vitor naquela reunião.
_ Ernesto, o Vitor deve estar chegando.
_ Clara o importante é você estar aqui.
Vitor chega no final da reunião. Quando a reunião acaba ele tenta se desculpa com Ernesto.
_ Ernesto quero explicar meu atraso.
-  Desnecessário. Clara estava aqui e representou muito bem a empresa. Ela como sempre eficiente e linda!
Clara sorri timidamente para Ernesto, que sai da sala, deixando Vitor falando sozinho. Vitor se revolta com Clara. Que olha para ele e diz:
_ A sua amiga demorou muita para se produzir? Nem toda mulher consegue se transformar em “madame” rapidamente.
_ Não me irrita mais. Porque estou perdendo a paciência com você.
_ Relaxa, querido. Você tem todo tempo para ajudar sua amiga. Estou saindo.
_ Onde você vai?
_ Vou tomar um vinho com o Ernesto. Até mais
_ Você não  vai mesmo.
_ Vitor eu mando na  minha vida e não você. Até mais
_ Clara. Clara. Clara volta aqui...