terça-feira, 15 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte XI – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? – Clara começa a desvendar os mistérios de Vitor


Clara, apesar de saber que Vitor tinha um caso com Fúlvia, e de descobrir que aquela mulher que ligou quando eles estavam indo para o Hotel na primeira vez que ficaram juntos, era Fúlvia, decide manter a relação.
Vitor percebe que sua situação está delicada e que Clara está desconfiando dele. Rapidamente decide garantir que Clara mantenha-se  encantada por ele, parte para a ação, sabiamente manda uma mensagem para ela:
_ Bom dia, flor mais cheirosa do meu jardim!  Como seu namorado, quero te dar o dia mais lindo de todos. Acordei ainda mais apaixonado que ontem.
_ Bom dia! Vitor, não quero me decepcionar com você. Não minta para mim, porque se fizer isso e eu descobrir, nunca mais terá outra chance, você está me entendendo?
_ Eu não minto nunca, muito menos para você... Minha linda morena, gostosa e cheirosa como a mais bela flor que existe.
_ Sei...
Clara passa o dia focada no seu trabalho. Vitor passa o dia fora, eles não se encontram durante todo o dia. À noite, Vitor diz que tem compromissos domésticos. Que precisa organizar algumas coisas em casa. Clara decide sair para jantar com sua amiga Fedra. Vão ao restaurante de um a amigo de Fedra. Durante o jantar, Clara,  recebe uma mensagem de Vitor perguntando onde ela está. Ela responde que está no Restaurante Valentim. Ele diz que está saindo pra jantar e que irá acompanhado, no mesmo restaurante. Ela fala que é melhor ir a outro restaurante.  Ele diz que já decidiram ir no Valentim.
_ O Vitor está vindo para cá com a família. Vamos terminar o jantar e sair, está bem?
_ Nossa ele é sem noção mesmo. Faz de propósito?
_ Não sei. Só quero evitar uma situação mais desconfortável, ainda.
Elas continuam conversando, até que Vitor chega. Clara e Fedra já haviam pedido seus pratos e Vitor tenta forçar se sentar na mesma mesa, mas sua acompanhante fala pra sentarem na mesa ao lado.
Eles se cumprimentam e o tempo todo Vitor fica conversando com Clara, como se não estivesse com Francesca junto. Clara está incomodada com aquele cenário. Ele manda várias mensagens por telefone, para Clara:
_ Vontade de você, minha linda.  Não gosto de você com essa sua amiga... Vem tomar vinho comigo?
_ Você enlouqueceu? Para com isso. Vou embora...
_ Não vai, por favor. A melhor coisa que aconteceu foi vir aqui e te encontrar.
_ Você está sendo muito dissimulado e isso me incomoda demais...
_ Eu só estou falando a verdade, você me cobra que  fale a verdade sempre.
_ Que verdade, Vitor? Você está vendo claramente, o que está acontecendo aqui? Você enlouqueceu?
_ Se você falar que vai embora, vou arrumar uma desculpa para te impedir de sair.
Clara tenta manter o foco na conversa que está rolando entre Fedra e Francesca, a esposa de Vitor, mas ele continua com suas mensagens. Clara está ficando irritada com aquela situação.  Ela fala para Vitor que é muito arriscado e desagradável o que ele está fazendo.
_ Quero você, isso é desagradável?
_ Você entendeu perfeitamente o que estou falando...
Fedra percebe a troca de mensagens entre eles, mesmo Clara tendo colocado o telefone no silencioso. Vitor convida Clara para degustar o vinho com ele.
_ Toma vinho comigo, Clara? A Francesca não toma nada.
_ Vou tomar com você, meu amor. Diz Francesca.
_ Pronto Vitor, você já tem companhia para degustar seu vinho. Amanhã viajamos cedo e não quero acordar com dor de cabeça. E espero que você não beba muito e perca a hora, como de costume. É impressionante, Francesca, ele sempre chega atrasado, é normal?
_ Não. Ele sempre sai de casa cedo. Diz que vocês marcaram cedo.
_ Então, ele se perde no caminho, fica atenta. Porque ele chega atrasado todos os dias... Sentencia Clara.
Vitor manda mensagem, imediatamente:
_ Você está louca? Quer deixar ela desconfiada? Nunca mais teremos paz...
_ Assim você aprende não mentir, porque se você sai na hora certa e chega atrasado, uma a duas horas, está mentindo para as duas.
_ Vamos embora Fedra?
_ Espera que nós também vamos. Diz Vitor.
_ Como assim? Não estamos juntos, porque ela tem que esperar? Vocês já vão viajar juntos amanhã, vamos ficar mais um pouco aqui.
_ Não posso. Você não ouvia a chefa, ela disse para eu dormir cedo, vamos para casa e vou dormir, como ela mandou.
_ Não vou nem comentar, Francesca. Parece que o vinho está fazendo efeito...
_ Bom, Vitor, até amanhã.
_ Você é muito abusado mesmo. Devia tomar cuidado... Diz Fedra para Vitor, discretamente.
_ Você acha? Não viu nada.
_ Tchau, Francesca! Não deixa ele se atrasar.
_ Pode deixar, Clara, quando ele sair vou te ligar avisando.
_ Gostei disso... Diz, Clara, sorrindo.
Na volta Fedra diz para Clara:
_ Você está brincando com essa estória, esse cara é maluco. Deu pra perceber que estava trocando mensagens com você.
_ Não sei o que ele quer, amanhã vou conversar com ele.
Clara recebe uma mensagem no celular, como está dirigindo pede para Fedra ler.
_ Vontade de você, minha flor... Meu amorzinho...
_ Ele acabou de sair do restaurante e está te mandando mensagens? Diz Fedra indignada.
_ Deixa pra lá, amanhã converso com ele. Não vou responder.
Clara chega em casa e prepara as malas, está estarrecida com o comportamento de Vitor. Pensa em por um ponto final naquela estória. Manda uma mensagem para seu ex-namorado e o convida para um vinho. Ele aceita. José Henrique é um homem culto, dócil e solteiro. No dia seguinte ela acorda cedo, se apronta e espera por Vitor, que chega quase duas horas atrasado.
_ Vitor, por uma questão simples de educação, devemos avisar, quando e quanto, vamos atrasar.
_ Você não sabe o que aconteceu, então não começa com isso agora...
_ Ah! Agora a responsabilidade pelo seu atraso é de quem?
_ Melhor não começar com isso, vamos viajar em paz, dá pra ser?
_ Com certeza, é sempre assim... Você apronta e depois se faz de vitima. Estou cansada disso.
A viagem para São Paulo segue silenciosamente. As reuniões são positivas, e eles precisam ficar até o dia seguinte. Vitor diz que ficará na casa dos pais, Clara vai para o hotel de sempre. Por coincidência, Mendes liga e a convida para jantar. Ela aceita.
Vitor não liga durante todo o jantar. Clara, está conversando com Mendes, que sempre é muito agradável, mas está intrigada com o silêncio de Vitor. Ela chega ao hotel e entra nas redes sociais para saber se Vitor está online, nenhum sinal dele. Ela toma banho e vai dormir.
Na manhã seguinte, Vitor liga dizendo que vai se atrasar e que ela deve tomar café no hotel. Clara pergunta o que houve, Vitor diz q passou mal a noite toda e que vai dormir um pouco. Clara sorri.
Vitor chega próximo da hora do almoço. Clara está irritada e tem certeza que ele passou a noite com outra pessoa, toda mulher sabe quando está sendo traída. Ela faz inúmeras perguntas. Vitor responde secamente e diz que não quer estragar o dia.
Eles vão para o compromisso de trabalho. Clara é seca e áspera com ele, que se irrita e a segura pelo braço dizendo para pensar bem no que está fazendo. A reunião transcorre bem. Eles vão almoçar com Saulo, que tenta seduzir Clara o tempo todo, Vitor não esconde o descontentamento com as investidas de Saulo. Clara decide ser “simpática” com Saulo, para irritar Vitor.
Após o almoço eles voltam para cidade deles. Novamente, Mendes liga para Clara, ela atende e fala carinhosamente com ele. Vitor pega o telefone das mãos de Clara e fala:
_ Quem ta falando?
_ Mendes
_ Aqui é o namorado dela, é melhor você parar de ligar pra ela, entendeu?
Clara consegue pegar o telefone de volta, pede desculpas pra Mendes e desliga.
_ Você enlouqueceu? Sabe quem é? Nunca mais faça isso. Não sou “sua” namorada, entendeu?
_ Ah! Não? Você é o que então? Minha amante? Você se coloca nessa posição?
_ Você está sendo grosseiro. Eu não sou nada sua, nem amante, nem namorada, nada. Nada mesmo. Estou cansada dos seus chiliques, das suas tentativas de manipulação e das inúmeras mentiras que você conta todos os dias. Quer saber? Mentir é tão essencial, para você, como respirar.
_ Eu não minto, nunca minto. Pare de me chamar de mentiroso, estou perdendo a paciência com você. E se encher o saco, você não vai gostar  do resultado.
_ Você está me ameaçando?
_ Entenda como quiser...
_ Está bem, você quem sabe. Já entendi, muito mais do que você pode imaginar...
Eles continuam a viagem ouvindo Diana Krall, as músicas provocam em Vitor um sentimento de arrependimento. Ele tenta se aproximar de Clara, que diz para ele manter a distância.
Ao chegarem à casa de Clara, ela retira a mala do carro sozinha, Vitor não a ajuda. Ela fecha a porta e entra. Ele abaixa o vidro e fala pra ela voltar.
_ O que quer?
_ Volta aqui, vem me dar um beijo de boa noite, agora.
_ Você não desce, não me ajuda e acha que vou voltar pra te dar um beijo? Esquece, querido.
Clara entra. Vitor sai cantando pneu. Ela desfaz a mala, toma banho, faz um lanche e vai dormir.
No dia seguinte, como habitualmente, Vitor vem com sua manipulação.
_ Bom dia, meu amorzinho.
_ Nesses dias tenho dormido bem, mas hoje parecia que faltava uma parte de mim... Quero te ver bem... Um beijinho.. Um carinho.. Pra você amorzinho..
_  A minha noite não foi das melhores. 
_ O que houve meu amor?
_ Você acha que precisa de mais alguma coisa?
_ Não faz assim, por favor.
_ Ah! Você quer que eu fique feliz? Deixa pra lá, vamos virar a página..  A tristeza faz parte do crescimento e é um aprendizado pra vida toda. Fique bem...
_ Você é  um anjo
_ Vou passar para entregar as tuas coisas que estão aqui.
_ Não faz isso. Deixa eu pegar ai contigo?
_ Não. Eu levo pra você.
_ Tem certeza que não quer me receber ai?
_ Vitor quero seguir minha vida em paz, as questões profissionais se mantem e só, entende?
_ Não. Vou ai, preciso te explicar como eu funciono. Se você souber me levar, tirar as coisas de mim terá tudo. Eu quero que você saiba tirar o melhor de mim. Estou chegando, meu amorzinho.
Vitor chega com flores para Clara. Pede perdão de joelhos. Chora ao dizer que ela é a melhor coisa da vida dele. Clara, resiste. Vitor se declara, diz que faria qualquer coisa para continuar com ela. Depois de duas horas de conversa, Clara cede, eles fazem as pazes...