segunda-feira, 14 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte X – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? – Vitor não é o que parece ser...

Vitor e Clara fizeram uma viagem de trabalho. Na volta, ele estava muito empolgado com o resultado da reunião e das novas possibilidades de trabalho. E disse que gostaria de passar a noite na casa de Clara para que pudessem aproveitar todos os minutos juntos.
_ Minha gatona, está será a nossa noite. Quero ficar com você, dormir de conchinha e acordar ao seu lado, para o que o dia seja mais iluminado. Você é o meu anjo.
_  Podemos aproveitar a noite. Só que amanhã tenho compromisso pela manhã.
_ O que você vai fazer?
_ Tenho um compromisso.
_ Não pode me dizer o que é?
_ Uma reunião sobre um projeto.
_ Com quem?
_ Com um amigo.
_ Que amigo?
_ Você não conhece. Vamos parar para jantar ou jantamos em casa?
_ Não estou gostando nada disso...
_ Vamos parar para jantar. E é melhor mudarmos de assunto. Você disse que essa será a nossa noite, vamos cuidar para que seja especial.
Eles param num restaurante que Clara adora. O jantar é agradável, com música ao vivo, Vitor pede uma música para Clara. Eles adoravam ouvir Diana Krall durante as viagens, e Vitor, gentilmente, pediu S’Wonderful,  para embalar sua declaração.
Toda mulher adora um homem romântico, Clara esqueceu por alguns instantes, as estórias de Vitor, o telefone que tocava constantemente, as desculpas que não convenciam e se entregou aquele homem carinhoso e tão disponível que estava tão dedicado a encantá-la.
Ao chegarem em casa Vitor abriu uma garrafa de vinho e fizeram um brinde.
_ Vamos brindar ao amor, a amizade e a nós dois. Eu te adoro, cada dia mais.
_ Minha namorada, minha morena linda. Minha flor mais perfumada...
Clara e Vitor aproveitam a noite, se amam intensamente. Eles se completavam e o clima era sempre quente e com muito carinho, caricias e entrega. Depois, como Vitor queria, dormiram de conchinha. Se ela se afastava ele a buscava e a aconchegava novamente.
Na manhã seguinte, Clara acordou e foi para o banho, preparou um delicioso café e levou para Vitor na cama. Ele acordou e olhou aquele café, a agarrou e abraçou dizendo:
_ Você é demais, adoro tudo o que você faz. Estou completamente apaixonado, quero você comigo. Você é a minha luz. Bom dia!
_ Bom dia! Tem sido muito bom estar com você, apesar das suas estórias e conversar misteriosas.
_ Vamos começar o dia bem, não quero brigar contigo. Nossa noite foi gostosa demais, estou flutuando, leve, feliz. Adoro seu cheiro, adoro tudo em você. Vem aqui minha linda.
Os dois se beijam intensamente e quando o clima começa a esquentar o fone de  Vitor toca. Ele atende e diz que chega em 30 minutos. Clara olha para ele e levanta para se trocar. Vitor diz, espontaneamente, que irá se encontrar  com Samuel que tem documentos para deixar com ele. Ela não acredita, mas deixa por isso mesmo. Clara tem um compromisso com Hugo sobre um projeto, ela simplesmente não conta nada para Vitor.
Ele sai, na hora marcada Hugo chega. E durante toda a manhã ela passa com Hugo discutindo um projeto muito interessante. Vitor manda inúmeras mensagens perguntando se está tudo bem, Clara ignora.
_ Bom dia! Operação Esqueleto a postos! Todos em suas posições
_ Oi
_ Sou eu de novo (2 minutos depois)
_ Tudo bem por ai?
_ Não quero atrapalhar...Só para certificar que está tudo bem...
Mandou mensagens nas redes sociais:
_ Você está bem? Não ta podendo atender ao telefone? Está muito ocupada?
_ Não estou gostando desse formato... Você pode me atender, por favor?
Clara continua ignorando. Ela está aprendendo como deixá-lo incomodado.
_ Estou ficando maluco, quero saber o que você está fazendo. Atende ao telefone... Eu vou ai.
Ela continua  sua reunião, como se nada estivesse acontecendo. Clara tinha certeza que ele não iria até sua casa, porque não sabia quem estava lá. E Vitor não iria se expor. Depois da reunião, Clara prepara seu almoço, organiza suas coisas e depois decide retorna  as ligações de Vitor.
Ele atende nervoso e irritado.
_ Você não brinca assim comigo, que é melhor pra você.
_ Boa tarde, pra você também. A minha manhã foi muito produtiva. Espero que a sua também tenha sido.
_ Quem estava ai com você?
_ Um amigo que você não conhece. Pelo número de mensagens que você me mandou deve estar precisando muito falar comigo, diga...
_ Onde você está?
_ Em casa.
_ Estou indo ai, quero olhar nos seus olhos e saber o que está acontecendo.
_ Estou de saída. Nos encontramos na Café. Beijos.
Clara sai e demora, porque pára para conversar com uma amiga.  Vitor começa a ligar insistentemente, ela atende depois de uns minutos e diz que já está chegando.
Quando chega no Café ele a recebe com agressividade. Ela senta e fala para ele se acalmar. Vitor que discutir, está irritado e diz que não quer ter ciúmes dela. Que o melhor que ela tem a fazer é andar na linha com ele. Clara responde que não é como ele.
_ Vitor, não me julgue por você. Sei muito bem quem é sua ex-funcionária Mércia, que na verdade se chama Fúlvia, ou melhor, doutora Fúlvia. Então, é melhor você não falar de ciúmes, cenas e fazer tipo.
_ Não sei do que você está falando...
_ Você nunca sabe. È sempre culpa do outro, você é sempre a vitima, você sempre acreditou demais nas pessoas. Chego a ter pena da sua ingenuidade.
_ Por que você está me tratando assim?
_ Por que você subestima minha inteligência e capacidade de percepção. Me divirto quando você vem com sua cultura inútil, e me pergunta se sei das coisas mais insignificantes, eu digo que  não e  fico prestando a tenção em você dando uma “aula” sobre o tema. Só que você devia ser mais aplicado, muitas vezes você comete erros, mas é divertido.
_  Como você é ridícula.
_ Você é ridículo, acreditando que é superior. Você mente tanto, que se enrola nas próprias mentiras. Perdi a vontade de tomar café, vou embora. Agora tenho outro compromisso, vou encontrar o Ângelo.
_ O que esse babaca quer com você? Você vai continuar falando com esse cara?
_ Ele é meu amigo. Por que está tão preocupado com isso?
_ Já contei tudo o que ele fez comigo, o que quer mais?
_ Minha relação com ele não tem nada com a ver com você. Falamos depois.
Clara vai embora. Vitor fica e começa a fazer inúmeras ligações. Marca de encontrar com Fúlvia, que apresentou como Mércia. Eles mantinham um caso, Fúlvia também era casada, mas gostava de manter pequenos casos extraconjugais, Vitor era um deles.
Os dois se encontraram, Vitor descontou em Fúlvia toda a sua raiva. Ele a agredia, dizendo que ela devia executar as ordens dele sem questionar, porque ela não tinha competência para pensar. Fúlvia aceitava as ordens de Vitor. Ele tinha saído de uma empresa e mantinha uma rede de informações. Fúlvia era sua principal informante, e ele a pagava com algumas horas de prazer.
Clara encontrou Ângelo em sua casa. Conversaram sobre várias coisas, até que Ângelo perguntou se Vitor vinha muito a casa dela. Clara estranhou...
_ Por que? Algum problema?
_ Clara, ele não é nada do que diz, fica esperta.
_ Como assim? O que você sabe?
_ Quando ele veio pra cá, se envolveu com o Roberto e foi trabalhar com ele. Você sabe que os negócios de Roberto não são lícitos, não é? Ele se envolveu nesses negócios e parece que se manteve uma relação com a irmã do Roberto. E quando ele rompeu com Roberto, maltratou a tal e esse foi um dos motivos daquela briga que terminou na delegacia.
Clara ouve tudo aquilo, respira fundo e diz:
_ Fica tranqüilo, não tenho nenhuma relação pessoal com Vitor.
_ De qualquer forma, fica atenta.
_ Obrigada, pelo aviso. Estarei atenta, pode ter certeza.
Eles tomam um café, Ângelo comenta sobre outras situações que envolve Vitor. Eles conversam sobre outras questões e durante a conversa, Vitor liga. Clara não atende. Ele manda mensagens.
_ Por que não atende? O que está acontecendo? Aquele rato ainda está ai?
_ É melhor você pensar bem no que está dizendo.
_ O que ele falou de mim? Com certeza ele inventou alguma coisa.
_ Daqui a pouco falamos.
Ângelo vai embora e Clara liga para Vitor.
_ Me espera na Doceria Guarany, agora.
Clara demora um pouco para chegar. Porque custa a acreditar em tudo o que ouviu. A irmã de Roberto é desqualificada, uma mulher vulgar, sem classe. Ela não quer acreditar que Vitor seria capaz de se envolver com uma mulher como aquela.
Clara chega e pergunta diretamente:
_ Você tem um caso com a irmã do Roberto? Você já tem um caso com a Fúlvia, com quem mais?
_ Do que você está falando. Eu não tenho caso com ninguém. Só tenho olhos pra você. Clara você é a minha namorada. Sabe que tenho minha relação pretérita, mas você é a única pessoa que existe na minha vida.
_ Você é impressionantemente dissimulado. Como pode dizer que sou única, se tem essa “relação pretérita”? Você é uma piada.
_ Clara, eu adoro você. Não posso te perder, por favor.
_ Vou te contar tudo o que aconteceu, mas nunca tive nenhum envolvimento com a irmã do Roberto, eu juro.
Vitor chora compulsivamente. Sensibilizando Clara.
_ Você conhece a irmã do Roberto? Eu nunca me envolveria com uma mulher daquela, pelo amor de Deus. Olha pra mim, gosto de você, do seu cheiro, da sua pele, do seu gosto. Não deixa que uma mentira estrague tudo.
_ Eu? Quem está estragando tudo não é o Ângelo é você. Porque se você fosse verdadeiro eu não teria duvida nenhuma de que a fala dele era mentirosa. Mas, como você mente não consigo acreditar.
_ Eu não minto pra você. Fica comigo. Acredita em mim, por favor.
Clara vê aquele homem chorando num lugar público e pedindo para que ela dê um voto de confiança.
_ Vitor ou acreditar em você, mas é bom você encerrar definitivamente suas “conversas” com a Fúlvia e com toda e qualquer outra “informante” ou seja lá o que for. Porque você não terá outra chance, estamos entendidos?
_ Vou te provar que você está fazendo a escolha certa.
Clara levanta e vai embora. No dia seguinte logo pela manhã:
_ Ontem pensei que fosse perde você também. Foi uma miscelânea de emoções. Senti muita raiva e uma profunda tristeza.
_ Foi difícil pra mim. Você imagina como foi ouvir o Ângelo me contando tudo aquilo?
_  Difícil descrever o que estou sentindo e pensando... Adoro você. Foi a melhor coisa que me aconteceu aqui em todos os sentidos.
_ Estou indo te buscar para darmos uma volta, irmos até a praia. Quero andar de mãos dadas com você na beira mar.
_ Vitor não quero me decepcionar com você, pense bem no que vai fazer.
_ Você não vai. Eu prometo. Adoro você. Quero o melhor para nós dois. Quero estar junto com você, minha linda. Beijos
Clara resolver dar mais uma chance para Vitor...