sábado, 12 de abril de 2014

Um “doce” canalha – Parte VIII - “Uma” canalha é pior que “um” canalha? - A vítima

Vitor avisa Clara que na semana seguinte estará fora alguns dias, tem compromissos com um amigo, sobre a aquisição de uma empresa na área de Hotelaria. Clara estranha o fato dele não a convidar para viagem. Ele diz que irá com Renato, um amigo que é como um irmão. Pelo menos é assim que Renato é apresentado para Clara, como o único amigo de verdade que ele fez naquela cidade.
Clara não tem nenhuma simpatia por Renato, além disso, tem certeza que Renato é álibi de Vitor em algumas situações, e isso a deixa desconfiada e atenta. Por muitas vezes, quando o telefone de Vitor tocava, ele dizia que era Renato e na verdade era uma mulher, que estava com o seu “amigo”. E ela já tinha certeza disso.
Vitor tratava algumas mulheres com uma grosseria que irritava profundamente Clara, que sempre esclarecia que ele nunca usasse aqueles termos para falar com ela. Ao mesmo tempo, que aqueles telefonemas misteriosos a deixava irritada e incomodada, ela não queria cobrar porque daria o direito de Vitor fazer o mesmo. Além disso, ela custava a acreditar e admitir que estava se envolvendo com aquele homem, que seu coração dizia não ser verdadeiro e menos ainda, confiável.
Clara ficou desconfiada da tal viagem para uma pequena cidade de Minas Gerais que Vitor afirmava que faria. No fim da tarde, ele aparece na casa de Clara, que o questiona sobre a viagem, ele diz que não deu certo.
Clara pergunta: _ Por que você ficou o dia todo sem dar noticias já que não viajou?
Vitor responde: _ Você me irrita com esse interrogatório. Vim vê-la porque estava com saudades e não para responder as suas perguntas.
Clara olha fixamente para Vitor e diz:
_ Meu sexto sentido não me engana, esteja certo disso.
_ Você está me ameaçando? Responde Vitor
_ Ameaçando? Por que você tem algo para esconder?
Ele a pega pelos braços e diz:
_ Adoro você. Só que não fica me perguntando tudo o tempo todo, isso me irrita. Ninguém faz isso, nem minha mãe, entendeu?
_  Sim. Não me pergunte mais onde estou, entendeu? Ah! E menos ainda com quem estou. Fala Clara.
Eles se beijam e ela tem a certeza de que ele estava com outra pessoa, e que tinha medo de ser descoberto. Vitor era explosivo em algumas ocasiões, principalmente com pessoas que não representava ameaça para ele, quando o oponente era capaz de colocá-lo em desvantagem, ele recuava. Esbravejava, gritava, xingava quando estava com Clara falando sobre alguém, mas não era capaz de repetir o discurso na frente daquela pessoa que o desagradava. Clara o questionou várias vezes sobre esse comportamento, ele dizia que era uma estratégia. Que era preciso recuar para planejar melhor o ataque. Para ela, era mais um traço da personalidade dele que merecia ser observado.
Clara criou o habito de anotar todos os atrasos, desculpas e estórias que não faziam sentido. Estava decidida a traçar o perfil daquele homem por quem estava se apaixonando, antes que fosse tarde demais. Ela se questionava de como tudo aquilo começou, lembrou da primeira vez que voltaram de viagem juntos. Clara havia viajado com uma conhecida e voltou com ele. Passou muito mal durante a viagem e ele foi muito prestativo. Vitor quase a beijou durante aquela viagem. A noite estava linda, céu estrelado com lua cheia. A serra estava maravilhosa e em uma das paradas eles estavam abraçados e avistaram uma estrela cadente, logo ela perguntou se ele havia feito um pedido.
_ Sim. E você?
_ Também.
_ Você vai me contar o que pediu?
_ Não. Você é muito curioso...
_ Eu até te contaria o que pedi, mas como você está passando mal, vou respeitar...
Eles entraram no carro e Vitor disse para Clara aquecer suas mãos nas pernas dele, já que estavam geladas. E colocou as mãos de Clara sobre sua perna e começou a acariciá-las. Ela não percebeu a intenção de Vitor naquele momento. Pensou: 
_ Como fui tola.
As noites de lua cheia, céu estrelado sempre era aproveitadas por eles para namorar. Clara relembra de várias noites que passaram adorando a lua, das vezes que pararam na estrada para contemplar as estrelas, que saiam na janela para namorar e deixar o luar iluminar os seus corpos enquanto se amavam.
Vitor era romântico, pelo menos quando queria. No dia seguinte, Clara recebe uma mensagem logo pela manhã.
_ Bom dia, flor do dia. Saudades desses olhos de esmeralda. Vem tomar café comigo? Preciso encontrar o Renato, vem que estou te esperando. Vem iluminar meu dia com sua luz, preciso de você comigo.
_ Bom dia. Não posso, tenho outro compromisso. Fique bem.
_ Por favor, não faz assim. Preciso de você.
_ Vitor tenho compromisso, falamos mais tarde.
_ Posso ligar ai?
_ Pode.
O telefone toca e Vitor está nervoso.
_ Porque você não pode estar aqui comigo, preciso de você, entendeu? O Renato aprontou comigo e quero brigar com ele, só você pra me acalmar.
_ Não posso. Respire fundo e mantenha a calma. Lembre-se que você tem o controle sobre suas emoções e mantenha a vibração positiva, para que possa atrair coisas boas para tua vida. Boa sorte!
A conversa entre Vitor e Renato é tensa. Ele quando termina Vitor liga imediatamente para Clara.
_ Você é a luz da minha vida. Consegui me segurar porque só pensava em você durante a conversa. Um anjo na minha vida, você. Não posso mais viver sem você.
_ Agora podemos tomar um café, o que acha?
_ Oba! Estou te esperando.
Clara chega para o café. E quer saber o que aconteceu entre Vitor e Renato, afinal ele era um irmão.
_ Eu sou um idiota, acredito nas pessoas e só me decepciono.
_ O que ele fez que te decepcionou?
Vitor conta que Renato queria tirar vantagem nos negócio que estavam vendo. Que estava sendo enganado por ele. Que tinha perdido dinheiro com ele.
Clara ouve tudo atentamente. E pergunta:
_ Você se diz tão esperto, “ligeiro” e se deixa enganar? E a culpa é dele e só dele?
_ Vitor devia avaliar o que está fazendo e a forma como age com as pessoas. As pessoas que estarão ao seu lado, serão atraídas pelas suas atitudes.
Renato passou a ser uma pessoa ingrata, mau caráter, desleal, um verdadeiro canalha. Vitor sempre era vítima dos outros. Nada do que acontecia era responsabilidade dele...