sexta-feira, 25 de março de 2016

CAPÍTULO V Ingenuidade tem limite...


Augusto começa o dia feliz, acredita que sua investida deu resultado. Só não entendeu o porquê do desejo de manter tudo em segredo, mas a noite tinha sido tão intensa que ele não queria perder tempo tentando entender, até porque as mulheres têm seus mistérios e isto é o que as torna tão atraentes.
Augusto estava apostando suas fichas em alguns pré-candidatos a prefeito da sua região. Claro que uns com maiores chances e outros apenas colocavam seus nomes no cenário para o futuro. Ele sabia muito bem avaliar o potencial de cada um e, mais ainda, sabia como deixá-los sob seu comando. Exercia seu poder de persuasão com perícia, jogava para que apenas as peças interessantes avançassem  para a próxima etapa.
No grupo de Augusto está Samuel, um novato no meio político e que pretende seguir a “carreira”. Quer se eleger prefeito e depois deputado, o problema é que as escolhas o tiravam do caminho do sucesso, pelo menos do ponto de vista de Augusto.
Samuel é inseguro e teimoso, apesar de ser um nome novo e ter algum conhecimento na área política, tem um romantismo que não cabe no meio político e uma ingenuidade que muitas vezes se aproxima da burrice. Tenta imprimir uma nova marca, só que sua escola política é arcaica, apesar de ter um verniz está sempre em situações adversas, tem uma personalidade frágil e não tem liderança, resultando num comprometimento de suas ações, seu discurso é vazio e não corrobora para sua sustentação no concorrido meio político.
Para Augusto, a política é algo complexo e que precisa de pericia, algo que Samuel não tinha. Para torná-lo um candidato a altura de seu apoio, muito tinha que ser feito. A malícia política só se adquire com o tempo, com a vivência e com as negociações. Samuel não era um bom negociador, parecia implorar ajuda e não se impunha  numa mesa de negociações, algo crucial para alguém que deseja trilhar no meio político.
Samuel temia Augusto, porque sabia que era um homem autoritário e centralizador, habilidades que ele não possuía. Todas às vezes, que precisava falar com Augusto procurava alguém para acompanhá-lo e se possível solicitava que um assessor fosse em seu lugar. Tinha um receio enorme em cometer algum erro ou dizer algo que pudesse comprometer sua carreira política, sabia que dependia do apoio de Augusto para se candidatar.
Augusto chama Samuel para orientá-lo sobre algumas medidas que deveria tomar, o momento era de ajustes partidários. Logo percebeu que a inexperiência de Samuel poderia comprometer a conquista de novos parceiros. Pensou em alguém que pudesse orientá-lo. Decidiu que conversaria com sua amiga, quem sabe ela poderia ajudá-lo, a única coisa que teria que resolver é o ciúme que sente.
Ernesto está em meio à tempestade, sua vida está sendo vasculhada e ele vigiado por todos, imprensa, colaboradores e pares políticos. Cada passo dado tem que ser meticulosamente medido. A pressão é grande, as ações ganham outro peso e ele está sentido. A fragilidade dele traz um desconforto para o governador, que fica exposto também. Ainda, tem que resolver a questão do pré-candidato que terá que desistir para atender ao combinado com Augusto. O stress toma conta do dia. Na percepção dele há uma grande crise política eminente, que o desestabilizaria, já que desempenha o papel de moderador no governo. Toda crise obriga aos atores envolvidos se reinventarem, o problema é que não sabia como fazer, sem se colocar em risco e blindar o governador.
A crise no meio político tem efeito cascata, porque todos estão interligados. Quando Ernesto aparece no noticiário como alguém que está sendo investigado, Augusto comemora. Como é interessante a política, quem comemora o desconforto de um acabara de vivenciar uma crise em seu governo. O que importa é o enfraquecimento de seu opositor, neste caso é o chamado “fogo amigo”, porque os dois pertencem ao mesmo partido e grupo político.
Enquanto isto, nos bastidores, as intrigas, mentiras e apunhaladas pelas costas rolam solta. Samuel tem uma assessoria que dispensa apresentação, por ser inseguro foi agregando em seu grupo pessoas de índole duvidosa, causando ao longo do tempo danos irreparáveis ao seu projeto. Quem está a frente de um projeto sofre inúmeras afrontas e precisa engolir muitos sapos, tem que ter equilíbrio emocional e ser indiferente a certos achaques. Tem aqueles que vivem das migalhas dos outros, os que gostam de promover a discórdia, esses quase sempre não constroem nada, e tem os que ficam adorando a todos, buscando ser necessário. Administrar todos esses perfis é uma tarefa árdua, Augusto e Ernesto, sabem muito bem como tratar esses personagens, que muitas vezes, são necessários dentro do cenário político.
Ao lado de Samuel está Coriolano, um novo assessor, dissidente de uma bandeira política de oposição, chegou com vontade de desconstruir a equipe ao qual pertencia. Alguns alertavam sobre o perfil arrogante e prepotente de Coriolano e que, assim como, naquele momento ele estava contra seu antigo partido, amanhã faria o mesmo com Samuel. O afã de conseguir “engrossar o caldo” promoveu fissuras profundas e jamais curadas. Impediu que Samuel percebesse que  abrigara  em seu ninho um esquerdista, corrupto, capaz de roubar,  mentir e de praticar crimes fiscais para manter sua vida estável.
A chegada de Coriolano causou muito desconforto, a postura dele destoava do contexto político do grupo de Samuel, as diferenças de opiniões eram gritantes. Coriolano se dizia um expert em planejamento político, era possível, no entanto, ele tinha uma linha de raciocínio que era antagônica a adota pelo grupo que antecedia a chegada dele, daí o começo dos conflitos.
Samuel estava num momento de muita cobrança, ele tinha que definir sua filiação partidária. Estava filiado a um partido em acessão, no entanto, com grande dificuldade de se manter. Do outro lado, Augusto tentava abrir espaço no partido dele para Samuel, o que não estava nada fácil. Muitas negociações abertas e poucos avanços, Samuel não passava segurança dificultando as investidas de Augusto, mesmo ele tão experiente e com grande poder de negociação tinha suas limitações. O partido sempre olha as futuras eleições e não abre espaço para um candidato que não seja promissor.

Augusto consultou a pessoa de sua confiança no grupo de Samuel, e já sabia das limitações e dificuldades de negociação dele. Tentou articular a ida dele para seu partido, mas Samuel colocou tudo a perder caindo em uma armadilha orquestrada por Carlos Eduardo...

segunda-feira, 14 de março de 2016

CAPÍTULO IV - Negociar é a ordem


Ernesto chega a Verdes Mares, cidade vizinha a Alegre. Encontra sua antiga parceira, os dois conversam e ele sai mais aliviado e otimista, conseguiu uma aliada para sua batalha com Augusto. Eles almoçam juntos e Ernesto parte para Alegre, onde é aguardado. Uma reunião a portas fechadas com Augusto e mais um problema para resolver. Ele conseguiu aplacar a situação acordando que recuaria no momento oportuno, e tiraria o seu pré-candidato da disputa. Muitas vezes é preciso cortar na própria carne, o desafio agora é convencer seu pupilo de que não é o momento para se candidatar, ele jamais poderia saber que foi parte de um acordo com Augusto, seria devastador e Ernesto o perderia. O momento exigia destreza e qualquer perda seria inadmissível.
Na volta para capital, Ernesto é informado que Gilberto agendou uma reunião para manhã do dia seguinte com todo seu staff e que a crise na segurança pública e as denuncias estavam na pauta. Tratou de ligar para seus assessores de imprensa e jurídico e marcou uma reunião para noite, precisava estabelecer uma estratégia para se defender das acusações infundadas que estava sofrendo. Ligou para o Secretário de Segurança Pública para sentir se a reunião tinha surtido efeito.
Em Alegre, Augusto se encontra com Marcelo, Samuel e Fabrício para uma reunião de urgência, precisava participar seus apadrinhados de que o jogo seria pesado e esclarecer que não deviam criticar ou se posicionar no caso do  anuncio do pré candidato apoiado por Ernesto.
                _ Não me façam perguntas, apenas façam o que estou mandando.
Fabrício, que em tese seria o mais prejudicado, questiona se algo será feito para reverter o caso. Augusto se irrita e deixa claro que não é para tomar partido de nada, o momento é de silenciar. Estrategicamente, o momento é de recuar para contra-atacar, tem que se ter muita calma, a derrota momentânea garantirá a vitória final.
Marcelo demonstra todo o seu descontentamento, não gosta de recuar nunca. Samuel é mais inexperiente e prefere ficar na zona de conforto, tem muito receio em se posicionar e escolher o lado errado. Antes de tomar qualquer decisão, se reporta a um assessor que o orienta sobre como se posicionar numa ou noutra situação.
Augusto estava sofrendo pressão de todos os lados, a oposição estava revirando as gavetas dele para encontrar algo que pudesse incriminá-lo. Seu perfil não agradava a todos, muito embora fosse um político capaz de aglutinar apoio, tinha aqueles que o odiavam pelo seu jeito autoritário e agressivo. A vida pessoal de Augusto o deixava exposto, ele sempre gostou de bebidas e, às vezes, utilizava outras substâncias para manter a excitação. E as conseqüências eram sempre devastadoras, se expunha publicamente e a oposição não perdoava.
Naquele momento, ele precisava agradar a oposição, para minimizar os estragos que uma festa ocorrida no fim de semana em seu apartamento, tinha lhe causado. As fotos que estavam nas mãos dos vereadores da oposição eram altamente comprometedoras. E as exigências feitas pelos opositores eram surreal. Ele não tinha muitas opções, tinha que sentar para negociar.
Negociar não era problema. Sempre foi bom negociador, era um empresário respeitado e que atuava em vários ramos. Agora, engolir os risos e as alfinetadas dos vereadores quanto a sua performance depois de uma noite de pura farra, era algo que ele não sabia administrar. A pressão era grande e ter que negociar com quem estava tentando levar vantagem de uma situação da vida privada, era o mesmo que ter que engolir uma espada, cortava na alma.
A mesa de negociações foi aberta, os ânimos estavam exaltados. Todos se sentiam no direito de fazer solicitações das mais variadas, de cargos até prestações de serviços públicos e indicações para parentes. Augusto perdeu a paciência, jogou as cartas para o alto.
                _ Se vocês querem me ferrar, me ferrem. Não vou negociar com ninguém. Estão pensando o que? Que vão chegar aqui e me chantagear assim? Estão loucos?
Os nobres edis não esperavam por aquela reação. Ficaram atônitos, todos se olhavam como se não acreditassem na reação dele. Eles não sabiam como reagir àquela atitude, não tinham um plano B. A decisão foi sair e estabelecer uma nova estratégia.
                _ Querem negociar? Vamos fazer isto abertamente, em público, querem? Esbravejava Augusto.
Ele tinha consciência do que estava falando, sabia que seria impossível e os vereadores também. Naquele momento era a única coisa que ocorria para que ele ganhasse tempo e pudesse chamar para uma negociação individual,  o que deixaria a conta muito menor. Ele sabia que uma conversa reservada poderia até ser lucrativa, já que também tinha algumas informações sobre um ou outro vereador. Claro que não colocaria estas informações na mesa com todos juntos, agora numa conversa reservada, cada um mostra seu poder de fogo.
Logo que deu por encerrada a reunião e os vereadores saíram, o primeiro se apressou em ligar. Ele comemorou, estava certo. Atendeu e decidiu que só atenderia dois dias depois. Agendou e ficou aguardando o próximo telefonema. Como esperado, todos ligaram e as agendas foram feitas. Alguns tinham pretensões futuras e ele sabia muito bem barganhar com eles neste campo. Ter o apoio dele para as próximas eleições era muito importante para quem pretendia se reeleger ou se candidatar a vice-prefeito.
A noite chegou e ele foi para casa, aliviado. No caminho, decidiu ligar para alguém com quem  tinha uma relação especial.
                _ Tá onde?
                _ Em casa. Diz a voz do outro lado.
                _ Vem pra cá, estou precisando conversar com você.
                _ Hoje não posso.
                _ Por quê?
                _ Depois te falo.
                _ Preciso muito conversar com você, meu dia foi péssimo. Começou com uma reunião horrível e terminou pior ainda. Vem pra cá, estou pedindo.
                _ Não tenho como. Vem você...
                _ Não pode vir aqui e eu posso ir até ai?
                _ Pode.
                _ Vou passar no apartamento deixar umas coisas e vou.  Você vence sempre.
                _ Estarei te esperando.
Augusto segue para seu apartamento, guarda alguns documentos em seu cofre particular.  E pega uma caixa com um belo anel. Ele estava decidido a presentear sua querida amiga. Já tinham uma relação de muitos anos e acreditava que o momento era para dar um passo mais sério. Só uma coisa incomodava Augusto, a sua querida amiga tinha uma proximidade com um desafeto político, mas ele acreditava que podia resolver facilmente isto.
Na capital, Ernesto se encontra com seus assessores em seu apartamento. Paulo apresenta uma matéria que soltaria na imprensa com as explicações de Ernesto para os assuntos que estão sendo explorados pela oposição. O jurídico traz boas e más notícias, deixando-o mais tenso. Sabe que a reunião da manhã seguinte será tensa e que Gilberto não irá tolerar falhas. Quando termina a reunião, uma ligação.
                _ Tudo bem? Pensou no meu pedido?
Ele ouve o que esperava. Seu pedido estava sendo atendido. Motivo para comemorar.
                _ Se estivesse aqui tomaríamos juntos um bom vinho.
Ele desliga e pensa que tudo poderia ser diferente se ele tivesse investido mais naquela relação. Só que o tempo passou e tudo ficou para trás.
Na manhã seguinte, a reunião com Gilberto é muito tensa. Todos são cobrados e novas metas são estabelecidas, alguns erros são inaceitáveis e Ernesto é cobrado. Ele se sente na berlinda, segura a ira e leva a reunião até o fim. As noticias de sua interferência na Secretaria de Segurança Pública foram positivas. O Secretário da pasta trouxe boas notícias, os ânimos estavam mais calmos, agora as propostas precisavam ser colocadas em prática. Gilberto parabeniza Ernesto, que respira aliviado, esta demonstração de confiança é muito importante para que todos saibam que a relação entre eles está preservada.
O momento era de negociação, as eleições municipais estavam próximas. Ernesto tinha muitos municípios para administrar e um problema para resolver, retirar a candidatura de seu pupilo como prometeu para Augusto.

sábado, 5 de março de 2016

CAPÍTULO III - Nos bastidores do poder muitas discussões acaloradas


Augusto chega a Alegre, um município planejado e em desenvolvimento, administrado por ele com pulso firme.  Ao saber das notícias e do lançamento da candidatura de um desafeto, ficou extremamente irritado. Chamou Nilson, seu assessor pessoal de longa data e pediu que averiguasse os fatos. Ligou para Ernesto e cobrou que o jogo fosse limpo, avisou que também poderia jogar pesado, o que não seria benéfico para ninguém.
Seguramente, o assunto seria responsável por parte do dia de Augusto, que não é um homem que se deixa vencer fácil. Não admite perder e sabe traçar uma estratégia como ninguém. Aproveitou para fazer algumas ligações e apurou algumas fragilidades de Ernesto, pensou que seria positivo ter uma carta na manga.
A notícia repercutiu em todo o meio político, para quem não é do meio, pode parecer pouco, já que não há um só candidato por região, no entanto, para um político do calibre de Augusto era extremamente grave e altamente vexatório. E um homem como ele, jamais deixaria de assumir as rédeas da situação, faria de tudo para reverter e impedir a candidatura de seu desafeto.
Ernesto logo percebeu que sua jogada causaria dor de cabeça. Gilberto não havia gostado nada das conseqüências da manobra política feita, e fez questão de esclarecer com Ernesto que aquele passo colocaria em jogo outras “costuras” políticas que envolviam Augusto, que era uma das mais importantes e respeita liderança da região.
                _ Ernesto, sabe como está sendo difícil convencer o Augusto e ter o apoio dele nas matérias que precisamos aprovar dentro da Assembléia. Fazer uma guerra de braços com ele agora não vai nos ajudar.
                _ Sei disto, Gilberto. Por outro lado, criamos um fato político que promoveu inúmeros questionamentos, na nossa base e na oposição. E isto pode nos favorecer, assim tiramos o foco das questões que estão ganhando espaço na imprensa.
                _ Temos que apurar os fatos, não quero minha administração manchada por irregularidades, que supostamente foram desenvolvidas por outros. Vou afastar todos aqueles que tiverem seus nomes envolvidos em possíveis irregularidades, todos que forem denunciados  pelo Ministério Público serão afastados, ficou claro?
                _ Já entendi. Vou tomar minhas providencias. E vou ligar para o Augusto.
                _ Saio em viagem após o almoço, sugiro que você permaneça e inicie ações para corrigir os problemas que estão ganhando espaço na mídia. Está é a única forma de resolvermos, não é criando outro factóide.
Ernesto sai da sala de reuniões enfurecido, acreditava que demonstrar ao Augusto seu poder de articulação era uma medida positiva, capaz de delimitar espaços. Logo sentiu que a luta com Augusto não seria fácil. Ao chegar a seu gabinete, recebeu a notícia de que seus apadrinhados que estavam em empregos na região do Augusto tinham sido demitidos. Ligou para todos os envolvidos e não obteve retorno positivo.
O momento não era bom, denúncias e desgastes dentro do governo, exposição pública de sua vida pessoal, parecia que Ernesto vivia seu inferno astral. Entre uma reunião e outra, pensou em alguém que poderia ajudá-lo, não perdeu tempo ligou imediatamente para uma parceira com quem não falava desde outro episódio de ordem pessoal.
                _ Preciso da sua ajuda, é muito importante.
                _ Quem é?
                _ Faz tanto tempo que não tem mais o meu número registrado?
                _ Ernesto? Está precisando de alguma coisa?
                _ Preciso que venha até aqui, temos que conversar.
                _ Não tenho nenhuma viagem programada.
                _ Preciso da sua ajuda, preciso falar com você pessoalmente.
                _ Pegue um helicóptero e venha até aqui.
                _ Você está me tratando com tanta frieza, está magoada ainda... Vamos tentar apaziguar isto,  mando um carro para te apanhar, pode ser assim?
                _ Não. Tenho meus compromissos, senhor secretário de estado.
                _ Entendi. Vou tentar resolver de outro jeito, agradeço pela atenção.
Ernesto fica intrigado. Acreditava que seria atendido imediatamente, ela sempre o atendeu. Será que tinha perdido mais uma para o Augusto? A situação se agravava, o dia estava intenso e repleto de problemas. Além dos problemas diários, tinha que resolver as questões políticas, encontrar soluções para situações administrativas que envolviam outros secretários e melindres, conseguir se defender das acusações que estava sofrendo, parecia enlouquecedor.
Conseguir contornar egos é um desafio, qualquer decisão que tomasse iria ferir um aqui e outro ali. A arte da negociação é para poucos, Ernesto era bom nisto. O primeiro e mais importante problema a ser solucionado, era uma crise no alto comando da segurança pública que estava tirando o sono do Governador, cabia a ele equacionar os conflitos  e arrefecer os envolvidos.
No meio político, mais do que em outras áreas, as discussões tem sempre dois lados. As questões partidárias e de território são sempre muito valorizadas. Ao contrário do que deveria ser, nem sempre as atitudes e escolhas tem como foco o bem estar da população, muitas vezes os interesses políticos e partidos se sobrepõe aos interesses da massa.

Ele chamou o alto escalão da Segurança Pública e tentou exaustivamente contornar os problemas existentes entre o secretário da pasta e os comandos das policias, militar e civil. Nem parecia que estavam todos no mesmo barco, eram trocas de acusações e farpas para todos os lados. O principal motivo, o novo comandante da Polícia Militar chegou promovendo uma limpeza no seu efetivo, em 1 mês tinha prendido mais de 100 policiais corruptos. Causando certo descontentamento dentro da corporação. Dentro da Policia Civil a falta de efetivos era o maior problema, os casos de corrupção interna que vinham sendo investigados a todo vapor estavam sendo deixados de lado, com desculpa de número insuficiente de pessoal, para o Secretário de Estado, uma desculpa para acobertar os corruptos que se escondem atrás dos distintivos e coletes.
A pressão era grande, queriam a cabeça do Secretário que por sua vez queria trocar os dois comandos. A posição do Governador era de manter todos e melhorar o relacionamento, ele sabia que todos tinham  certa razão e que mediar um acordo entre eles era menos danoso no momento político que enfrentava. Ernesto tinha esta tarefa para cumprir. Em 30 minutos de reunião, houve só trocas de acusações e exposições dos pontos fracos de um e outro. Para tentar equacionar a situação, Ernesto podia fazer concessões  e as fez.
Determinou a abertura de novos concursos para aumentar o efetivo da policia civil, melhorias nos benefícios e investimento em novos equipamentos. A polícia militar, também receberia novos equipamentos e, finalmente,  um projeto de lei propondo   que as armas apreendidas pudessem ser utilizadas pelas policias seria enviado para a Assembléia.  O Secretário da pasta deveria diminuir os índices de criminalidade, os maiores da última década, e precisava do envolvimento e emprenho de todos. Após estabelecerem prazos e metas, a reunião terminou com um clima menos hostil.

Ernesto saiu exausto, pensando em como conduzir os problemas com Augusto. Tinha que pensar em alternativas rápidas, como precisava conversar com sua antiga parceira ele decidiu ir até a região. Nada melhor do que uma conversa franca  e cara a cara. 

quarta-feira, 2 de março de 2016

CAPÍTULO II A festa continua


Alguns saem à francesa. Preferem não permanecer na parte mais quente da festa. Depois de  certa hora, o clima esquenta, todos já dançam sem se preocupar com o ridículo. A sensualidade se espalha, algumas pessoas se aproveitam para conseguir pequenos favores, outros apenas se divertem. Fotos são proibidas, melhor não haver registro destes momentos.
As decisões que foram tomadas antes são cochichadas aqui e ali. Um diz que saiu vitorioso porque conseguiu finalizar uma negociação de meses, outro que conseguiu liberar um processo que se arrastava e outro diz que tem uma promessa de trabalho. Assim, cada um do seu modo, conta uma vantagem. Entre uma bebida e troca de caricias, alguns arriscam outras negociações.
Neste contexto está Fabrício, um jovem promissor e extremamente sedutor que sabe usar seus encantos como ninguém. Ele mantém quase todas as assessoras de “seus padrinhos” fieis aos seus “sonhos”. Com chances de galgar o cargo de prefeito de Felicidade, tem seu foco no apoio das principais lideranças de seu partido.
Fabrício se jogou na pista de dança e logo foi fisgado por uma modelete que fora convidada por um de seus padrinhos. Ele nunca investia em alguém só para satisfazer seu desejo, sabia que podia conseguir algumas informações preciosas e usaria seu poder de sedução para garantir mais uma fonte.
Naquela festa todos podiam se dar bem, Benito era o típico capacho, vivia das migalhas deixadas pelos outros, sempre na espreita a espera de um político desavisado que pudesse olhar pra aquela figura asquerosa. Ele era um tipo pouco atraente,  andava sempre mau vestido e mau cheiroso, sempre com uma postura de fracassado. Ele é advogado, nunca teve sucesso, tentou a vida política e vive desta sua única tentativa, apesar de já ter passado 10 anos.
Ao ver Benito,  Fabrício decide maneirar porque sabe que pode ser “lembrado” depois do que estava fazendo naquela festa. E Fabrício não era o tipo que ficava nas mãos de ninguém. Ele fez escola com Augusto, que era muito perspicaz e sabia fazer o outro dever algum favor a ele, mas ele jamais devia favores...
Benito não costumava se da bem nas festas, era desprezado porque todos sabiam de sua estória. Ele não convencia ninguém, era o típico mentiroso e tentava enrolar a todos. Acreditava que bajulando um ou outro conseguiria facilitar alguma coisa. Trabalhar não era exatamente algo que ele desejava. Procurava sempre aplicar um golpe que lhe rendesse algum dinheiro para sobreviver por alguns meses.
A casa ampla deixava o som ecoar pela madrugada. As cortinas de seda, os tapetes e os cristais encantavam aos olhos dos mais atentos. A bela casa era de um grande empresário do ramo da construção civil, muito utilizada para reuniões políticas das grandes lideranças da nação. Aquela altura as duas piscinas já estavam movimentadas, a noite de verão convidava a um mergulho.
Entre um whisky, um mergulho e celulares que tocavam na madrugada, os empresários aproveitavam para afinar a conversa com as lideranças políticas, era garantia de uma porta aberta no dia seguinte. E assim a noite seguia.  O momento político era tenso, as eleições estavam se aproximando e muitos interesses estavam em jogo. Alguns eram ambiciosos, tinham pretensões de serem indicados para o senado ou câmara federal, só que nem sempre as pretensões e o estofo político eram compatíveis.
Otelo era um destes casos. Filho de um político conhecido, que fora envolvido em alguns escândalos, tentou a carreira de marketing político, sem ter grande ascensão voltou-se,  como seu irmão, para a política. O perfil de Otelo era de bom moço, sempre submisso a esposa, ao pai e aos irmãos mais velhos. Tinha problemas com sua auto-estima, porque era um homem com um tipo físico que fugia aos padrões estéticos da moda.
Sua retidão de caráter, muitas vezes, era um grande problema para obter espaço no meio político, não era exatamente alguém que pactuava com as amarrações feitas na madrugada, em festas e regada a bebidas, como  a que acontecia naquela noite. Otelo estava na festa porque precisava garantir a indicação de um velho amigo de seu pai. Mesmo contrariado e incomodado, mantinha-se firme ao seu propósito, em seu intimo acreditava ser capaz de fazer a diferença. Diante dos fatos, teria Otelo alguma chance de fazer a diferença?
A madrugada passa rápida e o dia começa a amanhecer. Alguns já se preparam para tomar o café da manhã e seguirem para seus redutos políticos. No jornal da manhã, já aparece uma nota sobre a indicação de um nome para deputado federal, alguns olhares e sorrisos confirmam que a negociação tinha se dado naquela noite, durante a festa.
Ernesto comemora a noticia, o nome sugerido por ele havia sido anunciado como pré-candidato a deputado na região política de Ângelo. Esta era uma grande vitoria, era mais um passo dado para convencer Ângelo a apoiar Saulo.
Ernesto liga para Paulo seu assessor de imprensa.
                _ Cada peça movimentada acertadamente é um avanço. Você foi muito eficiente tornando noticia logo pela manhã.
                _ Usei minha fonte, sempre infalível, respondeu Paulo
                _ Mantenha seus contatos, sabe como são importantes. Parabéns!
Durante o café, Pedro que é o dono da casa, comemora com Ernesto a cartada de mestre dada por ele.
                _ Foi perfeita a sua manobra. Depois desta, o Ângelo entenderá que o melhor é compor, assim todos ficarão confortáveis.
                _ Sabe que com o Ângelo não é assim,  só é bom quando ele dá as cartas. Será uma luta difícil. Ele vai revidar.

Ernesto recebe uma ligação de Ângelo que está possesso com o que aconteceu. Logo diz que não aceitará afrontas deste tipo, mexer no território dele é inadmissível. A discussão é acalorada. Ernesto deixa a mesa de café e vai para o jardim. Tenta amenizar sem sucesso a fúria de Ângelo. Quando caminha de volta para tomar seu café, recebe uma ligação de Gilberto que pede que ele não se meta em discussões desnecessárias com Ângelo, porque ele precisa da liderança dele para a campanha de Governador. Ernesto percebe que foi longe demais.

Livro: Entre o cinza e o vermelho: poder, traição e sedução

Uma noite festiva
Uma festa que se torna o assunto da semana. Uma noite regada a bom whisky e muitas negociações. Jazz e blues, comida de qualidade como foie gras, e o verdadeiro champagne. Mulheres bem vestidas circulam pelas salas da casa imponente e de alto padrão. As conversas são animadas, muitas gargalhadas. As trocas de olhares ou um aceno de cabeça podem significar muito, podem  representar muito.
Uma conversa reservada, entre dois ou três personagens, e um reposicionamento na manhã seguinte, muda o rumo de um país. As negociações são sempre feitas na calada da noite, regada de  boa bebida e  mulheres prontas para atender os desejos daqueles poderosos.
Sempre há uma troca de favores entre eles, um cede aqui e ganha logo ali na frente. As relações entre eles não são de confiança, são baseadas no que cada um pode perder se trair o outro. O jogo é pesado, uma peça movimentada fora de hora e a derrota é certa. Quem tem mais sangue frio e é mais racional tem mais chance de avançar no meio e galgar os altos cargos. Por outro lado, o segundo escalão é feito de pessoas que se submetem aos desejos e imposições dos detentores do poder.
As mulheres que circulam neste ambiente, são quase sempre, do segundo escalão. São poucas as que conseguem abrir espaço no meio, e quase sempre são as que representam as minorias, que as fazem reféns de uma causa e impedem que se  destaquem. Uma ou outra, foge do padrão, pena que não duram muito tempo na mídia.
Os grandes pensadores e analistas, em seus discursos, dizem que a realidade deve mudar, só não identificam uma personalidade capaz de mobilizar a massa para que isto aconteça. Enquanto isto, entre um whisky, uma paixão de uma noite e um aceno de cabeça, as decisões são tomadas, e interferem na vida de milhares de pessoas, que não fazem a menor ideia do que esta acontecendo enquanto elas dormem em seus lares, com suas famílias.
Muitos copos de whisky e muitas gargalhadas, até a decisão final. Ernesto precisa convencer Augusto de que o melhor é apoiar Saulo como representante do grupo político deles na negociação, que poderá abrir uma investigação, que causará problemas para muitos dos presentes naquela festa.
Augusto e Ernesto, já foram grandes amigos e parceiros de festas em alto mar, regada a muita bebida e mulheres. Só que no momento, a relação entre eles é  fria e repleta de recalques, causados por uma apunhalada proferida por Ernesto. Augusto só queria uma coisa, que todas as suas vontades fossem atendidas.  A negociação era simples, bastava o seu interlocutor aceitas suas exigências e tudo estava certo.            
Ernesto apelou para o bom senso e para algumas trocas possíveis, liberações de processos e projetos que estavam empoeirando em gavetas, diante da burocracia que emperra os serviços públicos.  Augusto resistiu e disse que tinha outro candidato. Na realidade, ele e Saulo atravessam um momento de distanciamento, em função de discordância que resultou na ausência de votos para Júlio, fazendo Augusto amargar sua primeira derrota.
Augusto decidiu apoiar  Benicio, que apesar de representar a mesma ideologia política tem uma visão menos preservacionista dos seus pares. Para Benicio, aquele que tiver problemas que os resolva. E naquele momento, este pensamento, ia de encontro com o de Augusto. Já que Ernesto parecia estar na berlinda, sendo citado numa das gravações que envolvia um de seus colaboradores.
Já é madrugada, as disputas estão acirradas, de cadeiras em comissões, as mulheres que desfilam pelos salões. Gilberto é sempre reservado e mantêm uma distância segura de problemas, sejam eles políticos ou pessoais, é uma liderança regional que está num alto cargo e que mantém uma vida familiar e profissional distinta e simples. Um homem sério, que sabe muito bem reverter uma situação desfavorável, como poucos. 
Ele apenas observa todos os movimentos enquanto circula pelos vários grupos que se formam por aquelas salas. Ele observa a todos, ouve a todos e nunca fica até muito tarde. Antes de sua saída discreta, chama Ernesto e diz o que precisa fazer e com quem falará. Ernesto nem sempre concorda, mas sempre segue as determinações de Gilberto.
A festa estava animada, depois de muitas gargalhadas e muitas discussões, Ernesto e Augusto não chegaram a um acordo. Ernesto conhece alguém que é próxima de Augusto, ele a  chama e pede sua ajuda. Ela reluta porque sabe que é muito difícil demove-lo de uma decisão já tomada. Ernesto insiste, sabe que a amizade deles incomoda Augusto e usa isto para criar uma situação desgastante e alcançar seus objetivos.

Depois das 2 horas da madrugada, as decisões importantes dão espaço a curtição. Muitas risadas, olhares insinuantes e contatos trocados e encontros marcados. Agora a festa começa...

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

VENCI


O sol, brando, no seu reinado
Os meus sentimentos, no coração, arruinados

Pedaços, cacos infinitos de paixão
Deixando em seu âmago o vazio da solidão

Solidão, o advento de agostos amargos.
Para você, os sentimentos meus, são letargos

Oh! Coração sofrido e desiludido
Seja loquaz, quando a solidão for voraz.

Decifre o amargo, solidão de injúrias
Sofrimento falso, na sua fúria.

Solidão em meu coração aniquilada
Estou apaixonada

Solidão nunca mais a encontrarei
Amo e sempre amarei

Sou feliz, amada
Venci

A solidão, hoje, calada...

Claudia Paschoal

terça-feira, 13 de maio de 2014

Um “doce” canalha - do capítulo XXXII ao XXXVI


A semana começa complicada para os amigos, Clara e Ernesto voltam logo cedo para cidade, eles têm compromissos. Rúbia e Mendes voltam com Mesquita e Fedra, que dá apoio a Mendes durante as reuniões de Rúbia. Ernesto segue para seu escritório, no final da manhã tem uma reunião com Clara, Márcio e Mesquita para detalharem os projetos aprovados por ele na semana anterior.
Clara, decide passar em casa, antes de seguir para empresa. Liga para Mariah e avisa que chegará uma hora mais tarde. Ela desfaz as malas, toma um banho na tentativa de relaxar e ganhar um pouco de ânimo para cumprir com todos os seus compromissos. Quando liga seu celular, descobre que Vitor ligou insistentemente, durante todo o final de semana. Decide não ver as mensagens, para manter-se distante dele. Toma um chá, enquanto cuida de suas plantas e segue para empresa.
Ao chegar, Mariah avisa que Vitor esteve na empresa a procura dela, Clara avisa que não irá atendê-lo. Márcio se aproxima e diz que está a disposição, caso precise de ajuda. Ela agradece e pede para que Mariah traga a agenda da semana e avisa Márcio que precisam conversar antes da reunião com Ernesto. Mariah traz a agenda e elas começam ajustar a semana.
_ Hoje tem reunião com Doutor Ernesto, Marcio e Doutro Mesquita.
_ Inclui o João Pedro. Antes, quero conversar com os dois.
_ Certo. A tarde tem uma reunião com a sua equipe técnica, tem alguns ajustes em projetos que estão em andamento.
_ Verifica a possibilidade de transferirmos para amanhã,  porque preciso da tarde livre.
_ Sem problemas, eu já comunico a todos.
_ Ótimo. Tem alguma viagem esta semana?
_ Sim, para São Paulo na quinta-feira, com aquele grupo que investiu nos projetos que estão precisando de ajustes.
_ Então, façamos essa reunião amanhã cedo e me manda por e-mail todos os projetos que serão discutidos, porque à tarde vou estudá-los. Quero que o João Pedro me acompanhe na reunião de quinta-feira. Podemos voltar no mesmo dia?
_ Aviso. É possível voltar, salvo se outra reunião for  confirmada para sexta.
_ Espero que não seja, gostaria de ficar a semana toda aqui, uma semana sem viajar, estou sentindo falta de ficar na minha casa. Além disso, quero fazer uma agenda com cada departamento da nossa empresa, e passar alguns dias em cada um, você agenda para mim?
_ Sabe que já me perguntaram se faria isso, estão acostumados.
_ É importante, fortalece o laço com todos nossos colaboradores e sempre tenho gratas surpresas, lembra da última vez?
_ Sugeriram aquele projeto maravilhoso na área de sustentabilidade ambiental, não foi?
_ Foi. De grande valia para nossa empresa, na verdade para qualquer empresa, independente da área de atuação. Economizamos muito possibilitando investimentos para os próprios colaboradores.
_ Vou manter essa agenda.
O telefone de Clara toca, é Vitor.
_ Alô!
_ O que está acontecendo?
_ Nada, por quê?
_ Você passou o fim de semana com os telefones desligados, estava querendo me enlouquecer?
_ Acredita, realmente, que faria alguma coisa pensando como você reagiria àquela ação?
_ Sei que não me esqueceu.
_ Engano seu. Vitor,  estou namorando o Ernesto, como você sempre disse: game over.
_ Que palhaçada é essa? Namorando aquele insuportável, enlouqueceu?
_ Não. Percebi o tempo que perdi e decidi aproveitar cada momento com uma pessoa de verdade, que vive no mundo real. Você me ligou por quê?
_ Porque quero te ver. E quero que converse com o Augusto, para reverter aquela situação, não posso ficar sem emprego e terá que resolver isso. Além disso, estou duro e preciso de dinheiro.
_ É brincadeira, não é? Não vou falar com o Augusto em hipótese nenhuma, e nunca mais quero ter o desprazer de te ver. Ah! Empréstimo é no banco... Boa sorte!
_ Não faz isso, porque vai se arrepender. Vou acabar com essa sua palhaçada com o Ernesto, pode esperar.
_ Tchau!
Clara percebe que a fala de Vitor não a incomoda como antes. Mariah avisa que Márcio e João Pedro estão aguardando.
_ Pede para entrarem.
_ Bom dia! Tudo bem Márcio?
_ Tudo e você, liguei no fim de semana para avisá-la que permaneceria em São Paulo, só dava caixa postal.
_ Passei o fim de semana no campo e sem sinal de telefone e internet, deviam experimentar é uma experiência fantástica.
_ Não conseguiria, entraria em síndrome de abstinência, preciso de interatividade
_ Eu gostaria de passar por essa experiência, pode me convidar Clara.
_ Márcio, da próxima vez aviso você, a casa é espaçosa e será bom ter mais amigos por perto. O João Pedro ficará de fora, já que não consegue ficar sem contato com o mundo virtual.  Vamos começar nossa reunião.
Eles conversam sobre os projetos e João Pedro traz novas propostas. Clara pede que ele as apresente na reunião com Ernesto. Márcio sente-se incomodado. Mariah avisa que Ernesto e Mesquita estão na sala de reuniões. Eles seguem ao encontro deles, Clara cumprimenta  a todos com um aperto de mãos, Ernesto estranha a atitude dela. A reunião começa com as propostas de João Pedro, muito bem recebidas por Ernesto. Durante a reunião, Mariah entra e deixa um recado para Clara: “O Vitor está aguardando na minha sala”. Clara pede licença e sai da sala para falar  com Mariah:
_ O que está acontecendo?
_  Ele chegou dando ordens e está bem agressivo.
_ Diga que estou em reunião e que demorarei.
_ Já disse.
_ E ele?
_ Vai te esperar e não sai sem falar com você.
_ Está bem, vou terminar a reunião e descer. Agora pede para segurança ficar por perto.
_ Já pedi.
_ Ótimo.
Clara volta para reunião e Ernesto percebe que algo está errado. Eles finalizam  próximo do horário de almoço e combinam de almoçar todos juntos. Clara diz que precisa passar em sua sala para apanhar a bolsa e atender uma pessoa. Ernesto diz que a acompanhará.
_ Melhor me esperar com os outros.
_ O que está acontecendo? Você me cumprimentou com um aperto de mãos e mais nada.
_ Estou no trabalho, só isso. Adoraria te cumprimentar com um beijo, só não achei adequado.
_ Que bom! Estava apreensivo.
_ Por quê? Achou que em algumas horas tudo mudaria?
_ Pensei no Vitor.
_ Ele me ligou e agora está me aguardando na sala da Mariah.
_ Motivo pelo qual não quer minha companhia, é isso?
_ Não quero discussões dentro da empresa. Imagina a situação desconfortável para nós dois, percebe?
_ Não quer que ele saiba de nós dois?
_ Ernesto, não combina com você esse tipo de pergunta.
_ Tem razão. Fico cego de ciúmes desse...
_ Estou com você e ele não representa nada, além de uma terrível experiência...
_ Melhor ir com você, não posso deixá-la exposta.
_ Está bem. Depois não diga que foi por falta de aviso.
Clara e Ernesto descem. Quando Vitor os vê, tem uma crise de ciúmes e tenta agredir Clara, os seguranças agem rapidamente.  Ernesto interfere e diz que irão a delegacia para fazer um boletim de ocorrência por agressão e ameaça.
_ Covarde, você é covarde. Está me ameaçando com Delegacia. Acha que vai ficar com a Clara? Ela é minha e vou acabar com essa palhaçada agora.
_ Vitor, para com esse escândalo, estamos na sala da Mariah. Não tem o direito de nos expor, vou ter que proibir a sua entrada na empresa.
_ Pode fazer isso, já fez no condomínio e não adiantou nada, porque entro com você. Lembra, quando me encontrou lá no aniversário dela?  Então...
_ Está sendo inoportuno e vulgar.
_ E você patético, achando que a Clara ficará com você...
_ Estou muito feliz, Vitor. E não serei platéia para sua encenação, vamos Ernesto
_ Vamos meu amor.
Vitor vai em direção de Clara, e os seguranças o impedem de se aproximar. Ele não diz nada. Os dois saem, Ernesto diz que precisam passar na delegacia. Ela prefere não ir, apesar de ter muitos motivos, além dos acontecimentos dentro da empresa, tem as agressões físicas e verbais.
_ Precisa fazer isso para que ele entenda que não está disposta a aceitar chantagem.
_ Ernesto, se fizermos isso, ele vai acreditar que preciso dele por perto. Vai se colocar como vítima e nos expor.
_ Tem razão. Vamos esquecer esse canalha.
_ Exatamente! Vou proibir a entrada dele e pronto.
_ Está certo, agora vamos almoçar com os nossos amigos, certo?
_ Sim.
_ Podemos assumir nosso relacionamento, não é?
_ Fico incomodada, porque quero manter o nosso relacionamento distante dos negócios.
_ Estaremos num almoço entre amigos, nada de trabalho, o que significa que podemos assumir nosso namoro.
_ Não vou resistir. Quero que todos saibam que estou feliz ao seu lado.
_ Eu também, quero desfilar de mãos dadas com você.
_ Então, vamos aproveitar essa oportunidade para começar...
Eles se beijam e seguem para o restaurante. Entram de mãos dadas, causam surpresa em Márcio e João Pedro, que se olham intrigados. Mesquita comenta:
_ Bom vê-los juntos. Estou feliz que tenham decidido assumir e desfilar de mãos dadas.
_ Ernesto, parece que o Mesquita estava ouvindo a nossa conversa.
_ Falamos sobre isso, meu amigo. Consegui convencê-la a assumir nosso namoro.
_ A Fedra ficará feliz, por vocês.
_ Por falar nela, não vai chamá-la para almoçar?
_ Já liguei, só que a Rúbia não chegou ainda. E o Mendes está impertinente.
_ Hum! Vou encarar a impertinência dele, à tarde...
_ Mesquita, temos algo importante à tarde na empresa?
_ Temos reuniões internas.
_ Você assume para mim?
_ Claro, precisa de alguma coisa?
_ Não. Vou ficar com a Clara na casa da Rúbia. Não quero deixá-la sozinha com o Mendes, se precisar de alguma coisa, estarei por perto.
_ Meu querido, fica tranquilo. Conheço o Mendes, vai se comportar.
_ Não esqueci o presente dele, viu?
_ Ah! Você quer ficar comigo por ciúmes?
_ Não. Só prefiro ficar com você.
_ Sei. Nada de ciúmes, tem que confiar em mim.
_ Confio em você, não confio nele.
_ Clara, ele tem razão. Eu não gostei de deixar a Fedra a manhã toda com ele.
_ Não gostou do que?
_ Fedra, tudo bem amiga?
_ Tudo ótimo, agora que sai de perto do Mendes. Vai preparada...
_ O Ernesto irá comigo.
_ Sorte sua. Porque ele está impaciente demais.  A Rúbia chegou atrasada, ele estava irritadíssimo.
_ O Mesquita acabou de confidenciar que estava incomodado.
_ Com o que?
_ Com o fato de você estar sozinha com o Mendes.
_ É verdade?
_ É. Fiquei incomodado mesmo.
_ Que lindo!
_ Sabia que os dois decidiram assumir o romance?
_ Mentira?
_ Chegaram de mãos dadas e tudo...
_ Que ótima notícia.
_ Vocês já sabiam... O Márcio e João Pedro, que devem estar se perguntando sobre o que estamos falando, é que não sabiam, ainda.
_ Foi uma surpresa. Desejo felicidades ao casal.
_ Obrigada, João!
_ Parabéns!
_ Marcio, obrigada!
_ Não perguntei na empresa, agora posso, você está melhor Márcio?
_ Estou bem. Foi uma desilusão amorosa...
_ Puxa! Foi tão definitiva assim?
_ Parece que sim...
_ Clara não vai contar quem é essa pessoa?
_ Eu? Por que eu saberia?
_ Porque estavam juntos, viajaram juntos, ficaram no mesmo hotel.
_  Eu tinha outros compromissos, não sei o que ele fez, nem quem é essa pessoa.
_ É melhor mudarmos de assunto. Já estou bem.
_ Vamos almoçar, daqui a pouco temos que ir para casa da Rúbia.
Eles almoçam e Clara e Ernesto seguem para casa de Rúbia. Ao chegarem, percebem que o clima entre eles não está muito amistoso. Clara deixa Ernesto com Mendes e vai até a cozinha conversar com Rúbia.
_ Está tudo bem?
_ Não. Ele é muito rabugento, irritante e não aceita que precisa ficar imobilizado. Está preocupado com São Paulo e com alguma coisa que não fala o que é. Cheguei a pensar que era outra...
_ Calma. Ele sempre foi independente, como você gosta, e ficar assim deixa qualquer um, que tenha esse perfil, irritado.
_ Eu sei. Cheguei vinte minutos atrasada, ele e a Fedra estavam insuportáveis.
_ Ela detesta atrasos, fica irritadiça.
_ Eu acho que essa experiência vai acabar com algo que nem começou...
_ Conversarei com ele.
Elas voltam para sala. Mendes está mais calmo e chama Rúbia para ficar ao lado dele.
_ Você tem compromisso que horas?
_ Consegui desmarcar, mandei mensagem para você.
_ Não vi. Tanto que viemos para fazer companhia ao Mendes
_ Fiquem aqui, vamos aproveitar a tarde...
_ Não. Vamos embora, aproveitar a tarde, nós dois.
_ Adorei. Esse meu namorado é muito romântico. E vocês dois aproveitem a tarde juntos. E vamos deixar essa estória de jantar para outro dia...
_ Não. Clara, faço questão que venham a noite.
_ Mendes, aproveita o tempo livre de vocês e se curtam. Assim, nós também aproveitamos, não é?
_ Já combinamos, agora vamos nos reunir, façam isso por seu amigo.
_ Rúbia, e você o que prefere?
_ Concordo com ele, já havíamos combinado.
_ Então, jantaremos todos.
_ Está bem, chegamos que horas?
_ Às 20:30h, pode ser?
_ Perfeito! Amanhã temos compromissos pela manhã.
_ Rúbia precisa de ajuda?
_ Vou cozinhar.
_ Mendes, você não pode cozinhar.
_ A Rúbia vai me ajudar, não é querida?
_ Claro.
_ Tem certeza?
_ Está tudo bem, acredito que vou me divertir na cozinha com o Mendes.
_ Espero que sim, eu e o Ernesto nos divertimos muito.
_ Quando estamos juntos, qualquer coisa é adorável...
_ Apaixonadíssimo, esse moço. 
Eles se despedem, Clara e Ernesto seguem para casa dela. Aproveitam a tarde de folga juntos. Ela liga para empresa e se certifica de que está tudo sobre controle. E depois se entrega à Ernesto, como toda mulher apaixonada.
_ Ernesto, estou me sentindo cada vez mais envolvida. Você está me conquistando, estou feliz!
_ Clara, esperei por você porque tenho certeza que será para sempre.
_ O importante é que seja intenso, enquanto estamos aqui.
_ Está bem, vou respeitar o seu tempo.
_ Adoro você. Está me fazendo ver a vida com outros olhos.
_ Quero que tudo seja especial, sei que não está pronta para me dizer isso, mas eu posso: Amo você.
_ Te adoro.
_ Sei que vou ouvir um “eu te amo”, brevemente.
_ Acredito que irá...
_ E o Vitor?
_ O Vitor é passado. Não lembro mais da existência dele, felizmente. É um grande alivio, minha vida é outra depois que terminei com ele.  Isto me fez muito bem, em todos os sentidos. E muito devo a você, que é um homem maravilhoso, gentil, educado, amoroso e muito mais.
_ Desta vez, senti que ele não te incomodou mesmo. Hoje você foi distante, não se abalou.
_ Não mesmo. É insignificante.
_ Eu quero falar com você sobre a empresa que estou criando e sobre nossa viagem.
_ Minha preocupação é misturar nossa relação pessoal com a profissional. Adorei a ideia da empresa, mas é um grande passo. Cheguei ao cargo mais alto onde estou e me sinto realizada com o meu trabalho. Agora, é claro, que o desafio me faz pensar na mudança.  Tenho algum tempo para decidir?
_ Tem o tempo que for preciso. Não deve se preocupar com a questão pessoal sabe que respeito. Fui extremamente profissional em todos os momentos, mesmo estando apaixonado, tentando te conquistar.
_ Eu sei. Só que é muito diferente de estarmos na mesma empresa.
_ E quem disse que estaremos na mesma empresa?
_ Como não? Você será o presidente da empresa, estou enganada?
_ Completamente.
_ Não entendi. Tem um sócio que irá assumir essa função?
_ Tenho o melhor profissional do mercado.
_ Me conta mais.
_ Estou  falando de você, a presidência da empresa é o cargo que estou te oferecendo.
_ Ernesto, acredita mesmo que sou capaz de presidir sua empresa?
_ Tenho certeza absoluta. Você é uma excelente profissional e totalmente capaz de gerir a empresa.
_ Está me desafiando, gosto disso.
_ É um sim?
_ Não. Vou pensar com todo carinho.
_ Acredito que aceitará, porque é uma grande oportunidade profissional, pense assim..
_ Sabe ser convincente quando quer...
_ Então, quero convencê-la a ficar comigo para sempre.
_ Já estou com você.
_ Sinto isso. Que está aqui, por inteiro. Comigo e só comigo.
_ Estou aqui e com você inteiramente. Quero ficar assim até quando estivermos felizes juntos.
_ Para sempre. Estaremos felizes sempre.
_ Que assim seja.
_ Vou te contar uma coisa, nunca tive momentos como esse, com ninguém. Nunca fiquei assim, trocando carinhos, deitado ao lado da pessoa amada, nessa paz, sem estar ansioso com o trabalho, com dinheiro, com a empresa. Você me trouxe equilíbrio, a vontade de conciliar trabalho e descanso,  compromissos e lazer, tudo na medida certa. Acredito que o fato de não ter ninguém para dividir a vida, me fez focar no trabalho apenas e deixar os meus sonhos e desejos em segundo plano. Quando você chegou, senti vontade de viver com alguém, sonhar, viajar, assistir filme juntos, tudo passou a ter valor para mim.
_ Ernesto, paz define bem o que você trouxe para minha vida. Estou imensamente feliz com nossa relação, fico emocionada com sua dedicação, atenção. É muito bom sentir o seu amor, me dá segurança. A cada dia sinto mais vontade de estar com você, saudades quando estamos longe e admiração. Queria muito encontrar alguém verdadeiro, com sentimentos, que pensa com coração e que percebe o outro, você é tudo isso.
_ Tudo em você me atrai, o seu perfume, sua pele, seus olhos. Eu te amo.
Ernesto e Clara se beijam intensamente, a música embala os corpos que se entrelaçam. Ele é delicado e ao mesmo tempo forte, acaricia o rosto dela e com os braços a envolve, aprisionando-a em seu corpo. Seus beijos a faz vibrar, arrepia sua pele, ele domina sua amada com o carinho necessário e com a força do desejo latente, pulsante e que incendeia. Ela se entrega, sem resistência, sente o desejo e o pulsar de seu corpo entrelaçado com o dele. É uma união de almas, de corpos harmônicos em plena sintonia de movimentos. Ele  tem a delicadeza de proporcionar o prazer, de levá-la ao êxtase  como se ele mesmo atingisse o auge do prazer ao vê-la naquele instante de puro amor e energia. Há cumplicidade em cada gesto, em cada toque, no olhar e na entrega de um ao outro. A tarde torna-se breve, para dois amantes enamorados. E assim, a noite chega...


Um “doce” canalha - Parte XXXIII – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? A conquista de Ernesto
A noite, Clara e Ernesto, se encontram com Fedra e Mesquita e seguem para casa de Rúbia.  Mesquita pauta Ernesto sobre as reuniões ocorridas na empresa. Ele agradece ao assessor e amigo:
_ Obrigada, Mesquita!
_ Imagina. Sabe que pode contar comigo sempre.
_ Você me proporcionou passar uma tarde espetacular com a Clara, estou muito feliz. E parece que vou convencê-la a assumir a nova empresa.
_ Que boa noticia! Então, podemos dizer que a tarde foi produtiva, profissionalmente falando?
_ Foi muito. Não só profissionalmente. Faltou apenas falarmos sobre nossa viagem.
_ Falei para Fedra que podíamos viajar juntos, os quatro. Não gostou nada da minha sugestão, disse que seriamos inconvenientes.
_ A Fedra está certa, eles precisam viajar sozinhos.
_  Nós podemos viajar os seis juntos.
_ Boa ideia, Mendes. Uma viagem em grupo.
_ Pessoal, podemos combinar essa viagem, sinceramente, acredito que será muito divertida. No entanto, primeiro quero viajar só com a Clara, uma lua de mel antecipada.
_ Está certíssimo, Ernesto.
_ Meninas, ouviram isso?
_ É pura empolgação.
_ É paixão mesmo.
_ Não gostou?
_ Adorei, meu querido. Vamos organizar nossa viagem de lua de mel antecipada.
_ E depois combinamos nossa viagem entre amigos.
_  Como vai organizar tudo isso na empresa?
_ Não sei. Tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Vamos aguardar.
_ Tem alguma  novidade?
_ Quem sabe...
_ Ernesto,  parece que você conseguiu deixá-la tentada a aceitar seu convite, meu amigo.
_ Como disse, estou no processo de convencimento. Sabe que não é uma tarefa fácil, você é testemunha do tempo que demorei a conquistá-la.
_ É verdade, você é muito paciente, Ernesto.
_ Fedra, muito minha amiga.
_ Sou sua amiga, agora o Ernesto foi um homem persistente e soube esperar, foi te conquistando aos poucos.
_ Tem razão. Ele está me fazendo, extremamente, feliz.
_ Eles estão apaixonados...
_ Estamos.
_ Rúbia, o Mendes se comportou bem?
_ Muito, tivemos uma tarde agradabilíssima.
_ Estão se entendendo bem?  Vocês fazem um belo casal, invistam na relação.
_ Clara, tem razão estou adorando esta relação com a Rúbia. Hoje estava muito preocupado com as pendências que deixei em São Paulo, sabe que minha área é de alta responsabilidade e risco, ela me acalmou, me mostrou que não podia fazer nada, já que por uma questão de saúde, estou impossibilitado de viajar. Colocou de uma forma tão simplista que me fez ver a vida de outra forma. Não significa que mudei, mas estou tentado. Agora para me conquistar ela terá que  fazer como o Ernesto, ter muita paciência.
_  A Rúbia é uma mulher forte, agora paciente...
_ Fedra numa relação os dois precisam ceder, acredito que se quiserem manter o namoro chegarão a um consenso.
_ Tem razão. Estou aprendendo com o Mesquita a ser paciente, ele é muito calmo, eu sou agitada. Ele é flexível com horários, eu super rigorosa, ele gosta de sair para jantar, dançar eu prefiro ficar em casa e ver um bom filme. Apesar destas diferenças, estamos nos entendendo, e aproveitando o que o outro gosta, aprendendo a respeitar as preferências do outro.
_ Vamos para cozinha, porque essa conversa está muito séria...
_ Vamos discutir a economia mundial, os problemas de abastecimento de água, o aquecimento global, assuntos mais amenos para uma noite de segunda-feira.
_ Não! Ernesto, vamos falar da viagem de fim de semana que foi muito agradável.
_ Olha, sinceramente, só podemos fazer isso uma vez a cada 6 meses.
_ Por que, Fedra?
_ Porque não tem regime que resista a essa comilança.
_ Na verdade, todas nossas conversas começam ou terminam na cozinha. A cozinha e a mesa são nossos pontos de encontro.
_ Precisamos melhorar isso.
_ A Clara não tem essa preocupação, só come salada
_ Estou começando a gostar de comer com a Clara, tenho me sentido muito bem, nas últimas semanas não comi carne vermelha, e senti uma diferença.
_ Deixando de comer carne vermelha? Ernesto, meu amigo, você não é mais o mesmo. Clara, não sei o que você anda fazendo com ele, sempre foi o mais carnívoro de todos nós.
_ O amor é assim, transforma.
Os amigos passam horas na cozinha, terminando de preparar o jantar, saboreando um vinho e conversando sobre a viagem que fizeram  no fim de semana, aproveitaram para combinarem uma viagem para São José do Barreiro no fim de semana seguinte. Clara e Ernesto pretende viajar antes do fim do ano.
Eles decidem passar as festas juntos na casa de campo do Ernesto. As amigas, já começam a combinar os cardápios e a decoração para Natal e Ano Novo.
_O Ernesto quer  viajar antes do fim do ano, quero muito que dê certo.Estou precisando de um tempo para pensar sobre o futuro.
_ Pensar sobre a empresa ou sobre o Ernesto?
_Sobre o Ernesto?
_ É, não entendi.
_ Se quer continuar, sei lá
_ Fedra, você acha que eu viajaria com o Ernesto para pensar se quero ficar com ele? É totalmente sem sentido.
_ Está certo. É que vejo a sombra daquele canalha rondando você.
_ Engano seu. Ele fez a maior cena na empresa e não me abalou.
_ Mentira?
_ Ele quer provocar. Hoje quase conseguiu provocar o Ernesto.
_ Como o Ernesto?
_ Estávamos em reunião e ele esperou, enfim..  O importante é que não mexeu comigo, não fez diferença. Sinceramente, não senti nada.
_ Que ótimo! Melhor assim.
_ Se livrou daquele verme.
_ Me livrei do verme, estou muito feliz com o Ernesto e pensando no próximo ano.
_ Meninas, vamos jantar?
_ Vamos. Adoro os meninos na cozinha.
_ Eu acho muito sedutor.
_ Homens que cozinham são charmosos.
A semana é intensa, Clara viaja para São Paulo, fica quinta e sexta-feira, Ernesto tem uma grande dificuldade de se acostumar com essa agenda independente de sua amada, ele insiste que Clara assuma sua nova empresa. Na verdade,  desde o inicio ele a queria na presidência. Ela tem pensado muito sobre essa mudança, na atual empresa já atingiu o cargo mais alto, já realizou muitos projetos, conseguiu êxito em seus maiores desafios e consagrou seu nome no mercado. Está balançada com a proposta e acredita que seus  colaboradores, Márcio e João Pedro, podem perfeitamente assumir seu posto, não trazendo prejuízos para empresa atual.
Ernesto liga inúmeras vezes para Clara, ele está enciumado com a viagem dela. Principalmente, porque João Pedro está com ela. Para um homem como Ernesto, não é fácil administrar essa situação. Além disso, apesar dele não comentar com Clara, está incomodado por saber que Vitor está em São Paulo, e que poderá abordar sua amada, sem que ele esteja por perto para defendê-la.
Clara recebe várias ligações de Vitor. Ela está decidida a virar a página, sabe que ele não é um homem que merece respeito, nem consideração, foi um covarde e a usou para conseguir se projetar. Sorte dela é que a incompetência dele o manteve fora do mercado e as atitudes desajustadas o fizeram ganhar a antipatia de todos. Nem mesmo, a secretária que ele sacou do sertão de um bairro paupérrimo, se manteve fiel.
Na verdade, Clara agora sentia pena de Vitor. Uma pessoa que mentiu  tanto, que acreditava ser algo que nunca foi, que manipulou, usou seus amigos para atingir pessoas e foi capaz das maiores armações para se beneficiar, para continuar com suas arruaças, traindo todas as mulheres com quem se relacionou. Francesca era uma pobre infeliz, que não sabia o homem vil que tinha ao seu lado, ou que se acomodou diante daquele canalha, consciente de todas as traições? Clara, adoraria saber a resposta a essa pergunta, o que dificilmente aconteceria, já que Francesca, apesar de todas as evidencias mantinha-se submissa aquele homem.
Ernesto se fez presente durante toda viagem de Clara, com ligações, mensagens e flores. Ela saiu para jantar com João Pedro, na quinta-feira a noite, deixando Ernesto incomodado. João Pedro já tinha se interessado por Clara no passado, nada aconteceu, mas houve um interesse mutuo e Ernesto sabia disso. Ele não escondeu seu desconforto com o jantar dos dois, Clara o acalmou e disse que confiança era fundamental par o relacionamento deles prosperar.
Fedra e Mesquita começam a pensar numa viagem romântica, influenciados por Ernesto, que pede ao amigo que espere o seu retorno. Fedra está iniciando um novo projeto, o que tem deixa-a animada e cheia de energia para investir no seu negócio. Mesquita tem dado suporte técnico e muito apoio moral. Ele percebeu o bem que o trabalho estava fazendo para sua amada. Fedra sentiu que Mesquita esperava ser escolhido por Ernesto para ser o presidente da nova empresa, e provocou uma conversa sobre o assunto. Mesquita assumiu o decepção que sentiu ao saber que a escolhida era Clara, afinal ele estava com Ernesto desde o inicio de sua carreira, além de assessorá-lo ganhou ao longo dos anos a amizade  e uma participação nas empresas. Fedra questiona se ele não conversará com Ernesto, ele diz que entende a escolha do amigo, Clara é muito competente e outros empresários a assediam. Entende que Ernesto está dando uma grande cartada, a única forma de conseguir tê-la é oferecendo a presidência, qualquer outro cargo poderia ser oferecido por outras empresas e tem a  atual, onde ganhou o respeito profissional. Fedra o admira por entender, e percebe o motivo da decepção. Ela torce pela amiga, mas não consegue esconder que gostaria de ver seu amado no cargo mais alto da nova empresa de Ernesto.
Rúbia apesar de toda a irritação se entende com Mendes. Ele sabe que Rúbia é uma mulher forte e decidida e que terá que adaptar-se a este relacionamento. Os dois demonstram o desejo de se entenderem e assumem uma relação que será feita de concessões. Mendes é um homem tradicional, para quem as regras são feitas para serem obedecidas, quase nunca permite uma exceção. Rúbia é convencional em alguns aspectos da vida, em outros é completamente alternativa, para Mendes conviver com essas diferenças é um exercício de tolerância.
Clara aproveita os dias em São Paulo para se encontrar com Saulo, que continua demonstrando interesse por  ela. Eles conversam sobre os projetos, a saída de Vitor da empresa e Saulo evidencia seu interesse, dizendo-se apaixonado. Com muita delicadeza, ela diz para Saulo que está com Ernesto. Ele ignora o fato e faz uma proposta de trabalho, quer que ela venha trabalhar em sua empresa. Clara agradece o convite e diz que tem outra proposta e que pretende aceitar. É a primeira vez, que ela cogita a possibilidade de aceitar o  convite de Ernesto.
Clara retorna de São Paulo na sexta no fim da tarde. Eles combinaram uma viagem para São José do Barreiro, no Vale do Paraíba, uma cidade turística e encantadora. Eles saem no sábado pela manhã, cada casal num carro. Querem aproveitar o dia e a cidade oferece passeios, tem muito da estória e a natureza é exuberante. Eles chegam ao hotel, que fica no meio da mata, próximo de uma represa, tem um ar bucólico. Foram para  suas suítes e depois para o almoço. Decidiram descansar por meia hora antes de explorarem a cidade.
Os amigos se encontram, decidem passear pela cidade e visitar o Parque Nacional da Serra da Bocaina, contratam um passeio muito interessante,eles se divertem, fazem inúmeras fotos e passeiam pela Igreja e pelo comércio local.Depois voltaram para o hotel e foram jogar tênis de dupla,  se divertiram muito, Rúbia e Mendes venceram. Eles vão se banhar para jantarem. Clara e Ernesto estão radiantes.
_ Minha querida, você é sempre agradável. Adoro estar ao seu lado. Estou me divertindo como não fazia, não, como nunca fiz antes.
_Fico feliz, quero te ver bem.
_ Estou bem, estou ao seu lado.
_ Ernesto, me sinto tão em paz com você.
_ Eu também. Sinto-me como nunca. Estou pleno, leve e com vontade de viver, de aproveitar as coisas boas da vida.
_Que ótimo! Vamos aproveitar muito.
_Quem vai para o banho primeiro?
_Vamos juntinhos.
_ Vamos, só não podemos demorar.
_ Não?
_Não, meu querido. Teremos a noite inteira para nos amarmos.
_ Vamos jantar rápido e voltar logo.
_ Ernesto, temos muito tempo...
As comidas agradaram o paladar dos amigos, exceto de Clara que manteve a dieta comendo apenas saladas. Eles se divertem, durante o jantar com as estórias contadas por um casal que se aproximou do grupo. Depois do jantar eles combinam de acordar cedo, no domingo, para cavalgar e fazerem uma caminhada. Clara e Ernesto, decidem caminhar pelo hotel antes de irem dormir. Eles aproveitam o céu estrelado para namorarem e admirarem a lua e as estrelas. Depois vão para o quarto e se amam intensamente. Dormem entrelaçados.
Na manhã seguinte, eles tomam café e vão cavalgar. Depois os amigos aproveitam  o espaço para jogos que o hotel oferecia, enquanto as amigas caminham e conversam sobre suas expectativas, profissionais e pessoais, para o novo ano que se aproximava.
_ Quero realizar um grande sonho no próximo ano.
_ Clara, que sonho é esse?
_ Só vou contar quando estiver pronto, me aguardem.
_ Um novo amor, um sonho que está para realizar, a possibilidade de um desafio profissional, amiga o ano está terminando muito melhor do que começou.
_ Graças as Deus. Estou muito feliz. Agora vocês duas não podem reclamar de nada. Fedra, encontrou seu amor, está investindo no projeto que sempre quis. E você, Rúbia, continua com seu trabalho, com um homem independente, seguro e firme como o Mendes, as duas planejando viagens para o inicio do ano. Me parece que tudo está caminhando muitíssimo bem, para nós três.
_ Merecemos. Depois do que passei com aquele canalha que aprontou comigo.
_ Realmente, as nossas antigas escolhas, foram decepcionantes.
_Vamos pensar no que temos, o passado serviu de experiência para acertarmos o presente. Não vamos nos prender ao que já aconteceu.
_ Tem razão.
_ Vamos encontrar nossos meninos.
_ Vou viajar com o Ernesto por 15 dias, embarcamos na próxima semana.
_ Decidiram tão rapidamente.
_ Queremos passar o fim de ano com vocês, na casa de campo. Achamos mais tranquilo viajar nesse período e vou aproveitar a viagem para decidir o que farei no próximo ano.
_ Está pensando em trabalhar com o Ernesto?
_ É desafiador, isso me faz pensar. O Saulo me convidou para trabalhar com ele, o Augusto já tinha feito o convite. Assumir a presidência da empresa, que já nasce com a marca do Ernesto, e competitiva no mercado, é um desafio profissional que nunca pensei em assumir. Estou com muita vontade de aceitar, mas tenho que avaliar os aspectos positivos e os negativos.
_ Pondere bem, é um passo que pode impactar na relação de vocês.
_ Esse é o ponto que mais me preocupa. Fedra, o Mesquita ficou incomodado com a decisão do Ernesto?
_ Ficou sim. Eu quero te ver bem, mas esperava que o Ernesto o convidasse. Por outro lado, ele disse que a presidência era a única possibilidade de ter você na empresa.
_ Ele tem razão. Para ser diretora poderia ir para qualquer empresa. O Ernesto sabe que essa seria a única chance, e despertou minha vontade de me arriscar nessa empreitada nova.
_ Um desafio é sempre um estimulo para vida. Depois de tudo que passou esse ano com aquele canalha, acredito que seja uma grande oportunidade.
_ Rúbia, pensei nisso. Talvez mudar o rumo da vida, um novo amor, um novo desafio profissional e estou pensando em realizar aquele antigo sonho.
_ Que sonho?
_ Segredo.
_ Não vai nos contar mesmo?
_ Não. Saberão em breve.
_ Estou super curiosa.
_ Eu também.
_ Engraçadinhas...
Elas encontram os seus amores, cada um segue para sua suíte e se encontram para o jantar. Clara e Ernesto estão em clima de romance, mais que os outros casais. Eles voltam de viagem na segunda pela manhã. A semana é agitada para todos, Clara e Ernesto estão arrumando as malas para viajar. Ele fará uma surpresa para ela, que não sabe o destino. Aceitou saber para onde viajarão apenas no aeroporto. Ele diz que a surpreenderá. Chega o tão esperado fim de semana, se reúnem na casa de Ernesto. Um jantar de até breve, para os amigos que viajarão, todos fazem suas apostas sobre o destino escolhido por Ernesto, que faz o maior suspense.


Um “doce” canalha - Parte XXXIV – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? A viagem de Clara e Ernesto
Na manhã de sábado, todos seguem para o aeroporto. Clara está ansiosa para conhecer o destino que passará os próximos 15 dias. Os  amigos fazem apostas:
_ Eu acho que irão para Itália.
_ Rúbia, acho que não é a cara deles, minha aposta é a França.
_ Mendes, eu acho que irão para a Austrália.
_ Nossa, Fedra! Eu aposto na Suíça, ele vai surpreender na primeira viagem.
_Olha, Mesquita eu achei que fosse a Inglaterra mas, depois de algumas informações mínimas, para preparar as malas, acredito que estava errada.
_ Conta  Ernesto
_Erram todos.  Nosso  roteiro é: Turquia, Egito e Grécia.
_ Grécia e Egito sempre fizeram parte das minhas viagens dos sonhos.
_ Uau! Viagem dos sonhos, mesmo.
_ Nossa que maravilha de roteiro, vou copiar com a Rúbia.
_ Eu também!
_ Com a Rúbia, Mesquita?
_ Não. Com a minha amada Fedra.
_ O Ernesto surpreende mesmo. Amiga esse homem não existe.
_ Existe e agora é meu.
_ Segura amiga, segura porque outro igual...
_ Como assim? Eu não sou romântico?
_ Mendes, você é encantador. Agora, o Ernesto supera qualquer um.
_ Ernesto, está dificultando a nossa vida, não é Mendes?
_ É, com certeza.
_ Pessoal está na hora de embarcarmos. Vamos voar direto para Istambul  e depois seguiremos  para o Egito e por fim para Grécia. Reencontramo-nos daqui 15 dias.
_ Estaremos todos aqui, aguardando por vocês.
Eles se despedem e Clara e Ernesto embarcam na viagem de lua de mel antecipada, uma viagem dos sonhos. Eles aproveitam ao máximo, tudo o que podem. É outono em Istambul e a temperatura gira em torno de 15º, bastante agradável.  Clara e Ernesto se encantam com a cultura daquele povo, visitam as mesquitas, fazem passeio de barco pelo Mar Egeu e vão a Capadócia, passam 3 dias naquele lugar mágico, em clima de romance e muita sedução. Eles estão mais unidos e cúmplices, a vida amorosa é intensa e a viagem está despertando novos desejos e a vontade de Clara de realizar seu antigo sonho.
Chegam ao Cairo, com seus monumentos faraônicos, com mesquitas antigas  e fascinantes. Visitaram a Igreja Suspensa, construída no século 4 e ficaram impressionados com a beleza daquele lugar.  Visitaram museus, dentre os quais o Museu Islâmico que possui a mais importante coleção de arte islâmica do Egito. Clara levou um véu para respeitar a cultura local, as mulheres ao entrarem nos templos devem cobrir a  cabeça e ela vivenciou essa experiência com muito prazer.
Decidiram passar 7 dias na Grécia, começando por Atenas, que é uma viagem na história, caminhar nas ruas que Aristóteles, Platão e Sócrates filosofavam é um privilégio. Os restaurantes rústicos situados nas ruelas  e com comidas extremamente saborosas, que por sorte contam com cardápios em inglês, são um convite a horas de puro deleite.  O povo grego é muito simpático e alegre. Atenas tem uma boa  infraestrutura turística e muitas das atrações podem ser visitadas a pé. Em Acrópole, estão as quatro  obras-primas da arte grega clássica: o Parthenon, O Propileus, o Erecteion e  Templo de Atena, seguiram as dicas dos amigos e realizaram a visita cedo. Eles aproveitaram para visitar a Torre dos Ventos, erguida para medir o tempo por volta de 100-50 a. C. Depois foram para as Ilhas, partindo do porto de Pireus, aproveitaram tudo o que as Ilhas oferecem, Mikonos a mais famosa, foi explorada por eles que alugaram um carro para passearem pelas praias mais desertas. Clara e Ernesto estavam apaixonados, não perdiam um minuto do passeio entre beijos e carinhos, curtiam tudo, exploravam todos os espaços e absorviam a cultura local. Clara diz que está propensa a aceitar o convite para assumir a presidência de sua empresa, ele fica radiante com a noticia, apesar de não ser uma resposta definitiva.
_ Meu amor, receber essa notícia nesse paraíso, não tem nada mais especial. Estou emocionado, feliz e cada vez mais apaixonado por você. Te amo muito.
_ Ernesto, essa viagem está mudando minha vida, e tudo isso porque você é um presente e me encorajou a encarar esse novo desafio, e com isso está me dando coragem para encarar outro desafio, maiores ainda.
_ O que pretende?
_ Assim que  tiver realizado esse sonho, será você o primeiro, a saber.
_ Já tem meu apoio, conte comigo.
_ Adoro você.
_ Eu te amo.
_ Nossa viagem está terminando, amanhã retornamos, com uma certeza, não somos mais os mesmos...
_ Quero te fazer um convite.
_ Outro?
_ Vem morar comigo?
_ Vamos aproveitar cada momento, mas é cedo para um passo tão importante.
_ Estamos viajando juntos e felizes, por que não daria certo?
_ É muito diferente, sabe disso. Vamos viver um dia de cada vez, e tudo vai dar certo, tenho certeza.
_ Está bem. Preparei umas fotos para mostrar aos nossos amigos na volta.
_ Eles estão preparando um jantar, para nossa chegada.
_ Será bom revê-los, estou com saudades de todos.
_ Tenho saudades deles e uma vontade enorme de continuar viajando com você
_ A viagem foi linda, tudo perfeito, o roteiro que escolheu é deslumbrante e acredito que não seja realizado por muitos. Agora, estou com saudades da minha casa, da minha cama e dos amigos...
_ Sinto falta, só que você preenche todos os espaços.
_ Sou tão espaçosa assim?
_ Adoro esse seu jeito.
_Você que desperta esse lado mais leve e divertido.
_ Desperto mais alguma coisa?
_ Muitas outras coisas, desperta o meu lado doce e minha vontade de viver a vida intensamente ao seu lado.
Eles se beijam e se abraçam e seguem para o hotel, é a última noite naquelas ilhas.
_ Estou estarrecida com aquele por do sol em Oia, é muito belo, é um quadro natural, o mar azul, as casinhas brancas e aquele tom laranja avermelhado.
_ E aproveitamos essa vista única naquele barzinho, com um vinho...
_ A gastronomia é fabulosa. E os aplausos de agradecimento à natureza, emocionam.
Eles chegam à suíte, aproveitam para tomar um demorado banho e se amam, na noite de despedida das Ilhas Gregas. Depois do jantar, selecionam uma sequencia de fotos que mostrarão para os amigos na volta. Eles retornam  e os amigos, como combinado, os aguardam no aeroporto, é uma grande festa. Depois Clara e Ernesto seguem para casa dela, que aproveita para passear pelo seu jardim e admirar suas plantas, que a faz muito bem. Ernesto a observa caminhando  e percebe que não importa se ali naquele instante ou nas lindíssimas ilhas gregas, o que conta é estar ao lado daquela mulher, que chegou e mudou sua vida. Eles entram, tomam banho juntos, fazem amor e ficam todo o tempo livre na cama, descansando.
A noite, vão para casa de Ernesto e aguardam os amigos. Ele já tinha pedido para seus colaboradores deixarem o jantar pronto. Nada como uma comida caseira para matar a saudades de casa. Os amigos chegam, com pequenos mimos e eles os recebem com belas imagens da viagem. Clara distribui lembranças para seus amigos, as amigas ficam encantadas com as pedras e lenços que ela trouxe.
_ Amiga, que lindos!
_ E as pedras, maravilhosas.
_ Vocês merecem...
_ Conta tudo...
_ Foi tudo lindo, especial, maravilhoso. Estou feliz, vivendo um momento único na minha vida.
_ E decidiu sobre a empresa e aquele seu sonho misterioso?
_ Decidi. Não vou contar qual foi a minha decisão.
_ Por quê?
_ Porque quero definir algumas coisas, só isso.
_  As fotos são impressionantes, é muito lindo. Quero fazer essa viagem com a Fedra.
_ Nunca pensei num roteiro como esse.
_ Poucas pessoas fariam...
_ É ousado. É extremamente belo.
_ Quando se está acompanhado com uma linda mulher, como eu estava. Qualquer viagem é bela, encantadora e tudo mais.
_ Na verdade, quando se está acompanhada por um homem maravilhoso e apaixonado, tudo fica lindo. Ele surpreendeu, criou um roteiro único.
_ Realmente ele é único como o roteiro que criou.
_ Estou começando a ficar com ciúmes...
As amigas riem.
_ Como foram as últimas semanas de vocês?
_ A minha foi de correria, estou finalizando aquele projeto e decide oficializar meu trabalho, criando uma empresa e me lançando, definitivamente, no mercado.
_ Parabéns, Fedra! Fico muito feliz, já era tempo de decidir se arriscar, você faz muito bem o seu trabalho e tem mercado, precisa mesmo se lançar e alçar novos vôos.
_ O Mesquita foi muito parceiro, me ajudou o tempo todo, além de me apoiar moralmente, me deu todas as informações técnicas, a burocracia, foi fundamental nesse processo.
_ Que boa noticia! E como vocês estão?
_ Muito bem, às vezes, a ex-mulher problema, dá problema. Apesar disso, estamos nos entendo, cedendo e conquistando um ao outro, diariamente. Vamos viajar no inicio do ano.
_ Sugiro que façam o mesmo roteiro que fizemos, é muito especial. E você, Rúbia?
_ Estamos caminhando. O Mendes é difícil, temos pontos de divergência e chegar a um consenso nem sempre é fácil. Como o sentimento tem se fortalecido, estamos realmente envolvidos, procuramos superar as diferenças sem maiores traumas. Profissionalmente, minha vida está muito tranquila, sou uma pessoa feliz e realizada. E no amor, estamos construindo nossa relação com base na paciência e na tolerância.
_ Só isso?
_ Como assim?
_ O amor e o desejo não fazem parte dessa relação?
_ Fazem, socorro! Ele é um grande amante, super carinhoso, nos damos muito bem, felizmente!
_ Ah! Estávamos preocupadas, não é Fedra?
_ É verdade, estava parecendo uma amizade ou uma relação profissional.
_ Falta um pouco de paixão, insanidade e loucura nessa relação, o que combina com você.
_ Insanidade e loucura, com o Mendes? Não acontece, ele é muito sério e metódico, nem nos momentos mais íntimos ele se permite ousar, tanto assim.
_ Você consegue doutriná-lo, tenho certeza. Quando ele experimentar um pouco dessa insanidade, que você tem na medida certa, se rende ao seu charme e será mais feliz. Ele precisa sair daquela zona de conforto e se permitir um pouco mais.
_ Falo isso para ele, difícil é convencê-lo.
_ O Mesquita, é mais liberal, eu que preciso me permitir mais, porque ele exerce bem essa insanidade, uma paixão mais arrebatadora, empolgante e gosta de surpresas, de novas experiências e de muita energia.
_ Uau! Vou falar para o Mendes fazer umas aulas com ele...
_ Não posso reclamar de nada, Ernesto é maravilhoso e me dá, absolutamente, tudo que preciso, que desejo e surpreende com carinho e muita entrega, tornando tudo especial.
_ Esse homem tem que apresentar algum defeito.
_ Ele é extremamente ciumento. Tenho conversado muito sobre confiança, acredito que pelas experiências vividas ele tem certa dificuldade com isso.
_ Ciúmes é complicado!
_ Nossa, lembrei do canalha, “é complicado”, não era assim que ele falava?
_ Era, quando as “amigas” ligavam e ele não podia falar, dizia isso.
_ Já que a Fedra lembrou, vou contar a última que comentaram a respeito dele. Uma amiga, disse que ele desqualificou você para a Francesca, para justificar tudo o que aconteceu, principalmente a perda do emprego, te responsabilizou por tudo e ela, claro, acreditou. Agora, está de novas amigas, a Milene e outra, mais baixo nível, que as demais. Sempre com a mesma conversa, de que foi vitima, que está passando por dificuldades porque acreditou demasiadamente nas pessoas, foi enganado, traído e tudo mais...
_ É uma comédia. Como ele consegue ser tão pulha? É impressionante. Hoje vejo como ele é rasteiro, não tenho nenhum sentimento, nem magoa, nem pena, é totalmente, indiferente. O que me deixa feliz, é que não me lembro dele tem muito tempo. Ele continua me mandando mensagens, só que não abro, não leio, apago todas.
_ Você sofreu com esse ser repugnante, mas depois recebeu uma grande recompensa, porque o Ernesto é o oposto desse canalha.
_ Verdade! O Ernesto é muito tudo bom...
_ Só que as safadezas dele não terminam ai, essa minha amiga me falou que ele está envolvido em outras coisas.
_ Tenho até medo de perguntar, envolvido com?
_ Parece que numa estória da venda de um hotel, ele queria ganhar um “extra”, além do que já havia sido combinado.
_ Sabia disso. Na verdade, um dia estava voltando de uma viagem e o corretor ligou para ele, acabou mencionando sobre esse extra, como o som do telefone era muito alto, ouvi a fala. Ele desligou e disse que tinha caído a ligação, tentou minimizar a situação, é capaz disso e de muito mais, não tenho duvidas. Precisa se dar bem a qualquer preço, é só ver o que faz com a Francesca.
_ É muito covarde. Tenho pena dessa moça, nem conheço e sinto pena.
_ Estive com ela poucas vezes, mas sinto pena também.
_ Eu não sinto. Toda mulher sabe quando um homem está traindo, se ela continua com ele mesmo assim, é porque gosta e aceita essa vida.
_ Será, Fedra?
_ Acredita que ela não sabe de você?
_ Tenho certeza que sabe e aceita as traições do Vitor.
_ Tem mulher que é submissa mesmo.
_ Ou ela ama o canalha.
Eles jantam e Ernesto apresenta a seleção de fotos da viagem. Os amigos se encantam com as imagens, e com os relatos dos dois. As fotos mostram como eles estão apaixonados, a relação entre eles está cada vez mais intensa e as fotos demonstram isso.


Um “doce” canalha - Parte XXXV – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? O fim de ano está chegando...
Novembro passa voando, Clara está com inúmeros projetos na empresa e têm viajado muito, deixando Ernesto incomodado, eles tiveram o primeiro desentendimento.
_ Vai passar a semana toda em São Paulo?
_ Preciso. Tenho várias reuniões. Vou encontrar o Saulo também, e tenho algumas conversas políticas para encaminhar com o Samuel.
_ Você passou quase o mês todo viajando. Quando teremos tempo para nós dois?
_ Meu amor, adoraria passar a semana com você, mas é o meu trabalho tenho que viajar.
_ Aceita o meu convite e sai dessa empresa, assim você poderá organizar melhor sua vida, as nossas vidas.
_ Ernesto, decidirei no inicio do ano, porque tenho projetos pendentes que não posso deixar em aberto.
_ Na nossa viagem acreditei que tinha decidido.
_ Disse que estava propensa a aceitar, e continuo. Tenho que administrar o que está em andamento. Não posso sair sem finalizar o que está pendente, sabe disso.
_ Vai encontrar o Saulo, o Samuel, viajar com o João Pedro, o Márcio, só falta encontrar com o Mendes
_ É crise de ciúmes?
_ O que acha?
_ Acho que estamos juntos e que não tem espaço para ciúmes, porque trabalhamos, viajamos com outras pessoas.
_ Eu ando com muito ciúme de você, estou passando por um momento difícil mesmo.
_ Não tem motivo para ciúmes e sabe disso, estou apaixonada, quero estar com você.
_ Sei disso, vem aqui...
Eles se abraçam e se beijam. Estão na casa de Clara, ele dormiu com ela, que começa a preparar as malas para viajar. Ernesto continua na cama, olhando cada movimento de sua amada. Ela termina de arrumar, separa o terninho para viagem, ele não gosta do modelo e diz que ela estará  bela demais para viajar sozinha, pior ainda, viajar com o João Pedro e Márcio.
_ Clara esse terninho é muito bonito e sensual, fico muito incomodado com você usando longe de mim.
_ Ernesto, me incomoda essa fala sua. Não vamos discutir por conta do modelo que estou usando, acho pouco para se preocupar, não acha?
_ Tenho ciúmes, Clara. E está ficando difícil controlar.
_ Sinto ciúmes, só que não fico controlando você. Não faz isso, não vamos estragar nossa relação, está bem?
_ Vou tentar me controlar.
Clara se deita ao lado de Ernesto, se beijam e se amam intensamente. Eles tomam café e depois ele a deixa na empresa, a viagem de Clara será no fim do dia. Ela tem reunião com Marcio e João Pedro, durante a manhã toda.  Estão revisando as apresentações dos projetos que farão durante a viagem. Vitor liga para Clara, ela não atende. Ele manda recados, ela ignora e apaga todos sem ler.  No fim da reunião agendam a saída para São Paulo.
_ Clara, nos encontramos aqui na empresa?
_ João Pedro, passo na sua casa e depois passamos no Márcio, vou despachar com a Mariah e sair para o almoço, não volto para empresa.
_ Está combinado. Que horas saímos?
_ Acredito que as 18:00hs, não quero chegar tarde em São Paulo, para descansar bem.
_ Concordo. Prefiro dormir lá e acordar tranquilamente para nossas reuniões.
_ Clara, telefone para você.
_ Quem é?
_ O Vitor.
_ Mariah, estou ocupada, não posso atender.
_ Clara, desculpa a insistência, mas acredito que deva atender.
_ Não, estou ocupada.
_ Está bem.
Clara finaliza a conversa com os dois e chama Mariah para despachar.
_ Mariah, o que aconteceu?
_ Ele estava muito nervoso, parecia estar chorando.
_ Cena, ele chorou duas ou três vezes, quando foi conveniente.
_ Não sei, parecia ser sério.
_ Não importa o que tenha acontecido, não me diz respeito.
_ Está certa.
_ O que preciso assinar?
_ Esses documentos, os projetos que vocês levarão e tem alguns projetos que precisam ser analisados.
_ Quanto aos projetos a serem analisados, são para o próximo ano?
_ São.
_ Então, coloca no e-mail do Márcio e do João Pedro, também.
_ Você não quer analisar primeiro, como sempre?
_ Quero  dividir com eles. Mariah, qualquer coisa me liga. Me passa relatório diário e me cobra o feedback das reuniões para que você já monte os relatórios e me encaminhe para ajustes. Quero chegar na segunda-feira, com apenas o relatório de sexta em aberto, combinado?
_ Perfeito.
_ Tem mais alguma coisa?
_ Não.
_ Então vou almoçar, o Ernesto deve estar chegando e de lá vou para casa, acabar de arrumar as malas e me preparar para pegar estrada.
_ Boa viagem! Ótima semana! Que vocês tenham êxito e sucesso nas reuniões em São Paulo.
_ Obrigada! Uma semana de sorte para você. Passa-me todas as informações, diariamente.
Clara liga para Ernesto que está chegando à empresa, eles seguem para o restaurante, onde os amigos aguardavam por eles.
_ Que surpresa, Mesquita, Fedra e Rúbia, tenho certeza que não é coincidência.
_ Não. O Ernesto nos disse que você passará uma semana fora, viemos almoçar com vocês.
_ Muito gentil, na sexta-feira à noite ou no sábado pela manhã, estarei de volta.
_ Vai ficar a semana toda?
_ Vou, amiga.
_ O Ernesto  vai com você?
_ Não. Vou com Marcio e João Pedro.
_ É o que ela pensa.
_ Não entendi.
_ Vou subir com você hoje.
_ Ernesto você não tinha compromisso em São Paulo, agora tem?
_ Tenho, acompanhar você.
_ Adoro sua companhia, só que parece que está fazendo isso por ciúmes, o que me incomoda profundamente.
_ Tenho negócios para resolver em São Paulo antes do final do ano, como já estamos na primeira semana de dezembro, decidi aproveitar que você estará lá e subir. Podemos aproveitar para fazer as compras de final de ano, ir ao teatro e cinema, sair para jantar, aliamos os compromissos e momentos de lazer. Não falei antes, porque tinha pendências na empresa que se não fossem solucionadas, me impediriam de subir. Queria fazer uma surpresa, não gostou?
_ Gostei. Adoro passar o tempo com você, não quero que mude sua agenda para acompanhar a minha.
_ Eu adequei a minha agenda, para aproveitarmos o tempo juntos.
_ Está bem.
_ Mesquita, qualquer coisa me liga. E a viagem de vocês?
_ Estamos nos organizando, vamos passar 10 dias na Itália, no inicio do ano.
_ Que romântico, adorei.
_ Vocês vão adorar, aproveitem bem, divirtam-se.
_ E mandem fotos.
_ Podem deixar, mandaremos fotos e falaremos pela internet.
_ Nós optamos por acessar a internet só a noite. Mesmo assim conseguimos falar com vocês, ou melhor, mandar mensagens.
_ Não queriam perder tempo com os amigos.
_ Imagina, que maldade. Fizemos fotos pensando em vocês, o Ernesto preparou aquela linda apresentação durante a viagem.
_ Está certo, foi maldade da Fedra.
_ Ela quando quer, sabe ser “gentil”... Mesquita essa viagem tem que deixá-la mais doce...
_ Pode deixar que me esforçarei para adoçar essa mocinha.
_ Rúbia, vocês irão para Itália com eles?
_ Não sei. O Mendes não pode viajar agora, queríamos aproveitar uma semana...
_ Que pena!
_ Vai ser melhor, vamos tirar de 20 a 25 dias de férias em janeiro.
_ Também quero tirar férias em janeiro.
_ Vocês acabaram de chegar de viagem.
_ Viajar é tão bom, faz bem para alma e aprendemos muito com outras culturas, da vontade de viajar sempre.
_ Vamos pedir?
_ Vamos, tenho que voltar para empresa.
_ Fedra e o seu negócio?
_ Estou finalizando, acredito que na primeira semana de janeiro começo.
_ Boa sorte! E conte comigo.
_ Assim que estiver tudo finalizado quero ouvir sua opinião, antes de lançar, assim posso fazer ajustes se for necessário.
_ Estou a sua disposição, pode mandar por e-mail, como quiser.
_ Fedra, te desejo muito boa sorte e se tiver projetos interessantes me apresente.
_ Ernesto, agradeço. Adoraria, só  me sinto constrangida pela relação sua com o Mesquita.
_ Fedra, se não for bom o projeto, tenha certeza, que irei recusar. Agora, se o projeto for interessante, por que vou deixar para concorrência?
_ Está certo, tem razão.
_ Fedra, tem que mandar e arriscar. O Ernesto é muito profissional. Ele não aprovou projetos que apresentei, inclusive, projetos que eu mesmo desenvolvi. Ele é empreendedor, não vai perder dinheiro, fique tranquila.
_ Em janeiro mando para vocês.
Eles almoçam e se despedem. Clara e Ernesto seguem para casa dele, que prepara suas malas, depois se encaminham para casa de Clara, que liga para João Pedro
_ Oi, João.Você  pode ir guiando o meu carro?
_ Posso, quer que vá até a sua casa?
_ Não. Eu passo e deixo o carro com você.
_ Você não irá?
_ Vou com o Ernesto. E vocês seguem com meu carro, porque amanhã precisaremos dele. Vamos ficar no mesmo hotel, o que facilitará.
_ Posso ir com meu carro, e fico a sua disposição para as reuniões.
_ Não, vai com o meu.
_ Fico com receio, se acontece alguma coisa.
_ Tudo bem, fique tranquilo.  Deixo o carro às 18:00 horas.
Ernesto e Clara passam a tarde juntos, aproveitam para ver e-mails e fazer algumas ligações. Clara vê que Vitor enviou inúmeras mensagens, ela decide dar uma olhada e se surpreende.
_ Clara preciso conversar com você, por favor, atende.
_ Estou desesperado, preciso de você, tem que me ajudar.
_ Clara, me atende, vou fazer uma loucura, vou invadir sua casa. Preciso falar, é importante. Preciso de ajuda.
_ Não aguento mais, preciso de você, não me deixa.
_ Clara, atende.
Ernesto se aproxima e ela mostra as mensagens, ele pergunta o que ela quer fazer. Clara diz que não irá ligar, nem atender, esse assunto está finalizado. Ele a abraça e diz que estará com ele para qualquer coisa.
_ Ele tem que entender que acabou.
_ Está certo, te amo.
_ Eu te amo, te amo mesmo.
_ Clara, você é o grande amor da minha vida.
_ Estou começando acreditar que você é para sempre.
Eles seguem para casa de João Pedro, que os espera. Clara deixa o carro e segue com Ernesto para São Paulo, param para jantar no restaurante predileto dela, chegam ao hotel e vão dormir. Clara vê novas mensagens de Vitor, continua ignorando todas. Aproveitam para organizar o dia seguinte, ela tem reuniões pela manhã e no inicio da tarde, ele também. Combinam de se encontrar no hotel a tarde. Vão aproveitar para começar as compras para o fim de ano, Clara e Ernesto estão deitados quando o telefone dela toca, ele pega o telefone e vê que é Vitor,  passa para Clara, ela não atende.
_ Posso atender?
_ Pode.
_ Alô!
_ Quem está falando?
_ Ernesto, o que você quer?
_ Preciso falar com a Clara, não me intimida atendendo o telefone dela, seu velho.
_ Vitor, ela não quer atender. Pelo número de mensagens que mandou hoje, chegamos a pensar que era algo importante. Só que pelo jeito é só mais uma das suas mentiras.
_ Não vou falar com você. Quero falar com ela, passa o telefone para ela agora.
_ Não vou passar, esquece.
Ernesto desliga. E comenta com Clara.
_ Ele é muito inconveniente.
_ Está sendo gentil, meu amor. Ele acha que pode manipular todo mundo, fazendo ameaças. Vem pra cama, vem ficar juntinho...
_ Me deixou irritado, preciso respirar um pouco.
_ Amor, não deixa que ele entre aqui no nosso espaço, por favor.
_ Tem razão, vamos ficar juntinhos, abraçadinhos, quero muitos beijos de minha amada...
_ Beijos? Muitos beijos?
Eles se beijam e ficam abraçados, juntinhos e dormem assim como se fossem um único ser. Na manhã seguinte, acordam e vão para seus compromissos, se falam várias vezes durante o dia. Tentam almoçar juntos e não conseguem. Clara fica presa no trânsito.  À tarde, Clara cumpre sua agenda de reuniões e segue para o hotel.  Antes de subir, decide tomar um café com seus colegas, e conversar sobre o resultado das reuniões. João Pedro e Márcio farão os relatórios preliminares e encaminharão.
_ Clara, acredito que a Mariah mandou por engano, os projetos para nosso e-mail.
_ Eu pedi, gostaria que vocês avaliassem comigo os projetos.
_ Como assim?
_ Pessoal, quando saio de férias alguém precisa fazer isso, então, acho justo que vocês estejam aptos. São as pessoas, ao lado da Mariah, de minha inteira confiança.
_ Clara, não imaginei chegar à empresa e ter todo esse espaço para trabalhar, mostrar meu potencial. Fico grato!
_ Você é muito competente, João.
Ernesto chega e vê Clara com os dois, sente ciúmes.  Ela acena e o chama para tomar um café.
_ Trabalho com você e sei o quanto é generosa com seus colaboradores. Sinto-me honrado e tenha certeza da minha eterna fidelidade e gratidão.
_ Márcio, nossa parceria sempre foi de sucesso, sempre foi um excelente profissional.
_ Cheguei no momento certo?
_ Oi, meu amor. Chegou sim. Estou falando sobre as parcerias, eles vão me auxiliar na analise dos projetos para o próximo ano.
_ Verdade?
_ Sim
_ É um sinal?
_ Não. Simplesmente, uma mudança na empresa.
_ Olá, pessoal! Podemos subir?
_ Podemos. Se quiserem podem usar o carro, só comportem-se porque amanhã a maratona começa mais cedo.
_ Fique tranquila.
_ Até amanhã.
Eles conversam sobre o dia e combinam que irão as compras e depois vão jantar no restaurante de um amigo de Ernesto.
_ Aproveitamos para comprar os presentes de fim de ano.
_ Será ótimo, temos que fazer uma lista.
_ Vamos fazer agora?
_ Vamos. Depois quero ir para o banho, com você.
_ Vamos para o banho, depois fazemos a lista.
_ Não. Vamos fazer a lista...
_ Não, vem, vem para o banho comigo, vem...
_ Está bem...
Eles tomam banho juntos, trocam carinhos e carícias ardentes. Depois se amam intensamente, a cumplicidade entre eles é cada vez maior.
_ Vou para o banho, sozinha.
_ Agora você pode.
Eles se preparam para sair, vão fazer compras para os amigos, os colaboradores e familiares. Clara quer fazer uma surpresa para Ernesto, só não sabe o que comprar para aquele homem, que tem tudo o que quer. Ela aproveita para comprar a decoração da casa dela e da casa de campo.
_ Clara, compra a decoração para nossa casa.
_ Nossa casa?
_ Sim. Ela nunca teve decoração de fim de ano, agora que tem uma dona.
_ Vamos decorar, cada casa de um jeito, assim não ficamos cansados da decoração. Pensei numa decoração alegre e colorida para casa de campo, o que acha? Já que estaremos todos reunidos lá, melhor que seja animado, depois passaremos Natal e Ano Novo.
_ Perfeito! O que é uma decoração alegre e colorida?
_ Engraçadinho.
_ Estou brincando.
_ Uma decoração tradicional, verde e vermelho para sua casa, pode ser?
_ Pode, gostei.
_ E para nossa outra casa, uma decoração rústica.
_ Estou adorando fazer compras de Natal, decoração, nunca fiz isso.
_ Onde passava as festas?
_ Viajando, muitas vezes sozinho.
_ Agora, passará comigo, daqui até a eternidade...
_ Serão os melhores séculos da minha vida.
_ Séculos? Anos das nossas vidas.
_ Não. Eternidade igual a séculos juntos. Agora é minha pelos próximos séculos.
_ Combinado.
Eles compram a decoração e continuam as compras de presentes. Clara e Ernesto estão longe das famílias e decidem passar os dois próximos finais de semana, na casa de seus pais e familiares, juntos.
_ Será uma grande oportunidade de conhecer meus familiares. Levamos os presentes de fim de ano e apresento minha futura esposa.
_ Esse fim de semana, vamos para a casa de seus pais. E no próximo, para dos meus.
_ E você vai me apresentar como seu futuro marido?
_ Quem sabe, se você merecer...
_ Como assim?
_ Brincadeirinha...
_ Vou te apresentar como meu futuro cônjuge.
_ Vem aqui e me dá um beijo.
_ Um só?
_ Não, muitos...
Eles fazem quase todas as compras, e vão jantar. Depois seguem para o hotel, felizes. Quando chegam tem um recado para Clara na recepção.
_ Senhora, tem um recado e um cavalheiro aguardando no bar.
_ Me aguardando? Ela pega o recado e vê que é da Mariah, dizendo que Vitor sabe que ela está em São Paulo.
_ Será que é ele?
_ Clara fica aqui eu vou resolver isso.
_ Não, se você for lá vão acabar brigando. Não quero que passe por isso. Vamos juntos.
_ Está bem.
_ Por gentileza, pode pedir para os seguranças ficarem atentos, essa pessoa está sendo inconveniente e estamos preocupados.
_ Sim, vou avisar os seguranças.
_ Grata!
Eles chegam ao bar e Vitor está lá.
_ Oi. O que você quer?
_ Quero você.
_ Você quer arrumar confusão. Não tem o direito de falar assim com a minha futura esposa.
_ O que?
_ Você está pensando em casar com esse velho?
_ Vitor, o que você quer? Não tenho que te falar nada. Diz o que  quer e vai embora.
_ Já falei.
_ Eu vou arrebentar esse cara.
_ Ernesto, pára. Ele quer  tumulto. Se é só isso, tchau!
Clara sai com Ernesto que está enfurecido, ela tem dificuldade em acalmá-lo. Avisa na recepção que ele está proibido de incomodá-la. Eles sobem. Ernesto não aceite a postura do Vitor.
_ Estamos reféns desse marginal?
_ Não. Vai passar, ele encontrará outra para dar o golpe. Não deixa que isso contamine nossa noite, por favor.
_ Pedindo assim. Vou tomar um banho para me acalmar.
_ Quer companhia?
_ Hum! Quero lógico que quero. Vamos tomar um banho de banheira?
_ Vamos.
Eles tomam banho e vão para cama. Acordam cedo, ela tem muitos compromissos e Ernesto está mais tranquilo. Tomam café no quarto para manterem a privacidade, depois ela liga para Márcio e João Pedro e combina de encontrar com eles no hall do hotel.  Ernesto diz que irá acompanhá-la, porque está preocupado com o assédio de  Vitor, ela aceita porque também está preocupada.
O dia é intenso para Clara, que chega já tarde no hotel. Ernesto está dormindo, ela aproveita para tomar banho, quando sai ele está acordando, ela se deita ao lado dele, e ficam juntos em silêncio. Se beijam, se olham, se admiram e conversam sobre o dia dos dois. Depois, Clara sugere que eles jantem no hotel e descansem, ele concorda e prefere jantar no quarto, para que possam conversar.  Escolhem seus pratos e pedem.
_ Clara como será seu dia amanhã?
_ Tenho reuniões na parte da manhã, almoço com Saulo e Samuel e depois estou livre. Pensei em analisar os novos projetos com minha equipe, e você?
_ Tenho duas reuniões pela manhã e estou liberado. Podíamos fazer o restante de nossas compras, o que acha?
_ E sexta-feira?
_ Tenho um compromisso de manhã.
_ Um compromisso?
_ É, importantíssimo.
_ Está bem. Amanhã tenho uma reunião pela manhã, depois almoço com o Saulo e Samuel. Ah! Depois tenho o Augusto.  O Mendes me ligou querendo tomar um café, também.
_ Estranho, vou com você.
_ Não, ele quer conversar comigo.
_ Ah! Entendi, só com você?
_ Ciumento... Acredito que queira ajuda para o presente da Rúbia. Vou encontrá-lo  no café aqui do hotel.
Chega o jantar, eles continuam conversando.
_ Amanhã, terei você a tarde?
_ Sim.  E na sexta-feira, vai ser complicadíssimo.
_ Por quê?
_ Porque estou livre, serei toda sua.
_ É mesmo?
_ Foi desmarcada a reunião de sexta, ficou para janeiro.
_ Que ótimo.
_ Vamos deixar para sexta-feira nossas compras, amanhã eu faço o que é preciso e depois trabalho com os meninos, saímos para jantar.
_ Está bem, já que não posso mudar isso.
Eles jantam, assistem a um filme e dormem cedo. Na manhã seguinte Clara vai para seus compromissos, Ernesto também. Depois das reuniões da manhã encontra seus amigos Saulo e Samuel, que estão fazendo um acerto político. Ela participa do almoço com eles. Saulo não desistiu, continua investindo em Clara, que se faz de desentendida. Clara e Saulo vão para reunião com Augusto, que também está estabelecendo uma parceria política, intermediada por ela. Quando chega ao hotel  a tarde, Ernesto a espera ansioso.
_ O que houve?
_ O Vitor estava aqui, na frente do hotel quando cheguei. Não aguentei, fui falar com ele.
_ Nossa, que situação desagradável.
_ Ele me agrediu verbalmente, chamei o segurança e a policia.
_ Ernesto, e o que fez?
_ Um boletim de ocorrência online por agressão verbal.
_ Está certo, fez bem. Te amo, sinto muito que tenha que passar por isso, meu querido.
_ Quero que acabe.
_ Eu também.
_ Ele ficou desesperado quando chamei a policia.
_ É mesmo? Será que ele tem problemas?
_ Não sei. Vamos esquecer esse episodio e falar de amanhã?
_Vamos. Amanhã compramos o que está faltando e vamos embora, certo?
_ Certíssimo, quero ficar em casa um pouco, estou sentindo falta da minha casa.
_ Vamos fazer isso cedo, porque assim voltamos para casa, o que acha?
_ Perfeito. Vou mandar um material para Mariah, que assim fica um único relatório para fazer no fim de semana, ou melhor, não fica, esqueci que amanhã não terei reunião.
_ No fim de semana iremos à casa dos meus pais?
_ Sim, achei que iríamos ficar em casa.
_ Quer deixar para depois?
_ Não dá, no próximo vamos para a casa dos meus pais. Depois estamos na semana do Natal, iremos para a casa de campo.
_ Ficaremos pouco em casa. Você tem outras viagens antes das festas?
_ Não. A empresa dá aquela parada de 15 dias, aproveitamos para ficar em casa.
_ Nossa será ótimo, merecermos dias de tranqüilidade em nossas casas.
Eles dormem e acordam cedo para fazer as compras e seguir para casa. Chegam cedo e aproveitam para descansar, não avisam ninguém que já voltaram, querem ficar a sós.
Na manhã de sábado ligam para os amigos, combinam de almoçar juntos no Valentim. Clara e Ernesto seguirão para casa dos pais dele, à tarde. A semana foi intensa para todos, eles contam suas experiências, dividem algumas preocupações e depois combinam como será o fim de ano de todos. Clara e Ernesto avisam que a decoração da casa já está comprada e que irão entre os dias 17 e 18  para casa de campo e ficarão lá, até a primeira semana de janeiro.
_ Tem uma novidade, agora os celulares já funcionam por lá. Não ficaremos incomunicáveis, ou parcialmente incomunicáveis.
_ Que ótima noticia!
_ Bom! Nós precisamos ir.
_ Vocês estão apressados...
_ Vamos viajar.
_ Outra vez?
_ Estão vivendo na estrada?
_ Vamos à casa dos meus pais.
_ Ernesto, vai apresentar a namorada para os pais?
_ Vou apresentar minha futura esposa.
_ O que?
_ Pára tudo, vocês vão casar?
_ Um dia, vocês não?
_ Sim.
_ Olha só, na próxima semana nos encontramos, só as meninas para fazermos os cardápios das festas de fim de ano.
_ Está bem, vou pesquisar os gostos de cada um.
_ Ótima ideia, vale a pena fazer isso.
_ Bom, precisamos ir.
Eles se despedem e seguem para casa de Clara. Depois seguem para a casa dos pais de Ernesto que moram numa cidadezinha no interior. O encontro é muito saudável, os pais dele, apesar da idade, são animados e simpáticos, ficam felizes com a escolha de Ernesto. Tudo corre muito bem. No domingo a noite eles retornam.
A semana seguinte é mais tranquila. Clara e Ernesto passam a semana juntos, mais na casa de Clara, ele já está quase morando lá. Ficam na casa dele dois dias, aproveitam para fazer a decoração de Natal juntos. Tem algumas confraternizações de fim de ano, e eles vão sempre juntos. Clara percebe que Ernesto chama atenção de muitas mulheres e se sente incomodada. Alguns amigos de Ernesto também falam dela, deixando-o irritado. Ele esclarece que aquela é a mulher de sua vida.
Clara se encontra com as amigas e eles acertam os cardápios das festas e o que devem levar para casa de campo. Elas sabe que os colaboradores de Ernesto podem  fazer compras para eles, então, focam nas especiarias, e ingredientes que são difíceis de encontrar  numa cidade menor.
No fim de semana seguinte, eles seguem para a praia, vão visitar os pais de Clara, que se encantam por Ernesto. Passam dois dias, com eles. E voltam para casa. Três dias depois seguem para o campo. Nos dias que estão na cidade aproveitam para fazer as compras que faltam e vão a outros eventos de fim de ano.
Clara diminui o ritmo na empresa, faz uma reunião de fim de ano com todos e uma confraternização, da qual Ernesto participa. Na empresa dele também acontece uma festa de confraternização, que se dá num hotel. Ele chega de mãos dadas com Clara e a apresenta como sua futura esposa para espanto de todos.
Passam uma semana na casa de campos antes dos amigos chegarem e aproveitam para conversar sobre o futuro e se amam muito.


Um “doce” canalha - Parte XXXVI – “Uma” canalha é pior que “um” canalha? O fim e o começo...
Os amigos chegam no fim de semana que antecede o Natal, é muita animação e diversão. Cada um se instala em sua suíte.
_ Está parecendo hotel, já temos nossas suítes reservadas.
_ Clara, a decoração da casa está lindíssima.
_ Maravilhosa, com um astral muito bom.
_ É o amor que se instalou aqui.
_ Fizeram boa viagem?
_Fizemos uma ótima viagem.
_ A Fedra e o Mesquita não chegaram?
_ Não, chegarão à noite.
_ Fiquem a vontade, estávamos nos preparando para caminhar um pouco.
_ Boa ideia.
_ Mendes, estou cansada, vamos ficar para desfazer as malas e descansar um pouco.
_ Vamos caminhar, estou animado com esse ar puro, essa natureza revigorante.
_ Vamos, Rubia?
_ Está bem.
_ Querem fazer  um lanche antes?
_ Eu quero, saímos cedo e não consigo comer nada muito cedo.
_ Vou pedir para prepararem a mesa na varanda.
Clara pede para Tônia arrumar um lanche na varanda. E já passa as instruções para o almoço e jantar.
_ Dona Clara, estou adorando ter uma mulher de verdade nessa casa.
_ Como assim?
_ “Seo” Ernesto nunca teve uma mulher que passasse da porta da cozinha.
_ Entendo. Agora, tem vida nessa casa.
_ E a decoração de Natal está linda. Meu marido ficou emocionado de ver  o “Seo” Ernesto arrumando com a senhora a casa.
_ Que bom! Estamos felizes, Tônia.
_ Qualquer duvida me fala.
Clara encontra os amigos na varanda, estão falando dos dias que passarão naquele lugar tranquilo.
_ Vou sair daqui um novo homem.
_A Rúbia está fazendo milagre com você.
_ Estou mesmo.
_ Ele está com ar mais jovial, mais simpático e menos sisudo.
_ Nossa, me achavam velho e antipático?
_ Não. Sempre foi adorável. Agora, era muito sério e intransigente em muitas coisas. E, olha que te conheço desde sempre.
_ É verdade, nossa amizade é longa.
_ Depois do lanche saímos para caminhar e voltamos para o almoço, Tônia.
_  A Dona Clara já me passou as instruções do almoço e do jantar.
_ E o que teremos para o almoço?
_ Surpresa, não é Tônia?
_ É sim,  e uma surpresa muito boa.
_ Tônia você já está do lado da Clara?
_ Patrão, é muito bom te ver assim feliz. E uma mulher como Dona Clara pode dá um jeito na sua vida.
_Olha só, a Tônia já foi seduzida pela Clara.
_ E não é verdade?
_ É verdade, Tônia. Essa mulher está me dando uma nova vida.
_ É o amor...
_ Gente, vamos caminhar?
_ Vamos até a cachoeira?
_ Adorei. Aquele lugar é lindo!
_ Precisamos levar câmeras para fotografar tudo.
_ As flores que tem nessa região são lindas.
_ E os pássaros?
_ Um pedacinho do paraíso.
Os amigos caminham pelo campo, fotografam a natureza e descansam a sombra de uma arvore a beira da cachoeira. Eles conversam e aproveitam para curtir o clima de romance. Voltam para casa e vão para o banho, o dia está quente. Depois almoçam e decidem descansar um pouco. Clara e Rúbia, combinam de levantar mais cedo e arrumarem algumas coisas da decoração da casa. Elas colocam os últimos enfeites, pensam onde montar a ceia de Natal e mudam a árvore de lugar. Deixam próximo da lareira, saem para colher umas pinhas, e algumas flores para montarem um arranjo.
_ Clara a casa do Ernesto é linda.
_ O lugar é maravilhoso, a casa é simples, rústica e muito aconchegante.
_ É aconchegante mesmo.
_ A Fedra e o Mesquita devem chegar daqui a pouco.
_ O Mesquita precisou passar na empresa para resolver umas coisas para o Ernesto.
_ E o Vitor?
_ Continua com as mensagens, não desiste. Não tenho noticias, tenho apagado todas sem ler.
_ Pois é. Vou aproveitar que o Ernesto não está por perto para te contar. Ele está com problemas sérios.
_ Rúbia,  não me interessa.
_ Eu sei, e fico feliz,  mas me preocupa porque ele está respondendo a um processo na justiça.
_ Preocupa o que?
_ A empresa, você.
_ Não tenho nenhuma ligação com nada, menos ainda, a empresa.
_ Eu sei. Ele está super queimado no mercado e o comentário que está circulando na cidade, é que perdeu tudo.
_ Ninguém consegue manter tantas mentiras por tanto tempo. Um dia o castelo dele tinha que ruir. Agora, não quero falar sobre ele. O ano está acabando e ele ficará aqui no ano de 2013, esquecido.
_ Está certo. Não vou mais tocar no nome desse infeliz.
_ Agradeço. E o Mendes?
_ Está ótimo, se soltando. Deixando aquela sisudez de lado e sendo mais carinhoso.
_ A profissão influencia muito na postura dele.
_ Eu sei. Respeito muito o trabalho dele. E sei o quanto é estressante e exige concentração e postura. Só quero que ele se divirta quando está fora daquele ambiente.
_ Ele está aprendendo, precisa ter paciência. Está fazendo bem a ele, está na fisionomia.
_ E ele me faz muito bem.
_ Isso é perceptível, está mais serena.
_ O que um grande amor não faz?
_ Faz milagres. Estou mais leve, mais alegre e me permito brincar, rir  e me divertir. O Ernesto é um grande presente.
_ Por falar em presente, como foi difícil escolher um presente para o Mendes.
_ Imagino. Porque sofri para escolher o do Ernesto.
_ O que vai dar?
_ Vários presentes, pequenos mimos e um cavalo.
_ Um cavalo?
_ Ele me disse que queria comprar um cavalo, um puro sangue lusitano.
_ Nossa é um presente exótico.
_ É um presente para um homem que tem tudo o que quer. Vou dar um relógio, um perfume, uma cueca de seda, agora o cavalo é “o presente”.
_ E ele, sabe o que vai te dar?
_ Não falamos sobre presentes.
_ E qual é o presente do  Mendes?
_ Nossa, agora acho que meu presente não vai ser nada.
_ Como assim?
_ Vou dar um relógio, perfume e uma bolsa de couro importada que ele estava querendo.
_ Adequados ao estilo dele.
_ E tem ideia do que vai ganhar?
_ Nenhuma, não consigo imaginá-lo comprando presentes para mim.
_ Estive em São Paulo com o Ernesto, fizemos compras e não imagino o que ele comprou.
_ Uma jóia, provavelmente.
_ Me deu no aniversário. Acho que não vai repetir agora. Apesar, que sinceramente, já me  deu o maior presente, estar com ele e feliz.
_ O Mendes é o meu maior presente, esse ano foi antes e depois dele. Começar um novo ano com ele é mais um presente.
_ Para mim também, o Ernesto é o melhor presente.
As amigas são surpreendidas por seus amores.
_ Pedi para Tônia preparar um suco para nós. Ela disse que tem bolo e pão caseiro.
_ Amor se todos os dias forem assim, vou sair daqui rolando.
_ Clara, pára você está ótima.
_ Obrigada, Mendes. Isso, porque não me deixo seduzir pelas delícias da Tônia.
_ Você ficaria linda se engordasse um pouquinho.
_ Sei. Está querendo me ver gorda.
_ Não. Você é magrinha e está tudo certo.
_ Acho bom, não quero engordar.
_ Vamos tomar o lanche.
_ Olha! Fedra e Mesquita.
_ Chegaram na hora certa, hora do lanche.
_ Oi e tchau!
_ O que houve Fedra?
_ Eu chego e tem uma mesa com lanche. Ai meu Deus,  vou sair daqui em forma de bola.
_ Acabei de falar isso. Fizeram boa viagem?
_ Ótima.
_ Tudo bem, Mesquita?
_ Tudo certo. Eu adorei chegar com essas delícias, porque estou com fome.
_ Então, vamos para mesa. E Fedra, o jantar é uma surpresa e sei que você adora.
_ Olha a Clara mandou caprichar no almoço, se o jantar for no mesmo estilo, vou sair para caminhar a noite.
_ Estou falando, estou falando.
Os amigos fazem o lanche. Fedra e Mesquita se acomodam. Um sai para passear, outro vai ler um livro, Clara e Ernesto vão para o banho e depois se acomodam na sala, que está mais fresca. A noite no campo é bem agradável. Eles deitam e ficam olhando o céu pela janela. Estão felizes. O domingo segue cheio de atividades ao ar livre, passeios e muitas comidinhas. Na segunda-feira as meninas começam a preparar a decoração com flores nativas para o Natal, espalham algumas velas lindíssimas pela sala e varanda.
Na terça-feira pela manhã, os presentes começam a aparecer sob a árvore de Natal. Clara está ansiosa com a chegada de seu presente, já deixou tudo ajustado com o caseiro de Ernesto, que irá acomodar o cavalo até a hora da ceia. As amigas deixam tudo pronto para noite de Natal, escolhem a louça, as toalhas, os amigos cuidam das bebidas, vinhos e prosecco.
À tarde, todos vão para seus aposentos e dormem, para estarem bem dispostos a noite. Todos mandam mensagens para os familiares e amigos. Respondem inúmeras mensagens e recados. Vitor manda uma mensagem para Clara, pede desculpa e se diz apaixonado. Ela não responde. Depois de repassarem com Tônia tudo para a grande festa, elas vão se vestir.
_ Vocês vão colocar vestido?
_ O meu é um vestido vermelho.
_ O meu é azul cobalto.
_ Eu trouxe um vestido, achei que iriam estar mais a vontade.
_ Relaxa, Fedra. Cada um veste o que quiser.
_ Não vou por uma roupa mais simples, se as duas peruas estarão todas embonecadas.
_ Uma bermuda bonita e uma camiseta de seda, com salto fica um charme.
_ Vou por meu vestido, só que é prata, pensei em usar no Ano Novo.
_ Durante a semana saímos e você compra outra peça.
_ Boa ideia, eu quero comprar alguma coisinha. Quem sabe encontro outro vestido para o Ano Novo.
_ Eu apoio.
_ Vamos nos vestir?
_ Ernesto, vamos nos arrumar?
_ Vamos.
Todos se arrumam para festa.
_ Clara, você está linda com esse vestido vermelho. Adorei!
_ É para você.
_ Fico feliz de estarmos aqui, e só os amigos, porque você vestida assim me daria um trabalho.
_ Engraçadinho! Você está lindo, lindo e lindo.
_ Amo você!
_ Eu te amo!
Eles se encontram na sala. Todos estão prontos, lindíssimos.
_ As nossas namoradas estão lindas.
_ Concordo Mesquita. Todas lindas!
_ E os nossos namorados estão deslumbrantes.
_ Temos bom gosto, amiga.
_ É verdade, escolhemos muito bem.
_ Dona Clara, a senhora pode vir até a cozinha.
_ Sim.
_ Tônia, não tira ela daqui.
_ Já volto meu amor.
_ O cavalo chegou, tem que assinar um documento.
_ Ah! E ele está bem?
_ Dona Clara, é um lindo animal, o patrão vai gostar muito.
_ Que bom, ele está bem?
_ Está sim.
_ Ótimo! Assim que formos trocar os presentes te aviso.
_ Está certo!
Clara volta para sala.
_ Chegou!
_ O que houve?
_ Queremos trocar os presentes agora.
_ Não vamos esperar a meia-noite?
_ Não. Vamos trocar agora.
_ Está bem, quem começa?
_ O Ernesto, o dono da casa.
_ Começamos pelas lembrancinhas ou pelos presentes das amadas?
_ Vamos começar pelas lembrancinhas.
Todos os amigos trocam lembranças de Natal. E depois começam os presentes.
_ O meu presente, para Clara, precisa ser dado lá fora.
_ Lá fora?
_ É.
Todos seguem para varanda. Ernesto pede que acendam as luzes do jardim. Lá está um lindo carro importado.
_ Ernesto, um carro?
_ Você merece, meu amor.
_ Que lindo! Adorei. Comentei com você que queria trocar de carro e você me perguntou o que pretendia. Não existe homem como você.
_ Gostou?
_ Adorei. Vamos ter que dar uma olhada.
Eles olham o carro e Clara chama atenção de todos.
_ Já que estamos aqui fora vou aproveitar para dar o presente do Ernesto.
_ Vai dar um carro?
_ Não.
_ Amor esse é o meu presente.
_ Um cavalo puro sangue lusitano?
_ Clara, falei que estava pensando em comprar, que presente maravilhoso.
_ Investiu, não é um cavalo barato.
_ Gente, dá pra deixar o restante para amanhã?
_ O que houve Mesquita?
_ Nossos presentes.
_ Parem com isso. Agora vou dar os presentes do Ernesto.
_ Tem mais?
_ Tem coisinhas para ele.
_ Um relógio, da marca que uso, lindíssimo. Um  perfume, novo, diferente e gostoso. E o outro não vou mostrar...
_ Por quê?
_ Porque é muito intimo.
_ Mostra, mostra, mostra...
_ Não, não, não...
_ Clara, tenho outro presente.
_ Devíamos ter deixado os dois para o final.
_ Meu amor, que lindo!
_ É o nosso anel de compromisso.
_ Amei.
_ Quem vem agora?
_ Mendes vai lá.
_ Eu?
_ Alguém tem que ir.
Assim todos trocam presentes, Rúbia e Fedra, ganham lindas jóias e dão relógios, perfumes, pastas e canetas de presente para seus amores. Depois seguem para ceia e Ernesto tinha deixando uma queima de fogos programada para meia noite. Todos se surpreendem com aquele lindo espetáculo. Os amigos ficam na varanda e admiram o céu estrelado e a lua que está linda. Já é madrugada quando vão dormir. Acordam tarde no dia seguinte, só Ernesto  acordou cedo, para  ver seu presente.
Eles tomam café e vão ver o cavalo de Ernesto, depois fazem uma caminhada. Almoçam e descansam. Estão animados e combinam de jogar cartas a tarde. Eles se divertem com vários jogos de carta e tabuleiro. Depois fazem um lanche e dormem cedo.
A semana segue no mesmo ritmo, todos se divertem com passeios a cavalo,  caminhadas e banhos de cachoeira. Os amigos pescam e jogam futebol com  os funcionários da casa. É pura diversão.
No fim de semana, Clara, Fedra e Rúbia decidem ir até a cidade para fazer compras, querem roupas novas e precisam comprar algumas coisas para ceia de Ano Novo. Ernesto pede que o motorista acompanhe as meninas.
_ Ernesto, vamos sozinhas. Quero ir com o carro, para testar.
_ Vai sair com elas antes de sair comigo?
_ Está falando sério?
_ Estou.
_ Desculpa, tem toda razão.
_ Vou com seu carro. Só que não precisa de motorista. Quero guiar um pouco.
_ Não, a estrada que leva a rodovia, nesta época é movimentada, me preocupa.
_ Está bem meu amor.  Eu te amo, amo muito!
_ Eu também! Não demora, porque vou ficar com muita saudade.
_ Pode deixar. Voltamos para o almoço.
_ Meninas, vamos.
_ Não vamos com seu carro novo?
_ Não. Vamos de motorista.
_ Por quê?
_ O Ernesto disse que a estrada é muito, movimentada e perigosa, nessa época.
_ Ele está com ciúmes de você.
_ Também. Como não conhecemos nada, e tem movimento, vamos de motorista.
_ Esse Ernesto...
Elas vão até a cidade e fazem as compras que querem. Fedra encontra um lindo vestido para a festa de Ano Novo. As amigas compram algumas peças.
_ É bom ter alternativas...
Voltam para o almoço. Depois descansam e a noite é animada. O fim de semana termina com muita alegria e diversão. O dia 31 chega. Todos estão animados com a festa.
_ A festa de Natal foi lindíssima e as meninas fizeram uma decoração especial, a ceia saborosa, o que teremos no Ano Novo?
_ A decoração já estamos mudando, teremos uma ceia frugal. E deliciosas sobremesas, prosecco e música.
_ Que tenha alegria e amizade.
_  Amor, amor e paixão
_ Sucesso e prosperidade.
_ Saúde e paz.
_ Sonhos realizados.
_ Desafios.
_ Solidariedade.
_ Espiritualidade.
_ Um feliz 2014!
Todos os amigos se abraçam.
_ E que esse ano, cada um de nós realize seu sonho mais profundo e que nossa amizade perdure.
Eles se preparam para ceia. A meia noite, uma nova queima de fogos, e uma chuva de pétalas de rosas brancas, amarelas e vermelhas caem sobre os amigos na varanda. Eles se abraçam, se cumprimentam. E fazem um balanço do ano que está se encerrando.
_ Fedra, estou muito feliz por ter você na minha vida!
_ Eu que agradeço todos os dias por ter te conhecido. E quero que a minha nova empresa seja um grande sucesso.
_ Quero continuar feliz ao lado do Mendes e realizar um sonho antigo, que depois da fala da Clara me animei a retomar.
_ Vai nos contar?
_ Depois que ela contar o dela.
_ Eu quero aprender a viver com mais leveza, ser menos rabugento como a Rúbia me chamou. Quero ser feliz, ao lado dessa mulher especial, que tem dado um novo sentido para minha vida.
_ Clara esse foi o melhor ano da minha vida. Encontrar você foi um presente especial.
_ Você é meu príncipe.
_ Vamos casar?
_ Vamos.
_ Sério mesmo?
_ Sim. Quero ficar com você para sempre.
Os amigos aplaudem, assobiam e abraçam o casal.
_ Quero falar duas coisas, importantes. Vou aceitar o convite do Ernesto. Os projetos estão encaminhados, agora posso me desligar da empresa. Farei isso em janeiro.
_ Meu amor, que presente maravilhoso. Quero muito que acompanhe a parte final de criação da empresa e que esteja presente em todas as etapas. A empresa é para você.
_ Calma! A empresa é sua e serei sua colaboradora.
_ Vamos nos casar, a empresa será nossa.
_ Está certo! Agora tem outra coisa.
_ O que mais?
_ Estou escrevendo um livro.
_ O que?
_ Sempre quis escrever um livro, é meu grande sonho.
_ Meu amor, um livro? Nossa, que coisa linda.
_ Então, meu livro, o primeiro de muitos, quero lançar no próximo ano.
_ Tem todo meu apoio. Tem titulo?
_ Tem: Um doce canalha.
_ Clara, que interessante.
_ Todos vocês fazem parte do meu livro.
_ Clara, vamos lançar juntas.
_ Desconfiei, que estava escrevendo, vamos fazer uma grande festa de lançamento dos nossos livros.
O ano de 2014 começa. Fedra e Mesquita viajam para Itália. Rúbia e Mendes vão para França. Clara e Ernesto estão envolvidos com a nova empresa.
Clara e Rúbia lançam seus livros em fevereiro, numa noite de autógrafos animada, com muita musica e gente bonita.
O livro de Clara termina com um agradecimento:
_ “Agradeço ao Vitor, porque se ele não existisse na minha vida, esse livro não teria sido escrito.
_ Agradeço ao doce canalha, que cumpriu com seu papel e me deu material para escrever o primeiro de muitos outros livros.”
De um limão, Clara fez uma doce limonada...
De um canalha, um livro e o encontro de um grande amor...



FIM