quarta-feira, 16 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte XII – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? – O problema no encanamento...

A semana segue entre o trabalho e noites intensas de puro prazer. Clara percebe que cada vez mais está envolvida e encantada por Vitor. Ele continua com seus atrasos, com suas cobranças e desculpas para seus fracassos. Clara percebe que algo está errado, Vitor esforça-se para manter a imagem de homem de negócios, bem sucedido mas, ela não esquece o “cartão bloqueado” na farmácia. Nem outras situações em que teve que pagar as contas porque Vitor estava com cartão estourado  e outras desculpas que não convenciam.
Depois de uma noite de amor e de uma manhã inteira juntos, trabalhando em casa, Vitor diz que precisa ir à casa de um amigo para verificar um problema com a empresa que está realizando a reforma. Clara estranha,  todas as vezes que ele passou na casa de seu amigo Ferdinando, ela sempre foi com ele. Aquele dia Vitor nem a convidou, e ela tinha a tarde livre. Combinaram de jantar juntos, Clara saiu para tomar chá com uma amiga que estava passando por um momento delicado.
Rúbia era uma mulher bem sucedida, independente e que gostava de ficar em sua própria companhia. Ela estava num relacionamento, com um homem intrigante e extremamente ciumento, que tinha feito uma cena durante uma viagem ao sul da Bahia. Rúbia se sentiu humilhada diante da desconfiança de seu namorado, que achou que ela estava paquerando um garotão mais jovem que ele. A discussão foi acalorada e Rúbia não segurou sua indignação e quando ele a agrediu verbalmente no meio da rua, diante de uma multidão, ela simplesmente parou e deu um tapa no rosto de seu namorado.
O clima esquentou entre eles, e a viagem que tinha tudo para ser romântica e um passo a mais no relacionamento deles, foi a última. Rúbia estava estarrecida com a conduta daquele homem tão amoroso, tão dedicado ao relacionamento deles e, que se transformara num agressor. Clara se solidariza com Rúbia. Durante o chá, Clara tenta, inutilmente, falar com Vitor que não atende ao telefone.
Rúbia pergunta o que está acontecendo e quem esse homem por quem Clara está se apaixonando.
_ Me apaixonando? Não estou me apaixonando. Ele saiu para resolver um problema para um amigo e já era pra ter voltado, como pegou a rodovia estou preocupada, só isso.
_ Clara querida, estou vendo você se envolvendo com esse cara, sinceramente, pelo que comenta ele não é confiável. Não teria suportado  nem a metade dos desaforos que ele já fez com você,
_ Não acredito que ele esteja atuando, representando, mentindo o tempo todo. Você acha  que é possível alguém agir assim?
_ Pra mim, ele é um mentiroso compulsivo.
_ Ah! Isso pode ser, eu disse, recentemente, que mentir é tão essencial para ele como respirar.
_ Então, amiga, e mesmo assim insiste nisso, não te entendo. O que ele tem de tão envolvente, é um espetáculo na cama? – Pergunta sorrindo.
_ Nem te conto... – Responde Clara sorrindo.
_ É isso?
_ Não, amiga. Não mesmo. Ele é interessante, só interessante, nada além disso. Está longe de ser um espetáculo.
_ Se é assim, você encontrará alguém melhor, que não minta e que seja livre, principalmente.
_ Rúbia, de canalhas estamos bem. Podemos dar um curso de como doutrinar seu canalha...  As duas riem de suas próprias mazelas sentimentais.
 Clara se despede de Rúbia e vai ao mercado, durante o trajeto tenta falar com Vitor que não atende ao telefone. Até que as mensagens começam a chegar.
_ Estou aqui todo molhado, o problema era na parte hidráulica. Está um caos, meu humor está daquele jeito. Vou demorar aqui, não tinha visto suas chamadas, desculpa. Daqui a pouco vai acabar a bateria do meu celular.
_ Sei, você não ouviu o fone tocar, está todo molhado e vai ficar sem bateria, entendi.
_  Não começa... Já estou nervoso, não via você piorar ainda mais o meu dia. Faz ideia do que é estar de terno e tomar um banho? Não, não tem.
_ Fica tranqüilo, resolve o problema do encanamento da casa do seu amigo, com calma, querido.
_ Quando chegar em casa ligo para você, avisando.
Clara termina as compras e vai para casa. Prepara o jantar e vai tomar seu banho. Quando sai do chuveiro vê que Vitor ligou. Ela termina de se vestir e espera ele ligar novamente, Vitor não suportava quando ela não o atendia. Seguramente, ele iria insistir nas ligações, Clara passou seus cremes, se vestiu, passou o perfume que Vitor adorava. E esperou ele ligar novamente,
Vitor ligou uma, duas, inúmeras vezes,  e Clara não atendeu. Lá pela décima ligação ela decidiu atender.
_ Onde você está?
_ Por que?
_ Porque estou ligando e você não atende, já liguei cem vezes.
_ Eu também liguei durante a tarde e não me lembro de você ter atendido. Ah! Esqueci você estava todo “enrolado” com  o encanamento, não é?
_ Quando você quer ser desagradável é imbatível.
_ Que bom que reconhece. Sou mesmo. Eu sou uma pessoa super do bem, agora quando sou má, sou infinitamente melhor, nunca esqueça isso.
_ Se for pra ficar esse clima, nem vou sair da casa. Estou muito cansado, só vou até sua casa, se for pra jantar e vou dormir na minha casa hoje.
_ Claro, posso imaginar o quanto você está cansado. Faça como quiser, o jantar está pronto, se quiser vir jantar...
_ Vou tomar banho, porque cheguei e fui arrumar algumas coisas aqui. E daqui 2 horas eu vou.
_ Daqui 2 horas?
_ É. Algum problema?
_ Não. Nenhum problema
Clara decide esperá-lo com a lingerie que ele adora, tem certeza que ele não irá chegar empolgado como de costume. Para Clara ele passou a tarde com outra pessoa e ela desconfia que seja Fúlvia. O sexto sentido dela diz que a mentira daquela tarde tem como motivação uma nova traição.
Vitor chega 3 horas depois das mensagens. Clara está ouvindo música e lendo. Ele chega e nem comenta sobre a camisola vermelha e sexy que Clara está vestindo. Ele diz que está com fome e pergunta se podem ir jantar de uma vez. Ela olha para ele e diz:
_ Claro meu amor!
_ Adoro quando você me recebe assim.
_ Posso imaginar. Sua “Amélia” está aqui, esperando você chegar de uma tarde de intenso trabalho físico...
_ Foi mesmo. Os pedreiros fizeram tudo errado, e quando cheguei lá, um imbecil furou um cano, foi água para todo lado.
_ Imagino a cena, e o seu nervosismo.
_ Fiquei um pilha. Todo molhado, meu terno ficou encharcado, sapato molhado. Estava com aquele sapato italiano que adoro.
_ Puxa!  Deve ter sido muito desagradável mesmo. Vai fazer um favor para o Ferdinando e passa por tudo isso, estou penalizada.
_ Você está sendo sarcástica comigo? É isso?  
_ Eu? Imagina, estou sensibilizada com sua tarde. Tanto que preparei o quarto para fazer uma deliciosa massagem, daquelas que você adora. Coloquei essa camisola vermelha que te enfeitiça e usei o perfume que deixa você inebriado, para que a nossa noite seja sensacional e faça você esquecer essa tarde horrível...
_ Estou cansado demais, não vou ser uma boa companhia, vim aqui para jantar e te ver, mas irei para casa, como te falei a tarde.
_ Você vai para casa, sem problemas, mas antes vai fazer a minha noite valer a pena e compensar as horas desagradáveis que passou hoje, meu amorzinho.
_ Continuo achando que vocês está sendo irônica.
_ Você me conhece, Vitor, não costumo usar esse expediente.
_ Está bem, só que preciso ficar aqui deitado nesse seu tapetão, assistindo TV um pouco, não quero te decepcionar.
_ Por que me decepcionaria? Você está sempre pronto e eu sei muito bem como te seduzir, ou não?
_ Sim. Você é uma delicia e sabe que não resisto aos seus encantos. Só que hoje estou muito cansado.
Clara olha para Vitor e tem certeza que ele a traiu.
_ Vitor vai para sua casa, agora.
_ Você está louca? Eu acabei de deitar aqui e vai passar Thor que eu adoro, vamos ver juntos, não faz assim...
_ Não quero ver filme, meu caro. E você já teve sua tarde animadinha, disso não tenho dúvidas. Vai embora que é melhor pra você.
_ Vou ficar aqui. Vou dormir aqui com você e te provar que não aconteceu nada além de um cano estourado na casa do Ferdinando. Agora deita aqui do meu lado, quero ficar abraçadinho com você, sentir seu cheiro, sua pele macia... Pega nossas taças de vinho e vem, estou esperando.
Clara pega as taças e se deita ao lado de Vitor.
_ Eu adoro você. Não tem ninguém me obrigando estar aqui. Eu quero você, quero dormir com você, ficar com você. E não vou pra casa, vou dormir aqui juntinho, ta entendendo?
_ É melhor você ir pra casa.
_ Está me colocando pra fora da sua casa?
_ Não, estou apenas dizendo que é melhor.
Vitor pega Clara nos braços e a leva para o quarto.
_ Estou louco por você. E não tem outra pessoa. Só tem você...