segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Quero você, simples assim...
Quero você integralmente, com todos os seus dramas.
Quero que você solte suas amarras, assim como os botões da minha blusa.
Que você se permita viver intensamente, como me permita te beijar ardentemente.
Vivenciar momentos alegres e viver momentos de prazer comigo.
Ser mais livre e me deixar te prender entre minhas pernas.
Se soltar e deixar minha língua tocar a sua...
Me deixar te seduzir, como você me envolveu um dia.
Se perder em mim, como já me perdi em você...
Me deixar colocar em prática tudo o que escrevi de nós dois.
Sentir o quanto você é amado e desejado por mim, sabendo o que dizer, sem medo.
Dizer sim, ao invés de dizer, que não sabe o que dizer...
Responder positivamente àquele convite, sem risos como resposta...
Voltar a ser alguém amoroso, carinhoso e parceiro, sem que eu te peça para ser gentil.
Responder com um abraço apertado e um beijo molhado, quando me encontrar, como outrora.
Deixar seu corpo tocar o meu, sentir prazer e me dar prazer.
Quero sentir suas mãos no meu corpo, meu corpo no seu.
Minha boca na sua e sua língua na minha.
Quero que um hambúrguer ou pizza comigo, seja mais interessante que um churrasco com o time de futebol.
Quero adentrar na sua caverna e tirar o seu barco do estaleiro.
Que você leia, outra vez, um “bilhete” dizendo que está interessado em mim.
Diga que a noite está agradável para ser aproveitada comigo.
Quero, desejo e amo você... A resposta não pode ser um simples “não sei”...
Você sabe o que responder...

Claudia Paschoal

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Amores possíveis, paixões impossíveis - parte XII

Parte XII

Gum está inquieto, Clara o deixa naturalmente irritado, ele está aprisionado em seu barco de metal, que continua estático no porto. Ela percebe que algo está acontecendo, ele está diferente, parece mais distante em alguns momentos, noutros a conforta em seu braços e rouba-lhe um beijo, inesperadamente.
Ele reclama sempre que ela se atrasa para qualquer compromisso, como se ele nunca a deixasse esperando. Ela reclama das respostas incompletas, da demora para responder uma mensagem, assim eles vivem implicando um com o outro, como adolescentes.
Para Clara, Gum estava se envolvendo em outra história, o que deixava um vazio enorme e uma dor com a qual ela não sabia conviver. Ele fazia insinuações, como se desejasse ser indagado sobre um possível envolvimento com outra pessoa. Ele queria magoa-la, estava apaixonado ou estava fugindo do que sentia?
Clara chega ao imutável barco de metal, desgastado pelo tempo. Ele não a cumprimenta e como se estivesse apressado senta-se atras de sua mesa, como se fosse um escudo, ela sorri e diz que ele deveria ser educado, então ele a cumprimenta, Clara é irônica. A conversa gera em torno de assuntos do dia-a-dia, questões corriqueiros e alguns assuntos de trabalho que estavam pendentes. Em certo momento ele se descontrola, como sempre que algo o desagrada.
_ Você me irrita mais do que qualquer outra pessoa. – Sentencia Gum.
_ Fico feliz em saber, porque você também é a pessoa que mais me irrita na fase da terra. -Diz Clara, sorrindo.
Ela estava decidida a ter, pela primeira vez, uma conversa sobre o que havia acontecido no passado entre eles, falar do que sentia e entender o que estava acontecendo, mas Gum estava decidido a não enfrentar aquele assunto. Fez tudo o que pode para fugir da conversa. Num certo momento, ela simplesmente desistiu.
Ela deixa o barco de metal, pensa muito sobre aquela conversa insana, e decide mandar uma mensagem falando sobre o assunto. Ele fica em silêncio e diz que conversarão na próxima semana com tempo. Clara pensa que esse tempo é o grande problema.
Na semana seguinte, eles estão no barco de metal e muitos assuntos são tratados, os dois fogem do assunto. Clara está cansada e ele se sente aliviado. Na despedida ele a abraça e ela é distante. Parece que algo os impede de viverem toda aquela emoção que é percebida pelos que estão a volta, e que por vezes, eles tentam aniquilar. Os dois são covardes.
Clara toma uma decisão, deixará a porta do coração aberta. Quem sabe um novo ocupante, menos confuso e irritante... No momento seguinte, uma mensagem em seu celular, é de Gum que a convida para tomar um vinho, quanto tempo eles não fazem um programa como esse. Por um instante, ela pensa em recusar, mas aceita o convite inesperado.
Eles vão para um restaurante, comem uma massa e tomam vinho. Na saída ele para e a olha com ternura, se aproxima e a abraça. Clara se aninha naquele abraço e ele percebe que ela se entrega. As bocas se procuram, se tocam suavemente. Eles seguem para casa dela. Ele mostra uma garrafa de vinho, sorrindo.
_ Deixei no carro, achei que teríamos a oportunidade de saborear mais uma garrafa. – Diz Gum.
_ Mais uma?
_ Vamos aproveitar a noite, vamos nos divertir.
_ Prefiro curtir a noite e me divertir sóbria. – Responde Clara.
_ Eu quero curtir você. – Fala Gum, enquanto a abraça e beija.
Os dois se beijam ardentemente, os corpos se ajustam um ao outro, os gostos se misturam. O clima é de romance entre eles. Gum, com seu jeito rude se transforma nos momentos de intimidade. Ele a olha com ternura, a beija lentamente e passeia pelo corpo dela, com suaves toques.
Clara se entrega aos carinhos de Gum, entre eles existe uma sintonia harmoniosa. O amor e o sexo, fluem. Os beijos são ardentes, os corpos se entrelaçam, o desejo é latente. Eles se entregam ao amor. Gum a toma em seus braços e a leva para o quarto. Busca as taças de vinho. Ele para na porta e observa Clara na cama. Ela está numa linda camisola vermelha, que o deixa sem ar.
_ Você está inebriante, meu amor.
_ É para você.
_ Clara, você está me fazendo arriscar.
_ Estou te fazendo viver.
Ele sorri e se junta a ela. Clara o abraça e arranha suavemente as costas de Gum, que sente um arrepio percorrendo seu corpo. Ela se coloca atras dele e beija o pescoço enquanto suas mãos o ajudam a tirar a camisa. Ela toca suavemente a orelha dele e percorre o ombro e pescoço  com beijos. Ele se permite sentir cada toque dela, Clara se volta para ele, o abraça levando seu corpo, obrigando-o a deitar. Ela retira a calça de Gum, com toda delicadeza e com carinhos e beijos percorre o corpo dele, que se entrega.
Gum a abraça e a coloca deitada e a beija ardentemente. Ele vai desnudando Clara, com carinho e pequenos toques na pele macia dela. Ele desce a alça da camisola de Clara, enquanto beija se colo e percorre com os lábios molhados de desejo seus seios. Ele a segura com uma força na medida certa, evidenciando seu desejo. Depois percorre o corpo de Clara com os lábios, entre beijos e pequenas mordidas, ele a tortura de prazer.
Gum se deleita com os arrepios e gemidos de Clara, ao receber seus beijos e caricias. Ele a olha e a boca semiaberta dela recebe a dele, as línguas se procuram, se enroscam. As mãos entrelaçadas se apertam, os corpos estão prontos para o prazer, se tornam um só ser. Os movimentos são rítmicos, eles já sabem como dar prazer ao outro. A entrega é absoluta, Gum a deixa em êxtase. Ela se entrega a ele, que demonstra o quanto está envolvido e deixa seu corpo receber o de Clara. Os dois chegam ao ápice do prazer. Gum, surpreendentemente, sempre a toma para si depois do sexo.
Eles tomam banho juntos, e voltam para cama, ficam entrelaçados e assim adormecem. Na manhã seguinte, Clara o desperta com muitos beijos e uma linda bandeja de café da manhã. Ele se surpreende por ter dormido tão profundamente, fora de sua casa. Gum sempre dizia ter uma grande dificuldade de dormir em outra cama que não a sua. Clara estava realmente, fazendo com que Gum saísse de sua zona de conforto.
O dia começou com mais algumas horas de prazer e entrega... Seria uma nova fase do amor de Clara e Gum?




sábado, 8 de julho de 2017

Amores possíveis, paixões impossíveis - Parte XI



Tem um momento na vida que é necessário se reencontrar. Clara estava reflexiva, não sabia se seguiria por aquele caminho. Vivenciar um amor pela metade é pior do que não viver. Gum transitava entre o amor e suas amarras, deixando Clara incomodada. O amor deve ser vivido na sua integralidade, não pode ser vivido em doses homeopáticas. Amor é amor, um sentimento orgânico e inteiro, que não pode ser fragmentado. Amor é a fusão de dois indivíduos que geram um ser singular, uma vida em comunhão, um desejo único.
O amor é assombroso, chega e muda tudo de lugar, dá novos significados para vida, promove uma erupção de emoções, transforma a realidade circundante e dissolve a individualidade. Clara vivenciava emoções tão dispares ao lado de Gum, às vezes, transitando entre o mais límpido amor e o mais amargo rancor.
“A lua alta iluminava a noite de inverno, as estrelas cintilavam no céu, o frio era um convite para estar à dois, mas Clara estava só. A linda lua cheia iluminava o jardim da casa, o vento gélido trazia a tristeza, deixando o sentimento letárgico. O amor é assim, a falta de reciprocidade enrijece a alma e deixa um vazio por tudo aquilo que não se viveu.
_ A dor do amor não vivido é mais angustiante do que a dor de um rompimento. Quando algo já experimentado acaba, dói, mas amar algo que você não vivenciou dói infinitamente mais. Assim o desejo é deixar de amar... deixar a alma serena e dissipar o amor. – Pensou Clara.
Ela volta para dentro de sua casa, esperando que o calor do seu lar aqueça-lhe a alma. O coração está num impasse entre o amor sentido e a dor, vive no limiar da aflição. Clara fora imprudente, descobriu-se amando um homem tão ironicamente distante de tudo que ela sempre admirou, apenas a inteligência se encaixava no enredo das escolhas feitas por ela no passado. Amar com a intensidade que amava, alguém tão intimamente desconhecido, como fora possível?
Ela se encantou pelas semelhanças e diferenças, pelo jeito rustico, pelo cheiro de mar que ele carregava em sua pele, pelos cabelos grisalhos, pelo caminhar desajeitado e principalmente pela alma dura e inquieta.
Para Clara, o barco de metal era a prisão de Gum, representava algo de obscuro em sua alma.  A desorganização de sua vida, a falta de atitude em situações que geravam conflitos, demonstrava a inércia. Tão conflitante a personalidade dele, que era impossível decifrar.
Só que o amor precisa ser alimentado, em alguns momentos, o sofrimento que Clara insistia em não viver, aniquilava sua alma, se instalava em seu âmago sem pedir licença. Aquela noite estava sendo cruelmente dura, fria e triste. Talvez tenha compreendido que tudo o que Gum tinha para oferecer era nada perto do amor que sentia. Mais de vinte anos sem revisitar o tal amor e quando reencontra é algo tão sorrateiro e capaz de arrancar palpitações que dilaceram a alma.
Angustiada, solitária e amando ardentemente, Clara seguia experimentando seu conflitante sentimento. O que ansiava era viver novos momentos de cumplicidade, entrega e desejo ao lado de Gum, mas algo infringia esse enredo, fazendo-a tropegar na dura e impiedosa realidade.
Como é inusitado o desejo, a solidão que sentimos por alguém que está perto é muito mais avassaladora. É um querer que não pode ser alcançado, é estar tão perto e longe da felicidade que se vive à dois. Alguns momentos de prazer são insuficientes para conter o pranto. O desejo é andrajo, vil e ingrato quando solitariamente vivido na fantasia amorosa.
Naquela tarde, Clara olhou para Gum e sentiu que algo havia mudado, ele estava mais leve, solto e bem-humorado. As atitudes sempre tão previsíveis dele, demonstravam que tinha encontrado um refúgio amoroso, que estava explorando um novo horizonte do qual Clara não era personagem.
A intensidade de um sentimento não é a mesma para cada um dos envolvidos.  Ele que sempre permanecia horas em seu navio avistando o mar, agora estava muito mais em terra firme desbravando o asfalto e mudando seu ritmo de vida para experimentar algo. Como poderia ele ter esquecido os tórridos momentos de amor e entrega que viveram juntos? Havia ele trocado Clara por uma nova história?  O coração dela dizia que sim. As preocupações dele eram de quem tinha algo a esconder, ao mesmo tempo ele evidenciava para Clara que algo havia mudado, fazendo-a perceber que o estava perdendo. A dor dilacerava o coração, fazendo-a sucumbir ao desejo de aniquilar aquele amor desproporcional e que a obrigava a experimentar o sofrimento tão incomum em sua vida.
Viver o amor é aceitar a realidade, nem sempre de uma existência feliz, muitas vezes o inevitável e contraditório ressignifica a vida e o amor, promovendo uma trágica experiência. Clara sofre ao lembrar do olhar de Gum que desvendou o desejo dele por outra, o sorriso fácil, o corpo mais relaxado, evidenciava a leveza de sua alma.
_ Como o corpo diz muito do que sentimos, Gum estava diferente, talvez ele não perceba como os sinais demonstram seu desejo... _ Fala Clara em voz alta”.
Todos sabem que o amor é parte da trajetória da vida. Que se experimenta várias formas de amar ao longo da jornada, que nunca haverá um amor como outro. O amor assim como a morte, são presenças certas na caminhada e nunca alguém estará preparado para encara-los. O amor não vivido provoca uma dor pujante que só é abstraída quando se alcança o desejado, desamor.
Parecia que o fim estava próximo, Clara sempre dizia não ter vocação para o sofrimento. Estava ela decidida a findar com sua angustia, queria se despir daquele amor. Sabia que deveria cumprir um ritual, deixar o amor agonizar e morrer, depois leva-lo para o crematório e jogar as cinzas ao vento, para que nunca mais fosse capaz de reencontra-lo. Apesar da dramaticidade do momento, Clara procurava equilibrar seus sentimentos, estava decidida, queria varrer Gum de seu coração e de sua vida, definitivamente.
As intuições devem ser seguidas, elas dizem muito e quase sempre quando não se valoriza os sinais dados pela vida a decepção é certa... talvez, Gum estivesse vivenciando a loucura de uma nova paixão, e sem a vergonha que o impedia de deixar florescer seu sentimento por Clara, estava investido de alegria e empoderado pelo sentimento disposto a construir uma nova história de vida. Gum se transformava quando apaixonado, Clara já havia vivenciando um outro momento em que ele tinha se encantado por outra pessoa. A imersão na paixão era muito mais corriqueira do que a vivencia do amor, que sempre provocará modificações no outro. A paixão é intensa e fugaz, talvez muito mais simples de ser experimentada por Gum.
Clara acorda, começa a organizar seu dia e decide que mudará o rumo da sua historia com Gum...

Claudia Paschoal

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Amores possíveis, paixões impossíveis - Capítulo X


Gum continua com seus pensamentos, intrigado com seus sentimentos. Clara do outro lado da cidade se questiona sobre a intensidade do seu amor. Habitualmente, o amor faz ver qualidades no outro, que só o olhar amoroso identifica. A tendência é melhorar radicalmente a pessoa amada, e muitas vezes, comete-se o grave erro de moldar o outro aos próprios valores. Clara sempre achou melhor mostrar o pior de si, se a pessoa permanecesse seria brindada com o seu melhor. É da essência humana condenar tudo o que desagrada no outro, transformando-o, desconsiderando a singularidade da pessoa. 

Gum, com seu jeito autoritário, nunca havia feito críticas ferrenhas ao estilo de Clara, apesar dela ser tão diferente dele. Clara da mesma forma, sempre respeitou a falta de estilo e o jeito rústico de Gum, o que fortalecia a vitalidade do relacionamento. O amor deles não tinha qualquer pretensão de exercer opressão sobre o outro, não pedia nada, não exigia mudanças de nenhuma das partes. 
“O mar está agitado e Gum senta na praia e observa. Ele entendia como poucos os movimentos do mar. Quando olha para o lado vê uma sombra, se assusta, o coração dispara, sente um frio no estomago, é Clara. Ela senta ao lado dele e o olha com admiração.
_ Gosto de ver a sua relação com o mar. 
_ Ele me traz muitas respostas e me equilibra. – Responde Gum.
_ E qual pergunta você lançou para o mar? – Indaga Clara.
Gum sorri e respira profundamente, pensando o que dizer para Clara.
_ O que ele me disse? Disse para arriscar mais...
_ Uau! E você vai ouvir?
Gum toca suavemente na mão de Clara, retira os cabelos do rosto e beija o ombro dela. Clara olha com ternura para Gum. Os dois se olham e se procuram, Gum percorre o ombro com os lábios entre aberto, em direção ao pescoço. Clara com a respiração ofegante, move o corpo em direção ao dele, os dois se deitam lentamente na areia, o vento gélido provoca arrepios, mas o calor do desejo aquece os corpos. Ele toca os lábios dela, passando a língua lentamente. Ela recebe o toque dele, mordendo os próprios lábios impulsionada pelo desejo. Os lábios entreabertos de Clara recebem a língua de Gum, que encontra a dela e eles se beijam efusivamente 
Os dois não resistem ao desejo, a praia deserta é o cenário ideal para aquele momento de amor. Eles se entregam... A areia, os movimentos frenéticos dos corpos, os beijos... aquele homem forte e rústico, consegue ser tão amoroso e gentil nos momentos mais íntimos. 
Eles seguem para casa de Clara, Gum a pega pela cintura e a encosta na parede, beijando-a fortemente. Ela entrelaça suas pernas pela cintura dele, enquanto se beijam loucamente. Os corpos estão desejosos e sentem o calor daquela paixão ardente. O olhar de Gum é de ternura e medo, Clara tem a sensação de que ele não sabe se é capaz de proporcionar o prazer que ela espera, apesar dos outros encontros que já haviam ocorrido. Ela faz um afago nos cabelos dele, como se fosse para acalentar e o abraça fortemente. Ele à solta lentamente, Clara percebe que ele está confuso e que perdeu o desejo. Sem dizer nada, o segura pelas mãos e o leva até a sala. 
Gum está atônito, cabisbaixo e com a voz embargada. 
_ Me perdoe. – Diz ele.
_ Perdoar por quê? – Responde Clara.
_ Senti medo. 
Clara esboça uma fala e Gum interfere.
_ Senti medo de não te dar prazer, medo de não conseguir dizer o que sinto, medo de não ser capaz de viver esse sentimento. Medo, esse é o meu maior problema.
_ Meu querido, meu amor... não sofra antecipadamente. Não estou te pedindo para tomar nenhuma decisão. Entendo o seu medo, respeito o seu tempo. O que sinto por você não vai acabar assim. É algo intenso, único e mágico. Amo-te.
_ Clara, sabe que tenho vontade de gritar que também, amo-te. Mas, para assumir esse sentimento tenho tantas gavetas para arrumar, decisões para tomar.
Clara se aproxima, beija suavemente sua face, aperta suas mãos e o abraça. Gum respira profundamente, olha para ela e encosta o rosto no dela, com os olhos fechados, sente o rosto de Clara, a respiração quente que sai pelas narinas de Gum provoca pequenos arrepios, ele toca com lábios os olhos de Clara, com pequenos beijos vai perfazendo todo seu rosto, até encontrar sua boca. 
Gum beija a boca sedenta de Clara. Com os lábios molhados, o beijo suave, a respiração vai ganhando ritmo acelerado, ele encosta o corpo no dela e a leva para traz, deitando-a no sofá. Os beijos são vagarosos, as bocas se tocam e se afastam, entre um beijo e outro eles se olham como se buscassem a aprovação, estabelecendo uma cumplicidade. Ele toca os cabelos dela. Ela passa as mãos pelo tórax dele, sente o coração disparado. Gum está com corpo sobre o dela, ele passa a mão pelo seu rosto tirando o cabelo e a olha fixamente. A mão de Gum, desce lentamente pelo pescoço de Clara, enquanto a boca beija a orelha. Ele abre calmamente o primeiro botão da camisa dela, e passa o dedo pelo colo até o limite do decote. Clara crava suas mãos nas costas de Gum, e sobe arranhando suave e vagarosamente, provocando um arrepio. Os pés de Clara, sobem pelas pernas dele. Ele beija o pescoço, o colo os seios de Clara. Vai retirando a camisa dela, e a cada parte de corpo desnudo ele beija com a boca entreaberta como se a sugasse.
Ela retira a camiseta dele e sente o inconfundível cheiro de mar que ele carrega em sua pele. Gum apoia seu corpo sobre o dela, há uma troca de energia, de calor e de desejo. Ele retira o sutiã e admira os seios de Clara, tocando-os com as mãos. Gum segue percorrendo o corpo de Clara com os lábios entreabertos provocando reações. Ela beija suavemente os ombros dele e percorre com lábios o pescoço, passando pela orelha e chega até a boca. Clara, rapidamente se coloca sobre Gum, e devolve as caricias, passeia pelo corpo dele, tocando-o com as mãos e com os lábios, proporcionando-lhe prazer.
Ele delicadamente toma Clara para si, os corpos estão intimamente interligados, promovendo movimentos que começam lentos e ganham ritmo, os corpos estão colados. Clara está sobre Gum, ele pode beija-la e o faz. Agora é Gum quem está sobre Clara, e ele a olha como se olhasse uma presa, exerce seu domínio, mantendo movimentos mais rápidos e outros não. Ele procura nos olhos dela o prazer que está proporcionando ao mesmo tempo que vivencia o próprio prazer.
Gum, está decidido a mostrar que é o dominador, assim coloca seu corpo atrás do corpo de Clara, a segura fortemente pelos cabelos e a toca, beija as costas dela e a toma para si dominando-a. Novamente, ele alterna movimentos intensos e outros mais lentos, levando-a ao êxtase, ele mesmo já não consegue mais controlar seu desejo e os dois como numa perfeita simbiose, soltam gemidos de puro prazer. Gum a abraça. Ele sempre a leva para junto de seu corpo, após o ápice do desejo, algo incomum para um homem. 
Depois de um demorado banho, Clara ressurge. Ele a espera ainda de roupão, eles estão no quarto dela e conversam como não faziam há muito tempo. Ele está mais leve, o rosto menos tenso e mais disponível. Ela o ouve atentamente. Os dois, demonstram toda a sinergia que existe, são cumplices em muitas coisas. Ele busca um certo conforto nas palavras de estimulo de Clara, para vencer questões corriqueiras, que tem lhe tirado a paz. 
Depois de algum tempo decidem sair para almoçar juntos. Seguem no mesmo carro, algo diferente para eles, no caminho ele diz que foi maravilhoso tudo o que aconteceu, que está feliz e pleno e que... Gum não consegue dizer o que sente, ele tem um bloqueio, uma necessidade de fugir do sentimento. Clara ainda não conseguiu entender o motivo, mas ela está cada vez mais decidida a decifrar esse enigma. E ele parece estar cada vez mais propenso a se entregar ao sentimento que provoca tantos questionamentos”.
Uma relação amorosa é uma experiencia que exige entrega, abdicação de alguns conceitos e concessões mutuas. O amor é um ajuste do que se espera com as qualidades do outro, Clara e Gum, valorizavam tudo o que apreciavam no outro e respeitavam as diferenças, já que eram tão diferentemente idênticos. Essa disposição era fundamental para que o amor frutificasse, a intensidade do amor provoca uma síntese da qual brota um só ser, rompendo a barreira da individualidade e empoderando os entes amorosos para a construção de uma nova vida, conferindo novos significados e dissolvendo a subjetividade que aprisiona. 
O amor vai tomando forma e mudando vidas, Clara e Gum, se tornariam um só ser? Apesar de amar Gum e de valorizar os momentos de prazer com ele, Clara trazia em seu amago um emaranhado de dúvidas, tinha a certeza de que não conhecera todas as facetas dele.

Claudia Paschoal

Amores possíveis, paixões impossíveis - Capítulo IX





Gum aproximou-se da janela para ver a manhã invadir sua sala ampla e envidraçada. Encostou a cabeça no vidro e respirou profundamente, o ar da manhã fria encheu-lhe as narinas. Sentia-se exausto...
Poucas pessoas eram confiáveis e ele não tinha com quem dividir suas angustias. O vizinho que morava na casa ao lado apareceu em sua janela e também contemplava o amanhecer, Gum acenou e se recolheu para seu universo interior que estava borbulhando.
Tempos atrás havia ali uma vida mais agitada e animada, sempre rodeada de amigos. Olhou para trás e viu que a mesa de jantar agora estava repleta de objetos em total desordem. Pensou: - Minha casa é um reflexo de meu mundo interior, a desordem interna está impressa na desorganização de cada ambiente. 
Contemplou sua sala e percebeu que o caos havia se instalado. Como era possível suportar tamanha desordem? Foi para o banho, momento de introspecção. Enquanto a água percorria seu corpo naquela fria manhã, seu pensamento estava distante. Refletia sobre sua vida, suas escolhas, suas amizades, seus relacionamentos e sua inércia diante de situações incômodas. No entanto, já vivia aquela rotina e havia acomodado-se...
O amor sempre traz um colorido para a vida, e ele agradecia por ter recebido tal benção. Divertia-se com as lembranças dos encontros que teve com Clara. Considerava-se um privilegiado, apesar de tudo que estava passando.
Mantinha um relacionamento muito próximo com sua família, apesar da distância. As relações humanas são complexas e a dependência e controle sobre os movimentos do outro nunca são saudáveis. Já não sabia medir o tempo, talvez acontecesse há muito tempo. As mudanças acontecem, tudo se modifica, pensou. No momento seguinte, deu-se conta de que nada mudara.
Desejava viver intensamente, sentir sua alma pulsar, seu corpo vibrar, seu coração disparar, mas a inquietude de sua alma não era suficiente para que tomasse as rédeas de sua vida. Vivia um ciclo vicioso de dependência e co-dependência de suas crenças, parecia incapaz de realizar qualquer movimento para mudar aquela trajetória. O caminho traçado era o caminho a ser seguido, mesmo que não o levasse a plenitude e quietude que tanto buscava. 
Agora era o momento de decidir, sair em busca de sua felicidade ou permanecer naquela história plagiada de um conto, que não o fazia feliz? Voltou-se para seus pensamentos, que o mantinham distante. Não encontrava nada que retratasse melhor o sentimento dele do que as linda palavras de Camões: “Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente”...
A prisão invisível que o mantinha no calabouço de seu barco, era assustadora quando vivenciada no dia-a-dia, passava pelas coisas mais corriqueiras da rotina diária às questões mais complexas. Era doentio, sintomático e assustador para quem assistia do lado de fora da janela de vidro.
Aquele pseudo controle o impedira de vivenciar o amor que estava sentindo. A insegurança e dificuldade de tomar decisões, que bem ou mal, era um mecanismo de defesa não fora eficiente, poupando-lhe de amar e sofrer. Não sabia ao certo como tudo começara, mas estava vivendo uma história confusa e apaixonante. Com muito carinho, desejo e um amor que Gum desconhecia. 
Uma inquietude sobre o futuro daquela relação estava deixando aquele doce casmurro com o coração em cacos. Acabara algumas vezes, por imposição das suas crenças, não que desejasse, mas não queria se machucar, deixando de vivenciar com Clara tudo o que imaginava em seus mais secretos sonhos. 
O medo de amar o fazia sentir como se faltasse uma parte de si. Sabia o quanto desejava alguns momentos de cumplicidade, amizade, carinho e muito prazer. As afinidades existiam, o cheiro da pele dela o hipnotizava, o olhar, os beijos que ele roubava, o calor daquele corpo quando tocava o seu o fazia desejar intensamente eternizar cada momento. Mais o toque do telefone o trouxe para a realidade, no momento mais feliz do seu dia, no calor da intimidade dos seus sonhos. Por mais que desejasse se entregar aquele amor, não conseguia se livras de suas correntes. 
A onipresença daquela mulher em seus pensamentos o incomodava. Ele se sentia vigiado pelos seus próprios pensamentos. Clara, em sua casa pensava no último encontro deles e nos tórridos momentos de prazer que viveram. Gum seguiu com seu carro para o trabalho, durante todo o seu trajeto Clara esteve presente, o deixando tenso. O que causava estranheza era a embriagues dele, o aceite sem questionamentos, como permitia aquela invasão em seus pensamentos? Para Gum, era uma coleira mental, era o poder que Clara exercia sobre ele. 
Chegou em seu barco de metal, analisou cada objeto espalhado pelo seu escritório. Há tantos anos convivia com aqueles móveis e naquela ambiência que não sabia mais avaliar onde sua história começara. Antes cada detalhe, cada objeto conhecido o fazia relembrar um momento, uma viagem, uma surpresa... Agora, eram apenas objetos espalhados desordenadamente e que não remetiam a nenhuma lembrança, nem doce, nem amarga, apenas o vazio... 
Clara pensa no amor por aquele homem tão diferente dela. Como ela se envolveu com alguém tão controlador, tão teimoso, tão cheio de limitações e com crenças que o aprisionam? Depois de tantos anos, ela se via amando novamente. Um amor tão confuso e instável que a desafiava. Clara sentia seu coração disparar e um frio no estomago, sempre que se aproximava de Gum, logo ela tão segura de si, sucumbindo a emoção. Era uma prova de que a mente não controla o corpo, como gostaria. Clara mesmo amando mantinha certa frieza racional, nem parecia uma mulher que desejava ardentemente, que era romântica e sonhadora. Ela relembra do momento em que ele tira sua camisa e fica inebriado de prazer ao sentir o cheiro de sua pele.
Gum se questionava de como o amor podia ser tão avassalador e tomar conta de sua vida e de todos os momentos de seu dia. O que disparava esse sentimento tão orgânico e astuto? _ Ela me complementa, o que falta em mim encontro na Clara: bom humor, otimismo e felicidade... O que encontro nela é o que busco encontrar para equilibrar minha vida.
A intensidade do amor entre Clara e Gum, promove uma fusão, como um só ser. Amor é êxtase, que aniquila a individualidade e é capaz de dissolver as amarras que aprisionam Gum, na sua própria caverna. Vivenciar uma experiencia libertadora de um amor intenso, permitindo que todas as loucuras da paixão se apoderem dessa história, deixando de lado a vergonha que impede o florescimento do amor é um desafio que pode modificar radicalmente o destino dos dois. 
Claudia Paschoal

sábado, 1 de julho de 2017

Capítulo VIII - Amores possíveis, paixões impossíveis


Capítulo VIII

Quando se ama o tempo parece não passar – pensava Clara ao caminhar pela praia. A praia estava vazia ampliando o volume de seu inquietante pensamento.
_ O amor deveria ser algo que só traz prazer e quando não correspondido, deveria ser simples o “desamar” – diz Clara em voz alta, desabafando com ela mesma.
Para alguns o amor é tão fatal e dilacerante que só provoca dor e sofrimento. Não existe um único amor, para a vida toda. Todos deveriam aprender que se o amor não dá certo, parte-se para outro relacionamento, sem tamanho sofrimento.
Gum estava em seu barco, no calabouço encurralado pelos seus sentimentos. Ele fugia do que sentia e deseja não encontrar Clara. Queria se fortalecer para lutar contra aquele sentimento que o faria estourar sua bolha, romper suas amordaças e sair da sua zona de conforto.
_ Se a Clara tivesse correspondido as minhas investidas no passado seria tudo mais fácil. Agora com esse sentimento que me tira o ar, me torna incapaz de raciocinar, parece castigo, ela é o meu castigo.
Gum vai para o mar, procura nas ondas repor suas energias. Clara recarrega suas energias caminhando pela areia. Ela sente um vazio n’alma. Ele uma angústia sufocante. Como pode o amor provocar tamanha desordem na vida de duas pessoas que se amam?
“Os dois se encontram. Clara estava caminhando quando vê Gum sair do mar, os dois se olham e se aproximam... Gum estava molhado, a pele salgada pela água do mar, ele segura levemente na mão de Clara e a puxa delicadamente, ela sente a pele molhada dele em seu corpo aquecido pelo sol. Ele a olha e a cumprimenta com um suave beijo no canto esquerdo da boca.
A respiração dele está ofegante, Clara fica paralisada, esperando que ele vá além daquele beijo roubado. Ele espera que ela fuja. Gum a abraça, sente o cheiro doce da pele dela, respira profundamente, sente que o corpo dela está entregue a ele. Ele toca o cabelo de Clara, a água que escorre dos cabelos dele, percorre as costas dela provocando um arrepio. O estremecer do corpo dela o faz vibrar.
A boca de Gum toca suavemente a nuca de Clara, enquanto ela passa as mãos pelas costas dele. Ela toca a orelha dele com os lábios, provocando-o. A boca entre aberta procura pela boca dela, os lábios se tocam com força. Ele morde delicadamente os lábios dela, ela suga os lábios dele, ele toca com a ponta da língua os lábios de Clara, ela responde deixando que sua língua toque a dele. O beijo é ardente. As mãos se apertam, demonstrando o tamanho do desejo que existe entre eles.
Gum a convida para ir até sua casa, eles seguem juntos, lado a lado. Ele a convida para tomar um banho relaxante, ela aceita. A água quente do chuveiro esquenta ainda mais o clima de desejo. Ele passa o sabonete pelas costas dela, enquanto a beija. Os corpos nus, se enroscam, ela se vira para ele e olha nos olhos. Um diálogo sem palavras, apenas olhares e movimentos.
O movimento dos corpos refletido no vidro do box, a pele arrepiada, a respiração, o gosto do outro. Clara e Gum saem do banho e vão para o quarto, é a primeira vez que ela vai a casa dele. Tudo parece estranho para ela. Eles se beijam defronte ao espelho, as toalhas caem no chão, eles se beijam ardentemente. Gum toca o rosto de Clara, a beija e deixa que sua boca percorra todo o corpo dela, beijando, mordiscando e passando a língua suavemente pela pele de Clara. Ele se delicia com os movimentos de prazer que provoca, enquanto se deleita no desenho daquele corpo.
Clara passa as unhas, suavemente, pelas costas de Gum. Entrelaça suas pernas nas dele. Ela retribui as caricias, e passeia pelo corpo dele, com beijos e pequenos toques com a ponta da língua. Ele se contorce de prazer. Os dois se olham e ela concede a ele o direito de tê-la. Ele a obedece, e a toma para si, os corpos entram num frenético movimento rítmico. Há uma energia pulsante, que os faz vibrar na mesma sintonia. O vai e vem dos corpos, os gemidos, as bocas se procuram, os olhares e as frase ditas entre eles, testemunham momentos do mais profundo prazer.
Eles se entregam ao desejo, se amam ardentemente... encontram o êxtase. Os corpos caídos na cama, exauridos pelo prazer. Ele a busca para perto de si, a abraça e surpreendentemente diz:
_ Quero você.
Clara fica sem entender o que, exatamente, significa aquele querer. Ele a beija com o mesmo desejo de antes daqueles tórridos momentos de prazer. Ela nem consegue pensar sobre o que estava acontecendo. Ele a toma em seus braços e a beija. Clara sente que o amor é inebriante. Gum se surpreende com tanto desejo, ele já não era mais um jovem, como aquela mulher podia provocar tamanha disposição?
Eles permanecem na cama, se acariciando, beijando, desejando e amando. A amanhã passa rapidamente sem que eles saiam do quarto, uma única e rápida escapadela para trazer um suco e frutas para repor as energias gastas. Clara olha para ele, e vê que apesar da idade e da forma física ele a atrai. Naquele quarto Gum é outro homem, apaixonado, entregue, viril e apaixonante.
Ele também a contempla, vê que apesar das imperfeições naturais a uma mulher com mais de 40 anos, elas ainda mantem um corpo que atrai olhares e o desejo dele.
_ O que vamos fazer? _ pergunta Gum
_ Como assim?
_ Como vamos fazer com tudo isso que está acontecendo? – Explica Gum.
_ Vamos viver intensamente. _ Responde Clara”.
Clara olha para o mar e tem a certeza que está preparada para tudo. Gum deixa o mar focado nos afazeres do dia...
A vida segue seu rumo, cada um com seus pensamentos errantes, com seus desejos ocultos e com muitos desencontros. O amor, um dia venceria aquela intransponível barreira do medo... Apesar da dor que provoca no outro, ele traz uma felicidade que só pode vir do momento de entrega ao tão temido amor...



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Capítulo VII - Amores possíveis, paixões impossíveis


Capítulo VII

No cenário, o barco de metal, estático em seu porto, num emaranhado de emoções e com pesadas ancoras que o mantem paralisado, Gum está prostrado em seu convés, buscando respostas para suas angustias.
O amor é composto por 3 elementos: eu, ele e nós. Para que exista amor, tem que haver o “nós”, os sonhos sonhados juntos, os desejos que caminham para algum lugar que seja bom para os dois.
“Gum sorriu e passou a mão pelo rosto. Clara o admira, mesmo sorrindo ele demonstrava uma tristeza em seu olhar, uma nuvem cinza parecia acompanha-lo por toda a parte. Ele olhou para Clara como se quisesse dizer algo importante. Mas isso ele não conseguiu. Logo saiu em fuga.
Clara sorriu percebendo as emoções que provoca em Gum, mas logo ficara séria e com olhos tristes ao ver que ele sofria com medo que sentia e o aprisionava.
_ Por que você não solta as amarras? – perguntou ela.
_ Não sei do que você está falando. Não sei o que espera que eu responda. – Disse Gum irritadiço.
_ Quero que diga o que está sentindo, que tal?
_ Não sei o que dizer. – respondeu ele nitidamente tenso.
_ Não sabe?
_ Não, não sei o que dizer. Clara eu...
Ela olhou nos olhos dele e se aproximou, colocando suas mãos sobre o coração dele e dizendo:
_ Acalme-se! Apenas sinta e deixe acontecer.
Gum respirou profundamente, a olhou abraçou fortemente.
_ Você sabe o que sinto por você, só não sei como fazer.
_ Gum, meu querido! Apenas diga o que sente, comece me falando o que sente.
_ Já falei e você me ignorou.
_ Era outra situação, você sabe disso. – respondeu Clara, com certa indignação.
_ Naquele momento estava apaixonado, inebriado e encorajado. Agora, o que sinto é muito diferente. Naquele momento eu sabia exatamente o que esperar daquele sentimento.
_ Agora não sabe se sente mais?
_ Sei que sinto algo muito diferente. Não é paixão. Tenho medo, porque não entendo o que sinto. Tenho medo de ficar ridículo, bobo e inconsequente. Tenho medo da dor.
_ Você está com medo de viver algo tão belo?
_ Belo? Como você sabe que é belo?
_ Você tem razão, não sei. Também não sentia algo assim, desde os meus 20 e poucos anos. O que sei é que sinto com intensidade e sem medo.
_ Sou covarde, quero fugir do que estou sentindo. Tenho medo de me entregar a você e depois sofrer.
_ E agora você não está sofrendo?
_ Sim, sofro muito por não poder gritar para todos que...
_ Que?
_ Você sabe, Clara. Você sabe.
_ Gum, eu também...
Os dois se olham e são abruptamente interrompidos por um desavisado que chega para uma inútil conversa com Gum, o capitão daquela nau”.

Assim é o amor... complexo, intenso e entre Clara e Gum, tenso. Por que tem que ser assim? É um querer sem fim... ela se questionava de como podia amar intensamente aquele homem rustico e mal-educado, agressivo e desenxabido.
A paixão é assim, desejo pelo outro, sem que exista a intenção de se estabelecer um relacionamento duradouro. O amor pode começar com uma paixão, mas vai além. O amor vem com um desejo de construir o “nós”, isso amedrontava Gum, porque ele não sabia o que era amar. Ele sempre fora uma pessoa individualista e esse desejo compartilhado era algo novo para Gum.
 Não há vida sem dor, e para alguns a felicidade é um instante de prazer, um momento sem dor. O amor leva à dor, ao sofrimento, quando você não é correspondido, a ausência de ter aquilo que se ama, traz um vazio que promove o sofrimento. Não viver o amor pode evitar a dor, mas a dor é a ausência da felicidade, do desejo alcançado e o amor é o caminho para se alcançar a felicidade e se ter alguém para construir o “nós”.
Clara estava cansada daquela caminhada, Gum parecia incapaz de vencer suas amarras, sair de sua caverna, estourar a bolha e viver o amor, mesmo que fossem para ter apenas alguns momentos de prazer ou de ausência de dor...

Claudia Paschoal
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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Parte VI

Como é difícil entender aquele casmurro ser. Clara acredita que ele vai romper o medo e se entregar àquele sentimento que os une e os afasta.  Ela não entende como fora capaz de amar tanto, de desejar tanto...
_ Parece castigo, acreditei que nunca mais amaria alguém assim.  _ Diz Clara em voz alta.
Ela escolhe uma roupa, pensa em algo que a deixe sensual, apesar da inconstância dele procura sempre surpreendê-lo. Aquele sentimento estava por deixa-la sem rumo, como se todas suas crenças fossem derrubadas.
Ela segue para o trabalho, algumas mudanças de plano a deixam sozinha por horas.
“Será que em algum momento aquele barco de metal desbravaria o recife do medo? O amor é capaz de vencer barreiras, mas seria suficiente para ele lutar pelo que sente?
Um homem preso as amarras de seus conceitos e preconceitos, que não se permite, dificilmente viveria um amor tórrido. 
Gum, o casmurro capitão daquele barco que não zarpava havia muito tempo de seu porto, não seria capaz de arriscar-se e desbravar novos mares”
O tempo é curto e logo, Clara é interrompida e chamada para realidade.
A paixão é uma fase que passa e muda tudo abruptamente, aquele desejo ardente, aquela sensação mágica de que estar ao lado do outro é o suficiente para ser feliz, muda. Já o amor ele completa, é um bem querer sem cobranças, sem desejo de monopolizar o outro.  Ele entendia o amor como uma relação onde havia um dominante, ele, e o dominado, no caso a Clara. Só que nesse caso o dominado não precisava tanto do outro, como desejava o dominador, que estava sempre insatisfeito, desejava ter suas vontades atendidas e tinha um lado narcisista que precisava ser idolatrado. Gum não percebia que o dominador se tornava obsessivo e que a postura de domínio dele provocava uma asfixia em Clara.
Naquele momento, a relação deles enfrentava uma tormenta. Clara, o desejava por tudo aquilo que ele não era e por tudo que ele representava de novo para ela. Gum a desejava, talvez, por ela estar perto demais e por saber que outros também a desejavam. Será que Gum estava apenas exercitando seu lado de macho alfa?
Clara deveria aniquilar aquele sentimento e partir para outros mares. Ela sabia que tinham outros olhares que a cobiçavam, não fazia sentido ficar parada naquele porto, esperando que aquele capitão do barco que não zarpava, tomasse uma decisão.
Clara, sai para almoçar com Gum. Eles estão acompanhados de um amigo, o comportamento dos dois é de casal, todos diziam isso, que se comportavam como um casal, só que não eram exatamente um casal. Eram duas pessoas que lutavam contra seus medos e inseguranças, tentando sufocar os sentimentos, desejos e amor que alimentavam um pelo outro. O orgulho vencia.
“Nesses momentos de dúvida, ele saia para o mar. Ali encontrava conforto e quietude para suas angustias, aquele contato homem-natureza, o acalmava. Ele sempre gostou da simplicidade da vida. Os cabelos grisalhos e o rosto fino, um tanto flácido e cinzento carregavam as sombras das tormentas que ele trazia em seu amago. Apesar do corpo dar sinais de sua idade, tinha uma presença robusta e ereta, o olhar amargo, a aparência desleixada, as rugas e sulcos, os cabelos despenteados e as roupas que ele vestia, demonstravam que o tempo havia passado.
Ele desejava beija-la ardente e efusivamente. Ela era a mulher que ele desejava.
_ Como quero tê-la em meus braços... – Diz em voz alta.
_ Quem você quer em seus braços? – pergunta Clara, que chega deixando Gum atônito.
_ Não vi você chegando, o que aconteceu?
_ Você não respondeu minha pergunta. – Diz Clara, olhando fixamente para Gum.
_ Não sei do que você está falando. Se veio até aqui é porque precisa conversar sobre alguma coisa, o que é?
Clara sorri e diz:
_ Claro, você quando se sente acuado reage sempre da mesma forma.
Gum a olha e pensa em resolver aquele desejo. – Vou esquecer todas as minhas frustrações do passado e me entregar.  As velas do barco batem com o vento que sopra, provocando um arrepio pelo corpo dele. Ele sentiu muito medo, ficou paralisado.
Clara o admirava, percebendo que havia um sofrimento, uma guerra interna em andamento.
_ Sabe o que quero?
_ Não, mas adoraria saber. _ responde Clara.
_ Quero...
Gum se aproxima de Clara, toca seu rosto levemente e a beija ardentemente. Os dois se entregam ao desejo...
_ Não sei mais como fazer. É maçante a minha tentativa de esconder o que desejo, quando acordo, lembro de você. Quando me deito a noite, lembro de você. Pobre de mim, que sofro calado e que sinto tanto desejo. E me obrigo a manter as aparências.
_ Quero gritar para todos que a amo.
Um som alto no convés, rompeu o sonho dele. Ao longe, ele fitou aqueles olhos admiráveis e felizes que percorreram seu corpo até encontrar com os olhos pequenos e apertados. Eles se abraçaram e Gum rouba-lhe um beijo. Ela ri gostosamente e o abraça novamente.
_ Você é o resmungão mais adorável que conheço. – Diz rindo e brincando com ele.
 _ Devo dizer que tem quem goste.
_Sério? Quem?
_ Você... – Diz Gum”.
Clara olha para sala e o silencia a toca profundamente, ela se senta defronte de seu notebook e pensa em reescrever aquela história de amor, que naquele momento está mais para desamor.
O difícil quando se ama é perceber que a relação chegara ao fim, a dor da ruptura é tão grande quanto a dor do desamor... Não há culpados. Uma ruptura pode ser o início de momentos felizes, não antes de uma boa dose de sofrimento. Podem duas pessoas estarem predestinadas uma para outra? Pode o amor vencer o orgulho e as barreiras internas de alguém cheio de amarras?

Não sei responder, só sei que amo... Como são doces os beijos roubados. 


Claudia Paschoal



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