quarta-feira, 30 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte XXV – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? O aniversário de Clara


Ernesto chega para jantar com Clara, leva uma caixa de bombons de chocolate que ela adora. Ele sempre a surpreende com um mimo, deixando-a encantada. Mostra para Clara, os  ingredientes para preparar uma massa ao molho pesto e uma salada de mussarela de búfala com tomate cereja.
_ O cardápio que escolhi é para te encantar e agradar seu paladar. Tudo regado a um bom vinho. Hoje trouxe aquele vinho italiano que você me confidenciou que adora.
_ Nossa! Adoro mesmo. Adorei tudo, principalmente você e sua generosidade.
_ Quero vê-la feliz!
_ Tem me deixado muito feliz. É sempre agradável estar ao seu lado.
_ Clara, não me deixa esperando muito tempo...
_ Vamos para cozinha?
_ Vamos.
Os dois abrem o vinho, preparam o jantar juntos, se divertem. Clara relembra quantas vezes preparou pratos com Vitor, e quantas vezes trocaram carícias e se beijaram ardentemente, entre o preparo de um prato e uma taça de vinho. Ernesto está admirando Clara, percebe que está ausente, que seu pensamento está distante. Ela continua com suas lembranças, se vê com Vitor preparando o risotto que ele gostava, que  preparava com maestria, para agradá-lo. E quanto carinho, beijos e abraços, eles trocavam naquela cozinha. O sinal de mensagem traz Clara para o mundo real. Ela percebe que Ernesto está olhando fixamente para ela, que fica envergonhada. Dá um sorriso, sem graça e olha o celular.
_ Tenha uma ótima noite de sono. Durma bem.
_ Quero vê-la feliz. Adoro você demais. Durma tranquila... Fique com Deus. Até amanhã.  Só não quero te ver triste. Eu vou cuidar de você. Vitor
Ela lê e fica ainda mais pensativa. Ernesto pergunta o que houve.
_ Nada!
_ Clara acho que vou embora.
_ Não. Era o Vitor.
_ Tinha certeza.
_ Desculpa, não consigo mudar tudo de um dia para o outro.
_ Minha querida, não é de um dia para o outro, e sabe disso.
_ Ernesto, você é o homem que qualquer mulher deseja ter ao seu lado. Só que não consigo esquecer. Tenho me encantado por você, mexe comigo. Isso tem me deixado em conflito, sinto-me atraída por você. Não estou falando de atração física, somente. Tudo em você me atrai, seu olhar até os eu jeito de andar.
_ Fico feliz. Estou tentando ser paciente e generoso como você disse. Só que é difícil vê-la sofrendo por outra pessoa, ainda mais por um canalha como o Vitor.
_ Admiro seu desapego, porque não suportaria tanto.
_ Me dá uma chance de mostrar que uma relação pode ser prazerosa, generosa, doce, leve e muito feliz.
_ Quero me dar essa chance, só que precisa ser no momento certo. Porque quero que dure muito ou que seja para sempre.
_ Eu também. Quero que seja para sempre.
_ Vamos jantar?
_ Vamos.
_ Gostou da seleção musical que fiz para você?
_ Sabe que gosto de jazz, está perfeita.
_ Está vendo, estou aprendendo a te agradar.
_ Você me agrada de qualquer jeito.
Os dois jantam, tomam vinho e assistem a um filme. Eles quase se beijam, mas Clara resiste. Já é tarde quando Ernesto diz que está preparando uma noite inesquecível para Clara, deixando-a empolgada e com grande expectativa. Ele vai embora. Clara vai para cama, pensando em Ernesto, até seu telefone tocar.
_ Minha morena linda, quero ir para sua casa amanhã cedo, ficar quietinho  e quentinho com você. Recebe-me com amor, com aquele seu jeito doce, carinhoso que me tira do eixo. Quero você.
Clara tem vontade de ligar e de dizer que sim, mas ela resiste mais uma vez. Desliga o celular e vai dormir, quer estar bem para aproveitar seu aniversário. Consegue dormir.  Acorda muito bem disposta, sai para caminhar com Ernesto, que já chega com uma cesta de café da manhã, flores e atenção total. Eles caminham  e aproveitam o café. Clara segue para empresa. No caminho recebe as ligações de Fedra e Rúbia.
_ Parabéns! Muita alegria, saúde, dinheiro e amor na sua vida. E que o Ernesto seja seu presente de hoje.
_ Fedra, obrigada! Você é uma figura.
_ Estou animadíssima com nossa festa de hoje.
_ Festa? Que festa? É um jantar para os amigos, não quero que seja nada mais que isso.
_ Festa é modo de dizer, relaxa.
_ Espero mesmo. Não estou com espírito para festa.
_ Aproveita bem o seu dia.
_  Já estou aproveitando, já caminhei com o Ernesto, tomamos café juntos, ele levou uma linda cesta de café da manhã e lindas flores, minha casa está muito florida. Ganho flores dele quase que diariamente.
_ Que mulher que não gosta de ganhar flores?
_ Eu adoro. E ele escolhe flores lindas, que me encantam. O Ernesto me atrai e mexe muito comigo, só que preciso me sentir livre do Vitor para abrir espaço para outra estória.
_ E ele?
_ Mandou mensagens, dizendo que me adora, pedindo para ser recebido em casa, enfim...
_ E você?
_ Pensei em ligar, senti muita vontade de estar com ele, só que lembrei do  que fez, desliguei o telefone e fui dormir. Hoje não vi se tem mensagens dele. O que me preocupa é que ele disse que está vindo para cá, quer passar o dia comigo, isso me preocupa.
_ E se ele vier, você vai deixar o Ernesto com tudo arrumado e ficar com esse cafajeste?
_ Não. Jamais faria isso comigo,  com o Ernesto e com os meus amigos.
_ Acho bom mesmo, porque seria imperdoável.
_ Vamos falar de coisas agradáveis?
_ Vamos. O Mesquita me pediu ajuda para comprar seu presente, afinal é a “amiga” do sócio e chefe dele.
_ Não precisa de presentes. Por falar nisso, sabe quem vai voltar?
_ Quem?
_ O João Pedro, vai substituir o Vitor na empresa. Vou convidá-lo para a comemoração de hoje. Preciso até ligar para o Ernesto, avisando.
_ Será que ele continua gato?
_ Vou saber a tarde, teremos uma reunião.
_ Me avisa.
_ Não.
_ Por quê?
_ Porque você está muito bem com o Mesquita.
_ É verdade. Não me avisa.
_ Depois eu que preciso de juízo.
_ Tem razão.
_ A Rúbia está na segunda linha, beijos.
_ Oi.
_ Não me atende.
_ Estava com a Fedra.
_ Felicidades, minha querida. Tudo de melhor para você. E que esse ano, seja especial, que seja muito feliz com o Ernesto.
_ Obrigada! Quero muito isso.
_ E aquele canalha?
_ Ligou com a mesma conversa de sempre. Como se nada tivesse acontecido.
_ E?
_ Confesso que senti vontade de ligar, ouvir a voz dele, só que fui dormir.
_ Ainda bem.
_ E hoje o dia é de alegria.
_ E o Ernesto?
_ Encantador, caminhamos, tomamos café juntos. Ele está tão animado que me deixou empolgada com a comemoração de hoje.
_ E você já escolheu o modelito de hoje?
_ Não. Ah! É só um jantar entre amigos.
_ Nem pensar. Almoçamos juntas e vamos as compras, você vai comprar um modelito novo, sexy e maravilhoso para hoje. E vai ao salão, também.
_ Não tenho tempo, tenho reuniões agora cedo e a tarde.
_ Deixa que resolvo isso para você.
_ Não. Vou cumprir com a minha agenda.
_ Vai mesmo. Te pego na hora do almoço.
_ Nos encontramos...
_ Não. Te pego. Beijos
_ Beijos
Clara chega a empresa. O telefone toca, é Vitor. Ela não atende. Toca novamente, ela atende.
_ O que quer?
_ Você.
_ Tchau!
_ Olha para trás.
Clara olha e vê Vitor, com um lindo buque de dúzias  de gérberas.
_ Para você minha linda.
_ Vitor, melhor você ir embora daqui. Não quero que nos vejam juntos na empresa.
_ Você me quer e sabe disso.
_ Eu quero paz, e isso você só me tira e não me dá.
_ Vem aqui. Me beija. Larga tudo e foge comigo.
_ Pode esquecer, tenho muitos compromissos.
_ Fica com as flores, por favor.
Clara pega as flores das mãos de Vitor. Ele a segura e a beija, ela começa se entregar, mas resiste e se afasta dele.
_ Acabou, não quero mais você.
_ Quer e esse beijo é uma prova disso.
_ Não quero, já estou com outra pessoa.
_ Pára, não me deixa maluco. Depois eu perco a cabeça de novo.
_ E me agride? Faça isso e te coloco na cadeia. Lei Maria da Penha.
_ Você não é capaz, se fizesse isso, iria lá me visitar semanalmente.
_ Que patético.  Acha que é muito importante, interessante, você  é ridículo.
_ Tanto que você não me deixa, não me esquece. Me quer, me deseja...
_ Você vai o ver o quanto.
_ Sei, vai dizer que está com aquele velhote do Ernesto? Ou será que é o tal Mendes?
_ Não te interessa. Qualquer um  é melhor do que você.
_ Vai se arrepender. Vim para ficar com você, para cuidar de você, fazer o seu dia feliz. Vai ficar me maltratando, vou embora. E seu dia vai ficar vazio.
_ Está enganado. Vai embora.
Vitor sai, Clara pega as flores e entrega para Mariah.
_ Joga fora, dá para alguém, faz o que quiser. Só não deixa perto de mim.
_ Está bem. O Doutor Saulo ligou, perguntando da reunião de amanhã e do seu aniversário.
_ Você confirmou a reunião?
_ Sim.  E convidei-o para a comemoração de hoje a tarde, tudo bem?
_ Já convidou... Desculpa! Está tudo bem, ele será muito bem vindo.
_ Que bom! Tem uma reunião com o Márcio agora. E depois só a reunião com o João Pedro.
_ Como assim? Tinha outras reuniões.
_ É que...
_ A Rúbia te ligou e você tentou desmarcar todas, acertei?
_ Sim. Hoje é seu aniversário, tem que ser o seu dia.
_ Vocês são irresponsáveis. Não gosto de deixar minha agenda, sabe disso. Que não se repita.
_ Tudo bem, me desculpa.
Clara segue para reunião com Márcio. Ao entrar em sua sala, se depara com inúmeros arranjos de flores.
_ Nossa! O que houve aqui?
_ Achei que estavam montando uma floricultura na sua sala.
_ Márcio.
_ Na verdade esse pequeno arranjo é meu presente.
_ Obrigada! Que lindo!
_ Singelo, diante desses outros.
_ Vamos ver... Começando por esse: Saulo, temos reunião com ele amanhã.
_ Lembre de agradecê-lo é o mais volumoso.
_ Ele vem para comemoração aqui na empresa hoje, o que vai ser bom porque já apresentamos o João Pedro.
_ Sim. E esse?
_  Zé Henrique, estou devendo um jantar para esse meu amigo carinhoso.
_ Vamos ver esse... Fedra e Mesquita, gente eles já estão assinando juntos.
_ Que bom, fico feliz a Fedra é uma grande pessoa.
_ Eu também. Rúbia, Mendes, Mariah, Samuel... Flores de todos os amigos, lindos. Vamos para reunião, porque terei que agradecer todos os presentes.
_ A reunião é só para falarmos sobre o João Pedro, o projeto que ele irá defender, se você quiser posso marcar com ele a noite e passar as informações sobre o projeto, prepará-lo para amanhã.
_ Perfeito, faça isso. Fico agradecida, porque eu deveria fazer essa preparação. Confio em você.
_ Fica tranquila e aproveita bem o seu dia.
_ Grata!
Clara chama Mariah.
_ Não tenho mais nada agora cedo?
_ Não. Sua próxima reunião é as 15:00hs com o João Pedro.   Depois  nossa comemoração e tchau...
_ Está bem, vou ligar para Rúbia e fazer umas comprinhas.
_ Vai sim e capricha.
_ Que coisa, todo mundo me falando isso. Tchau!
_ Tchau! Fica tranquila, qualquer coisa te ligo.
Clara liga para a Rúbia.
_ Como você orquestrou com a Mariah, estou livre.
_ Eu sei, o salão já está marcado. Estou no estacionamento te esperando.
_ Como assim?
_ Vocês estão misteriosas, o que está acontecendo?
_ Nada!
Clara e Rúbia vão para o salão, lá encontram Fedra.
_ Fedra? Comemoração no salão de beleza? Estamos velhas para isso, queridas.
Elas riem e Clara conta sobre Vitor.
_ Meninas, o Vitor estava na empresa quando cheguei e um buque com dúzias de gérberas,  lindíssimas.
_ Vai me dizer que recebeu as flores e fez as pazes com aquele ser?
_ Não. Fiquei com as flores.
_ Ficou?
_ Sim. Ele me beijou, mas fugi do beijo.
_ E ficou com as flores para lembrar dele?
_ Não, Fedra! Pedi para Mariah sumir com tudo aquilo.
_ Que bom!
_ Que alivio.
_ Ele está na cidade e vai ficar no meu pé.
_ E nós vamos te proteger.
_ Adorei. Posso saber o que faremos depois?
_ Vamos almoçar, as 15:00hs me comprometi com a Mariah que te deixo na empresa.
_ Pelo amor de Deus, seja responsável.
_ Serei.
Elas aproveitam a manhã no salão, depois seguem para a boutique predileta de Clara. Rúbia e Fedra sugerem um vestido lindo, preto, curto, maravilhoso.
_ É só um jantar, não preciso dessa produção toda. Estão exagerando.
_ Vou comprar esse para mim.
_ Rúbia é um vestido lindo, vocês estão pensando em mega produção para um jantar entre amigos?
_ Estamos, pensando que é o seu aniversário e que você merece mega produção.
_ Está bem, vou entrar no clima de vocês. Não vou questionar mais nada, querem tudo mega? Vamos para produção total. Vou levar esse, aquele scarpin azul cobalto.
_ Adorei. Está entrando no clima.
_ Quando não podemos lutar contra as loucuras das amigas, o mais fácil e indolor é enlouquecer junto.
_ Perfeito!
Elas terminam as compras e vão para o restaurante, almoçam.
_ Estou estranhando a ausência de ligação do..
_ Do canalha?
_ Do Ernesto, nem me deixa concluir a fala.
_ Ele está ocupadíssimo.
_ Para fazer um jantar para cinco pessoas? Ele fez isso outro dia e não ficou sumido.
_ Relaxa.
_ Está sentindo falta do Ernesto? Que bom sinal.
_ Não tinha pensado nisso.
_ Pois é...
_ Agora posso ir para minha casa, tomar um banho e ir para empresa?
_ Claro, madame. Eu te levarei para onde quiser.
_ Esqueci que estou sem carro, é quase um rapto.
Elas riem. Seguem para casa de Clara. Quando chegam na portaria vêem o carro de Vitor.
_ Não acredito.
_ Vamos ver se ele vai ter a cara de pau de falar alguma coisa.
_ Entra de uma vez, Rúbia.
_ Está bem!
Elas entram, Clara vai para o banho. Quando está se vestindo atende ao telefone.
_ Clara, me deixa entrar. Estou aqui desde cedo, esperando.
_ Por quê? Disse que meu dia estava cheio, não vou mudar nada para ficar com você.
_ Manda essas duas embora, diz que está com dor de cabeça e ficamos juntos.
_ Não.
Clara desliga. Acaba de se vestir e vai para empresa com as amigas. Ela segue para reunião com João Pedro e Márcio.
_ Boa tarde!
_ Clara.
_ João Pedro, tudo bem?
_ Tudo ótimo, feliz por estar aqui. Você está magnífica.
_ Obrigada! Vamos para reunião.
João Pedro é um profissional, indiscutivelmente, gabaritado para o cargo.  Eles acertam valores, projetos e conversam sobre os anos que ficaram sem se ver. No passado os dois quase tiveram um romance. Mariah avisa que todos os diretores estão aguardando na sala de reuniões. A festa está pronta, Mariah fez uma super festa. Quando Clara entra, todos cantam parabéns. Ela fica emocionada de ver todos os diretores e seus amigos: Fedra, Rúbia, Ernesto, Mesquita, Saulo e Samuel.
_ Que festa linda!  Mariah, obrigada!
_ Todos me ajudaram.
_ Saulo, obrigada por ter vindo.
_ Não perderia, você é uma bela mulher, e tenho uma grande admiração, sabe disso.
_ Agradeço.
_ Trouxe um presente, espero que goste.
Clara abre uma linda caixa e se depara com um lindo colar.
_ Saulo, é maravilhoso. Não posso aceitar um presente tão valioso.
_ Por favor, aceite. Vai me deixar muito feliz.
_ Saulo, se está me dando o colar com a intenção de... enfim...
_ Clara, te admiro e você me atrai, agora um colar não me dá direito nenhum, nem vantagem sobre ninguém. Você merece o presente.
_ Está bem, aceitarei o presente de um amigo.
_ Que seja.
Ernesto se aproxima.
_ Ernesto, que bom vê-lo, comentei com as meninas que você não tinha me ligado.
_ Sentiu falta de mim?
_ Muita.
_ Saulo, como vai?
_ Bem e você?
_ Bem.
_ Clara tenho que ir, nos encontramos na reunião de amanhã.
_ Falando nisso, deixa só te apresentar o substituto do Vitor.
_ Ah! É mesmo.
_ Sim. Amanhã te falo mais sobre o assunto. Este é João Pedro, nosso novo diretor.
_ João, bom vê-lo
_ Vocês se conhecem?
_ Sim. Você tem muita sorte. O João é um grande profissional. Posso te dizer que me animou muito.
_ Fico feliz.
Saulo se despede. Clara comemora com João Pedro, a coincidência, e eles combinam sobre a reunião do dia seguinte. Ernesto se aproxima, sente ciúmes de João Pedro.
_ Ernesto, deixa te apresentar o João Pedro, ele irá substituir o Vitor, ou melhor, ele é nosso novo diretor do departamento de projetos.
_ Muito prazer. Boa sorte!
_ Prazer. Obrigada!
Clara e Ernesto conversam. As meninas se aproximam dos dois e dizem que vão acompanhá-la até em casa.
_ Não preciso de uma equipe de segurança. Olha, vocês foram ótimas, agora preciso de um tempo para mim. Fiquem tranqüilas, estou bem.
_ Então, passamos para te pegar.
_ Não. Nos encontramos no horário combinado na casa do Ernesto, certo?
_ Está bem.
Eles se despedem. Clara vai para casa, ao chegar vê o carro de Vitor na portaria. Ela pára e conversa com ele. Não o deixa entrar. Ele começa a ligar insistentemente. Clara cede. Vitor chega e tenta beijá-la. Ela se esquiva.
_ Deixei você entrar, só que isso não significa que você está perdoado, que vai ficar aqui ou vai ficar comigo.
_ Me deixou entrar por que?
_ Porque sou uma idiota. Quer saber sai daqui.
Clara mandar Vitor embora. Ele sai rindo.
_  Você é louca.
Clara fica muito triste. Ernesto liga. Ele percebe que algo está errado.
_ Clara, o que aconteceu?
_ Percebi como estou sendo injusta comigo e com você.
_ Não entendi.
_ Vai entender quando eu chegar. Beijos
Clara liga para agradecer alguns amigos pelas flores e presentes. Depois se veste, fica linda no vestido escolhido. Coloca o colar que Saulo deu, mas decide trocar, não quer magoar Ernesto. Ela percebeu o desconforto dele.
Quando está pronta, liga para Fedra e pergunta se já chegou.
_ Já. Estamos aguardando você.
_ Todos estão ai?
_Sim.
Estou saindo de casa. Clara é seguida por Vitor, sem que ela perceba. Quando chega ao condomínio de Ernesto, percebe que ele está atrás dela, mesmo assim entra. Vitor  é barrado. Clara vê que está questionando os seguranças. Quando chega à porta da casa de Ernesto, vê que o jardim está todo escuro, tudo apagado. Ela se assusta, liga para Ernesto.
_ Oi, você chegou?
_ Sim, está tudo apagado. Aconteceu alguma coisa.
_ Uma queda de energia em parte da casa. Estou abrindo para você.
Quando Clara entra, as luzes se acendem. Todos os amigos, familiares e colegas de trabalham estão lá. Numa festa lindíssima.
_ Ernesto, que presente lindo você está me dando.
_ Tenho outro presente para você, minha querida.
_ Eu também tenho um presente para você....

terça-feira, 29 de abril de 2014

Um “doce” canalha - Parte XXIV – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? Clara tenta superar...


Na manhã de quarta-feira, Clara acorda decidida a mudar tudo, e mantém a caminhada com o Ernesto que estava muito preocupado. Eles conversam superficialmente sobre a motivação daquela tristeza, ela  minimiza os fatos. Na verdade sente  vergonha, por ter passado por uma situação tão humilhante como aquela. Marta estava certa, a mulher que sofre a agressão se sente culpada. Clara nunca imaginou viver algo parecido, menos ainda, que teria esse sentimento de culpa.
Ernesto é um cavalheiro, prepara o café da manhã para Clara. Eles conversam sobre a festa de aniversário que será na casa dele no dia seguinte. Ela não está muito empolgada, mas a vibração dele a contagia. Vitor liga inúmeras vezes, Ernesto pergunta se ela precisa de ajuda para resolver essa questão. Clara diz que o problema tem que ser resolvido por ela. Ernesto a segura pelo braço, ela dá um gemido, ele pergunta o que aconteceu. Clara, mente dizendo que bateu o braço. Ernesto desconfia que Vitor a tenha agredido.
_ Clara, o que aconteceu?
_ Nada de importante, apenas bati o braço.
_ Você tem certeza?
_ Ernesto vamos pensar na festa de amanhã.
_ Pensei em fazer um coquetel, o que acha?
_ Tenho certeza que será tudo lindo, você tem muito bom gosto. E vou adorar de qualquer jeito, porque é feito com carinho.
_ Estou aqui para o que precisar. Se você deixar, cuido de você.
_ Ernesto, sei que estou te pedindo muito... Só mais um pouco, tudo vai se resolver.
_ Espero, continuo esperando. Só que você precisa mudar tudo isso.
_ Eu quero fazer isso, e vou conseguir. Vamos falar de amanhã.
_ Começa me falando dos convidados.
_ Já falamos, o mesmo grupo que estava na sua casa no fim de semana.
_ Não quer convidar o pessoal da empresa?
_ Não. Convidaria a Mariah e o Márcio, só que teria que convidar os demais diretores, e não tenho intimidade com eles. Prefiro fazer algo na empresa, a tarde, com a sua presença. E a noite, ficamos nós.
_ Está me convidando para participar da comemoração na empresa?
_ Sim. Quero muito que esteja lá.
_ Estarei.
_ Quer escolher o cardápio da noite?
_ Não. Quero que  me surpreenda.
_ Nossa! Quanta responsabilidade.
_ Preciso ir para empresa.
_ Vou embora. Nos falamos mais tarde?
_ Podemos jantar juntos hoje, o que acha?
_ Vou adorar, que horas e onde?
_ Combinamos o horário mais tarde, pode ser aqui em casa, preparamos algo juntos, o que me diz?
_ Que a aniversariante é você, e eu estou ganhando os presentes.
_ Tenha um bom dia, nos falamos a tarde e jantamos juntos.
_ Combinadíssimo.
Clara acompanha Ernesto até a porta. O telefone dela toca, ela atende sem ver quem é. Para surpresa dela é Vitor.
_ Que bom que você atendeu.
Ela fica em silêncio.
_ Clara? Clara? Não desliga, por favor. Só me ouve. Estou muito arrependido, não dormi a noite toda, estou muito machucado, você me bateu mesmo. Me perdoa, eu quero estar com você amanhã. Posso ir para comemorarmos juntos, seu aniversário? Diz que sim, por favor. Preciso ouvir sua voz. Não consigo acreditar no que fiz. Já chorei muito, estou morrendo de vontade de olhar seus olhos verdes, de te beijar, abraçar, acarinhar, cuidar de você. Eu te machuquei?
_ Vitor nunca pensei em passar por uma situação tão constrangedora. Você é monstruoso. É frio, não tem sentimento, é indiferente ao sofrimento que pode causar ao outro. Você não machucou fisicamente, só que me feriu gravemente. Nunca esquecerei. Espero que acerte a tua vida e siga por um caminho que nunca se aproxime do meu.
_ Não posso ficar longe de você. Quero voltar, ficar com você. Passar com você o dia e a noite de amanhã, só nós dois. Vamos ficar juntos amanhã?
_ Acha que é simples assim? Me agride, me ofende e depois passamos o meu aniversário juntos, e tudo certo? Enlouqueceu? Não quero ver você.
_ Quer. Eu sei que você quer. Que não dormiu essa noite, como eu também não dormi, pensando no que aconteceu. Aposto que não comentou com ninguém para continuar comigo.
_ Está enganado, comentei sim. E vou fazer um Boletim de Ocorrência contra você, se continuar insistindo.
_ Não vai, eu sei que não. Você me quer, tanto quanto eu te quero.
_ Sua tentativa de manipulação não tem mais efeito. Tenha um ótimo dia. Na próxima semana, você deve vir para rescisão do seu contrato. Até lá.
_ Clara, eu adoro você. Minha vida só pode dar certo com você ao meu lado. Você é muito especial... Não fique triste tudo vai se resolver da melhor forma. Eu tenho tanto a te dizer...
_ Não dá pra ficar bem e  sabe disso. E a sua atitude não deixou opção.  Fique tranqüilo, a amizade será mantida com um distanciamento natural à situação. Não farei nada que te prejudique mais, até porque você se prejudica sozinho. Perdeu seu trabalho por ser relapso, perdeu tanto tempo mentindo, que deixou de fazer o que era verdadeiramente importante.
_ Você tinha a obrigação de me defender.
_ Defendi o quanto foi possível. Só que não colocaria meu cargo em risco para defender alguém que só mente, engana, manipula. Você é um falaz, me arrependo de ter me envolvido com você.
_ Gosta do meu jeito cafajeste. Sempre me chamou de “cafinha”, e era só seu demais ninguém, todo o tempo que estava com você, era seu, estava só com você.
_ Claro, o problema é que dois minutos depois, estava com quem pagava mais. Você é vil.
_ E você é linda, te adoro, minha flor.
_ Chega. Eu trabalho. Até!
_ Amanhã estarei ai, quero ficar com você.
Clara desliga. Sente uma grande tristeza, como pôde ser submissa, se comportar desta forma tão infantil, fragilizada, sensível, vulnerável ao assédio de um homem como o Vitor. Ela pensa como conduzir a situação com o Ernesto, na empresa e no dia do aniversário dela. Rúbia liga:
_ Amiga, tudo bem?
_ Tudo indo.
_ O que houve?
_ Acabei de falar com o Vitor.
_ Você atendeu? Não estou acreditando, o que esse cara está fazendo com você?
_ O Ernesto estava saindo, nem olhei quem era no telefone, atendi.  Ele me pediu perdão. O que mais me preocupou, é que ele acredita que tem o controle sobre mim. E mais, disse que estará aqui amanhã.
_ Você proibiu a entrada dele no seu condomínio?
_ Sim.
_ Pelo menos isso.
_ Vou jantar com o Ernesto hoje, aqui em  casa, só nós dois.
_ Aleluia, tomara que perceba e mude o disco.
_ Sem chance. É apenas um jantar entre dois amigos. Não tenho a menor condição de me envolver com ninguém agora. Estou muito magoada, não seria justo comigo e com ele.
_ Está certo. Tem que ir com calma.
_ Não contei para o Ernesto o que aconteceu, mas, ele percebeu que algo muito grave havia ocorrido.
_ Ele é um homem inteligente, sagaz e muito gato.
_ Concordo. Adoraria ter um botão que acionado, mudaria tudo. Só que a vida real não é assim.
_ Onde você está?
_ Em casa. Saí para caminhar com Ernesto, tomamos café juntos. Quando ele saiu, o Vitor ligou e na sequencia você. Agora vou para o banho, me arrumar, ficar linda e ir trabalhar. Tenho algumas reuniões hoje à tarde. Depois venho para casa e vou jantar com ele.
_ Será que tem tempo para um café, com sua amiga?
_ Vou pensar. (risos)
_ Então, ta. Fica com seu canalha predileto.
_ Nossa, quanta acidez.
Elas riem e combinam de tomar café no fim da tarde. Rúbia sugere que convidem a Fedra, elas sempre se divertem juntas, e diversão é tudo o que a Clara precisa nesse momento. Ela toma seu banho, se veste lindamente e vai para empresa. Mariah diz que tem alguns problemas para resolver. Clara está bem humorada e enfrenta os problemas sem perder o humor.
Saulo havia ligado, pedindo uma reunião para responder se irá ou não financiar o projeto que apresentaram. Mariah quer saber quem substituirá Vitor.
_ O Vitor não faz mais parte do nosso quadro. Chama o Márcio.
_ Márcio, precisamos de um substituto para o Vitor, teremos reunião com Saulo na sexta, você tem alguma sugestão? Temos alguém no nosso quadro capaz?
_ Não. Posso dar uma sugestão?
_ Claro. Foi para isso que te chamei.
_ Lembra do João Pedro?
_ Lembro, com certeza. Ótimo profissional. Ele não está em outra cidade?
_ Está sim. Estive com ele no fim de semana, e se tivesse oportunidade aqui, ele disse que voltaria.
_ Seria fantástico. Ele é um excelente profissional. O problema é que precisava de alguém para me acompanhar na reunião de sexta-feira.
_ Posso ligar para ele?
_ Pode.
_ Vou deixar no viva voz. João Pedro? Márcio. Estamos precisando de um profissional com seu perfil aqui na empresa, te interessa?
_ Claro, muito.
_ Estou no viva-voz. A Clara está aqui e dará maiores informações.
_ João, tudo bem?
_ Tudo. E você? Quanto tempo.
_ Pois é. Então, preciso de alguém para assumir o departamento de projetos, e que esteja aqui na sexta-feira as 9:00 horas, para participar de uma reunião com um investidor.
_ Tudo bem, estarei ai. Só preciso ver o projeto antes, e ter uma reunião com você. Pode ser amanhã, no fim do dia?
_ Pode. Assim você comemora meu aniversário com o pessoal da empresa e fica conhecendo os seus futuros colegas.
_ Já vou chegar tendo que levar presente?
_ Presente? Não precisa de nada. Estar preparado para reunião de sexta-feira é o presente que quero.
_ Agradeço o convite e espero poder corresponder.
_ Eu também espero.
Eles se despedem e Clara segue a reunião com Márcio e Mariah.
_ Clara a semana que vem, tem duas agendas em São Paulo.
_ Que dias?
_ Segunda e quinta.
_ Mariah, não posso ficar de segunda até quinta-feira, então muda a reunião de segunda para quarta, consegue?
_ Acredito que sim. E quem te acompanhará?
_ Me passa as pautas e se há necessidade de alguém, daí definimos.
_ Agora o assunto mais importante da semana, o seu aniversário.
_ Bom, isso é fácil. Amanhã a tarde, faremos uma comemoração aqui na empresa.
_ E não teremos festa?
_ Não. Mariah, você está comigo a tanto tempo, não estou no clima para festa.
_ Entendo. Posso organizar a comemoração na empresa?
_ Pode. Pode fazer como quiser.
_ Prepare-se, vou fazer uma comemoração inesquecível.
_ O Doutor Ernesto me acompanhará.
_ Nossa! Ele é maravilhoso.
_ Meninas estou aqui.
_ Márcio, você não acha o Ernesto maravilhoso?
_ Não. Ele é um grande investidor.
_ É verdade! Só que estará aqui como meu amigo.
_ Tudo combinado? Márcio você participa das duas primeiras reuniões da tarde. As demais eu faço sozinha.
_Como quiser, posso acompanhar as demais, se for necessário.
_ Está bem, se for necessário me acompanhará.
O telefone toca, é Mendes.
_ Tudo certo? Podemos encerrar?
Eles saem, e ela atende.
_ Mendes?
_ Clara tudo bem?
_ Tudo e você.
_ Tudo bem. Estou pensando em você desde ontem, aconteceu alguma coisa?
_ Como assim?
_ Não sei. Minha intuição me diz que algo aconteceu.
_ Está tudo bem.
_ Não é o que a sua voz está dizendo.
_ Mendes, tudo certo. Acabei de terminar uma reunião, estou com a tarde repleta de compromissos e ando cansada.
_ Quando vem para São Paulo?
_ Provavelmente na quarta e quinta da próxima semana.
_ Jantamos?
_ Nos falamos, podemos almoçar ou jantar, depende da minha agenda, tem algumas pendências para serem ajustadas.
_ Tenho a sua promessa, que pelo menos um café tomaremos?
_ Claro, meu querido. Farei de tudo para almoçarmos, pelo menos.
_ Está bem. Amanhã te ligo para parabenizá-la.
_ Vou esperar. Beijos
Clara abre seus e-mails, despacha com outros diretores e segue para o almoço. Pensa em convidar a Fedra para almoçar, só que acaba ligando para o Ernesto.
_ Ernesto? Pensei em ligar para Fedra e ligo para você. É grave.
_ Que bom. E você convidaria a Fedra para almoçar, acertei?
_ Acertou.
_ Já que me ligou, posso substituir a Fedra?
_ Estou passando no seu escritório.
_ Não estou acostumado com isso. Eu passo para te apanhar.
_ Estou chegando. Beijos
Clara sempre que está sozinha lembra-se de Vitor, e ainda, sente falta dele. Apesar de tudo o que aconteceu, ela ainda está emocionalmente ligada àquele canalha. Ele liga para Clara, ela não atende. Ele deixa um recado,
_ Estou com saudades de você! Quero te ver, me deixa ficar na sua casa amanhã?
_ Como ele consegue? Parece que não assimila o que fez. Tenho que me livrar dele, não posso mais manter esse sentimento, depois de tudo o que ele fez comigo. Fala Clara em voz alta.
Ela chega ao escritório de Ernesto, ele está esperando com um buque de flores. Clara se encanta com a cena. Tem vontade de descer do carro e se jogar nos braços daquele homem tão generoso. Ela buzina e ele entra no carro.
_ Flores para você!
_ Obrigada! Você é de uma generosidade...
_ Eu sou um homem apaixonado.
_ Eu uma mulher privilegiada.
_ É um sinal?
_ É o início de algo novo.
_ Que bom!
_ Podemos almoçar no Valentim?
_ Onde você quiser.
Eles seguem para o restaurante, almoçam, conversam e Clara se sente atraída por Ernesto, ou talvez, encantada com um homem tão gentil, que se doa, que é paciente, tudo o que uma mulher espera encontrar.  Ernesto  se compromete a levar os ingredientes para o cardápio da noite. Clara o deixa no escritório e volta para empresa. A tarde de Clara é repleta de reuniões, Márcio a acompanha em todas, eles formam uma boa parceria. No final do dia, toma um café com Rúbia.
_ E a Fedra?
_ Estava ocupadíssima, com o Mesquita.
_ Nossa, estão animados.
_ Pelo jeito...
_ E você amiga, como está?
_ Estou bem. Fui ligar para a Fedra na hora do almoço e liguei para o Ernesto, ato falho. Acabamos almoçando juntos. Como já estava na rua, passei no escritório para pegá-lo. Estava com um lindo buque de flores me esperando. Deu-me vontade de descer do carro e me jogar nos braços dele.
_ Por que não fez isso?
_ Porque não seria justo.
_ Está certo. E agora a noite?
_ Vamos preparar um jantarzinho juntos, um vinho, um filme.
_ Não sei como ele consegue, ficar todo esse tempo com você “respeitando”.
_ Ele é um cavalheiro, como poucos.
Elas conversam sobre o aniversário. Clara conta sobre o Mendes e que terá um novo diretor na empresa, que talvez ela goste.
_ Vou convidá-lo para amanhã à noite! Acho que você vai gostar.
_ Que bom! Não vou ficar sozinha, pelo menos terei companhia.
Elas se despedem, Clara passa na floricultura leva flores para casa. Decide dar lindas orquídeas brancas para Ernesto.

Ela prepara a casa, toma banho, se veste para encantar. Deixa a mesa linda, escolhe algumas músicas e cria um clima intimista para receber Ernesto...